HC 914680 - DECISAO
A ordem foi denegada pois o habeas corpus não é via adequada para reexaminar a prova que demonstrou a estabilidade da associação e a liderança do paciente via interceptações telefônicas, e a dosimetria adotada pelas instâncias ordinárias, com consideração de circunstâncias judiciais negativas, respeitou a...
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente: GILMAR SOARES DA SILVA; Autoridade Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA PARAÍBA (Apelação Criminal n. 0001738-25.2017.8.15.0231)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 November 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão De Denegação
- Outcome
- Ordem denegada
- Legal Topics
- Associação Para O Tráfico De Drogas, Dosimetria Da Pena, Habeas Corpus, Reexame De Provas
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
GILMAR SOARES DA SILVA
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA PARAÍBA (Apelação Criminal n. 0001738-25.2017.8.15.0231)
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão De Denegação
Legal Issues
- 1 revisão da condenação por habeas corpus
- 2 tipicidade do crime de associação para o tráfico
- 3 liderança e estabilidade da organização criminosa
Ratio Decidendi
A ordem foi denegada pois o habeas corpus não é via adequada para reexaminar a prova que demonstrou a estabilidade da associação e a liderança do paciente via interceptações telefônicas, e a dosimetria adotada pelas instâncias ordinárias, com consideração de circunstâncias judiciais negativas, respeitou a discricionariedade regrada do julgador.
Court Disposition
Ordem denegada
Orders
- Ordem denegada
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO O presente writ, impetrado em benefício de GILMAR SOARES DA SILVA - condenado como incurso no crime de associação para o tráfico de drogas -, em que se aponta como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA PARAÍBA (Apelação Criminal n. 0001738-25.2017.8.15.0231), não comporta acolhimento. Com efeito, busca a impetração a absolvição do paciente do crime de associação para o tráfico de drogas, atribuído na ação penal que tramitou perante o Juízo de Direito da 3ª Vara Mista da comarca de Mamanguape/PB, ao argumento de que Gilmar estava recolhido em uma unidade prisional que se expõe como o modelo de prisão no Brasil, de onde todos são rigorosamente monitorados e inclusive todas as visitas atualmente ocorrem em parlatório, separados por um vidro e gravadas por áudio e vídeo em que nenhuma informação ou ordem relacionada a crimes possam ser transmitidas sem que a inteligência da unidade constate (fl. 7). Subsidiariamente, postula a revisão da dosimetria. Ocorre que a via eleita foi indevidamente utilizada para revisar novamente a condenação imposta e mantida pelas instâncias ordinárias, o que é inadmissível. Ademais, da atenta análise do acórdão a quo, observa-se que o Tribunal de origem logrou demonstrar a estabilidade da associação, assim como a divisão de tarefas, ao sustentar que as transcrições das interceptações telefônicas evidenciam a atuação de Gilmar Soares da Silva ("Bebão") como líder da associação criminosa voltada ao tráfico, repassando ordens para Érika Santos Oliveira, além de ter delegado atribuições ao sub-líder Francinaldo Barbosa de Oliveira ("Vaqueirinho"). Ressalte-se que o fato de Gilmar Soares da Silva se encontrar recolhido em presídio federal não o impediu de liderar a organização criminosa, restando evidenciado que os comandos eram dados via telefone (fl. 117), indispensáveis à tipicidade do crime de associação para o tráfico. A propósito: .. III - No presente caso, as instâncias ordinárias fundamentaram devidamente a condenação pelo crime de associação para o tráfico, com fulcro em robusto conjunto probatório, restando configurada a estabilidade e a permanência da associação, bem como a função da agravante e dos demais integrantes, com hierarquia e divisão de tarefas. IV - O rito do habeas corpus não admite o revolvimento de matéria fático-probatória, de modo que não há que se falar em desconstituição da conclusão bem exarada pelo Tribunal local. .. (AgRg no HC n. 929.583/SP, Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJe 17/9/2024). Assim, alcançar conclusão inversa demandaria reexame de provas, inviável na via estreita. Acerca da dosimetria da pena, igualmente não merece reparo, pois a fundamentação adotada pelas instâncias ordinárias se encontra em consonância com a jurisprudência desta Corte Superior de Justiça. Foram consideradas negativamente na fixação da pena-base a qualidade e quantidade da droga, culpabilidade, antecedentes, circunstância e consequências do crime (fls. 119/122). Por fim, a dosimetria da pena não se vincula a um critério puramente matemático, devendo ser respeitada a discricionariedade regrada do julgador. Em face do exposto, denego a ordem. Publique-se. EMENTA PENAL. HABEAS CORPUS. ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO DE DROGAS. PRETENSÃO DE REVISÃO DA CONDENAÇÃO IMPOSTA E MANTIDA PELAS INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS. INADMISSIBILIDADE. ABSOLVIÇÃO. INVIABILIDADE. CONDENAÇÃO CONSUBSTANCIADA EM PROVAS QUE DENOTAM A ESTABILIDADE E DIVISÃO DE TAREFAS. CONCLUSÃO INVERSA. REEXAME DE PROVAS. DOSIMETRIA. CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS NEGATIVAS. INTERVENÇÃO DESTE SUPERIOR TRIBUNAL. IMPOSSIBILIDADE. DISCRICIONARIEDADE REGRADA DEVIDAMENTE OBSERVADA E DE FORMA FUNDAMENTADA. CONSTRANGIMENTO ILEGAL. AUSÊNCIA. Ordem denegada.