AREsp 1938866 - DECISAO
Conheceu-se do agravo para não conhecer do recurso especial porque o Tribunal de origem concluiu pela insuficiência do conjunto probatório para reconhecer o exercício de atividade rural, decisão cuja reforma demandaria reexame fático-probatório vedado pela Súmula 7 do STJ; adicionalmente, o pedido subsidiário de...
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- Parties
- Agravante/recorrente: MARINA MARIA FELICIANO; Agravado: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 October 2021
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial (previdenciário) / Decisão De Conhecimento Do Agravo E Inadmissão Do Recurso Especial
- Outcome
- Agravo conhecido para não conhecer do recurso especial do particular.
- Legal Topics
- Aposentadoria Por Idade Rural, Prova E Início De Prova Material, Súmula 7/stj, Prequestionamento, Honorários Sucumbenciais
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Parties
MARINA MARIA FELICIANO
Agravante/recorrente
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
Agravado
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial (previdenciário) / Decisão De Conhecimento Do Agravo E Inadmissão Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Comprovação de exercício de atividade rural para concessão de aposentadoria por idade
- 2 Vedação ao reexame fático-probatório em recurso especial (Súmula 7/STJ)
- 3 Prequestionamento como requisito de admissibilidade (Súmulas 282 e 356 do STF)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo para não conhecer do recurso especial porque o Tribunal de origem concluiu pela insuficiência do conjunto probatório para reconhecer o exercício de atividade rural, decisão cuja reforma demandaria reexame fático-probatório vedado pela Súmula 7 do STJ; adicionalmente, o pedido subsidiário de extinção do processo não foi enfrentado pelo tribunal a quo, não havendo prequestionamento, incidindo as Súmulas 282 e 356 do STF; registrou-se também a preclusão relativa à interposição de dois recursos pela mesma parte contra a mesma decisão.
Court Disposition
Agravo conhecido para não conhecer do recurso especial do particular.
Orders
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial do particular.
- Majoro em 10% o valor dos honorários sucumbenciais arbitrados na origem, em desfavor da parte recorrente, nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. APOSENTADORIA POR IDADE RURAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS.INVERSÃO DO JULGADO. INVIABILIDADE.REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚMULA 7/STJ. PLEITO DE EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO.AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO.SÚMULAS282 E 356 DO STF. AGRAVO CONHECIDO PARA NÃO CONHECER O RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR. 1. Agrava-se de decisão que inadmitiu o recurso especial interposto por MARINA MARIA FELICIANO, com fundamento no art. 105, inciso III, alíneaa, da CF/1988, no qual se insurge contra acórdão proferido pelo TRF da 3ª Região,assim ementado: PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA POR IDADE. TRABALHADOR RURAL. CONJUNTO PROBATÓRIO NÃO HARMÔNICO. I- As provas exibidas não constituem um conjunto harmônico de molde a formar a convicção no sentido de que a parte autora tenha exercido atividades no campo no período exigido em lei. II- Não preenchidos,in casu, os requisitos necessários à concessão do benefício, consoante dispõe o art. 143 da Lei de Benefícios. III- Apelação da parte autora improvida.(fls. 111). 2. Nasrazões do seurecurso especial (fls. 122/139), a parte agravante sustenta violação dosarts. 11, I, a, VII, 39, 63 e 143 da Lei 8.213/1991.Argumenta, para tanto, que: (a)preenche todos os requisitos necessários para a concessão da aposentadoria por idade rural requerida, já que há nos autos início de prova documental demonstrando a atividade rural exercida pela recorrente, fato ratificado pela testemunha em audiência; (b) a documentação no nome do seucompanheiro é extensível à recorrente; (c) os três meses de serviço urbanonão impedem a concessão do benefício pleiteado; e (d) subsidiariamente, requer que seja extinto o processo sem resolução de mérito, com amparo no disposto no art.485,IV, do CPC/2015. 3. Devidamente intimada (fls. 191), a parte agravada deixou de apresentaras contrarrazões. 4. Sobreveio o juízo de admissibilidade negativo(fls. 288/291),fundadona incidência da Súmula 7/STJ,razão pela qual se interpôs o presente agravo em recurso especial, ora em análise. 5. É o relatório. 6. A irresignação não merece prosperar. 7. Inicialmente, é importante ressaltar que o presente recurso atrai a incidência do Enunciado Administrativo 3 do STJ, segundo o qual, aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016), serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo Código. 8.A interposição de dois recursos pela mesma parte e contra a mesma decisão impede o conhecimento do segundo recurso, haja vista a preclusão consumativa e o princípio da unirrecorribilidade das decisões. 9. Quanto à questão de fundo, ressalta-se que olabor campesino, para fins de percepção de aposentadoria rural por idade, deve ser demonstrado por início de prova material e ampliado por prova testemunhal, ainda que de maneira descontínua, no período imediatamente anterior ao requerimento, pelo número de meses idêntico à carência (AgInt no AREsp 1.796.057/RS, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/08/2021, DJe 18/08/2021). 10. Ademais, a jurisprudência desta Corteadmite que a condição profissional de trabalhadorrural do cônjugeou companheiro, constante de assentamento em Registro Civil,seja extensível ao outro, com vistas à configuração do início de prova material (EREsp 1.171.565/SP, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, TERCEIRA SEÇÃO, julgadoem 25/2/2015, DJe 5/3/2015). 11. Ocorre que, no presente caso,após detida análise doconjunto probatório, incluindo a prova testemunhal, a Corte localmanteve a sentença de improcedência,concluindo que a demandante não comprovou o exercício da atividade rural pelo período necessário para a concessão do benefício pleiteado,nos seguintes termos: A parte autora, nascida em 21/6/56, implementou o requisito etário (55 anos) em21/6/11, precisando comprovar, portanto, o exercício de atividade no campo por 180 meses. Relativamente à prova da condição de rurícola, encontram-se acostadas à exordial as cópias dos seguintes documentos: -Declaração de união estável com Vicente Caetano da Costa, desde 10 de agosto de 2001 (fls. 19); - Carta de concessão da Previdência Social em nome de Vicente Caetano da Costa (fls. 21),concedendo a aposentadoria rural por idade, com DIB em 29/3/12 e - Sentença judicial transitada em julgado, concedendo a aposentadoria rural por idade a Vicente Caetano da Costa (fls. 22). No entanto, conforme consulta realizada no Cadastro Nacional de Informações Sociais - CNIS, juntada pelo INSS na contestação, verifica-se que a parte autora possui registro de atividade urbana no período de 1º/8/87 a 30/10/87, motivo pelo qual entendo não ser aplicável a jurisprudência no sentido de que a qualificação de lavrador do marido/companheiro é extensível à esposa/companheira. Ademais, observo que a prova testemunhal não é apta a comprovar o exercício de atividade rural pela requerente (sistema de gravação audiovisual). A testemunha ouvida afirmou que a requerente trabalhou para diversos produtores da região, no entanto, não descreveu detalhes acerca dos empregadores da requerente e da rotina laborativa da requerente no campo. Outrossim, a testemunha não soube informar o nome do companheiro da autora. De fato, os depoimentos das testemunhas arroladas não foram convincentes e robustos de modo a permitir o reconhecimento do período pleiteado, por se apresentarem demasiadamente genéricos, tendo em vista a testemunha limitou-se a afirmar que a parte autora sempre exerceu atividade rural, sem apontar, com precisão, as datas e os locais em que a mesma teria trabalhado. Dessa forma, as provas exibidas não constituem um conjunto harmônico de molde a formar a convicção no sentido de que a parte autora tenha exercido atividades no campo no período exigido em lei. Com efeito, os indícios de prova material, singularmente considerados, não são, por si sós, suficientes para formar a convicção do magistrado. Nem tampouco as testemunhas provavelmente o seriam. Mas apenas a conjugação de ambos os meios probatórios - todos juridicamente idôneos para formar a convicção do juiz - tornaria inquestionável a comprovação da atividade laborativa rural. Ante o exposto, nego provimento à apelação da parte autora.(fls. 117). 