REsp 2103274 - DECISAO
Conheceu-se parcialmente do recurso especial e negou-se provimento porque não houve omissão apta a ensejar nulidade nos termos do art. 1.022, II, do CPC/2015; o Tribunal de origem fundamentou que o início de prova material foi complementado por prova testemunhal e que a rediscussão do conjunto probatório exigiria...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 08 February 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão
- Outcome
- Recurso especial conhecido em parte e, nessa extensão, negado provimento.
- Legal Topics
- Aposentadoria Rural Por Idade, Comprovação De Atividade Rural, Contemporaneidade Da Prova Material, Embargos De Declaração (art. 1.022 Cpc/2015), Art. 55 §3º Da Lei 8.213/1991, Súmula 7/stj
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Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão
Legal Issues
- 1 Existência de omissão do Tribunal de origem quanto à necessidade de contemporaneidade da prova material
- 2 Violação do art. 55, §3º, da Lei 8.213/1991 em razão de documentos extemporâneos
- 3 Possibilidade de reexame do conjunto fático-probatório em recurso especial diante da Súmula 7/STJ
Ratio Decidendi
Conheceu-se parcialmente do recurso especial e negou-se provimento porque não houve omissão apta a ensejar nulidade nos termos do art. 1.022, II, do CPC/2015; o Tribunal de origem fundamentou que o início de prova material foi complementado por prova testemunhal e que a rediscussão do conjunto probatório exigiria reexame de fatos e provas, vedado pela Súmula 7/STJ; além disso, consolidado entendimento do STJ admite flexibilização da contemporaneidade da prova para boia-fria, mas exige ao menos um início de prova material contemporâneo aos fatos.
Court Disposition
Recurso especial conhecido em parte e, nessa extensão, negado provimento.
Orders
- Conheço parcialmente do recurso especial e nego-lhe provimento.
- Caso tenham sido fixados honorários sucumbenciais anteriormente, majoro-os em 10% observado o disposto nos §§ 2º, 3º e 11 do artigo 85 do CPC/2015.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto com fundamento no artigo 105, III, "a", da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região, assim ementado (fl. 465): PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA RURAL POR IDADE. BOIA-FRIA. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO DA CONTROVÉRSIA. JUÍZO DE RETRATAÇÃO INCABÍVEL. 1 - O Superior Tribunal de Justiça tem se manifestado no sentido deque, muito embora o requisito do início de prova material não possa ser dispensado, em se tratando de trabalhadores rurais diaristas, deve ser tal exigência abrandada, tendo em vista a informalidade que reveste esta espécie de trabalho no meio rural. 2 - Em se tratando de boia-fria, esta Turma entendeu suficiente aprova material apresentada, que foi devidamente complementada por prova testemunhal que confirmou o labor da parte autora até o momento em que completou os requisitos para a aposentadoria pleiteada. 3 - Constatado que o julgamento proferido por esta Turma não contraria o entendimento pronunciado pelo Superior Tribunal de Justiça em julgamento de Recurso Repetitivo representativo da controvérsia, a figura-se incabível a aplicação do disposto no artigo 1040, II, do CPC, ao caso. Embargos de declaração rejeitados. A parte recorrente alega violação ao artigo 1.022, II, do CPC/2015, ao argumento de que o Tribunal de origem ao analisar os embargos de declaração opostos na origem "foi omisso na apreciação da necessidade de contemporaneidade da prova material, ainda que parcial, em relação ao período de carência a ser comprovado "(fl. 502). Quanto às questões de fundo, sustenta ofensa ao artigo 55, §3º, da Lei 8.213/91, ao argumento de que os documentos comprobatórios do período de carência da atividade rural apresentados são extemporâneos. No entanto, o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça é de que, para comprovar atividade rural, tais documentos devem ser contemporâneos ao início da prova material. Com contrarrazões. Juízo positivo de admissibilidade às fls. 521-522. É o relatório. Passo a decidir. Consigne-se inicialmente que o recurso foi interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devendo ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. De início, afasta-se a alegada violação do artigo 1.022, II, do CPC/2015, porquanto o acórdão recorrido manifestou-se de maneira clara e fundamentada a respeito das questões relevantes para a solução da controvérsia. A tutela jurisdicional foi prestada de forma eficaz, não havendo razão para a anulação do acórdão proferido em sede de embargos de declaração. No caso dos autos, evidencia-se que o acórdão afirmou que o início da prova matéria do labor rural foi complementado através da comprovação de prova oral. Confira-se o trecho retirado do acórdão dos embargos (fl. 492): Os documentos apresentados aos autos constituem início razoável de prova material. Ainda que alguns documentos estejam em nome do marido da parte autora. Ao depois, o citado início de prova material do labor campesino foi devidamente complementado pela prova oral, uma vez que as testemunhas confirmaram plenamente a versão da autora, no sentido de ter ela exercido atividade rural durante toda sua vida, como boia-fria, inclusive no período que antecedeu, imediatamente, o pedido de benefício. Ressalte-se, por pertinente, que o próprio Superior Tribunal de Justiça tem se manifestado no sentido de que, muito embora o requisito do início de prova material não possa ser dispensado, deve ser abrandado com relação aos trabalhadores rurais diaristas, em razão da informalidade que reveste esta espécie de labor campesino. Restando comprovada a atividade rural por parte da autora no período de carência de 60 meses anteriores à entrada em vigor da Lei 8213/91, e com idade superior a 55 anos, estando em consonância com o entendimento lançado pelo STJ no julgamento do Tema 642 (REsp nº 1.354.908/SP), não vislumbro situação capaz de ensejar retratação. Desnecessário, portanto, qualquer esclarecimento ou complemento ao que já decidido pela Corte de origem, pelo que se afasta a ofensa ao artigo 1.022, II, do CPC/2015. No que diz respeito à alegação de violação do art. 55, § 3º, da Lei 8.213/1991, a Corte de origem, após ampla análise do conjunto fático-probatório, firmou compreensão de que houve a comprovação da atividade rural no período de carência de 60 meses anteriores à entrada em vigor da Lei 8213/91, e com idade superior a 55 anos, asseverando, ainda , que esse entendimento está em consonância com o entendimento lançado pelo STJ no julgamento do Tema 642 (REsp nº 1.354.908/SP), Assim, tem-se que a revisão da conclusão a que chegou o Tribunal de origem sobre a questão demanda o reexame dos fatos e provas constantes nos autos, o que é vedado no âmbito do recurso especial. Incide ao caso a Súmula 7/STJ. PROCESSUAL CIVIL. PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA POR TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC/2015 (ART. 535 DO CPC/1973). INEXISTÊNCIA. ALEGAÇÃO DE OFENSA AO ART. 55, § 3º, DA LEI N. 8.213/1991. PRETENSÃO DE REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. INCIDÊNCIA DO ENUNCIADO N. 7 DA SÚMULA DO STJ. I - Na origem, trata-se de ação ordinária em que se objetiva a concessão de aposentadoria por tempo de contribuição, mediante o reconhecimento de labor rural e de período trabalhado em atividades especiais, com a conversão destes em tempo comum. Na sentença, julgou-se improcedente o pedido. No Tribunal de origem, a sentença foi parcialmente reformada, deixando o acórdão, entretanto, de reconhecer parte do período rural pretendido. II - Sobre a alegada violação dos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015, por suposta omissão pelo Tribunal de origem da análise da questão acerca da contemporaneidade da prova apresentada, verifica-se não assistir razão ao recorrente. III - Na hipótese dos autos, da análise do referido questionamento em confronto com o acórdão hostilizado, não se cogita da ocorrência de omissão, contradição, obscuridade ou mesmo erro material, mas mera tentativa de reiterar fundamento jurídico já exposto pelo recorrente e devidamente afastado pelo julgador, que enfrentou todas as questões pertinentes sobre os pedidos formulados. IV - Nesse panorama, a oposição de embargos de declaração, com fundamento na omissão acima, demonstra, tão somente, o objetivo de rediscutir a matéria sob a ótica do recorrente, sem que tal desiderato objetive o suprimento de quaisquer das baldas descritas no dispositivo legal mencionado, mas sim, unicamente, a renovação da análise da controvérsia. V - No mérito, verifica-se que o Tribunal a quo, para demonstrar a falta de requisitos para a obtenção do benefício decorrente de atividade rural, explicitou, in verbis: " .. A declaração de exercício de atividade rural emitida pelo Sindicato de lporã/PR (fls. 29/31) não configura início de prova material, pois em desacordo com o disposto no artigo 106, III, da Lei nº 8.213/91, que em sua redação original exigia, para sua validade, homologação pelo Ministério Público e após a alteração legislativa em 2008 passou a exigir homologação do INSS. Com relação às declarações de terceiros e de proprietários do imóvel rural, onde o autor teria atuado, pondero que estas não possuem valor probante, visto que não foram produzidas contemporaneamente ao período que se deseja provar, sendo datadas do ano de 1997 (fls. 32/34). Afasto o valor probante dos documentos de fls. 35/40 e 48/53 devido a estes dizerem respeito a terceiros, não possuindo nenhum vínculo com o suposto trabalho rural da parte autora. .. O documento de fls. 45/46, requerimento de matricula junto ao Colégio Nice Braga, também não deve ser considerado como início de prova do trabalho rural do Autor, vez que data de período já reconhecido pela Autarquia (1977 e 1978). .. " VI - Por sua vez, o recorrente, ao apontar a violação do art. 55 da Lei 8213/91, afirmou, em resumo, que tais documentos eram contemporâneos à atividade rural e que em seu bojo se depreenderia o início de prova requerido pela jurisprudência. O recorrente, entretanto, não rebateu a afirmação do julgador de que os documentos produzidos em sede rural não serviriam, porque os períodos já foram reconhecidos administrativamente. VII - Assim, para afastar a convicção do magistrado de que tais documentos não poderiam ser utilizados para a comprovação pretendida, seria necessário o reexame do conjunto probatório, o que é vedado no recurso especial, atraindo o óbice da Súmula n. 7/STJ. VIII - Por outro lado, ainda que afastado o óbice encimado, a despeito do entendimento já manifestado em diversos precedentes do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que não se faz impositivo que a prova material seja contemporânea aos períodos pretendidos, é importante observar ser necessário, ao menos, um início de prova material contemporânea aos fatos alegados. A propósito: AREsp 1.550.603/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 3/10/2019, DJe 11/10/2019. IX - Agravo interno improvido (AgInt no AREsp n. 1.461.707/SP, rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 28/8/2020.) Ante o exposto, conheço parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, nego-lhe provimento. Caso tenham sido fixados honorários sucumbenciais anteriormente pelas instâncias ordinárias, majoro-os em 10% (dez por cento), observados os limites e parâmetros dos §§ 2º, 3º e 11 do artigo 85 do CPC/2015. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. BENEFEFÍCIOS EM ESPÉCIE. APOSENTADORIA RURAL POR IDADE. VIOLAÇÃO DO 1.022 DO CPC/2015. NÃO OCORRÊNCIA. ATIVIDADE RURAL. COMPROVAÇÃO. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO EM PARTE E, NESSA EXTENSÃO, NÃO PROVIDO.