REsp 1912787 - DECISAO
O STJ manteve o acórdão do Tribunal de origem por entender que os documentos apresentados (certidão de casamento e CNIS do esposo) são insuficientes para comprovar o exercício, pela recorrente, da atividade rural em regime de economia familiar pelo período de carência; a extensão de prova de documento em nome de...
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- Parties
- Recorrente: ANTONIA APARECIDA DOS SANTOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 March 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgamento No STJ
- Outcome
- Nego provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Aposentadoria Por Idade, Trabalho Rural, Segurado Especial, Início De Prova Material, Prova Testemunhal, Honorários Advocatícios, Extinção Sem Resolução De Mérito
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Parties
ANTONIA APARECIDA DOS SANTOS
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgamento No STJ
Legal Issues
- 1 Se os documentos juntados em nome do cônjuge constituem início de prova material suficiente para comprovar atividade rural da recorrente
- 2 Efeito do posterior exercício de atividade urbana pelo cônjuge sobre a eficácia probatória de documentos em seu nome
- 3 Necessidade de prova material em nome próprio para caracterização do segurado especial
Ratio Decidendi
O STJ manteve o acórdão do Tribunal de origem por entender que os documentos apresentados (certidão de casamento e CNIS do esposo) são insuficientes para comprovar o exercício, pela recorrente, da atividade rural em regime de economia familiar pelo período de carência; a extensão de prova de documento em nome de terceiro só é admitida em hipótese de agricultura de subsistência e o caso dos autos não demonstrou tal situação, de modo que não houve violação de normas apontadas pela recorrente e negou-se provimento ao recurso especial.
Court Disposition
Nego provimento ao recurso especial.
Orders
- Nego provimento ao recurso especial.
- Imposição à parte recorrente do pagamento de honorários advocatícios equivalentes a 20% do valor já fixado, observando-se o art. 98, §3º, do CPC/2015.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto porANTONIA APARECIDA DOS SANTOS, com fundamento no art. 105, III, "a" e "c", da CF, contra acórdãoproferido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, assim ementado(fl. 205): PREVIDENCIÁRIO: APOSENTADORIA POR IDADE. TRABALHADOR RURAL. INÍCIO DEPROVA MATERIAL INSUFICIENTE. EXTINÇÃO SEM RESOLUÇÃO DE MÉRITO. RESPREPETITIVO 1352721/SP. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. 1. A ausência de prova material apta a comprovar o exercício da atividade rural caracteriza carência de pressuposto de constituição e desenvolvimento válido do processo a ensejar a sua extinção sem exame do mérito. 2. Honorários de advogado a cargo da autora, que deu causa à extinção do processo sem resolução do mérito, observada a gratuidade da Justiça deferida nos autos. 3. De ofício, processo extinto sem resolução de mérito. Apelação prejudicada. Aponta a parte recorrente violação ao arts. 55,§ 3º, 143, da Lei n. 8.213/91, na medida em que "juntou aos autos documentos que servem como início de prova material, ou seja, certidão de casamento, onde consta a profissão de seu esposo como lavrador, CNIS de seu esposo, onde se verifica registro como trabalhador rural" (fl. 221). É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. A irresignação nãocomporta acolhida. Quanto à questão de fundo, o labor campesino, para fins de percepção de aposentadoria rural por idade, deve ser demonstrado por início de prova material e ampliado por prova testemunhal, ainda que de maneira descontínua, no período imediatamente anterior ao requerimento, pelo número de meses idêntico à carência. Conforme construção jurisprudencial desta Corte, são aceitos, como início de prova material, certidões de nascimento/casamento/óbito, bem como documentos em nome de outros membros da família, inclusive cônjuge ou genitor, que o qualificam como lavrador, desde que acompanhados de robusta prova testemunhal (AgRg no AREsp 188.059/MG, Rel. Ministro Herman Benjamin, DJe 11/09/2012). De outro lado, o posterior exercício de atividade urbana pelo cônjuge, por si só, não descaracteriza a parte autora como segurada especial, mas afasta a eficácia probatória dos documentos apresentados em nome do consorte, devendo ser juntada prova material em nome próprio. Este entendimento foi reiterado pela Primeira Seção desta Corte ao apreciar o Resp 1.304.479/SP, submetido ao rito do art. 543-C do CPC, que foi assim ementado: RECURSO ESPECIAL. MATÉRIA REPETITIVA. ART. 543-C DO CPC E RESOLUÇÃO STJ 8/2008. RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. TRABALHO RURAL. ARTS. 11, VI, E 143 DA LEI 8.213/1991. SEGURADO ESPECIAL. CONFIGURAÇÃO JURÍDICA. TRABALHO URBANO DE INTEGRANTE DO GRUPO FAMILIAR. REPERCUSSÃO. NECESSIDADE DE PROVA MATERIAL EM NOME DO MESMO MEMBRO. EXTENSIBILIDADE PREJUDICADA. 1. Trata-se de Recurso Especial do INSS com o escopo de desfazer a caracterização da qualidade de segurada especial da recorrida, em razão do trabalho urbano de seu cônjuge, e, com isso, indeferir a aposentadoria prevista no art. 143 da Lei 8.213/1991. 2. A solução integral da controvérsia, com fundamento suficiente, não evidencia ofensa ao art. 535 do CPC. 3. O trabalho urbano de um dos membros do grupo familiar não descaracteriza, por si só, os demais integrantes como segurados especiais, devendo ser averiguada a dispensabilidade do trabalho rural para a subsistência do grupo familiar, incumbência esta das instâncias ordinárias (Súmula 7/STJ). 4. Em exceção à regra geral fixada no item anterior, a extensão de prova material em nome de um integrante do núcleo familiar a outro não é possível quando aquele passa a exercer trabalho incompatível com o labor rurícola, como o de natureza urbana. 5. No caso concreto, o Tribunal de origem considerou algumas provas em nome do marido da recorrida, que passou a exercer atividade urbana, mas estabeleceu que fora juntada prova material em nome desta em período imediatamente anterior ao implemento do requisito etário e em lapso suficiente ao cumprimento da carência, o que está em conformidade com os parâmetros estabelecidos na presente decisão. 6. Recurso Especial do INSS não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução 8/2008 do STJ. (REsp 1.304.479/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/10/2012, DJe 19/12/2012) No caso, a Corte de origem, após exame dos elementos fáticos contidos nos autos, reformou a sentença de fls. 143/148, por compreender que os documentos juntados aos autos seriam insuficientes para fins de comprovação do exercício de atividade rural, em regime de economia familiar, confira-se o seguinte excerto do acórdão recorrido(fl. 209): Os documentos acostados para comprovar o requisito do labor rural são: certidão de casamento contraído em 08/08/1970, na qual seu ex-cônjuge está qualificado profissionalmente como lavrador e, ainda, o CNIS deste, com vínculo de emprego rural junto "COMPANHIA AGRÍCOLA QUATA" no período de 12/04/1984 a 14/06/1984. Emerge dos autos, portanto, que o conjunto probatório não é suficiente à comprovação do efetivo exercício pela parte autora da atividade rural pelo período de carência exigido. De imediato, diga-se que, consoante entendimento desta Eg. Sétima Turma, a extensão da qualificação de lavrador em documento de terceiro - familiar próximo, cônjuge - somente pode ser admitida quando se tratar de agricultura de subsistência, em regime de economia familiar, o que não é o caso dos autos. Assim, nota-se que o entendimento da Corte de origem encontra-se alinhada à jurisprudência do STJ, motivo pelo qual nada a reparar no julgado recorrido. Levando em conta o trabalho adicional realizado em grau recursal, impõe-se à parte recorrente o pagamento de honorários advocatícios equivalentes a 20% (vinte por cento) do valor a esse título já fixado no processo (art. 85, § 11, do novo CPC/2015), observando-se, contudo, o disposto no art. 98, § 3º, do CPC/2015, em razão da concessão do benefício da assistência judiciária gratuita. ANTE O EXPOSTO, nego provimento ao recurso especial. Publique-se.