12. Com efeito, o Tribunal de origem compreendeuque as provasnão possibilitam o reconhecimento do exercício da atividade rural pelo período exigido em lei.Entendimento diverso, conforme pretendido, implicaria o reexame do contexto fático-probatório dos autos, circunstância que redundaria na formação de novo juízo acerca dos fatos e provas, e não de valoração dos critérios jurídicos concernentes à utilização da prova e à formação da convicção, o que impede o seguimento do recurso especial. Sendo assim, incide a Súmula 7 do STJ, segundo a qual a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial. 13. Nesse sentido, citoos seguintes julgados deste Superior Tribunal de Justiça: PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA POR TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO. ATIVIDADE RURAL. MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. INVERSÃO. SÚMULA 7 DO STJ. 1. O exercício de atividade agrícola por trabalhador rural, para efeito de aposentadoria por tempo de contribuição, será reconhecido àquele que o demonstrar, por meio de um início razoável de prova material associado a testemunhos idôneos e colhidos sob o crivo do contraditório, conforme inteligência dos arts. 48, § 2º, e 55 § 2º, da Lei n. 8.213/1991 e Súmula 149 do STJ. 2. Caso em que o acórdão recorrido consignou que a condição de segurado especial do autor não ficou demonstrada pelo conjunto probatório, concluindo que, apesar da documentação encartada, os testemunhos não corroboraram o alegado labor no período sem registro em carteira de trabalho, sendo certo que a inversão do julgado encontra óbice na Súmula 7 do STJ. 3. Agravo interno desprovido(AgInt no AREsp 695.201/SP, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 02/09/2019, DJe 10/09/2019). PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 3/STJ. APOSENTADORIA POR TEMPO DE SERVIÇO. ATIVIDADE RURAL EM REGIME DE ECONOMIA FAMILIAR. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. O Tribunal a quo concluiu que a parte agravante não comprovou o exercício da atividade rural, porquanto, ausente inicio de prova material, devidamente corroborado por prova testemunhal. A revisão de tal entendimento encontra óbice na Súmula 7/STJ. 2. O tempo de serviço do segurado trabalhador rural, prestado anteriormente à data de início de vigência da Lei n.º 8.213/91, será computado independentemente do recolhimento das contribuições a ele correspondentes, exceto para efeito de carência. 3. Agravo interno não provido(AgInt no REsp 1.793.400/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 6/6/2019, DJe 17/6/2019). PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. PENSÃO POR MORTE. TRABALHADOR RURAL. TRABALHO CAMPESINO. REGIME DE ECONOMIA FAMILIAR. NÃO COMPROVAÇÃO. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA 7 DO STJ. 1. O tamanho da propriedade não descaracteriza, por si só, o regime de economia familiar, caso estejam comprovados os demais requisitos para a concessão da aposentadoria por idade rural: ausência de empregados, mútua dependência e colaboração da família no campo (AgInt no REsp 1369260/SC, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/06/2017, DJe 26/06/2017) 2. Caso em que o Tribunal de origem deixou de reconhecer o exercício de atividade rural pelo segurado falecido em regime de economia familiar, em face de serem proprietários de três imóveis rurais e de expressiva comercialização do produto (mais de 7.000 kg de pera), numa área de 108,9 hectares. 3. A reforma do julgado, sob o fundamento de que houve comprovação do exercício de atividade rural na condição de segurado especial, em regime de economia familiar, demandaria reexame dos elementos fático-probatórios dos autos, o que é inviável em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 7 do STJ. 4. Agravo interno desprovido(AgInt no AREsp 1.217.070/SP, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 26/03/2019, DJe 16/04/2019). 14. No mais, verifico que a matéria referente à possibilidade de extinção do feito sem resolução do mérito (art. 485, IV, do CPC/2015)não foi apreciadapelo Tribunal de origem, tampouco foram opostos embargos de declaração com o objetivo de sanar eventual omissão da questão de direito controvertida. A ausência de enfrentamento pela Corte localda matériaimpugnada, objetodorecurso excepcional,impede o acesso à instância especial, porquanto não preenchido o requisito constitucional do prequestionamento. Incidência, por analogia, das Súmulas 282 e 356 do STF. 15. Ante o exposto, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial do particular. 16. Por fim, caso exista nos autos prévia fixação de honorários sucumbenciais pelas instâncias de origem, majoro, em desfavor da parte recorrente, em 10% (dez por cento) o valor já arbitrado (na origem), nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo, bem como os termos do art. 98, § 3º, do mesmo diploma legal. 17. Publique-se. Intimações necessárias.