REsp 2175308 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque ataca a decisão do tribunal de origem em pontos de fato e prova, o que exige reexame de matéria fático-probatória vedado pelo âmbito do recurso especial (Súmula 7/STJ), e porque as alegações de omissão foram genéricas e insuficientes, atraindo a aplicação das Súmulas 283 e...
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- Parties
- Recorrente: Instituto Nacional do Seguro Social - INSS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 09 December 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Não Conhecido (decisão De Não Conhecimento)
- Outcome
- Não conheço do recurso especial
- Legal Topics
- Aposentadoria Especial, Tempo De Serviço Especial, Penosidade, Nulidade Por Omissão (art. 1.022, II, Cpc), Súmula 7/stj, Súmulas 283 E 284/stf, Correção Monetária E Juros De Mora, Honorários Advocatícios
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Parties
Instituto Nacional do Seguro Social - INSS
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Não Conhecido (decisão De Não Conhecimento)
Legal Issues
- 1 Alegada omissão do tribunal de origem e cabimento de embargos de declaração (art. 1.022, II, CPC)
- 2 Possibilidade de reconhecimento de tempo especial por atividade penosa após 28/04/1995 e necessidade de previsão em decretos regulamentadores
- 3 Se o recurso especial impugna matéria fático-probatória, incidência da Súmula 7/STJ
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque ataca a decisão do tribunal de origem em pontos de fato e prova, o que exige reexame de matéria fático-probatória vedado pelo âmbito do recurso especial (Súmula 7/STJ), e porque as alegações de omissão foram genéricas e insuficientes, atraindo a aplicação das Súmulas 283 e 284 do STF; assim, nos termos do art. 255, §4º, I, do RISTJ, o recurso não merece conhecimento.
Court Disposition
Não conheço do recurso especial
Orders
- Não conhecimento do recurso especial.
- Majoração dos honorários advocatícios em desfavor do recorrente, no importe de 1% sobre o valor já fixado, nos termos do art. 85, §11, do CPC/2015, observado os limites legais e eventual gratuidade judiciária.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso interposto pelo Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, fundado na alínea a do permissivo constitucional, contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, assim ementado: PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA ESPECIAL. CONCESSÃO. AFASTAMENTO COMPULSÓRIO. TEMA STF 709. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. TEMPO ESPECIAL. MOTORISTA DE ÔNIBUS. PENOSIDADE. RECONHECIMENTO. CONSECTÁRIOS LEGAIS. CORREÇÃO. JUROS. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. 1. Possível o reconhecimento do caráter especial das atividades de motorista de ônibus em virtude da penosidade, ainda que a atividade tenha sido prestada após a extinção da previsão legal de enquadramento por categoria profissional pela Lei 9.032/1995, conforme tese fixada no IAC nº 5033888-90.2018.4.04.0000. 2. Tem direito à aposentadoria especial o segurado que possui 25 anos de tempo de serviço especial e implementa os demais requisitos para a concessão do benefício a partir da data de entrada do requerimento administrativo. 3. É constitucional a vedação de continuidade da percepção de aposentadoria especial se o beneficiário permanece laborando em atividade especial ou a ela retornar, seja essa atividade especial aquela que ensejou a aposentação precoce ou não. 4. A correção monetária das parcelas vencidas dos benefícios previdenciários será calculada conforme a variação do IGP-DI de 05/96 a 03/2006, e do INPC, a partir de 04/2006. 5. Os juros de mora devem incidir a contar da citação (Súmula 204 do STJ), na taxa de 1% (um por cento) ao mês, até 29 de junho de 2009. A partir de 30 de junho de 2009, os juros moratórios serão computados, uma única vez (sem capitalização), segundo percentual aplicável à caderneta de poupança. 6. A partir de 9/12/2021, para fins de atualização monetária e juros de mora, deve ser observada a redação dada ao artigo 3º da EC 113/2021, a qual estabelece que haverá a incidência, uma única vez, até o efetivo pagamento, do índice da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic), acumulado mensalmente. 