REsp 1928570 - DECISAO
Verificada omissão no acórdão do Tribunal de origem quanto às teses relevantes suscitadas pela parte recorrente (inexigibilidade de juros de mora e impossibilidade de condenação em honorários sobre o valor da condenação), houve violação do art. 1.022 do CPC/2015; por isso, deu-se provimento ao Recurso Especial para...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 May 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão Monocrática Determinando Retorno Ao Tribunal De Origem
- Outcome
- Provimento do Recurso Especial para anular o julgamento dos Embargos de Declaração e determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem para novo julgamento dos Aclaratórios com manifestação expressa sobre inexigibilidade de juros de mora e impossibilidade de condenação em honorários sobre o valor da condenação.
- Legal Topics
- Aposentadoria Especial, Reconhecimento De Tempo De Serviço Especial, Juros De Mora, Honorários Advocatícios, Embargos De Declaração, Omissão (art. 1.022 Cpc), Data De Entrada Do Requerimento Administrativo (der), Ruído Ocupacional (tolerância)
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Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão Monocrática Determinando Retorno Ao Tribunal De Origem
Legal Issues
- 1 Omissão no acórdão quanto à inexigibilidade de juros de mora sobre parcelas vencidas (arts. 389, 394, 395 e 396 do CC)
- 2 Omissão quanto à impossibilidade de condenação em honorários advocatícios sobre o valor da condenação (art. 85, caput, do CPC), à luz do REsp 1.727.063/SP
- 3 Reafirmação da data de entrada do requerimento administrativo (DER) em sede judicial
Ratio Decidendi
Verificada omissão no acórdão do Tribunal de origem quanto às teses relevantes suscitadas pela parte recorrente (inexigibilidade de juros de mora e impossibilidade de condenação em honorários sobre o valor da condenação), houve violação do art. 1.022 do CPC/2015; por isso, deu-se provimento ao Recurso Especial para anular o julgamento dos Embargos de Declaração e determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem para que, em novo julgamento, se manifeste expressamente sobre as matérias omitidas.
Court Disposition
Provimento do Recurso Especial para anular o julgamento dos Embargos de Declaração e determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem para novo julgamento dos Aclaratórios com manifestação expressa sobre inexigibilidade de juros de mora e impossibilidade de condenação em honorários sobre o valor da condenação.
Orders
- Dar provimento ao Recurso Especial
- Determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem para que, em novo julgamento dos Embargos de Declaração, o Tribunal a quo se manifeste expressamente acerca da inexigibilidade de juros de mora sobre as parcelas vencidas (arts. 389, 394, 395 e 396 do Código Civil)
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de Recurso Especial (art. 105, III, "a", da Constituição da República) interposto contra acórdão assim ementado: PREVIDENCIÁRIO. PROCESSO CIVIL. APOSENTADORIA. RECONHECIMENTO DE TEMPO DE SERVIÇO ESPECIAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. RUÍDO. REAFIRMAÇÃO DA DER. APOSENTADORIA ESPECIAL. 1. A sentença não está sujeita à anulação se os autos foram instruídos com elementos suficientes para análise da atividade especial. 2. O limite de tolerância para o agente físico ruído é de 90 (noventa) decibéis, no período entre 6 de março de 1997 e 18 de novembro de 2003 (Tema nº 694 do Superior Tribunal de Justiça). 3. A reafirmação da data de entrada do requerimento administrativo (DER), antes inclusive admitida pela administração previdenciária (IN 77/2015), tem lugar também no processo judicial, uma vez verificado o preenchimento dos requisitos para a concessão do benefício, como fato superveniente, após o ajuizamento da ação ou da própria decisão recorrida, de ofício ou mediante petição da parte. 4. Para ter direito à aposentadoria especial, a parte autora deve preencher os requisitos previstos no art. 57 da Lei nº 8.213, quais sejam: a carência prevista no art. 142 da referida lei e o tempo de trabalho sujeito a condições prejudiciais à sua saúde ou à sua integridade física durante 15, 20 ou 25 anos, a depender da atividade desempenhada. Os Embargos de Declaração foram rejeitados, nos seguintes termos: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. REDISCUSSÃO. EFEITOS INTEGRATIVOS.1. A omissão, a obscuridade, a contradição e o erro material são os únicos fundamentos para a modificação de válida decisão judicial (art. 1.022 do Código de Processo Civil), razão pela qual é imprópria a oposição de embargos de declaração como recurso adequado para reiterar a discussão sobre matéria já apreciada.2. Se constatada omissão em relação à fundamentação de tópico do julgado, os embargos podem ser acolhidos tão somente para o fim de integração, sem atribuição de efeitos