AREsp 1811470 - ACORDAO
O Agravo Interno foi desprovido porque o provimento da pretensão exigiria reexame do contexto fático-probatório quanto à comprovação de atividade rural no período de carência, providência vedada em Recurso Especial pela Súmula 7/STJ; assim, mantiveram-se os fundamentos do acórdão de origem que reconheceu a condição...
Source-derived case information.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 31 August 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Agravo Interno Contra Decisão Que Desproveu O Recurso, Julgado Pela Segunda Turma Do STJ
- Outcome
- Agravo Interno não provido
- Legal Topics
- Aposentadoria Por Idade Rural, Início De Prova Material, Reexame Do Contexto Fático Probatório, Súmula 7/stj
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Procedural Posture
Agravo Interno / Agravo Interno Contra Decisão Que Desproveu O Recurso, Julgado Pela Segunda Turma Do STJ
Legal Issues
- 1 Se houve comprovação de atividade rural no período de carência imediatamente anterior ao pedido (imediatamente anterior a 2017)
- 2 Se é admissível, em Recurso Especial, o reexame do contexto fático-probatório para revisar conclusão sobre preenchimento dos requisitos para aposentadoria por idade rural
- 3 Aplicabilidade da Súmula 7/STJ ao caso concreto
Ratio Decidendi
O Agravo Interno foi desprovido porque o provimento da pretensão exigiria reexame do contexto fático-probatório quanto à comprovação de atividade rural no período de carência, providência vedada em Recurso Especial pela Súmula 7/STJ; assim, mantiveram-se os fundamentos do acórdão de origem que reconheceu a condição etária, mas não a atividade rural imediata anterior a 2017.
Court Disposition
Agravo Interno não provido
Orders
- Negar provimento ao Agravo Interno
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Og Fernandes, Mauro Campbell Marques e Assusete Magalhães votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Herman Benjamin. EMENTA PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA POR IDADE RURAL. INÍCIO DE PROVA MATERIAL. ATIVIDADE NO PERÍODO DE CARÊNCIA. REEXAME DO CONTEXTO FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Na hipótese dos autos, o Tribunal de origem, ao julgar a vexata quaestio, consignou: "(..) Assim, o entendimento do E. STJ é de que o segurado especial tem que estar laborando no campo, quando completar a idade mínima para se aposentar por idade rural, momento em que poderá requerer seu benefício. Ressalvada a hipótese do direito adquirido, em que o segurado especial, embora não tenha requerido sua aposentadoria por idade rural, preenchera de forma concomitante, no passado, ambos os requisitos, carência e idade. In casu , portanto, a demandante logrou êxito em demonstrar o preenchimento da condição etária, porém não o fez quanto à comprovação do labor no meio campesino no período imediatamente anterior a 2017". 2. Extrai-se do acórdão vergastado e das razões de Recurso Especial que o acolhimento da pretensão recursal demanda reexame do contexto fático-probatório, especialmente para verificar se estão presentes os requisitos para a concessão do benefício pleiteado, o que não se admite ante o óbice da Súmula 7/STJ. 3. Agravo Interno não provido.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO HERMAN BENJAMIN (Relator): Trata-se de Agravo Interno contra decisão que desproveu o recurso. A parte agravante alega, em síntese: (..) Nas suas razões o Relator julgador bem esclareceu que não cabe Recurso Especial para o simples reexame da conjuntura probatória atrelada aos autos, tal suscitação não possui equívoco, entretanto, ao vincular o intento autoral em sede de Recurso Especial como sendo a simples reapreciação das provas, o Eminente relator promoveu um desacerto, especialmente pelo fato de que a ora agravante postula em verdade uma revaloração jurídica do conjunto probante vinculado aos autos. Em suma, a agravante não pleiteia uma nova apreciação da extensão probatória, mas sim uma readequação do teor dos fatos incontroversos na correta subsunção legal pertinente, vez que as provas produzidas no processo são capazes de preencher os requisitos inerentes a concessão do benefício de aposentadoria por idade rural. (..) Isto posto, cabe ressaltar que a 8ª Turma do TRF da 3ª Região, entendeu que a agravante fora servidora pública de entre os anos de 1990 a 2006, veja-se (4ª lauda do v. acórdão objurgado): (..) Ocorre que em verdade, a peticionante laborou como servidora pública entre os períodos de 02/01/1990 a 23/05/1990 e de 18/03/2002 a 28/02/2006, ou seja, a afirmação de que ela laborou de 1990 a 2006 não é correta, tendo em vista que a mesma não laborou durante todo o interregno, ao contrário, apenas junto ao curtos períodos acima delimitados, veja-se: (..) Pugna pela reconsideração da decisão agravada ou pelo provimento, pelo colegiado, do Agravo Interno. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA POR IDADE RURAL. INÍCIO DE PROVA MATERIAL. ATIVIDADE NO PERÍODO DE CARÊNCIA. REEXAME DO CONTEXTO FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Na hipótese dos autos, o Tribunal de origem, ao julgar a vexata quaestio, consignou: "(..) Assim, o entendimento do E. STJ é de que o segurado especial tem que estar laborando no campo, quando completar a idade mínima para se aposentar por idade rural, momento em que poderá requerer seu benefício. Ressalvada a hipótese do direito adquirido, em que o segurado especial, embora não tenha requerido sua aposentadoria por idade rural, preenchera de forma concomitante, no passado, ambos os requisitos, carência e idade. In casu , portanto, a demandante logrou êxito em demonstrar o preenchimento da condição etária, porém não o fez quanto à comprovação do labor no meio campesino no período imediatamente anterior a 2017". 2. Extrai-se do acórdão vergastado e das razões de Recurso Especial que o acolhimento da pretensão recursal demanda reexame do contexto fático-probatório, especialmente para verificar se estão presentes os requisitos para a concessão do benefício pleiteado, o que não se admite ante o óbice da Súmula 7/STJ. 3. Agravo Interno não provido. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO HERMAN BENJAMIN (Relator): Os autos foram recebidos neste Gabinete em 1.6.2021. O Agravo Interno não merece prosperar, pois a ausência de argumentos hábeis para alterar os fundamentos da decisão ora agravada torna incólume o entendimento nela firmado. Conforme já disposto no decisum combatido, o Tribunal de origem, ao julgar a vexata quaestio, consignou: (..) Assim, o entendimento do E. STJ é de que o segurado especial tem que estar laborando no campo, quando completar a idade mínima para se aposentar por idade rural, momento em que poderá requerer seu benefício. Ressalvada a hipótese do direito adquirido, em que o segurado especial, embora não tenha requerido sua aposentadoria por idade rural , preenchera de forma concomitante, no passado, ambos os requisitos, carência e idade. In casu , portanto, a demandante logrou êxito em demonstrar o preenchimento da condição etária, porém não o fez quanto à comprovação do labor no meio campesino no período imediatamente anterior a 2017. Extrai-se do acórdão vergastado e das razões de Recurso Especial que o acolhimento da pretensão recursal demanda reexame do contexto fático-probatório, especialmente para verificar se estão presentes os requisitos para a concessão do benefício pleiteado, o que não se admite ante o óbice da Súmula 7/STJ. A propósito: PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA POR TEMPO DE SERVIÇO. ATIVIDADE RURAL. BOIA-FRIA. ATIVIDADE NO PERÍODO DE CARÊNCIA. PREMISSA FÁTICA. INVERSÃO. DESCABIMENTO. 1. A Primeira Seção, em julgamento proferido sob o rito do art. 543-C do CPC/73, assentou a compreensão de que o trabalhador denominado "boia-fria", em razão das dificuldades inerentes à natureza de seu labor desprovido de qualquer vínculo formal e, por conseguinte, de documentação específica, pode ter reconhecida sua atividade rural por meio de um início de prova material, em parte do período postulado, desde que corroborado por testemunhos idôneos, colhidos em juízo. 2. Hipótese em que o Tribunal de origem não reconheceu a pretensão da autora após constatar a ausência de comprovação do exercício de atividade rural no período de carência, de modo que a revisão do julgado demandaria o reexame de prova, inviável em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 7 do STJ. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt nos EDcl no REsp 1858793/SP, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/12/2020, DJe 17/12/2020) Ausente a comprovação da necessidade de retificação a ser promovida na decisão agravada, proferida com fundamentos suficientes e em consonância com entendimento pacífico deste Tribunal, não há prover o Agravo Regimental que contra ela se insurge. Por tudo isso, nego provimento ao Agravo Interno. É como voto.