AREsp 1915660 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque o recorrente apresentou alegações genéricas de violação do art. 1.022 do CPC sem especificar os incisos supostamente contrariados e não indicou com precisão os dispositivos legais ou procedeu ao cotejo analítico necessário para demonstrar dissídio...
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- Parties
- Agravante/recorrente: JOSEFA CARDOSO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 September 2021
- Procedural Posture
- Agravo / Conhecimento Do Agravo Para Decisão Sobre Admissibilidade De Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Aposentadoria Por Idade Rural, Ação Rescisória, Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 284/stf, Dissídio Jurisprudencial, Embargos De Declaração, Omissão Judicial
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Parties
JOSEFA CARDOSO
Agravante/recorrente
Procedural Posture
Agravo / Conhecimento Do Agravo Para Decisão Sobre Admissibilidade De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Alegada violação do art. 1.022 do CPC (omissão/negativa de prestação jurisdicional)
- 2 Alegada divergência jurisprudencial para fins de recurso especial (CF art. 105, III, al. c)
- 3 Possibilidade de revaloração de provas em ação rescisória
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque o recorrente apresentou alegações genéricas de violação do art. 1.022 do CPC sem especificar os incisos supostamente contrariados e não indicou com precisão os dispositivos legais ou procedeu ao cotejo analítico necessário para demonstrar dissídio jurisprudencial, atraindo o óbice da Súmula 284/STF; assim, não se verificou omissão ou divergência apta a autorizar o conhecimento do recurso especial.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, nos termos do art. 85, § 11, do CPC, observados os limites legais.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por JOSEFA CARDOSO contra a decisão que não admitiu seu recurso especial, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a" e alínea "c", da CF/88, que visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO, assim resumido: PREVIDENCIÁRIO. AÇÃO RESCISÓRIA. APOSENTADORIA POR IDADE RURAL. PERMISSIVOS À DESCONSTITUIÇÃO DO JULGADO NÃO CONFIGURADOS. - Literal violação à lei descaracterizada. O provimento objurgado não se divorciou do razoável ao denegar a aposentação alvitrada, tendo sido agasalhada uma das soluções exequíveis á espécie, mormente diante do vislumbre da precariedade da prova oral produzida. - Por igual, o aresto combatido não padece de erro de fato. Considerou os elementos fáticos e jurídicos efetivamente colacionados à ação originária. E houve pronunciamento judicial expresso sobre a matéria controvertida, o que, também, afasta a caracterização dessa modalidade de equívoco, "ex vi" do § 2º do art. 485 do CPC de 1973. - Ademais, ainda quando se pudesse divisar algum equívoco pelo decisório, no que concerne ao aspecto temporal da prestação do mister urbano pela solicitante - o qual, por ser anterior ao lapso de carência, não poderia servir de impedimento á outorga da aposentadoria rural - certo é que o erro de fato há de ser decisivo ao desfecho atribuído á demanda, o que aqui não se vislumbraria. - - Improcedência da ação rescisória (fl. 251). Quanto à primeira controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, alega violação do art. 1.022 do CPC, no que concerne à negativa de prestação jurisdicional, trazendo os seguintes argumentos: Note-se que a r. decisão entendeu pela existência do início de prova material consubstanciada na certidão de casamento em que o esposo da demandante figura como lavrador, mas justificando a improcedência na prova testemunhal produzida. Porém, em nenhum momento discorreu sobre a prova oral colhida, razão pela qual INCIDIU EM OM1SSÃO quanto a prova imprescindível a comprovação do período rural, o que levou a parte Recorrente a impetrar embargos de declaração, pugnando pela expressa declaração da r. Turma acerca da prova testemunhal e os depoimentos colhidos. Ocorre que o r. Tribunal a quo limitou-se a reiterar os termos da decisão proposta e rejeitar os embargos de declaração da parte Recorrente, razão pela qual incorreu em contrariedade ao art. 1.022 CPC. Não obstante, se reputou configurada a existência de prova material necessário fazer a devida análise quanto à prova testemunhal, uma vez que o erro de fato também pode surgir da indevida valoração das provas. Ressalta-se que na peça inicial foi invocado o erro de fato na análise das provas dos autos, o que engloba tanto a prova material quanto a testemunhal, uma vez que a revaloração das provas não é vedada em sede de ação rescisória (fls. 278/279). Quanto à segunda controvérsia, pela alínea "c" do permissivo constitucional, alega