infringentes, mantida a decisão embargada. Aponta a parte recorrente violação, em preliminar, do art. 1.022 do CPC/2015; e, no mérito, do arts. 389, 394, 395 e 396 do CC e 85, caput, do CPC/2015. É o relatório. Decido. Os autos ingressaram neste Gabinete em 15/4/2021. Assiste razão à parte recorrenteno que tange à violação do art. 1.022 do CPC/2015. Nas razões do Recurso Especial, sustenta-se: Efetivamente, não foi apreciada pela Corte de origem a tese levantada pelo embargante acerca (a) da inexigibilidade de juros de mora sobre as parcelas vencidas e (b) da impossibilidade de condenação em honorários advocatícios sobre o valor da condenação, nos termos da decisão proferida pelo E. STJ no REsp 1.727.063 - SP. Dessa forma, a Corte de Origem não apreciou o sentido e o alcance do artigo 85, caput, (honorários) do CPC, e artigos 389, 394, 395 e 396 do CC (juros). Com efeito, nas razões do Recurso Especial, bem como na petição dos Aclaratórios, a parte recorrente destaca as teses jurídicas de : (a) inexigibilidade de juros de mora sobre as parcelas vencidas - arts. 389, 394, 395 e 396 do Código Civil; e (b) impossibilidade de condenação em honorários advocatícios sobre o valor da condenação, nos termos da decisão proferida no REsp 1.727.063/SP - art. 85, caput, do Código de Processo Civil. Porém, instada a se manifestar, verifica-se que não houve a análise pela Corte local das questões suscitadas pela parte recorrente. É cediço o entendimento de que a solução integral da controvérsia, com fundamento suficiente, não caracteriza ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 e que o juiz não é obrigado a rebater todos os argumentos aduzidos pelas partes. Por outro lado, o juiz não pode deixar de conhecer de matérias relevantes ao deslinde da questão, mormente quando sua decisão não é suficiente para refutar as teses aduzidas. No caso, os fundamentos asseverados pelo Tribunal a quo não são hábeis a afastar as argumentações tidas como ignoradas. Mesmo com os Aclaratórios opostos para sanear a lacuna, a Corte de origem os rejeitou e deixou de se manifestar sobre os pontos. Reconhece-se, portanto, a existência de omissão no acórdão impugnado e, por conseguinte, a ofensa ao art. 1.022 do CPC. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. SALÁRIO-MATERNIDADE. ART. 1.022 DO CPC. VIOLAÇÃO. OCORRÊNCIA. MATÉRIA RELEVANTE. RETORNO DOS AUTOS AO TRIBUNAL DE ORIGEM. 1. Cuida-se de inconformismo contra acórdão do Tribunal de origem, que indeferiu o pagamento do salário-maternidade, por entender que não se paga o mesmo benefício duas vezes. 2. Alega a recorrente que o acórdão vergastado partiu de premissa equivocada consequente da falta do correto exame da prova carreada ao feito, ao ter reformado a sentença de primeira instância sob o argumento de que a indenização constante do acordo trabalhista já teria englobado o período de salário maternidade, quando o referido documento é expresso em fazer constar o contrário. 3. O recurso merece acolhida, ante a aparente violação ao artigo 1.022 do CPC, pela configuração de omissão relevante no julgado, relativa à análise da questão referente ao fato de não ter sido o benefício de salário-maternidade incluído no acordo trabalhista realizado pela parte autora com ex empregador, omissão essa não superada a despeito da oposição de Embargos Declaratórios. 4. É cediço o entendimento de que a solução integral da controvérsia, com fundamento suficiente, não caracteriza ofensa ao art. 1.022 do CPC e que o juiz não é obrigado a rebater todos os argumentos aduzidos pelas partes. Por outro lado, o juiz não pode deixar de conhecer de matéria relevante ao deslinde da questão, mormente quando sua decisão não é suficiente para refutar a tese aduzida, que, portanto, não abrange toda a controvérsia. 5. Recurso Especial a que se dá parcial provimento, a fim de anular o v. aresto proferido nos Embargos de Declaração e determinar o retorno dos autos ao Egrégio Tribunal de origem para que profira novo julgamento e aborde a matéria omitida. (REsp 1.697.338/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 21/11/2017, DJe 19/12/2017) A propósito, recentes decisões monocráticas: REsp 1.925.332/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 15/04/2021; REsp 1.928.093/RS, Rel. Min. Regina Helena Costa, DJe 16/04/2021; REsp 1.924.380/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 05/04/2021. Ao lume do exposto, dou provimento ao Recurso Especial e determino o retorno dos autos a origem para o fim de que, em novo julgamento dos Aclaratórios, o Tribunal a quo se manifeste expressamente acerca da: (a) inexigibilidade de juros de mora sobre as parcelas vencidas - arts. 389, 394, 395 e 396 do Código Civil; e (b) impossibilidade de condenação em honorários advocatícios sobre o valor da condenação, nos termos da decisão proferida no REsp 1.727.063/SP - art. 85, caput, do Código de Processo Civil. Publique-se. Intimem-se.