AREsp 2817460 - DECISAO
O Supremo Tribunal de Justiça (STJ) entendeu que não houve omissão ou violação do art. 1.022 do CPC/2015, pois o acórdão de origem analisou e fundamentou as questões suscitadas: manteve-se a negativa de reconhecimento de tempo especial para os períodos apontados com base na jurisprudência sobre exposição a produtos...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante/recorrente: MARCO ANTONIO PINHEIRO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 February 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Do Agravo Em Recurso Especial (decisão Colegiada)
- Outcome
- Agravo conhecido e negado provimento ao recurso especial
- Legal Topics
- Aposentadoria Especial, Tempo De Contribuição, Prova Pericial, EPI, Insalubridade, Exposição a Agentes Químicos, Atividade Especial Por Eletricidade, Embargos De Declaração, Art. 1.022 Do Cpc/2015, Súmula 7/stj
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
MARCO ANTONIO PINHEIRO
Agravante/recorrente
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Do Agravo Em Recurso Especial (decisão Colegiada)
Legal Issues
- 1 Alegada violação do art. 1.022 do CPC/2015 por suposta omissão quanto ao reconhecimento de períodos como tempo de serviço especial
- 2 Reconhecimento de atividade especial por exposição a agentes químicos em atividades de limpeza
- 3 Reconhecimento de atividade especial por exposição ao agente eletricidade
Ratio Decidendi
O Supremo Tribunal de Justiça (STJ) entendeu que não houve omissão ou violação do art. 1.022 do CPC/2015, pois o acórdão de origem analisou e fundamentou as questões suscitadas: manteve-se a negativa de reconhecimento de tempo especial para os períodos apontados com base na jurisprudência sobre exposição a produtos de limpeza, acolheu-se que a exposição a eletricidade exige prova de tensão superior a 250V ou atividades específicas, e considerou-se que o PPP e o laudo indicaram eficácia do EPI quanto aos agentes químicos, razão pela qual negou provimento ao recurso especial.
Court Disposition
Agravo conhecido e negado provimento ao recurso especial
Orders
- Conheço o agravo para negar provimento ao recurso especial.
- Caso tenham sido fixados honorários sucumbenciais anteriormente pelas instâncias ordinárias, majoro-os em 10% observados os limites e parâmetros dos §§ 2º, 3º e 11 do artigo 85 do CPC/2015 e a eventual Gratuidade da Justiça (§ 3º do artigo 98 do CPC/2015).
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por MARCO ANTONIO PINHEIRO contra decisão da Corte de origem que não admitiu o recurso especial em razão da incidência da Súmula 7/STJ. O apelo nobre obstado enfrenta acórdão, assim ementado (fl. 984): "PREVIDENCIÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. TEMPO ESPECIAL. ZELADORIA EM HOTEL. NÃO ENQUADRAMENTO. ELETRICIDADE. RECONHECIDA A ESPECIALIDADE. HIDROCARBONETOS. EPI. RECONHECIMENTO PARCIAL. APOSENTADORIA POR TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO. CONCESSÃO. 1. Havendo nos autos documentos suficientes para o convencimento do juízo acerca das condições de trabalho vivenciadas pela parte autora, não há falar em cerceamento de defesa decorrente do indeferimento da produção de prova pericial. 2. Nos termos da jurisprudência desta Corte, não há como ser reconhecida a exposição habitual e permanente a riscos químicos nas atividades de limpeza, porquanto não há previsão legal em relação a detergentes, água sanitária e demais produtos utilizados, cujo manuseio - habitual inclusive em afazeres domésticos - não caracteriza insalubridade para fins previdenciários. Ainda que, efetivamente, muitas substâncias químicas sejam encontradas na composição dos produtos utilizados, essas substâncias estão diluídas em quantidades seguras, sem risco potencial à saúde. 3. É cabível o enquadramento como atividade especial do trabalho exposto ao agente perigoso eletricidade, exercido após a vigência do Decreto 2.172/1997, para fins de aposentadoria especial, desde que a atividade exercida esteja devidamente comprovada pela exposição a tensões elétricas superiores a 250 volts ou pelo trabalho em subestações elétricas, em linhas vivas ou em redes de média e alta tensão. 4. Embora o PPP e o laudo técnico informem exposição a agentes químicos, há anotação de que o EPI (completo) utilizado era eficaz, sem que haja indícios da presença de substâncias cancerígenas, pois nem todo hidrocarboneto aromático é reconhecidamente cancerígeno. A presença do anel benzênico na estrutura molecular não importa equiparação ao benzeno propriamente dito, pois o arranjo químico distinto confere características e propriedades singulares aos compostos. É o caso, por exemplo, do naftaleto, componente da naftalina, que é formado por dois anéis benzênicos condensados e que, ainda hoje, é utilizada no combate de traças em ambiente doméstico. Embora a presença do anel aromático seja, muitas vezes, um indicativo de toxicidade, desconheço literatura que lhe confira caráter cancerígeno independentemente da composição química associada. 5. Via de regra, a menção ao fornecimento do EPI no PPP não é suficiente, de modo que apenas para os casos em que o laudo técnico informe (i) o fornecimento pela empresa e (ii) a eficácia na neutralização da nocividade, caberá o afastamento do direito ao reconhecimento do tempo especial." Opostos embargos de declaração, os mesmos foram rejeitados (fls. 1009-1010). Nas razões do recurso especial, o recorrente alega violação do artigo 1.022, inciso II do CPC/15, ao argumento de que a Corte de origem não se manifestou a respeito da matéria posta nos embargos de declaração no tocante ao reconhecimento dos períodos apontados nas razões recursais como tempo se serviço especial (15/01/2010 a 06/03/2012 e 8/11/2013 a 02/05/2014). Sem contrarrazões. Juízo negativo de admissibilidade à fl. 1048-1050. Interposto agravo em recurso especial às fls. 1059-1063. É o relatório. Passo a decidir. Tendo a parte insurgente impugnado os fundamentos da decisão agravada, passo ao exame do recurso especial. Consigne-se inicialmente que o recurso foi interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devendo ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. Afasta-se a alegada violação do artigo 1.022 do CPC/2015, porquanto o acórdão recorrido manifestou-se de maneira clara e fundamentada a respeito das questões relevantes para a solução da controvérsia. A tutela jurisdicional foi prestada de forma eficaz, não havendo razão para a anulação do acórdão proferido em sede de embargos de declaração. No caso dos autos, observa-se que a questão posta nos embargos foi devidamente analisada, in verbis: "De 15/01/2010 a 06/03/2012 o autor exerceu atividades de zeladoria em hotel, realizando reparos e manutenção em geral. Na perícia trabalhista esta foi a rotina de trabalho narrada pelo autor (evento 29, PROCADM2, p. 4): (..) No laudo a perita indica enquadramento (de insalubridade) por exposição a produtos de limpeza. Nos termos da jurisprudência desta Corte, não há como ser reconhecida a exposição habitual e permanente a riscos químicos nas atividades de limpeza, porquanto não há previsão legal em relação a detergentes, água sanitária e demais produtos utilizados, cujo manuseio - habitual inclusive em afazeres domésticos - não caracteriza insalubridade para fins previdenciários. Ainda que, efetivamente, muitas substâncias químicas sejam encontradas na composição dos produtos utilizados, essas substâncias estão diluídas em quantidades seguras, sem risco potencial à saúde. Com essas razões, nego enquadramento especial ao período de 15/01/2010 a 06/03/2012. Manifesto também divergência quanto ao intervalo de 08/11/2013 a 02/05/2014, quando, embora o PPP (evento 1, PROCADM18, p. 16) e o laudo técnico (evento 51, LAUDO2) informem exposição a agentes químicos, há anotação de que o EPI (completo) utilizado era eficaz, sem que haja indícios da presença de substâncias cancerígenas. Compreendo que nem todo hidrocarboneto aromático é reconhecidamente cancerígeno. A presença do anel benzênico na estrutura molecular não importa equiparação ao benzeno propriamente dito, pois o arranjo químico distinto confere características e propriedades singulares aos compostos. É o caso, por exemplo, do naftaleto, componente da naftalina, que é formado por dois anéis benzênicos condensados e que, ainda hoje, é utilizada no combate de traças em ambiente doméstico. Embora a presença do anel aromático seja, muitas vezes, um indicativo de toxicidade, desconheço literatura que lhe confira caráter cancerígeno independentemente da composição química associada." (fls. 975-976) Desnecessário, portanto, qualquer esclarecimento ou complemento ao que já decidido pela Corte de origem, pelo que se afasta a ofensa aos artigos 489 e 1.022 do CPC/2015. Ante o exposto, conheço o agravo para negar provimento ao recurso especial. Caso tenham sido fixados honorários sucumbenciais anteriormente pelas instâncias ordinárias, majoro-os em 10% (dez por cento), observados os limites e parâmetros dos §§ 2º, 3º e 11 do artigo 85 do CPC/2015 e a eventual Gratuidade da Justiça (§ 3º do artigo 98 do CPC/2015). Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. APOSENTADORIA ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC/2015. NÃO OCORRÊNCIA. AGRAVO CONHECIDO PARA NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL.