REsp 2153151 - DECISAO
Havendo apenas denúncia anônima e sem diligências policiais prévias que comprovem a veracidade da informação, e não havendo nos autos prova segura do consentimento do morador, não restou justificada a entrada no domicílio sem mandado; assim, as provas obtidas são ilícitas e, como eram os únicos elementos que sustentavam a materialidade, impõe-se a absolvição do réu nos termos do art. 386, II, do CPP. Ademais, eventual alegação de violação do inciso XXXV do art. 5º compete ao Supremo Tribunal Federal via recurso extraordinário, razão pela qual essa matéria não foi conhecida por esta Corte.
- Parties
- Recorrente: ADRIANO ESTEVAO ALVES; Recorrido: Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 January 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão De Mérito E Provimento Parcial
- Outcome
- Conheço parcialmente do recurso especial e, na parte conhecida, dou-lhe provimento para reconhecer a ilicitude do ingresso no domicílio do recorrente e a ilicitude das provas por esse meio obtidas, determinando a absolvição do recorrente nos termos do art. 386, II, do Código de Processo Penal.
- Legal Topics
- Busca Domiciliar, Prova Ilícita, Consentimento Do Morador, Denúncia Anônima, Ilicitude Das Provas, Absolvição (art. 386, II, Cpp), Competência Para Controle De Constitucionalidade
Case Brief
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Parties
ADRIANO ESTEVAO ALVES
Recorrente
Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão De Mérito E Provimento Parcial
Legal Issues
- 1 Se a entrada em domicílio sem mandado, baseada em denúncia anônima e sem diligências prévias, constitui legítima busca domiciliar
- 2 Se houve prova do consentimento voluntário do morador para o ingresso policial
- 3 Se as provas obtidas em busca domiciliar sem justa causa devem ser consideradas ilícitas e resultar em nulidade
Ratio Decidendi
Havendo apenas denúncia anônima e sem diligências policiais prévias que comprovem a veracidade da informação, e não havendo nos autos prova segura do consentimento do morador, não restou justificada a entrada no domicílio sem mandado; assim, as provas obtidas são ilícitas e, como eram os únicos elementos que sustentavam a materialidade, impõe-se a absolvição do réu nos termos do art. 386, II, do CPP. Ademais, eventual alegação de violação do inciso XXXV do art. 5º compete ao Supremo Tribunal Federal via recurso extraordinário, razão pela qual essa matéria não foi conhecida por esta Corte.
Court Disposition
Conheço parcialmente do recurso especial e, na parte conhecida, dou-lhe provimento para reconhecer a ilicitude do ingresso no domicílio do recorrente e a ilicitude das provas por esse meio obtidas, determinando a absolvição do recorrente nos termos do art. 386, II, do Código de Processo Penal.
Orders
- Reconhecer a ilicitude do ingresso no domicílio do recorrente
- Reconhecer a ilicitude das provas obtidas mediante referido ingresso domiciliar
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