AREsp 2665055 - ACORDAO
Negar provimento ao agravo interno e não conhecer do recurso especial porque a Corte de origem examinou a matéria com base em fatos e provas, sendo necessária a preservação do decisum ante a vedação ao reexame fático-probatório (Súmula 7/STJ), ausente prequestionamento das questões alegadas (Súmula 211/STJ; súmulas...
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- Parties
- Recorrente: Ivan Santos Amorim; Recorrido: Instituto Nacional do Seguro Social - INSS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 February 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial (agravo Interno) / Julgamento Colegiado Segunda Turma (sessão Virtual De 13/02/2025 a 19/02/2025)
- Outcome
- Agravo interno improvido; não conhecido o recurso especial.
- Legal Topics
- Aposentadoria Especial, Reconhecimento Parcial De Atividade Especial, Remessa Necessária, Súmula 7/stj, Prequestionamento (súmulas 211/stj E 282, 356/stf), Dissídio Jurisprudencial, Perfil Profissiográfico Previdenciário (ppp), NR 15 Anexo 13
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Parties
Ivan Santos Amorim
Recorrente
Instituto Nacional do Seguro Social - INSS
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial (agravo Interno) / Julgamento Colegiado Segunda Turma (sessão Virtual De 13/02/2025 a 19/02/2025)
Legal Issues
- 1 Pretensão de reexame de fatos e provas vedada (Súmula 7/STJ)
- 2 Falta de prequestionamento como óbice ao recurso especial (Súmula 211/STJ; súmulas STF 282 e 356)
- 3 Ausência de comprovação do dissídio jurisprudencial nos moldes do art. 1.029, §1º do CPC/2015
Ratio Decidendi
Negar provimento ao agravo interno e não conhecer do recurso especial porque a Corte de origem examinou a matéria com base em fatos e provas, sendo necessária a preservação do decisum ante a vedação ao reexame fático-probatório (Súmula 7/STJ), ausente prequestionamento das questões alegadas (Súmula 211/STJ; súmulas STF 282 e 356) e não demonstrado dissídio jurisprudencial nos termos legais, além de o acórdão recorrido estar alinhado à jurisprudência desta Corte (Súmula 83/STJ).
Court Disposition
Agravo interno improvido; não conhecido o recurso especial.
Orders
- Agravo interno improvido
- Não conhecer do recurso especial
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 13/02/2025 a 19/02/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Maria Thereza de Assis Moura, Marco Aurélio Bellizze, Teodoro Silva Santos e Afrânio Vilela votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Afrânio Vilela. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA. LABOR EM ATIVIDADE ESPECIAL. RECONHECIMENTO PARCIAL. PROCEDÊNCIA PARCIAL DO PEDIDO. PRETENSÃO DE REEXAME DOS FATOS E PROVAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7/STJ. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS N. 211/STJ E 282, 356/STF. ACÓRDÃO RECORRIDO ALINHADO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 83/STJ. I - Na origem, trata-se de ação ajuizada contra o INSS objetivando a concessão de aposentadoria especial. II - Na sentença, julgou-se procedente o pedido. No Tribunal a quo, a sentença foi parcialmente reformada para conceder a aposentadoria por tempo de contribuição. Esta Corte conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial. III - A Corte de origem bem analisou a controvérsia com base nos seguintes fundamentos: "(..) 14. Como não houve o reconhecimento da especialidade de todos os períodos pleiteados pela parte autora, restou caracterizada a sucumbência recíproca, de forma que a verba honorária, a ser fixada somente por ocasião da liquidação do julgado (art. 85, §4º, II do CPC), deverá ser rateada no percentual de 70% (setenta por cento) em favor do autor, e de 30% (trinta por cento) em benefício do INSS, ficando suspensa a exigibilidade da quantia devida pelo primeiro, em razão da gratuidade de justiça deferida (art. 98, §3º do CPC/2015)." IV - A Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa, seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". V - Esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. VI - O dissídio jurisprudencial viabilizador do recurso especial pela alínea c do permissivo constitucional não foi demonstrado nos moldes legais, pois, além da ausência do cotejo analítico e de não ter apontado qual dispositivo legal recebeu tratamento diverso na jurisprudência pátria, não ficou evidenciada a similitude fática e jurídica entre os casos colacionados que teriam recebido interpretação divergente pela jurisprudência pátria. Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 1.044.194/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 19/10/2017, DJe 27/10/2017. VII - Para a caracterização da divergência, nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e do art. 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ, exige-se, além da transcrição de acórdãos tidos por discordantes, a indicação de dispositivo legal supostamente violado, a realização do cotejo analítico do dissídio jurisprudencial invocado, com a necessária demonstração de similitude fática entre o aresto impugnado e os acórdãos paradigmas, assim como a presença de soluções jurídicas diversas para a situação, sendo insuficiente, para tanto, a simples transcrição de ementas, como no caso. Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 1.235.867/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 17/5/2018, DJe 24/5/2018; AgInt no AREsp n. 1.109.608/SP, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 13/3/2018, DJe 19/3/2018; REsp n. 1.717.512/AL, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 17/4/2018, DJe 23/5/2018. VIII - O Tribunal de origem decidiu a matéria em conformidade com a jurisprudência desta Corte. Incide o disposto no enunciado n. 83 da Súmula do STJ, segundo o qual: "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida." IX - Agravo interno improvido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno contra monocrática que decidiu recurso especial interposto por Ivan Santos Amorim, com fundamento no art. 105, III, c, da CF/1988. O recurso especial visa reformar acórdão do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, nos termos assim ementados: PREVIDENCIÁRIO. PERÍODOS TRABALHADOS EM ATIVIDADE ESPECIAL. RECONHECIMENTO PARCIAL. SERVENTE EM CONSTRUÇÃO CIVIL. ENQUADRAMENTO PROFISSIONAL. POSSIBILIDADE. CÓDIGO 2.3.3 DO QUADRO ANEXO DO DECRETO N. 53.831, DE 25/03/1964. EXPOSIÇÃO A RUÍDO ACIMA DOS LIMITES DE TOLERÂNCIA E A AGENTES QUÍMICOS PREVISTOS NO ANEXO 13 DA NR 15. COMPROVAÇÃO. PERÍODOS ESPECIAIS CONVERTIDOS EM COMUM. APOSENTADORIA POR TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO. CONCESSÃO. APELAÇÃO PARCIALMENTE PROVIDA. REMESSA NECESSÁRIA NÃO CONHECIDA. Na origem, trata-se de ação ajuizada por Ivan Santos Amorim contra o INSS objetivando a concessão de aposentadoria especial. Na sentença, julgou-se procedente o pedido. No Tribunal a quo, a sentença foi parcialmente reformada para conceder a aposentadoria por tempo de contribuição. Esta Corte conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial. No recurso especial, Ivan Santos Amorim aponta dissídio jurisprudencial. A decisão recorrida tem o seguinte dispositivo: "Ante o exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, II, a, do Regimento Interno do STJ, conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo, e não conheço do recurso especial." Interposto agravo interno, a parte agravante traz argumentos contrários aos fundamentos da decisão, resumidos nestes termos: .. não há necessidade de revolvimento dos fatos e provas, mas sim da análise detida na similitude das funções de montador e ajudante na construção civil para enquadramento nos artigos 1º, 2º e códigos 2.3.2, 2.3.1 e 2.3.3 do Quadro Anexo do Decreto nº 53.831/64. (..) .. está certificada também a incoerência do Acórdão Regional com o entendimento desta Colenda Corte, que inclusive, foi aplicado corretamente pelos Tribunais Regionais Federal da 3ª e 4ª Região. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA. LABOR EM ATIVIDADE ESPECIAL. RECONHECIMENTO PARCIAL. PROCEDÊNCIA PARCIAL DO PEDIDO. PRETENSÃO DE REEXAME DOS FATOS E PROVAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7/STJ. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS N. 211/STJ E 282, 356/STF. ACÓRDÃO RECORRIDO ALINHADO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 83/STJ. I - Na origem, trata-se de ação ajuizada contra o INSS objetivando a concessão de aposentadoria especial. II - Na sentença, julgou-se procedente o pedido. No Tribunal a quo, a sentença foi parcialmente reformada para conceder a aposentadoria por tempo de contribuição. Esta Corte conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial. III - A Corte de origem bem analisou a controvérsia com base nos seguintes fundamentos: "(..) 