AREsp 2770684 - ACORDAO
Negou‑se provimento ao agravo interno porque o acórdão recorrido não apresentou omissão, contradição ou obscuridade nos termos do art. 1.022 do CPC; o conhecimento do recurso especial exigiria reexame de fatos, provas e interpretação contratual (inadmissível pela incidência das Súmulas 5 e 7/STJ); e o dissídio...
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- Parties
- Agravante: BANCO BRADESCO S/A; Agravada: GALERA MARI E ADVOGADOS ASSOCIADOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 May 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento (sessão Virtual)
- Outcome
- Negou provimento ao agravo interno.
- Legal Topics
- Arbitramento De Honorários Advocatícios, Embargos De Declaração, Súmula 5/stj, Súmula 7/stj, Art. 1.022 Do CPC, Dissídio Jurisprudencial, Reexame De Fatos E Provas, Interpretação De Cláusulas Contratuais
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Parties
BANCO BRADESCO S/A
Agravante
GALERA MARI E ADVOGADOS ASSOCIADOS
Agravada
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento (sessão Virtual)
Legal Issues
- 1 Existência de omissão, contradição ou obscuridade do acórdão recorrido (art. 1.022 do CPC)
- 2 Admissibilidade do reexame de fatos e provas em recurso especial
- 3 Interpretação de cláusulas contratuais em recurso especial
Ratio Decidendi
Negou‑se provimento ao agravo interno porque o acórdão recorrido não apresentou omissão, contradição ou obscuridade nos termos do art. 1.022 do CPC; o conhecimento do recurso especial exigiria reexame de fatos, provas e interpretação contratual (inadmissível pela incidência das Súmulas 5 e 7/STJ); e o dissídio jurisprudencial alegado foi prejudicado pela ausência de demonstração da similitude fática entre os arestos citados.
Court Disposition
Negou provimento ao agravo interno.
Orders
- Negou provimento ao agravo interno.
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 22/04/2025 a 28/04/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Humberto Martins, Ricardo Villas Bôas Cueva, Moura Ribeiro e Daniela Teixeira votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE ARBITRAMENTO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. REEXAME DE FATOS E PROVAS E INTERPRETAÇÃO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS. INADMISSIBILIDADE. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. SIMILITUDE FÁTICA NÃO DEMONSTRADA. DISSÍDIO PREJUDICADO. 1. Ação de arbitramento de honorários advocatícios. 2. Ausentes os vícios do art. 1.022 do CPC, rejeitam-se os embargos de declaração. 3. O reexame de fatos e provas e a interpretação de cláusulas contratuais em recurso especial é inadmissível. 4. O dissídio jurisprudencial deve ser comprovado mediante o cotejo analítico entre acórdãos que versem sobre situações fáticas idênticas. 5. A incidência da Súmula 7/STJ prejudica a análise do dissídio jurisprudencial pretendido. Precedentes desta Corte. 6. Agravo interno não provido.
RELATÓRIO Relatora: MINISTRA NANCY ANDRIGHI Examina-se agravo interno, interposto por BANCO BRADESCO S/A, contra decisão unipessoal que conheceu do agravo que interpusera para conhecer parcialmente de seu recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento. Ação: arbitramento de honorários advocatícios, ajuizada por GALERA MARI E ADVOGADOS ASSOCIADOS em face do agravante, em razão de rescisão de contrato de prestação de serviços advocatícios firmado entre as partes. Sentença: julgou procedentes os pedidos para condenar o agravante ao pagamento de R$ 12.000,00 (doze mil reais). Acórdão: deu parcial provimento às apelações interpostas por ambas as partes, nos termos da seguinte ementa: RECURSOS DE APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO DE ARBITRAMENTO DE HONORÁRIOS PROCESSUAIS - RESCISÃO DE CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ADVOCATÍCIOS NO CURSO DE PROCESSO JUDICIAL PATROCINADO - PRELIMINAR DE CONEXÃO PROCESSUAL AFASTADA - JUSTIÇA GRATUITA AFASTADA - PREPARO RECOLHIDO - MÉRITO - EXISTÊNCIA DE CONTRATO DE HONORÁRIOS AD EXITUM POR CONCLUSÃO ETAPAS PROCESSUAIS - SITUAÇÃO QUE NÃO OBSTA O ARBITRAMENTO JUDICIAL DE HONORÁRIOS PELOS SERVIÇOS ADVOCATÍCIOS EFETIVAMENTE PRESTADOS - ENRIQUECIMENTO ILÍCITO DO EX-CONTRATANTE - IMPOSSIBILIDADE - NATUREZA ALIMENTAR DA VERBA HONORÁRIA - PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DO TRABALHADOR - REMUNERAÇÃO DEVIDA - ARBITRAMENTO PROPORCIONAL AOS BENEFÍCIOS OBTIDOS ATÉ A RESCISÃO UNILATERAL DO CONTRATO - SUCUMBÊNCIA MANTIDA AO BANCO - PRINCIPIO DA CAUSALIDADE - RECURSOS PARCIALMENTE PROVIDOS. Ainda que haja contrato de prestação de serviços advocatícios a previsão de pagamento de honorários ad exitum por etapas processuais concluídas em cada processo patrocinado, não implica em impedimento para que o advogado contratado busque judicialmente o arbitramento de honorários processuais pelos serviços advocatícios efetivamente prestados até a rescisão do contrato, no processo em que patrocinou. Nesse caso, deve ser arbitrada a referida verba de forma razoável e proporcional, levando-se em consideração o tempo de patrocínio, o estágio processual dos feitos patrocinados até o momento da ruptura unilateral, e os benefícios obtidos pelo cliente até então em percentual que atenda a razoabilidade. Em razão da sucumbência recíproca, as custas processuais devem ser suportadas pro rata, devendo cada parte arcar com a verba honorária devida ao patrono da parte adversa. É perfeitamente justo e razoável, que a parte que deu causa a propositura da demanda seja compelida a arcar com as custas processuais e honorários advocatícios, em obediência ao principio da causalidade. Precedentes do STJ. (e-STJ Fls. 1032/1033) Embargos de Declaração: opostos pelas partes agravante e agravada, foram rejeitados. Decisão unipessoal: conheceu do agravo interposto para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, negou-lhe provimento, considerando: a) a inocorrência de negativa de prestação jurisdicional (ofensa ao art. 1.022 do CPC); b) a incidência das Súmulas 5 e 7/STJ; e c) prejudicado o dissídio jurisprudencial, a par da ausência de comprovação. Agravo interno: nas razões de e-STJ Fls. 1367/373, o agravante pugna pela modificação do julgado, sustentando a inaplicabilidade dos óbices apontados. Reitera, de início, a ofensa ao art. 1.022 do CPC e a negativa de prestação jurisdicional, consignando a necessidade de manifestação quanto ao ajuizamento de ação com fundamento em dispositivo que o veda, à validade do contrato e da previsão de rescisão unilateral pelo contratante, assim como a forma de remuneração e condições para pagamento quando preenchidos os pressupostos estipulados, à quitação expressa feita pelo recorrido quanto aos honorários contratuais e ao julgamento extra petita. Aduz a desnecessidade do reexame fático-probatório e contratual dos autos, insurgindo-se, pois, contra a incidência das Súmulas 5 e 7 do STJ na hipótese, notadamente no que tange à alegada ofensa ao art. 2, §2º, do Estatuto da OAB. Aponta, por fim, a efetiva demonstração da similitude fática a ensejar o dissídio jurisprudencial alegado e requer, assim, o provimento do agravo para que seja conhecido e provido o recurso especial manejado. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE ARBITRAMENTO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. REEXAME DE FATOS E PROVAS E INTERPRETAÇÃO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS. INADMISSIBILIDADE. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. SIMILITUDE FÁTICA NÃO DEMONSTRADA. DISSÍDIO PREJUDICADO. 1. Ação de arbitramento de honorários advocatícios. 2. Ausentes os vícios do art. 1.022 do CPC, rejeitam-se os embargos de declaração. 3. O reexame de fatos e provas e a interpretação de cláusulas contratuais em recurso especial é inadmissível. 4. O dissídio jurisprudencial deve ser comprovado mediante o cotejo analítico entre acórdãos que versem sobre situações fáticas idênticas. 5. A incidência da Súmula 7/STJ prejudica a análise do dissídio jurisprudencial pretendido. Precedentes desta Corte. 6. Agravo interno não provido. VOTO Relatora: MINISTRA NANCY ANDRIGHI A decisão recorrida conheceu do agravo interposto para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento, ante: a) a inocorrência de negativa de prestação jurisdicional (ofensa ao art. 1.022 do CPC); b) a incidência das Súmulas 5 e 7/STJ; e c) prejudicado o dissídio jurisprudencial, a par da ausência de comprovação. 1. Da ofensa ao art. 1.022 do CPC Inicialmente, constata-se que o artigo 1.022 do CPC realmente não foi violado, porquanto o acórdão recorrido não contém omissão, contradição ou obscuridade. Nota-se, nesse passo, que o Tribunal de origem tratou de todos os temas oportunamente colocados pelas partes, proferindo, a partir da conjuntura então cristalizada, a decisão que lhe pareceu mais coerente acerca dos elementos informativos do processo, notadamente quanto à viabilidade da ação, ao arbitramento de honorários e ao contrato firmado, em atenção às particularidades expressamente consideradas à e-STJ Fls. 1360/1361. É firme a jurisprudência do STJ no sentido de que não há ofensa ao art. 1.022 do CPC quando o Tribunal de origem, aplicando o direito que entende cabível à hipótese, soluciona integralmente a controvérsia submetida à sua apreciação, ainda que de forma diversa daquela pretendida pela parte. A propósito, confira-se: AgInt nos EDcl no AREsp 1.094.857/SC, 3ª Turma, DJe de 02/02/2018 e AgInt no AREsp 1.089.677/AM, 4ª Turma, DJe de 16/02/2018. Assim, o Tribunal de origem, embora tenha apreciado toda a matéria posta a desate, tratou das questões apontadas como omissas sob viés diverso daquele pretendido pelo agravante, fato que não dá ensejo à interposição de embargos de declaração. 2. Do reexame de fatos e provas e da interpretação de cláusulas contratuais Ato contínuo, o exame da suposta violação aos dispositivos alegados pelo agravante foi realizado de forma conjunta com a incidência dos óbices das Súmulas 5 e 7/STJ, razão pela qual a decisão agravada não merece reforma. Isso porque, alterar as conclusões adotadas pelo Tribunal a quo quanto ao arbitramento de honorários e à pactuação e forma de pagamento, em atenção às particularidades da espécie, expressamente delineadas à e-STJ Fls. 1360/1361, viabilizando-se, pois, a tese da agravante, demandaria desta Corte, inevitavelmente, a incursão no conteúdo fático-probatório e contratual dos autos. Frise-se que o STJ apenas toma os fatos conforme delineados pelo Tribunal de origem, de maneira que a incursão nesta seara implicaria ofensa aos referidos óbices sumulares. Outrossim, saliente-se que tal entendimento encontra-se amparado pela jurisprudência desta Corte, sendo, sobretudo, o juiz o destinatário da prova. Inarredável, portanto, a incidência das Súmulas 5 e 7/STJ à espécie. 3. Da divergência jurisprudencial Ademais, deve ser mantido o entendimento de que não é possível o conhecimento do recurso especial interposto pela divergência jurisprudencial na hipótese em que o dissídio é apoiado em fatos e não na interpretação da lei. Isso porque a Súmula 7/STJ também se aplica aos recursos especiais interpostos pela alínea "c", do permissivo constitucional. Nesse sentido: AgInt nos EDcl no AREsp 1041244/RJ, 4ª Turma, DJe de 22/11/2019; AgInt no AREsp n. 821.337/SP, 3ª Turma, DJe de 13/03/2017; e AgInt no AREsp n. 964.391/SP, 3ª Turma, DJe de 21/11/2016. Outrossim, a similitude fática é a semelhança entre os fatos que servem como base para uma análise comparativa entre os acórdãos. Em consequência, é requisito indispensável para a demonstração da divergência, pois é necessário que os fatos sejam comparáveis para que se possa estabelecer uma discrepância ou semelhança entre eles, o que não ocorreu na espécie. Assim, sem a adequada demonstração da similitude fática, a análise do dissídio jurisprudencial não é possível. DISPOSITIVO Forte nessas razões, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno.