REsp 1958656 - DECISAO
Deve-se condicionar a expedição dos formais de partilha no arrolamento sumário à prévia comprovação de regularidade fiscal, em observância ao art.192 do CTN, entendimento consolidado pela Primeira Turma do STJ, não sendo a exigência afastada pela norma processual do art.659, §2º, do CPC/2015.
Source-derived case information.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 September 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão De Provimento (julgamento)
- Outcome
- Recurso especial provido
- Legal Topics
- Arrolamento Sumário, Formal De Partilha, Comprovação De Tributos, ITCMD, Regularidade Fiscal
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão De Provimento (julgamento)
Legal Issues
- 1 Se a expedição dos formais de partilha no arrolamento sumário deve ser condicionada à prévia comprovação de quitação dos tributos incidentes sobre o espólio
- 2 Conflito entre o art.659, §2º, do CPC/2015 e o art.192 do CTN quanto à exigência de prova de quitação tributária no arrolamento sumário
Ratio Decidendi
Deve-se condicionar a expedição dos formais de partilha no arrolamento sumário à prévia comprovação de regularidade fiscal, em observância ao art.192 do CTN, entendimento consolidado pela Primeira Turma do STJ, não sendo a exigência afastada pela norma processual do art.659, §2º, do CPC/2015.
Court Disposition
Recurso especial provido
Orders
- Condicionar a expedição dos formais de partilha à prévia comprovação de regularidade fiscal.
- Publique-se. Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto com fundamento no artigo 105, III, "a", da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo TJDFT, assim ementado (fl. 244): DIREITO PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. ARROLAMENTO SUMÁRIO. FORMAL DE PARTILHA. EXPEDIÇÃO. COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS. DESNECESSIDADE. ARTIGO 659, § 2º, DO CPC. ARTIGO 192 DO CTN. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO ARTIGO 146, III, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. DECISÃO MANTIDA. 1. Nos termos do artigo 659, § 2º, do CPC, "transitada em julgado a sentença de homologação de partilha ou adjudicação, será lavrado o formal de partilha ou elaborada a carta de adjudicação e, em se seguida, serão expedidos os alvarás referentes aos bens e às rendas por ele abrangidos, intimando-se o fisco para lançamento administrativo do imposto de transmissão e outros tributos porventura incidentes, conforme dispuser a legislação tributária, nos termos do § 2º do art. 662."Assim, no arrolamento sumário é desnecessário comprovar o pagamento dos tributos relativos aos bens e rendas do espólio. 2. O artigo 659, § 2º, do Código de Processo Civil está em sintonia com o disposto no artigo 146, III, da Constituição Federal, por não ter conteúdo de natureza tributária e sim, processual. 3. Apelação conhecida, mas não provida. Unânime. Embargos de declaração parcialmente acolhidos, sem efeitos infringentes (fl. 263). O recorrente alega violação dos arts. 663 e 664, §§ 4º e 5º, do CPC/2015, 192 do CTN e 31 da Lei 6.830/1980. Sustenta, em síntese, a obrigatoriedade de comprovação da quitação de todos os tributos incidentes sobre o espólio, devendo a expedição e entrega dos formais de partilha e/ou alvarás de levantamento ficar condicionadas à prévia comprovação da regularidade fiscal. Com contrarrazões (fls. 326/330). Juízo negativo de admissibilidade às fls. 340/342. Decisão de conversão do agravo para recurso especial (fl. 416). É o relatório. Passo a decidir. A insurgência merece prosperar. Com efeito, verifica-se que o acórdão recorrido encontra-se em dissonância com o entendimento da Primeira Turma desta Corte no sentido de que no procedimento do arrolamento sumárioé necessária a comprovação do pagamento dos tributos como condição à expedição do formal de partilha. A propósito, confiram-se: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. ARROLAMENTO SUMÁRIO. EXPEDIÇÃO DO FORMAL DE PARTILHA CONDICIONADA À QUITAÇÃO DOS TRIBUTOS (ITCMD). EXIGÊNCIA DO ARTIGO 192 DO CTN. PRECEDENTES. 1. Esta Corte definiu que "o novo Código de Processo Civil, em seu art. 659, § 2º, traz uma significativa mudança normativa no tocante ao procedimento de arrolamento sumário, ao deixar de condicionar a entrega dos formais de partilha ou da carta de adjudicação à prévia quitação dos tributos concernentes à transmissão patrimonial aos sucessores. Essa inovação normativa, todavia, em nada altera a condição estabelecida no art. 192 do CTN, de modo que, no arrolamento sumário, o magistrado deve exigir a comprovação de quitação dos tributos relativos aos bens do espólio e às suas rendas para homologar a partilha e, na sequência, com o trânsito em julgado, expedir os títulos de transferência de domínio e encerrar o processo, independentemente do pagamento do imposto de transmissão". Precedentes: REsp 1.704.359/DF, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe 2/10/2018; AgInt no REsp 1.676.354/DF, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe 21/3/2019. 2. Agravo interno não provido(AgInt no REsp 1.723.980/DF, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2020, DJe 19/02/2020). TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. ITCMD. ARROLAMENTO SUMÁRIO. QUITAÇÃO DOS TRIBUTOS. INTELIGÊNCIA DO ART. 192 DO CTN. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO DO IMPOSTO. CONDIÇÃO PARA A SENTENÇA DE HOMOLOGAÇÃO DA PARTILHA. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. DESCABIMENTO. I - Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. In casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. II - É pacífico o entendimento no Superior Tribunal de Justiça no sentido de que não são cabíveis discussões a respeito do ITCMD ou de exigência de documentos pelo Fisco no curso do procedimento sumário de arrolamento, prevalecendo, contudo, o comando inserto no art. 192 do CTN, segundo o qual "nenhuma sentença de julgamento de partilha ou adjudicação será proferida sem prova de quitação de todos os tributos relativos aos bens do espólio, ou às suas rendas". III - A inovação normativa do art. 659, §2º, do Código de Processo Civil não altera a condição estabelecida no art. 192 do CTN, de modo que, no arrolamento sumário, o magistrado deve exigir a comprovação de quitação dos tributos relativos aos bens do espólio e às suas rendas para homologar a partilha e, após o trânsito em julgado, expedir os títulos de transferência de domínio e encerrar o processo. .. VI - Agravo Interno improvido(AgInt no REsp 1.676.354/DF, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/03/2019, DJe 21/03/2019). Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial para condicionar a expedição dos formais de partilha à prévia comprovação de regularidade fiscal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ARROLAMENTO SUMÁRIO. FORMAL DE PARTILHA. COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTO DOS TRIBUTOS. CONDIÇÃO. RECURSO ESPECIAL PROVIDO.