AREsp 2840129 - ACORDAO
O agravo interno foi negado porque o recurso especial padeceu de deficiência de fundamentação ao não indicar com precisão o dispositivo de lei federal supostamente violado e não impugnar todos os fundamentos da decisão que o inadmitiu, configurando óbice de admissibilidade (incidência da Súmula 182/STJ e, por...
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- Parties
- Agravante: ROSANA APARECIDA DE PAULA BUENO PEREIRA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 29 May 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno Em Agravo Em Recurso Especial / Sessão Virtual Julgamento Colegiado Pela Terceira Turma (20/05/2025 a 26/05/2025)
- Outcome
- Agravo interno improvido
- Legal Topics
- Ausência De Impugnação Dos Fundamentos Da Decisão De Admissibilidade, Incidência Da Súmula N. 182/stj, Súmula 284/stf (fundamentação Deficiente), Inadmissibilidade Do Recurso Especial Por Fundamentação Insuficiente
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Parties
ROSANA APARECIDA DE PAULA BUENO PEREIRA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno Em Agravo Em Recurso Especial / Sessão Virtual Julgamento Colegiado Pela Terceira Turma (20/05/2025 a 26/05/2025)
Legal Issues
- 1 Se é possível conhecer agravo interno cujo recurso especial não impugnou especificamente todos os fundamentos da decisão que o inadmitiu
- 2 Aplicabilidade da Súmula n. 182/STJ ao agravo interno
- 3 Aplicação analógica da Súmula 284/STF em caso de fundamentação deficiente do recurso especial
Ratio Decidendi
O agravo interno foi negado porque o recurso especial padeceu de deficiência de fundamentação ao não indicar com precisão o dispositivo de lei federal supostamente violado e não impugnar todos os fundamentos da decisão que o inadmitiu, configurando óbice de admissibilidade (incidência da Súmula 182/STJ e, por analogia, da Súmula 284/STF).
Court Disposition
Agravo interno improvido
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 20/05/2025 a 26/05/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Ricardo Villas Bôas Cueva, Moura Ribeiro e Daniela Teixeira votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DE ADMISSIBILIDADE DO TRIBUNAL DE ORIGEM. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 182/STJ. 1. No caso dos autos, não houve impugnação de todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial. 2. É inviável o conhecimento do agravo em recurso especial que não tenha impugnado especificamente todos os fundamentos da decisão agravada. Incidência da Súmula n. 182 do STJ. Agravo interno improvido.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO HUMBERTO MARTINS (relator): Cuida-se de agravo interno interposto por ROSANA APARECIDA DE PAULA BUENO PEREIRA contra decisão monocrática da Presidência do STJ, por meio da qual se aplicou a Súmula n. 284 do STF, porquanto a parte recorrente teria deixado de indicar precisamente os dispositivos legais federais que teriam sido violados ou quais dispositivos legais seriam objeto de dissídio interpretativo, ressaltando que a mera citação de artigo de lei na peça recursal não supriria a exigência constitucional (fls. 142-143). Extrai-se dos autos que o recurso especial inadmitido foi interposto, com fundamento no art. 105, inciso III, "c", da Constituição Federal, contra acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO assim ementado (fl. 41): AGRAVO DE INSTRUMENTO. Cumprimento de sentença de ação de arbitramento de indenização por uso exclusivo de imóvel comum. Impugnação. Rejeição. Insurgência recursal da executada. Não convencimento. Alegações que diferem do quanto previsto no art. 525, § 1º, CPC. Obrigação constituída por título executivo judicial transitado em julgado, inviável rediscussão quanto à sua constituição. Inexistência de prova inequívoca quanto à aludida mudança de endereço, insuficiente mera declaração manuscrita por filha comum das partes, que impõe a manutenção da obrigação de indenizar. Decisão mantida. RECURSO IMPROVIDO. Sem embargos de declaração. Alega o agravante que a fundamentação do agravo em recurso especial é completa e foi apresentada conforme exigido pela lei. Aduz que o agravo apresentado é claro e objetivo, não sendo o caso de aplicação da Súmula n. 182 do STJ. Sustenta que "ao contrário do que indica o decisum vergastado, houve expressa indicação do artigo de lei violado, qual seja: art. 1.228 do CC, bem como, seu cotejo analítico com o caso paradigma (TJMS), ambos necessários para julgamento do Agravo em Recurso Especial e do Recurso Especial" (fl. 151). Pugna, por fim, caso não seja reconsiderada a decisão agravada, pela submissão do presente agravo à apreciação da Turma. A parte agravada manifestou-se às fls. 160-174. É, no essencial, o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DE ADMISSIBILIDADE DO TRIBUNAL DE ORIGEM. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 182/STJ. 1. No caso dos autos, não houve impugnação de todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial. 2. É inviável o conhecimento do agravo em recurso especial que não tenha impugnado especificamente todos os fundamentos da decisão agravada. Incidência da Súmula n. 182 do STJ. Agravo interno improvido. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO HUMBERTO MARTINS (relator): A irresignação não prospera. Nas razões do recurso especial, a recorrente deixou de estabelecer qual o dispositivo de lei federal que considera violado para sustentar sua irresignação pela alínea "c" do permissivo constitucional. Ressalte-se que a mera menção ao tema em debate, sem que se aponte com precisão a contrariedade ou a negativa de vigência pelo julgado recorrido não preenche o requisito formal de admissibilidade recursal. As razões do recurso especial devem exprimir, com transparência e objetividade, os motivos pelos quais o recorrente visa à reforma do julgado, de modo que a "simples menção de normas infraconstitucionais, feita de maneira esparsa no corpo das razões recursais, não supre a exigência de fundamentação adequada do recurso especial, pois dificulta a compreensão da controvérsia. Incidência da Súmula 284/STF" (EDcl no AgRg no AREsp n. 402.314/SP, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 22/9/2015). Diante da deficiência na fundamentação, o conhecimento do recurso especial encontra óbice na Súmula 284 do STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: 1. A ausência de indicação do dispositivo de lei violado ou de interpretação controvertida caracteriza deficiência da fundamentação recursal. Incidência, por analogia, da Súmula 284 do STF. (AgInt no AREsp n. 2.484.657/SP, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 26/6/2024.) 3. O recurso especial é inadmissível por fundamentação deficiente quando deixa de indicar o dispositivo de lei federal violado. Súmula nº 284/STF. (AgInt no AREsp n. 2.511.818/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 21/6/2024.) Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É como penso. É como voto.