14. Como não houve o reconhecimento da especialidade de todos os períodos pleiteados pela parte autora, restou caracterizada a sucumbência recíproca, de forma que a verba honorária, a ser fixada somente por ocasião da liquidação do julgado (art. 85, §4º, II do CPC), deverá ser rateada no percentual de 70% (setenta por cento) em favor do autor, e de 30% (trinta por cento) em benefício do INSS, ficando suspensa a exigibilidade da quantia devida pelo primeiro, em razão da gratuidade de justiça deferida (art. 98, §3º do CPC/2015)." IV - A Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa, seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". V - Esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. VI - O dissídio jurisprudencial viabilizador do recurso especial pela alínea c do permissivo constitucional não foi demonstrado nos moldes legais, pois, além da ausência do cotejo analítico e de não ter apontado qual dispositivo legal recebeu tratamento diverso na jurisprudência pátria, não ficou evidenciada a similitude fática e jurídica entre os casos colacionados que teriam recebido interpretação divergente pela jurisprudência pátria. Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 1.044.194/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 19/10/2017, DJe 27/10/2017. VII - Para a caracterização da divergência, nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e do art. 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ, exige-se, além da transcrição de acórdãos tidos por discordantes, a indicação de dispositivo legal supostamente violado, a realização do cotejo analítico do dissídio jurisprudencial invocado, com a necessária demonstração de similitude fática entre o aresto impugnado e os acórdãos paradigmas, assim como a presença de soluções jurídicas diversas para a situação, sendo insuficiente, para tanto, a simples transcrição de ementas, como no caso. Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 1.235.867/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 17/5/2018, DJe 24/5/2018; AgInt no AREsp n. 1.109.608/SP, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 13/3/2018, DJe 19/3/2018; REsp n. 1.717.512/AL, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 17/4/2018, DJe 23/5/2018. VIII - O Tribunal de origem decidiu a matéria em conformidade com a jurisprudência desta Corte. Incide o disposto no enunciado n. 83 da Súmula do STJ, segundo o qual: "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida." IX - Agravo interno improvido. VOTO O recurso não merece provimento. A decisão monocrática deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos. A Corte de origem bem analisou a controvérsia com base nos seguintes fundamentos: 2. Quanto ao cabimento de remessa necessária em causas previdenciárias, cumpre ressaltar que apesar de a Corte Especial do STJ, em julgamento representativo de controvérsia (R Esp 1.101.727/PR), sob a égide do CPC/73, ter fixado a orientação de que, tratando-se de sentença ilíquida, deveria esta ser submetida ao reexame necessário, é preciso considerar, não obstante a aparente iliquidez das condenações em causas dessa natureza, ser possível verificar, a partir do novo parâmetro estabelecido na atual legislação processual (a partir de 1.000 salários mínimos - art. 496, § 3º, I, do CPC/2015), o não cabimento da remessa na sentença que defere benefício previdenciário, haja vista que o valor da condenação ou proveito econômico, invariavelmente, não alcançará valor superior a 1.000 salários mínimos, razão pela qual torna-se dispensável o reexame da sentença. Esse, a propósito, é o entendimento que tem prevalecido no âmbito das Turmas Especializadas em matéria previdenciária desta Corte. Logo, não conheço da remessa necessária. 3. O direito relativo à aposentadoria, mediante reconhecimento do exercício de atividade prejudicial à saúde e contagem de tempo especial, encontra-se previsto no art. 201, § 1º da Constituição Federal e disciplinado, especificamente, nos artigos 57 e 58 da Lei 8.213/91, exigindo-se, para a aposentadoria especial, os requisitos da carência (art. 25 da Lei 8.213/91) e do tempo de serviço/contribuição reduzido para 15, 20 ou 25 anos, conforme a atividade. 