REsp 2072832 - DECISAO
O recurso especial foi não conhecido por deficiência na exposição da alegada omissão prevista nos arts. 489, §1º, IV, e 1.022 do CPC e porque a modificação do julgado demandaria análise de legislação local, providência vedada em recurso especial, aplicando-se por analogia a Súmula 280 do STF; manteve-se, nos termos...
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- Parties
- Recorrente: ESTADO DA BAHIA; Impetrado: Secretário da Administração do Estado da Bahia; Impetrado: Comandante Geral da Polícia Militar do Estado da Bahia
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 26 September 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Recurso Especial Julgado Pelo STJ Não Conhecido
- Outcome
- não conheço do recurso especial
- Legal Topics
- Auxílio Transporte, Polícia Militar, Regulamentação Administrativa, IRDR, Ilegitimidade Passiva, Omissão Do Poder Executivo
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Parties
ESTADO DA BAHIA
Recorrente
Secretário da Administração do Estado da Bahia
Impetrado
Comandante Geral da Polícia Militar do Estado da Bahia
Impetrado
Procedural Posture
Recurso Especial / Recurso Especial Julgado Pelo STJ Não Conhecido
Legal Issues
- 1 Se os policiais militares do Estado da Bahia têm direito ao auxílio-transporte no período anterior à edição do Decreto Estadual nº 18.825/2019
- 2 Se a demora na edição do ato regulamentador caracteriza omissão e autoriza o pagamento do benefício
- 3 Preliminar de ilegitimidade passiva do Secretário da Administração e do Comandante Geral da Polícia Militar
Ratio Decidendi
O recurso especial foi não conhecido por deficiência na exposição da alegada omissão prevista nos arts. 489, §1º, IV, e 1.022 do CPC e porque a modificação do julgado demandaria análise de legislação local, providência vedada em recurso especial, aplicando-se por analogia a Súmula 280 do STF; manteve-se, nos termos do acórdão recorrido e do IRDR, o reconhecimento do direito ao auxílio-transporte aos policiais militares até a edição do Decreto nº 18.825/2019 segundo o regramento local indicado.
Court Disposition
não conheço do recurso especial
Orders
- Não conheço do recurso especial
- Publique-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata -se de recurso especial interposto pelo ESTADO DA BAHIA, com fundamento no art. 105, inciso III, alínea a, da Constituição Federal, no qual se insurge contra o acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA assim ementado (fls. 1.154/1.156 ): INCIDENTE DE RESOLUÇÃO DE DEMANDAS REPETITIVAS. AUXÍLIO-TRANSPORTE PARA POLICIAL MILITAR. FIXAÇÃO DE TESE JURÍDICA. CONTROVÉRSIA DIRIMIDA. AUSÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO DO DIREITO. IRRAZOABILIDADE DO LAPSO DE TEMPO DE CORRIDO PARA A EDIÇÃO DO ATO REGULAMENTADOR DO DIREITO. OMISSÃO RECONHECIDA. DECRETO ESTADUAL Nº 6.192/1997. APLICAÇÃO POR ANALOGIA. SUPRIMENTO. JULGAMENTO DO MANDADO DE SEGURANÇA PARADIGMA. REJEIÇÃO DAS PRELIMINARES DE ILEGITIMIDA DE PASSIVA DO SECRETÁRIO DE ADMINISTRAÇÃO DO ESTADO DA BAHIA E DO COMANDANTE GERAL DA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DA BAHIA. SUBSUNÇÃO DO CASO CONCRETO À TESE JURÍDICA FIRMADA. CONCESSÃO PARCIAL DA SEGURANÇA. 1. Enunciação da tese jurídica: em relação ao período anterior à vigência do Decreto Estadual nº 18.825/2019, a concessão/pagamento do auxílio-transporte aos policiais militares do Estado da Bahia deve ser apreciada, na mesma conta e época da remuneração mensal, de acordo como quanto previsto no art. 3º, caput, e 88, 1º, 2º, 3º e 4º, do Decreto Estadual nº 6.192/97, observando-se que o valor do benefício deverá ser calculado de acordo com o número de deslocamentos diários de transporte coletivo realizado, o número de dias em que o beneficiário deva comparecer ao serviço no mês de referência e o valor da tarifa oficial. 2. Ao contrário do que se deu com os servidores públicos civis, a regulamentação do auxílio-transporte para os policiais militares do Estado da Bahia somente veio com o Decreto nº 18.825, de 02 de janeiro de 2019, sobrepujando o largo lapso de tempo para a edição do ato de regulamentação do direito, que escapa dos limites da razoabilidade pelo decurso de mais de 13 anos desde a previsão legal originária do auxílio-transporte. 3. Caso em que, entre a previsão legal originária e a regulamentação contemporânea, a classe de policiais militares estaduais padeceu da fruição do direito ao auxílio-transporte, em razão de omissão que não pode ser justificada sob o tênue argumento de que a matéria ainda penderia de regulamentação, cuja iniciativa não teria sido deflagrada pelo Chefe do Poder Executivo por meio da edição do decreto correspondente. 4. Na apreciação do processo paradigma, o mandado de segurança há de ser concedido, em parte, para assegurar o reconhecimento do benefício até a data da regulamentação. 5. Deve ser rejeitada a preliminar de ilegitimidade passiva do Secretário da Administração do Estado da Bahia, porque incumbe à autoridade a fixação de diretrizes e o estabelecimento de normas destinadas à gestão de recursos humanos no âmbito do Estado da Bahia, como se depreende do Regimento da Secretaria da Administração Estadual -Decreto nº 12.431, de 20 de outubro de 2010. 6. Também descabe a alegação de ilegitimidade passiva ad causam do Comandante Geral da Polícia Militar, uma vez que, ao contrário do quanto alegado pelo Impetrado, não busca o Acionante impor a obrigação de editar decreto, mas compelir o Poder Público a pagar auxílio-transporte. 7. Caso em que a controvérsia objeto da ação mandamental resta solucionada pela tese jurídica fixada no julgamento do IRDR nº 0007725-69.2016.8.05.0000, no sentido de ser reconhecido o direito à concessão/pagamento do auxílio-transporte aos policiais militares do Estado da Bahia, na mesma conta e época da remuneração mensal, aplicando-se, até a edição do Decreto nº 18.825, de 02 de janeiro de 2019, o regramento previsto no art. 3º, caput, e 881º, 2º, 3º e 4º do Decreto Estadual nº 6.192/97, devendo ser observado que o valor do benefício deve ser calculado de acordo com o número de deslocamentos diários de transporte coletivo, o número de dias em que o beneficiário deve comparecer ao serviço no mês de referência e o valor da tarifa oficial. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (fls. 1.096/1.116). Nas razões de seu recurso, a parte recorrente afirma haver violação dos arts. 489, § 1º, IV, e 1.022 do Código de Processo Civil (CPC), porque o acórdão recorrido seria omisso quanto à apreciação de sua tese recursal, bem como do art. 884 do Código Civil, porque a conclusão alcançada pelo acórdão recorrido enseja o pagamento triplicado do benefício, e, portanto, caracteriza enriquecimento ilícito. A parte adversa apresentou contrarrazões (fls. 1.276/1.287). O recurso não foi admitido na origem (fls. 1.295/1.296). A Presidente da Comissão Gestora de Precedentes do Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao agravo em recurso especial e determinou sua conversão em recurso especial (fls. 1.369/1.370). O Ministério Público Federal ofertou parecer pela não admissão do presente recurso especial como representativo de controvérsia (fls. 1.525/1.534). A Presidente da Comissão Gestora de Precedentes do Superior Tribunal de Justiça determinou a distribuição do presente recurso sem a condição de representativo de controvérsia (fls. 1.543/1.544). É o relatório. A pretensão recursal não merece prosperar. É deficiente o capítulo do recurso especial em que é alegada a ofensa aos arts. 489, § 1º, IV, e 1.022 do CPC de forma genérica, sem a indicação específica dos pontos sobre os quais o julgador deveria ter-se manifestado, o que inviabiliza a compreensão da controvérsia. Incide no caso em questão, assim, o óbice previsto na Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal (STF), por analogia. Quanto à alegação de violação do art. 884 do Código Civil, da leitura do acórdão recorrido, constato que o mérito recursal foi decidido à luz da interpretação da Lei 6.677/1997 e do Decreto 6.197/1997 até a edição do Decreto 18.825/2019. Concluiu também o acórdão recorrido que (fl. 1.174): .. a vantagem não se confunde com a gratuidade no transporte público, porque se trata de gratificações de natureza jurídica e embasamento legal completamente distintos, razão pela qual não prosperam as arguições de os que os policiais militares disporiam de gratuidade do transporte urbano na Capital, por meio do cartão smartcard, concedido pelo Poder Público Municipal, ou pelo simples fato do militar estar fardado. A alteração do julgado, conforme pretendido nas razões recursais, demandaria, necessariamente, a análise da legislação local, providência vedada em recurso especial. Desse modo, aplico à espécie, por analogia, o enunciado 280 da Súmula do Supremo Tribunal Federal ("Por ofensa ao direito local não cabe recurso extraordinário"). Ante o exposto, não conheço do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA