AREsp 2438260 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e, quanto ao pedido de sobrestamento, foi considerado prejudicado em razão do julgamento do RE 1.298.832/RS pelo STF. A alegação de omissão não foi conhecida por ausência de oposição de embargos de declaração, sendo aplicável a vedação decorrente da Súmula 284 do STF. No mérito, firmou-se que,...
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- Parties
- Recorrente: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 October 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão
- Outcome
- Agravo conhecido; conhecido parcialmente o recurso especial e, nessa parte, negado provimento ao recurso especial interposto pelo INSS
- Legal Topics
- Aposentadoria Por Idade, Carência, Auxílio Doença, Contagem De Tempo De Contribuição, Admissibilidade De Recurso Especial, Honorários Sucumbenciais
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Parties
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL
Recorrente
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão
Legal Issues
- 1 Pedido de sobrestamento em razão do RE 1.298.832/RS (Tema 1125)
- 2 Alegação de negativa de prestação jurisdicional (omissão)
- 3 Se o período em gozo de auxílio-doença intercalado com atividade laboral deve ser computado para fins de carência
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e, quanto ao pedido de sobrestamento, foi considerado prejudicado em razão do julgamento do RE 1.298.832/RS pelo STF. A alegação de omissão não foi conhecida por ausência de oposição de embargos de declaração, sendo aplicável a vedação decorrente da Súmula 284 do STF. No mérito, firmou-se que, quando o recebimento de auxílio-doença ocorre de forma intercalada entre períodos de atividade, o valor do auxílio é considerado salário-de-contribuição e o período deve ser computado para fins de carência, consoante art. 29, § 5º, da Lei 8.213/1991 e jurisprudência do STJ; assim, negou-se provimento ao recurso especial do INSS. Aplicou-se, ainda, majoração de 10% nos...
Court Disposition
Agravo conhecido; conhecido parcialmente o recurso especial e, nessa parte, negado provimento ao recurso especial interposto pelo INSS
Orders
- Nego provimento ao recurso especial na parte conhecida
- Majoro em 10% (dez por cento), em desfavor da parte recorrente, o valor de honorários sucumbenciais já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do CPC
Full Case Text
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DECISÃO Trata-se de agravo interposto da decisão que inadmitiu o recurso especial no qual o INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL se insurgira, com fundamento no art. 105, inciso III, alínea a, da Constituição Federal, contra o acórdão do TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO assim ementado (fl. 179): PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA POR IDADE. DECISÃO MONOCRÁTICA. AGRAVO INTERNO DO INSS. MANUTENÇÃO DO JULGADO AGRAVADO. AGRAVO DESPROVIDO. - Inviabilidade do agravo interno quando constatada, de plano, a improcedência da pretensão recursal, mantidos os fundamentos de fato e de direito do julgamento monocrático, que bem aplicou o direito à espécie. - Agravo interno desprovido. Não foram opostos embargos de declaração. Nas razões de seu recurso especial, a parte recorrente alega violação dos arts. 11, 489, II, § 1º, IV, e 1.022, I e II, do Código de Processo Civil (CPC), dos arts. 24, 25, 27, I e II, 29, § 5º, 55, II, 125 e 142 da Lei 8.213/1991 e do art. 28, § 9º, a, da Lei 8.212/1991. Argumenta, para tanto, o seguinte: (a) preliminarmente, o recurso deve ser sobrestado até a apreciação da matéria pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nos autos do RE 1.298.832/RS (Tema 1.125); e (b) houve negativa de prestação jurisdicional. Quanto ao mérito, aduz: (a) a impossibilidade de ser reconhecido benefício por incapacidade como carência, mesmo havendo retorno às atividades remuneradas e sem contribuição alguma para o sistema previdenciário; (b) não pode ser aplicado ao presente caso o que foi decidido no Recurso Especial 1.410.433, representativo de controvérsia, em que se firmou a tese de que somente o período intercalado com atividade laborativa pode ser computado como salário de contribuição e não como carência; e (c) a inexistência de prévia fonte de custeio em caso de contagem do período de gozo do benefício por incapacidade para fins de carência. Requer, em suma, o provimento recursal "para que seja afastado o reconhecimento do benefício por incapacidade como carência, visto que o v. aresto recorrido contraria legislação federal" (fl. 205). A parte adversa apresentou contrarrazões (fls. 219/220). É o relatório. A decisão de admissibilidade foi devidamente refutada na petição de agravo e, por isso, passo ao exame do recurso especial. De início, está prejudicado o pedido de sobrestamento dos autos, tendo em vista o julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal, do RE 1.298.832/RS (Tema 1.125). Eis a ementa do julgado: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA. PERÍODO DE GOZO DE AUXÍLIO-DOENÇA INTERCALADO COM ATIVIDADE LABORATIVA. CONTAGEM PARA FINS DE CARÊNCIA. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. MULTIPLICIDADE DE RECURSOS EXTRAORDINÁRIOS. RELEVÂNCIA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. REAFIRMAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. MANIFESTAÇÃO PELA EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. (RE 1298832 RG, Relator: MINISTRO PRESIDENTE, Tribunal Pleno, julgado em 18/02/2021, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-035 DIVULG 24-02-2021 PUBLIC 25-02-2021.) Em relação à tese de violação dos arts. 11, 489 e 1.022 do Código de Processo Civil, observo que a parte recorrente não opôs embargos de declaração a fim de provocar o Tribunal de origem a sanar eventual vício contido no acórdão recorrido. O exame da tese se encontra inviabilizado em razão do óbice da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal, aplicado por analogia ("É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia"). Quanto ao mérito recursal, o Tribunal de origem assim se manifestou sobre o tema (fls. 181/185): A decisão ora gravada expressamente consignou que a legislação previdenciária considera o valor do auxílio-doença como salário-de-contribuição, quando o aludido benefício for recebido de forma intercalada, ou, nos dizeres da lei, entre períodos de atividade. Assim, se o interstício em que o segurado recebe auxílio-doença é contado como tempo de contribuição, deve, por consequência, ser computado para aferição do período de carência, dado o conceito do referido requisito pelo art. 24, acima transcrito. .. Constatado, nos autos, que os interregnos de auxílio-doença deram-se de forma intercalada, entre períodos de atividade, não há óbice para que sejam computados para efeito de cumprimento do período de carência. Verifico que o entendimento adotado pelo acórdão recorrido está alinhado à orientação jurisprudencial desta Corte de que deve ser considerado, para efeito de carência, o tempo em que o segurado esteve em gozo de auxílio-doença ou de aposentadoria por invalidez, desde que intercalado com períodos contributivos. Nessa linha de entendimento, cito os seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. PERCEPÇÃO DE AUXÍLIO-DOENÇA. CARÊNCIA. CÔMPUTO. 1. Conforme estabelecido pelo Plenário do STJ, "aos recursos interpostos com fundamento no CPC/1973 (relativos a decisões publicadas até 17 de março de 2016) devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele prevista, com as interpretações dadas até então pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça" (Enunciado Administrativo n. 2). 2. O entendimento do Tribunal de origem coaduna-se com o disposto no § 5º do art. 29 da Lei n. 8.213/1991, bem como com a orientação desta Corte, segundo os quais deve ser considerado, para efeito de carência, o tempo em que o segurado esteve em gozo de auxílio-doença ou de aposentadoria por invalidez, desde que intercalado com períodos contributivos. 3. Hipótese em que a Corte local reconheceu a demonstração do recolhimento de 142 contribuições previdenciárias, das 126 exigidas pelo art. 142 da Lei de Benefícios, necessárias à concessão da aposentadoria. 4. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp n. 1.574.860/SP, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 3/4/2018, DJe de 9/ 5/2018.) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA. REVISÃO. PRETENSÃO DE INCLUSÃO DOS PERÍODOS EM QUE HOUVE RECEBIMENTO DO AUXÍLIO-DOENÇA COMO TEMPO DE SERVIÇO. ART. 55, II DA LEI 8.213/91. NECESSIDADE DO GOZO DO BENEFÍCIO SER INTERCALADO COM ATIVIDADE LABORATIVA. TEMA 1125 DO STF. RECOLHIMENTO DE UMA ÚNICA PARCELA COMO SEGURADO FACULTATIVO. AUSENCIA DE ATIVIDADE LABORATIVA RECURSO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. No caso em análise, o Tribunal de origem obstou pretensão do obreiro de revisão de sua aposentadoria, ao fundamento de que o período em que o segurado usufruiu do benefício de auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez pode ser computado como carência e tempo de contribuição, desde que intercalado com períodos de efetiva atividade laborativa, o que não ocorreu no caso em concreto. 2. Nos termos do disposto nos arts. 29, II e § 5º, e 55, II, da Lei 8.213/91, o cômputo dos salários-de-benefício como salários-de-contribuição somente será admissível se, no período básico de cálculo - PBC, houver afastamento intercalado com atividade laborativa, em que há recolhimento da contribuição previdenciária. Precedentes. 3. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp n. 2.113.564/RS, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 15/8/2024, DJe de 28/8/2024.) Ante o exposto, conheço do agravo para conhecer parcialmente do recurso especial da autarquia federal e, nessa parte, a ele negar provimento. Majoro em 10% (dez por cento), em desfavor da parte recorrente, o valor de honorários sucumbenciais já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º desse mesmo dispositivo. Publique-se. Intimem-se. EMENTA