REsp 2105326 - ACORDAO

REsp 2105326 - ACORDAO

A exceção à impenhorabilidade do bem de família prevista no art. 3º, V, da Lei n. 8.009/1990 só autoriza a penhora quando demonstrado que a dívida se reverteu em benefício da entidade familiar; quanto ao ônus da prova, se a hipoteca foi prestada por um dos sócios de pessoa jurídica, o bem é, em regra, impenhorável e cabe ao credor provar o benefício familiar; se os únicos sócios são os titulares do imóvel, presume‑se a penhorabilidade, incumbindo aos proprietários provar a ausência de benefício à família; aplicando tais critérios, o Tribunal de origem entendeu que o exequente comprovou o proveito familiar, autorizando a penhora, razão pela qual o STJ negou provimento ao recurso especial.

Parties
Recorrente: COMERCIAL GARLA LTDA.; Recorrente: ÍCARO TRINDADE RODRIGUES GARCIA; Recorrente: RENATA BRAGA LACOMBE GARCIA; Exequente: exequente
Court
Superior Tribunal de Justiça
Jurisdiction
Brazil
Judgment Date
13 June 2025
Procedural Posture
Recurso Especial / Recurso Especial (repetitivo) Julgamento Final (recurso Não Provido)
Outcome
Recurso não provido
Legal Topics
Bem De Família, Execução De Hipoteca, Penhorabilidade, Ônus Da Prova, Recursos Repetitivos, Impenhorabilidade

Case Brief

Summary, issues, holding and outcome

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Parties

COMERCIAL GARLA LTDA.

Recorrente

ÍCARO TRINDADE RODRIGUES GARCIA

Recorrente

RENATA BRAGA LACOMBE GARCIA

Recorrente

exequente

Exequente

Procedural Posture

Recurso Especial / Recurso Especial (repetitivo) Julgamento Final (recurso Não Provido)

  1. 1 Necessidade de comprovação de que o proveito da dívida se reverteu em favor da entidade familiar na hipótese de penhora de imóvel residencial oferecido como garantia real (art. 3º, V, Lei n. 8.009/1990)
  2. 2 Distribuição do ônus da prova nas hipóteses de garantias prestadas em favor de sociedade na qual os proprietários do bem têm participação societária
  3. 3 Validade da penhora de bem de família dado em garantia hipotecária

Ratio Decidendi

A exceção à impenhorabilidade do bem de família prevista no art. 3º, V, da Lei n. 8.009/1990 só autoriza a penhora quando demonstrado que a dívida se reverteu em benefício da entidade familiar; quanto ao ônus da prova, se a hipoteca foi prestada por um dos sócios de pessoa jurídica, o bem é, em regra, impenhorável e cabe ao credor provar o benefício familiar; se os únicos sócios são os titulares do imóvel, presume‑se a penhorabilidade, incumbindo aos proprietários provar a ausência de benefício à família; aplicando tais critérios, o Tribunal de origem entendeu que o exequente comprovou o proveito familiar, autorizando a penhora, razão pela qual o STJ negou provimento ao recurso especial.

Court Disposition

Recurso não provido

Orders

  • Negar provimento ao recurso especial.
  • Para os fins do art. 1.036 do CPC/2015, fixam‑se as seguintes teses relativamente ao Tema n. 1.261: I) a exceção à impenhorabilidade do bem de família nos casos de execução de hipoteca sobre o imóvel, oferecido como garantia real pelo casal ou pela entidade familiar, prevista no art. 3º, V, da Lei n. 8.009/1990,...