4. Até o advento da Lei nº 9.032/95, a comprovação do tempo de serviço especial se dava pelo enquadramento em categoria profissional elencada nos anexos dos Decretos nº 53.831/64 e 83.080/79, ou pela comprovação de efetiva exposição a agentes nocivos constantes do rol dos referidos decretos, sendo que a partir de 28/04/95 (data de vigência da mencionada lei) tornou-se imprescindível a efetiva comprovação do desempenho de atividade insalubre, bastando, num primeiro momento, a apresentação de formulários emitidos pelo empregador (SB 40 ou DSS 8030). 5. A partir da edição da Lei 9.528/97, em substituição aos aludidos formulários técnicos exigidos desde da Lei 9.032/95, a comprovação da especialidade passou a ser feita através de laudo técnico pericial LTCAT, sendo posteriormente criado um formulário baseado no laudo técnico, o Perfil Profissiográfico Previdenciário - PPP, que retrata as características de cada emprego do segurado, de forma a possibilitar a verificação da natureza da atividade desempenhada, se insalubre ou não, e a eventual concessão de aposentadoria especial ou por tempo de contribuição. 6. O Perfil Profissiográfico Previdenciário - PPP - é valido como prova para demonstração de que o segurado trabalhador esteve sujeito a condições prejudiciais a sua saúde e/ou integridade física, importando gizar que o referido formulário, criado pela Lei 9.528/97, constitui documento emitido pela pessoa jurídica empregadora, com base em prévio laudo técnico pericial (LTCAT - Laudo Técnico das Condições Ambientais do Trabalho), individualizado quanto ao trabalhador, e elaborado por profissional devidamente habilitado (médico ou engenheiro de segurança do trabalho), para efeito propiciar elementos para o preenchimento do PPP relativamente à eventual exposição do trabalhador a agentes nocivos (físico, químicos e biológicos) em seu ambiente de trabalho. 7. Correta a sentença ao reconhecer a especialidade dos períodos de 17/10/1985 a 25/02/1986, 28/07/1986 a 19/01/1987, 09/03/1990 a 16/11/1990 e 01/10/1991 a 07/04/1992, trabalhados pelo autor como servente em construção civil, em razão da possibilidade de, até 28/04/1995, a citada atividade ser considerada especial por enquadramento no Código 2.3.3 do Quadro Anexo do Decreto n. 53.831, de 25/03/1964. 8. Em relação aos períodos de 08/04/1987 a 16/02/1990 e 21/02/1991 a 21/06/1991, trabalhados, respectivamente, nas funções de "ajudante" e "montador", ocupações não previstas como presumidamente especiais pela legislação então vigente, observo que o autor apenas juntou CTPS, sem comprovar o exercício nas mesmas condições de insalubridade, periculosidade ou penosidade daquelas mencionadas nos anexos dos Decretos 53.831/64 e 83.080/79, o que impossibilita o reconhecimento da especialidade dos referidos intervalos. 9. A respeito do agente nocivo ruído, o Superior Tribunal de Justiça firmou orientação no sentido de que é tida por especial a atividade exercida com exposição a ruídos superiores a 80 decibéis, até a edição do Decreto 2.171/1997, de 05/03/1997; após essa data, o nível de ruído, considerado prejudicial, é o superior a 90 decibéis, índice este que, a partir da entrada em vigor do Decreto 4.882, em 18/11/2003, foi reduzido para 85 decibéis. 10. Ratificado o entendimento proferido pelo Juízo a quo, que reconheceu a especialidade dos períodos de 01/08/1997 a 19/06/2000, 19/11/2003 a 31/08/2004 e 01/09/2004 a 31/10/2006, visto que o PPP anexado aos autos atesta que o autor, nos referidos intervalos, laborou exposto a ruído em intensidade superior aos limites de tolerância mencionados anteriormente, constando no campo 15.5 do referido documento que a técnica de avaliação sonora seguiu os parâmetros estabelecidos em normas da Fundacentro, o que afasta qualquer alegação do INSS no sentido de desconsiderar o PPP como prova da exposição nociva a ruído. 11. A Norma Regulamentadora n.º 15 (NR 15) do Ministério do Trabalho prevê que é dispensável o exame da concentração do agente químico para as substâncias arroladas no seu Anexo 13, a exemplo do naftaleno, alcatrão e ácido fosfórico, as quais, portanto, são avaliadas de forma qualitativa, e não quantitativa, sendo a nocividade presumida e independente de mensuração, impondo-se a manutenção da sentença que enquadrou como especial, por exposição aos agentes químicos acima evidenciados, os períodos de: i) 25/09/1995 a 31/07/1997, 01/08/1997 a 19/06/2000, 20/06/2000 a 31/08/2004, 01/09/2004 a 31/10/2006, 01/11/2006 a 30/11/2015, 01/12/2015 a 14/06/2017 (alcatrão); ii) 01/12/2015 a 14/06/2017 (sujeição a ácido fosfórico); e iii) 01/11/2006 a 30/11/2015 e 01/12/2015 a 14/06/2017 (naftaleno). 