7. Sucumbente em maior parte, deverá o INSS ser condenado ao pagamento dos honorários advocatícios, fixados em conformidade com o disposto na Súmula 76 deste Tribunal e de acordo com a sistemática prevista no artigo 85 do Código de Processo Civil de 2015. O valor da causa é de R$ 79.046,57 (setenta e nove mil e quarenta e seis reais e cinquenta e sete centavos), atribuído em agosto de 2015. O recorrente alega nulidade da decisão por violação do art. 1.022, II, do CPC. Argumenta que o Tribunal de origem não apreciou a tese de impossibilidade de configuração do trabalho exposto ao agente penoso estresse profissional como atividade especial, para fins de enquadramento no art. 57 da Lei n. 8.213/1991. No mérito, aponta contrariedade aos arts. 57, §§ 3º e 4º, e 58, caput, e § 1º, da Lei n. 8.213/1991, no que concerne ao reconhecimento de tempo especial e à caracterização da penosidade no período laborado após 28/4/1995. Argumenta que após abril de 1995, além da efetiva exposição, o agente nocivo deve estar previsto nos Decretos regulamentadores que listam os agentes capazes de caracterizar a especialidade da atividade (Decretos 2.172/1997 e 3.048/1999). Ainda que não previsto, seria possível a caracterização da nocividade a partir de perícia técnica, nos termos da Súmula n. 198 do extinto TFR. Aduz, ainda, que o mero recebimento da parcela remuneratória pertinente ao adicional de penosidade não induz à contagem privilegiada de tempo de serviço que, por consistir em circunstância excepcional, depende do preenchimento de requisitos específicos. Foram apresentadas contrarrazões ao recurso especial. É o relatório. Decido. Em relação à alegada violação do art. 1.022 do CPC/2015, verifica-se que a recorrente limitou-se a afirmar, em linhas gerais, que o acórdão recorrido incorreu em omissão ao deixar de se pronunciar acerca dos dispositivos legais apresentados nos embargos de declaração, fazendo-o de forma genérica, sem desenvolver argumentos para demonstrar de que forma houve a alegada violação, pelo Tribunal de origem, dos dispositivos legais indicados pela recorrente. Incidência da Súmula n. 284/STF. Nesse sentido, confiram-se: ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. ART. 535 DO CPC DE 1973. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. AUSÊNCIA DO TERMO DE TRANSAÇÃO HOMOLOGADO PELO JUIZ. DOCUMENTO EMITIDOS PELO SIAPE. IMPOSSIBILIDADE. 1. É deficiente a fundamentação do recurso especial em que a assertiva de ofensa ao art. 535 do CPC se faz de forma genérica, sem a demonstração exata dos pontos pelos quais o acórdão incorreu em omissão, contradição ou obscuridade. Aplica-se na hipótese o óbice da Súmula 284 do STF. (..) 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp 1492093/PE, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 10/08/2020, DJe 13/08/2020.) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ART. 535 DO CPC/1973. VIOLAÇÃO. ALEGAÇÃO GENÉRICA. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. IPI. SAÍDA DO ESTABELECIMENTO DO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA. MERO DESLOCAMENTO DO PRODUTO PARA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃO INCIDÊNCIA. (..) 2. A alegação genérica de ofensa ao art. 535 do CPC/1973, desacompanhada de causa de pedir suficiente à compreensão da controvérsia e sem a indicação precisa dos vícios de que padeceria o acórdão impugnado, atrai a aplicação da Súmula 284 do STF. (..) 8. Recurso especial conhecido em parte e desprovido. (REsp 1402138/RS, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 12/05/2020, DJe 22/05/2020.) No mé rito o recurso não comporta conhecimento. Verifica-se que a irresignação do recorrente acerca do não preenchimento dos requisitos autorizadores da contagem especial de tempo de serviço vai de encontro às convicções do julgador a quo, que, com lastro no conjunto probatório constante dos autos, decidiu que "em 08/05/2014 (DER), o segurado tem direito à aposentadoria especial (Lei 8.213/91, art. 57), porque cumpre o tempo mínimo de 25 anos sujeito a condições prejudiciais à saúde ou à integridade física" (fl. 1040). Dessa forma, para rever tal posição e interpretar os dispositivos legais indicados como violados, seria necessário o ree xame desses mesmos elementos fático-probatórios, o que é vedado no âmbito estreito do recurso especial. Incide na hipótese a Súmula n. 7/STJ. Ademais, o reexame do acórdão recorrido, em confronto com as razões do recurso especial, revela que os fundamentos apresentados naquele julgado, e que fundamentaram a construção da sólida ratio decidendi alcançada pelo Tribunal de origem, foram utilizados de forma suficiente para manter a decisão proferida no Tribunal a quo e não foram suficientemente rebatidos no apelo nobre, fator capaz de atrair a aplicação dos óbices das Súmulas n. 283 e 284, ambas do STF. In verbis: Súmula n. 283. É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles. Súmula n. 284 É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia. Ante o exposto, com fundamento no art. 255, § 4º, I, do RISTJ, não conheço do recurso especial. Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino a sua majoração, em desfavor da parte recorrente, no importe de 1% sobre o valor já fixado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, observados, se aplicáveis: i. os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do já citado dispositivo legal; ii. a concessão de gratuidade judiciária. Publique-se. Intimem-se. EMENTA