REsp 2107173 - ACORDAO
Os embargos de declaração foram rejeitados porque não houve omissão, contradição, obscuridade ou erro material a ser sanado: a matéria de mérito apontada não foi apreciada no acórdão embargado em razão do não conhecimento do recurso especial por deficiência recursal (ausência de indicação de dispositivos federais...
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- Parties
- Embargante: Fábio Vieira Duque; Embargada: União
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 October 2024
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração / Julgado Pela Segunda Turma (sessão Virtual De 22/10/2024 a 28/10/2024)
- Outcome
- Embargos de declaração rejeitados
- Legal Topics
- Auxílio Transporte, Deficiência Recursal, Súmula 284/stf, Policial Rodoviário Federal, Embargos De Declaração
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Parties
Fábio Vieira Duque
Embargante
União
Embargada
Procedural Posture
Embargos De Declaração / Julgado Pela Segunda Turma (sessão Virtual De 22/10/2024 a 28/10/2024)
Legal Issues
- 1 Cabimento de embargos de declaração nos termos do art. 1.022 do CPC/2015
- 2 Deficiência recursal por ausência de indicação dos dispositivos legais federais violados
- 3 Aplicação, por analogia, da Súmula n. 284/STF para não conhecimento do recurso especial
Ratio Decidendi
Os embargos de declaração foram rejeitados porque não houve omissão, contradição, obscuridade ou erro material a ser sanado: a matéria de mérito apontada não foi apreciada no acórdão embargado em razão do não conhecimento do recurso especial por deficiência recursal (ausência de indicação de dispositivos federais violados), nos termos aplicados por analogia da Súmula n. 284/STF; além disso, embargos não servem para reexame do mérito ou para produzir efeitos modificativos.
Court Disposition
Embargos de declaração rejeitados
Orders
- Rejeitar os embargos de declaração.
- Manter a decisão que não conheceu do recurso especial, fundamentada na aplicação, por analogia, da Súmula n. 284/STF e no art. 105, III, a, da CF/1988.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 22/10/2024 a 28/10/2024, por unanimidade, rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Maria Thereza de Assis Moura, Teodoro Silva Santos e Afrânio Vilela votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Afrânio Vilela. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. POLICIAL RODOVIÁRIO FEDERAL. AUXÍLIO-TRANSPORTE. PAGAMENTO. IMPROCEDÊNCIA DO PEDIDO. DEFICIÊNCIA RECURSAL. AUSÊNCIA EM APONTAR OS DISPOSITIVOS LEGAIS VIOLADOS. APLICAÇÃO DA SÚMULA N. 284/STF. I - Na origem, trata-se de ação ajuizada contra a União objetivando o pagamento do auxílio-transporte para Policial Rodoviário Federal, independentemente de comprovação da despesa ou do meio de transporte utilizado e sem a incidência de qualquer desconto. II - Na sentença, julgou-se parcialmente procedente o pedido. No Tribunal a quo, a sentença foi reformada para julgar improcedente o pedido. Esta Corte não conheceu do recurso especial. III - Opostos embargos de declaração, aponta a parte embargante vícios no acórdão embargado. IV - Os embargos aclaratórios não se prestam ao reexame de questões já analisadas com o nítido intuito de promover efeitos modificativos ao recurso. V - Os vícios apontados pela parte embargante, relacionados ao mérito recursal, não foram tratados no acórdão embargado, uma vez que o recurso especial não passou pelo juízo prévio de admissibilidade, por aplicação da Súmula n. 284/STF, o que afasta a alegação de omissão. VI - Embargos de declaração rejeitados.
RELATÓRIO Negou-se conhecimento ao recurso especial interposto por Fábio Vieira Duque, com fundamento no art. 105, III, a, da CF/1988. O recurso especial visa reformar acórdão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, nos termos assim ementados: CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO. AUXÍLIO-TRANSPORTE. COMPROVAÇÃO DE DESPESAS. MEDIDA PROVISÓRIA N. 2.165-36/2001. POLICIAL RODOVIÁRIO FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE A PARTIR DA INSTITUIÇÃO DO SUBSÍDIO COMO FORMA ÚNICA DE REMUNERAÇÃO. 1. Trata-se de apelação da União em face de sentença que julgou parcialmente procedente o pedido inicial, em ação buscando o pagamento do auxílio-transporte à parte autora pela Polícia Rodoviária Federal, independentemente de comprovação da despesa ou do meio de transporte utilizado e sem a incidência de qualquer desconto. 2. A concessão do benefício de auxílio-transporte, instituído pela Medida Provisória n. 2.165-36/2001, de natureza jurídica indenizatória, destinou-se ao custeio parcial das despesas realizadas com transporte nos deslocamentos entre a residência e o local de trabalho e vice-versa. Estabelecido com a intenção de impedir o comprometimento da remuneração dos servidores por despesas de deslocamento, é condicionado apenas à declaração subscrita pelo servidor, atestando a realização das despesas. 3. O benefício do auxílio-transporte, que antes da criação do subsídio estava sujeito a uma contraprestação calculada em 6% sobre o vencimento básico, deixa de existir exatamente no momento da implantação do subsídio como forma única de remuneração na carreira de PRF, pela Lei n. 11.358/2006, em março de 2006, não persistindo o direito ao auxílio-transporte. Precedentes. 4. Honorários advocatícios fixados em 10% do valor da condenação em favor da parte autora, nos termos do art. 85, §§ 2 e 3, do CPC. 5. Apelação e remessa oficial providas. Na origem, trata-se de ação ajuizada por Fábio Vieira Duque contra a União objetivando o pagamento do auxílio-transporte pela Polícia Rodoviária Federal, independentemente de comprovação da despesa ou do meio de transporte utilizado e sem a incidência de qualquer desconto. Na sentença, julgou-se parcialmente procedente o pedido. No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. Esta Corte não conheceu do recurso especial. No recurso especial, Fábio Vieira Duque alega ofensa ao art. 1º da MP n. 2.165-36/2001. A decisão recorrida tem o seguinte dispositivo: "Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do recurso." A Segunda Turma negou provimento ao agravo interno, nos termos da seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO. AUXÍLIO-TRANSPORTE. DEFICIÊNCIA RECURSAL. INCIDÊNCIA, POR ANALOGIA, DO ENUNCIADO N. 284 DA SÚMULA DO STF. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. I - Na origem, trata-se de julgou , em ação buscando o pagamento do auxílio-transporte à parte autora pela Polícia Rodoviária Federal, independentemente de comprovação da despesa ou do meio de transporte utilizado e sem a incidência de qualquer desconto. Na sentença o pedido foi julgado parcialmente procedente. No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. II - A competência do Superior Tribunal de Justiça, na via do recurso especial, encontra-se vinculada à interpretação e à uniformização do direito infraconstitucional federal. Nesse contexto, apresenta-se impositiva a indicação do dispositivo legal que teria sido contrariado pelo Tribunal a quo , sendo necessária a delimitação da violação do tema insculpido no regramento indicado, viabilizando assim o necessário confronto interpretativo e o cumprimento da incumbência constitucional revelada com a uniformização do direito infraconstitucional sob exame.Da mesma forma, fica inviabilizado o confronto interpretativo acima referido quando o recorrente, apesar de indicar dispositivos infraconstitucionais como violados, deixa de demonstrar como tais dispositivos foram ofendidos. Acerca do assunto, destaco os seguintes precedentes: AgInt no AREsp 1.365.442/MS, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 24/9/2019, DJe 26/9/2019; AgInt no REsp 1.761.261/RO, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 21/2/2019, DJe 28/2/2019.) III - Agravo interno improvido. Opostos embargos de declaração, aponta a parte embargante os seguintes vícios no acórdão embargado: .. requer-se seja corrigido o ERRO MATERIAL e saneada a OMISSÃO constada, enfrentando-se fundamentalmente o mérito apresentado no Agravo Interno em Recurso Especial interposto (tópicos 3 e 4), visando que este seja CONHECIDO e PROVIDO em sua TOTALIDADE, reformando-se o acórdão do TRF1 no intuito de se ratificar a sentença proferida pelo Juízo singular, ora reformada, garantindo ao Recorrente o direito de perceber o Auxílio transporte com desconto de 6% no subsídio, com a condenação da Recorrida ao pagamento dos valores não pagos, respeitando-se o prazo prescricional de 5 anos ao ajuizamento da presente ação, bem como a inversão dos ônus sucumbenciais, condenando a União Federal ao pagamento de custas e honorários. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. POLICIAL RODOVIÁRIO FEDERAL. AUXÍLIO-TRANSPORTE. PAGAMENTO. IMPROCEDÊNCIA DO PEDIDO. DEFICIÊNCIA RECURSAL. AUSÊNCIA EM APONTAR OS DISPOSITIVOS LEGAIS VIOLADOS. APLICAÇÃO DA SÚMULA N. 284/STF. I - Na origem, trata-se de ação ajuizada contra a União objetivando o pagamento do auxílio-transporte para Policial Rodoviário Federal, independentemente de comprovação da despesa ou do meio de transporte utilizado e sem a incidência de qualquer desconto. II - Na sentença, julgou-se parcialmente procedente o pedido. No Tribunal a quo, a sentença foi reformada para julgar improcedente o pedido. Esta Corte não conheceu do recurso especial. III - Opostos embargos de declaração, aponta a parte embargante vícios no acórdão embargado. IV - Os embargos aclaratórios não se prestam ao reexame de questões já analisadas com o nítido intuito de promover efeitos modificativos ao recurso. V - Os vícios apontados pela parte embargante, relacionados ao mérito recursal, não foram tratados no acórdão embargado, uma vez que o recurso especial não passou pelo juízo prévio de admissibilidade, por aplicação da Súmula n. 284/STF, o que afasta a alegação de omissão. VI - Embargos de declaração rejeitados. VOTO Os embargos não merecem acolhimento. Segundo o art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, os embargos de declaração são cabíveis para esclarecer obscuridade; eliminar contradição; suprir omissão de ponto ou questão sobre as quais o juiz devia pronunciar-se de ofício ou a requerimento; e/ou corrigir erro material. Conforme entendimento pacífico desta Corte: O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. (EDcl no MS n. 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016.) A pretensão de reformar o julgado não se coaduna com as hipóteses de omissão, contradição, obscuridade ou erro material contidas no art. 1.022 do CPC/2015, razão pela qual inviável o seu exame em embargos de declaração. Nesse sentido: PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. FINALIDADE DE PREQUESTIONAMENTO DE MATÉRIA CONSTITUCIONAL. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. EFEITOS INFRINGENTES. IMPOSSIBILIDADE. ART. 1.022 DO NOVO CPC. 1. A ocorrência de um dos vícios previstos no art. 1.022 do CPC é requisito de admissibilidade dos embargos de declaração, razão pela qual a pretensão de mero prequestionamento de dispositivos constitucionais para a viabilização de eventual recurso extraordinário não possibilita a sua oposição. Precedentes da Corte Especial. 2. A pretensão de reformar o julgado não se coaduna com as hipóteses de omissão, contradição, obscuridade ou erro material contidas no art. 1.022 do novo CPC, razão pela qual inviável o seu exame em sede de embargos de declaração. 3. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl nos EAREsp n. 166.402/PE, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Corte Especial, julgado em 15/3/2017, DJe 29/3/2017.) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NA RECLAMAÇÃO. CONTRADIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. OMISSÕES. INEXISTÊNCIA. CARÁTER PROCRASTINATÓRIO RECONHECIDO. APLICAÇÃO DE MULTA. 1. A contradição capaz de ensejar o cabimento dos embargos declaratórios é aquela que se revela quando o julgado contém proposições inconciliáveis internamente. 2. Sendo os embargos de declaração recurso de natureza integrativa destinado a sanar vício - obscuridade, contradição ou omissão -, não podem ser acolhidos quando a parte embargante pretende, essencialmente, a obtenção de efeitos infringentes. 3. Evidenciado o caráter manifestamente protelatório dos embargos de declaração, cabe a aplicação da multa prevista no parágrafo único do art. 538 do CPC/1973. 4. Embargos de declaração rejeitados com aplicação de multa. (EDcl na Rcl n. 8.826/RJ, relator Ministro João Otávio de Noronha, Corte Especial, julgado em 15/2/2017, DJe 15/3/2017.) Os vícios apontados pela parte embargante, relacionados ao mérito recursal, não foram tratados no acórdão embargado, uma vez que o recurso especial não passou pelo juízo prévio de admissibilidade, por aplicação da Súmula n. 284/STF, o que afasta a alegação de omissão, nos termos assim expostos: (..) A competência do Superior Tribunal de Justiça, na via do recurso especial, encontra-se vinculada à interpretação e à uniformização do direito infraconstitucional federal. Nesse contexto, apresenta-se impositiva a indicação do dispositivo legal que teria sido contrariado pelo Tribunal a quo, sendo necessária a delimitação da violação do tema insculpido no regramento indicado, viabilizando assim o necessário confronto interpretativo e o cumprimento da incumbência constitucional revelada com a uniformização do direito infraconstitucional sob exame. Da mesma forma, fica inviabilizado o confronto interpretativo acima referido quando o recorrente, apesar de indicar dispositivos infraconstitucionais como violados, deixa de demonstrar como tais dispositivos foram ofendidos. Nesse diapasão, verificado que o recorrente deixou de explicitar os motivos pelos quais consideraria violada a legislação federal, apresenta-se evidente a deficiência do pleito recursal, atraindo o teor da Súmula n. 284 do STF. Cumpre ressaltar que os embargos aclaratórios não se prestam ao reexame de questões já analisadas com o nítido intuito de promover efeitos modificativos ao recurso. No caso dos autos, não há omissão de ponto ou questão sobre as quais o juiz, de ofício ou a requerimento, devia pronunciar-se, considerando que o acórdão apreciou as teses relevantes para o deslinde do caso e fundamentou sua conclusão. Ante o exposto, rejeito os embargos de declaração. É o voto.