AREsp 2255978 - DECISAO
Conheceu-se do agravo em recurso especial e deu-se provimento ao recurso especial da agravante, determinando o retorno dos autos à instância de origem para que proceda ao arbitramento dos honorários advocatícios aos patronos da empresa, tendo em vista que o cancelamento administrativo da CDA não afasta a...
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- Parties
- Parte Agravante: GAFISA S/A; Parte Agravada: FAZENDA NACIONAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 October 2024
- Procedural Posture
- Execução Fiscal (embargos À Execução Fiscal) / Agravo Interno Em Recurso Especial (primeira Turma)
- Outcome
- Provido o recurso especial da parte agravante; retorno dos autos à instância originária para arbitramento de honorários advocatícios.
- Legal Topics
- Cancelamento Da Certidão De Dívida Ativa (cda), Honorários Advocatícios, Art. 26 Da Lei De Execução Fiscal (lei 6.830/1980), Princípio Da Causalidade, Juízo De Equidade, Tema Repetitivo 1.076/stj
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Parties
GAFISA S/A
Parte Agravante
FAZENDA NACIONAL
Parte Agravada
Procedural Posture
Execução Fiscal (embargos À Execução Fiscal) / Agravo Interno Em Recurso Especial (primeira Turma)
Legal Issues
- 1 Extinção da execução fiscal em razão do cancelamento administrativo da CDA
- 2 Possibilidade de fixação de honorários advocatícios mesmo com aplicação do art. 26 da LEF
- 3 Critério de arbitramento dos honorários pelo juízo de equidade
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo em recurso especial e deu-se provimento ao recurso especial da agravante, determinando o retorno dos autos à instância de origem para que proceda ao arbitramento dos honorários advocatícios aos patronos da empresa, tendo em vista que o cancelamento administrativo da CDA não afasta a possibilidade de fixação de honorários pelo princípio da causalidade, devendo seu montante ser arbitrado pelo juízo de equidade.
Court Disposition
Provido o recurso especial da parte agravante; retorno dos autos à instância originária para arbitramento de honorários advocatícios.
Orders
- Determino o retorno dos autos à instância originária para que proceda ao arbitramento dos honorários advocatícios aos patronos da empresa.
- Publique-se. Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Em seu agravo interno (fls. 1.206/1.316), a parte agravante, GAFISA S/A, informa a extinção do crédito litigioso e o cancelamento administrativo da certidão de dívida ativa (CDA) que originou o presente processo. A informação foi confirmada pela Fazenda Nacional em sua petição de fl. 1.331. Assim, deve ser extinta a execução fiscal que deu origem aos embargos à execução fiscal que originaram o presente processo e que perdeu o objeto. A Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça possui a orientação de que a extinção da execução fiscal, pelo cancelamento administrativo da dívida ativa, como na espécie, enseja a fixação da verba honorária com fundamento no princípio da causalidade, a despeito da previsão do art. 26 da Lei 6.830/1980. Todavia, o juízo de equidade deve nortear seu arbitramento. A propósito, cito os seguintes julgados: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. CANCELAMENTO DA CDA. EXECUÇÃO EXTINTA COM FUNDAMENTO NO ART. 26 DA LEF. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS SUCUMBÊNCIAIS. PRINCÍPIO DA CAUSALIDADE. FIXAÇÃO PELO CRITÉRIO DA EQUIDADE. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. 1. Tendo o recurso sido interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. 2. Trata-se de execução extinta pelo cancelamento administrativo do débito, com fulcro no art. 26 da LEF, após a apresentação de exceção de pré-executividade, tendo as instâncias ordinárias fixado os honorários advocatícios pelo critério equitativo, por força do princípio da causalidade. 3. Com efeito, "a jurisprudência desta Corte é uníssona no sentido de que, sobrevindo extinção da execução fiscal em razão do cancelamento da certidão de dívida ativa após a citação válida do executado, a Fazenda Pública deve responder pelos honorários advocatícios, em homenagem ao princípio da causalidade" (REsp n. 1.648.213/RS, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 14/3/2017, DJe de 20/4/2017). 4. Em se tratando de extinção da execução com fundamento no disposto no art. 26 da LEF, em razão do cancelamento administrativo da CDA, e não da defesa propriamente dita, o entendimento desta Corte Superior é no sentido de que o precedente qualificado formado no julgamento do Tema Repetitivo n. 1.076/STJ, que analisou as regras do art. 85 do CPC/2015, não contempla a referida hipótese da Lei de Execução Fiscal, norma especial em relação às regras gerais do CPC/2015 - o que justifica a distinção. A propósito, confiram-se: AgInt no AgInt no AREsp n. 1.967.127/RJ, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe 1º/8/2022; AgInt no AREsp n. 1.398.106/SP, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe 6/5/2020; REsp n. 1.795.760/SP, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe 3/12/2019. No mesmo sentido, citem-se as seguintes monocráticas: REsp n. 1.801.584/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 21/9/2023; REsp n. 2.086.582/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 18/8/2023; REsp n. 1.743.072/RS, Rel. Ministro Sérgio Kukina, DJe 16/8/2023; REsp n. 2.088.094/TO, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe 10/8/2023; REsp n. 2.092.464/SP, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe 28/9/2023. 5. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp n. 2.088.330/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 29/4/2024, DJe de 7/5/2024.) PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. EXTINÇÃO. INSCRIÇÃO EM DÍVIDA ATIVA. CANCELAMENTO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. PERCENTUAL SOBRE O VALOR DA CAUSA. DESPROPORCIONALIDADE. JUÍZO DE EQUIDADE. POSSIBILIDADE. ENTENDIMENTO FIRMADO NO JULGAMENTO DO TEMA REPETITIVO 1.076 DO STJ. DISTINÇÃO. 1. Não obstante a literalidade do art. 26 da LEF, que exonera as partes de quaisquer ônus, a jurisprudência desta Corte superior, sopesando a necessidade de remunerar a defesa técnica apresentada pelo advogado do executado em momento anterior ao cancelamento administrativo da CDA, passou a admitir a fixação da verba honorária, pelo princípio da causalidade. Inteligência da Súmula 153 do STJ. 2. A necessidade de deferimento de honorários advocatícios nesses casos não pode ensejar ônus excessivo ao Estado, sob pena de esvaziar, por completo, o referido artigo de lei. 3. Da sentença fundada no art. 26 da LEF não é possível identificar objetiva e direta relação de causa e efeito entre a atuação do advogado e o proveito econômico obtido pelo seu cliente, a justificar que a verba honorária seja necessariamente deferida com essa base de cálculo, de modo que ela deve ser arbitrada por juízo de equidade do magistrado, critério que, mesmo sendo residual, na específica hipótese dos autos, encontra respaldo nos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade preconizados no art. 8º do CPC/2015. Precedente: REsp 1.795.760/SP, rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 21/11/2019, DJe 03/12/2019. 4. A hipótese em exame não se encontra abarcada pela tese jurídica firmada no julgamento do Tema repetitivo 1.076 do STJ, pois a solução adotada no caso concreto decorre da interpretação do art. 26 da LEF, aspecto não tratado no precedente obrigatório, o que justifica a distinção. 5. Agravo interno não provido. (AgInt no AgInt no AREsp n. 1.967.127/RJ, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 7/6/2022, DJe de 1º/8/2022.) Ante o exposto, reconsidero a decisão agravada, conheço do agravo em recurso especial e dou provimento ao recurso especial da parte agravante e determino o retorno dos autos à instância originária para que proceda ao arbitramento dos honorários advocatícios aos patronos da empresa. Publique-se. Intimem-se. EMENTA