12. A informação de fornecimento de equipamentos de proteção individual pelo empregador, por si só, não é suficiente para descaracterizar a especialidade da atividade sujeita aos agentes químicos citados, ainda mais que, no presente caso, o PPP sequer elenca quais EPI"s foram fornecidos, não sendo possível concluir que os riscos químicos capazes de prejudicar a saúde do trabalhador foram neutralizados. 13. Reforma parcial da sentença a fim de que: i) os intervalos de 08/04/1987 a 16/02/1990 e de 21/02/1991 a 21/06/1991 não sejam reconhecidos como especiais, devendo ser computados como tempo comum; ii) seja reconhecida a especialidade dos períodos de 17/10/1985 a 25/02/1986, 28/07/1986 a 19/01/1987, 09/03/1990 a 16/11/1990, 01/10/1991 a 07/04/1992, 25/09/1995 a 31/07/1997, 01/08/1997 a 19/06/2000, 20/06/2000 a 31/08/2004, 01/09/2004 a 31/10/2006, 01/11/2006 a 30/11/2015 e de 01/12/2015 a 14/06/2017; iii) o INSS seja condenado a conceder o benefício da aposentadoria por tempo de contribuição ao autor, desde a data de entrada do requerimento administrativo, em 22/09/17, bem como ao pagamento das parcelas atrasadas, devidas desde a DER até a efetiva implantação do benefício, devidamente corrigidas monetariamente desde cada vencimento e acrescidas de juros de mora, na forma do Manual de Cálculos da Justiça Federal, descontando-se os valores eventualmente já recebidos a título de aposentadoria especial. 14. Como não houve o reconhecimento da especialidade de todos os períodos pleiteados pela parte autora, restou caracterizada a sucumbência recíproca, de forma que a verba honorária, a ser fixada somente por ocasião da liquidação do julgado (art. 85, §4º, II do CPC), deverá ser rateada no percentual de 70% (setenta por cento) em favor do autor, e de 30% (trinta por cento) em benefício do INSS, ficando suspensa a exigibilidade da quantia devida pelo primeiro, em razão da gratuidade de justiça deferida (art. 98, §3º do CPC/2015). Quanto à matéria de fundo, verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa, seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". Relativamente às demais alegações de violação (arts. 1º, 2º e códigos 2.3.2, 2.3.1 e 2.3.3 do quadro anexo do Decreto n. 53.831/1964), esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. O dissídio jurisprudencial viabilizador do recurso especial pela alínea c do permissivo constitucional não foi demonstrado nos moldes legais, pois, além da ausência do cotejo analítico e de não ter apontado qual dispositivo legal recebeu tratamento diverso na jurisprudência pátria, não ficou evidenciada a similitude fática e jurídica entre os casos colacionados que teriam recebido interpretação divergente pela jurisprudência pátria. Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 1.044.194/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 19/10/2017, DJe 27/10/2017. Para a caracterização da divergência, nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e do art. 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ, exige-se, além da transcrição de acórdãos tidos por discordantes, a indicação de dispositivo legal supostamente violado, a realização do cotejo analítico do dissídio jurisprudencial invocado, com a necessária demonstração de similitude fática entre o aresto impugnado e os acórdãos paradigmas, assim como a presença de soluções jurídicas diversas para a situação, sendo insuficiente, para tanto, a simples transcrição de ementas, como no caso. Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 1.235.867/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 17/5/2018, DJe 24/5/2018; AgInt no AREsp n. 1.109.608/SP, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 13/3/2018, DJe 19/3/2018; REsp n. 1.717.512/AL, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 17/4/2018, DJe 23/5/2018. Ademais, verifica-se que o Tribunal de origem decidiu a matéria em conformidade com a jurisprudência desta Corte. Incide o disposto no enunciado n. 83 da Súmula do STJ, segundo o qual: "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida." Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É o voto.