divergência jurisprudencial no que tange à falta de provas relativamente à prestação de trabalho rural. É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à primeira controvérsia, na espécie, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente aponta violação do art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015 (art. 535 do Código de Processo Civil de 1973), sem especificar, todavia, quais incisos foram contrariados, a despeito da indicação de omissão, contradição, obscuridade ou erro material. Nesse sentido: "É deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegação de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 se faz de forma genérica, sem especificar quais foram os incisos violados. Aplica-se, na hipótese, o óbice da Súmula 284 do STF". (AgInt no AREsp n. 1.530.183/RS, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 19/12/2019.) Confira-se também o seguinte julgado: AgInt no AREsp n. 1.559.920/SE, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 22/10/2020. Quanto à segunda controvérsia, na espécie, incide novamente o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente deixou de indicar com precisão quais dispositivos legais seriam objeto de dissídio interpretativo, o que atrai, por conseguinte, o enunciado da citada súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nessa linha, o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou no sentido de que, "uma vez observado, no caso concreto, que nas razões do recurso especial não foram indicados os dispositivos de lei federal acerca dos quais supostamente há dissídio jurisprudencial, a única solução possível será o não conhecimento do recurso por deficiência de fundamentação, nos termos da Súmula 284/STF". (AgRg no REsp 1.346.588/DF, relator Ministro Arnaldo Esteves Lima, Corte Especial, DJe de 17/3/2014.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no AREsp 1.616.851/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21/8/2020; AgInt no AREsp 1.518.371/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 15/5/2020; AgInt no AREsp 1.552.950/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 8/5/2020; AgInt no AREsp 1.023.256/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 24/4/2020; e AgInt nos EDcl no AREsp 1.510.607/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 1º/4/2020. Ademais, não foi comprovado o dissídio jurisprudencial, uma vez que a parte recorrente não realizou o indispensável cotejo analítico, que exige, além da transcrição de trechos dos julgados confrontados, a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência, com a indicação da existência de similitude fática e identidade jurídica entre o acórdão recorrido e o paradigma indicado, não bastando, portanto, a mera transcrição de ementas ou votos. Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu: "Esta Corte já pacificou o entendimento de que a simples transcrição de ementas e de trechos de julgados não é suficiente para caracterizar o cotejo analítico, uma vez que requer a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência entre o caso confrontado e o aresto paradigma, mesmo no caso de dissídio notório". (AgInt no AREsp n. 1.242.167/MA, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 05/04/2019.) Ainda nesse sentido: "A divergência jurisprudencial deve ser comprovada, cabendo a quem recorre demonstrar as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, com indicação da similitude fática e jurídica entre eles. Indispensável a transcrição de trechos do relatório e do voto dos acórdãos recorrido e paradigma, realizando-se o cotejo analítico entre ambos, com o intuito de bem caracterizar a interpretação legal divergente. O desrespeito a esses requisitos legais e regimentais impede o conhecimento do Recurso Especial, com base na alínea "c" do inciso III do art. 105 da Constituição Federal". (AgInt no REsp n. 1.903.321/PR, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 16/03/2021.) Confiram-se também os seguintes precedentes: AgInt nos EDcl no REsp n. 1.849.315/SP, relator Ministro Marcos Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1º/8/2020; AgInt nos EDcl nos EDcl no REsp n. 1.617.771/RS, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 13/8/2020; AgRg no AREsp n. 1.422.348/RS, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 13/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.456.746/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 3/6/2020; AgInt no AREsp n. 1.568.037/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 12/05/2020; AgInt no REsp n. 1.886.363/RJ, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 28/04/2021; AgRg no REsp n. 1.857.069/PR, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 05/05/2021. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se.