AREsp 2563612 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial porque a questão relativa à capitalização mensal foi alcançada por decisão reiterada (REsp 973.827/RS) justificando o não seguimento (art. 1.030, I, b, CPC) e, quanto à capitalização diária, o Tribunal de origem afastou sua incidência diante da ausência...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: MAICON SOUZA DA ROCHA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 29 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Inadmissão De Recurso Especial (decisão De Admissibilidade)
- Outcome
- Conhecido o agravo, negado provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Capitalização De Juros, Alienação Fiduciária, Descaracterização Da Mora, Tutela Provisória, Recurso Especial Admissibilidade, Súmula 83 Do STJ, Repetitivo (resp 973.827/rs)
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
MAICON SOUZA DA ROCHA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Inadmissão De Recurso Especial (decisão De Admissibilidade)
Legal Issues
- 1 Ilegalidade da capitalização diária dos juros
- 2 Descaracterização da mora
- 3 Aplicação do enunciado do recurso especial repetitivo (REsp 973.827/RS) quanto à capitalização mensal
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial porque a questão relativa à capitalização mensal foi alcançada por decisão reiterada (REsp 973.827/RS) justificando o não seguimento (art. 1.030, I, b, CPC) e, quanto à capitalização diária, o Tribunal de origem afastou sua incidência diante da ausência de informação contratual sobre a taxa diária, não havendo interesse recursal. A decisão foi proferida com fundamento no art. 932 do NCPC e Súmula 568/STJ.
Court Disposition
Conhecido o agravo, negado provimento ao recurso especial.
Orders
- Negado provimento ao recurso especial.
- Deixo de majorar os honorários advocatícios, nos termos do art. 85, §11, do NCPC.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por MAICON SOUZA DA ROCHA contra decisão que inadmitiu o recurso especial. O apelo extremo, fundamentado no art. 105, inciso III, alíneas "a" e "c", da Constituição Federal, por sua vez desafia acórdão prolatado pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, assim ementado (fl. 259, e-STJ): AGRAVO INTERNO. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO. CAPITALIZAÇÃO DE JUROS. POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE CAPITALIZAÇÃO DE JUROS EM PERIODICIDADE INFERIOR À ANUAL APÓS A EDIÇÃO DA MEDIDA PROVISÓRIA N. 2.170-36/2001 (ART. 5º), PRESENTE INCLUSIVE O RE N. 592.377/RS, COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. "A CAPITALIZAÇÃO DOS JUROS EM PERIODICIDADE INFERIOR À ANUAL DEVE VIR PACTUADA DE FORMA EXPRESSA E CLARA. A PREVISÃO NO CONTRATO BANCÁRIO DE TAXA DE JUROS ANUAL SUPERIOR AO DUODÉCUPLO DA MENSAL É SUFICIENTE PARA PERMITIR A COBRANÇA DA TAXA EFETIVA ANUAL CONTRATADA." - RESP N. 973.827/RS. DO SEGURO. NOS CONTRATOS BANCÁRIOS EM GERAL, O CONSUMIDOR NÃO PODE SER COMPELIDO A CONTRATAR SEGURO COM A INSTITUIÇÃO FINANCEIRA OU COM SEGURADORA POR ELA INDICADA (RESP N. 1.639.259/SP E RESP N. 1.639.320/SP). COMPENSAÇÃO E/OU REPETIÇÃO SIMPLES. CABÍVEL CASO VERIFICADA A COBRANÇA DE VALORES INDEVIDOS. DESCARACTERIZAÇÃO DA MORA E TUTELA PROVISÓRIA. DEPENDE DO RECONHECIMENTO DE ABUSIVIDADE EM ENCARGO(S) PREVISTO(S) PARA O PERÍODO DA NORMALIDADE CONTRATUAL (JUROS REMUNERATÓRIOS E CAPITALIZAÇÃO DEJUROS). AGRAVO INTERNO PARCIALMENTE PROVIDO. Em suas razões recursais (fls. 306/3182, e-STJ), o insurgente apontou, além de dissídio jurisprudencial, violação aos artigos 6º, 47, 46 e 52, incisos I a III, todos do Código de Defesa do Consumidor, bem como o artigo 28, parágrafo 1º, inciso I, da Lei 10.931/04. Sustentou, em síntese: i) a ilegalidade da capitalização diária dos juros; ii) a descaracterização da mora. Sem contrarrazões (fl. 333, e-STJ). Em juízo de admissibilidade (fls. 340/343, e-STJ), o Tribunal de origem negou seguimento ao reclamo com relação à capitalização mensal dos juros, pois a questão foi decidida em sede de recurso especial repetitivo Resp 973.827/RS (tema 246 e 247 do STJ), nos termos do artigo 1.030, I, b, do CPC. No mais, o recurso não foi admitido, com amparo na Súmula 83 do STJ. Daí o agravo (fls. 351/362, e-STJ), buscando destrancar o processamento daquela insurgência, no qual o insurgente refuta os óbices aplicados pela Corte estadual. Contraminuta às fls. 369/1372, e-STJ. É o relatório. Decido. A irresignação não merece prosperar. 1. De início, cumpre registrar que a questão referente à capitalização mensal do juros, não será objeto de análise, pois, no ponto, o recurso especial teve o seguimento negado pelo Tribunal de origem, nos termos do artigo 1.030, I, b, do CPC. 2. Quanto a alegada ilegalidade da capitalização diária dos juros, ante a ausência de informação contratual da respectiva taxa diária de juros, bem com do pedido de descaracterização da mora, o Tribunal de origem, ao analisar a controvérsia, assim decidiu (fls. 257/258, e-STJ): No que diz com a capitalização de juros, é certo que o contrato foi firmado com a instituição financeira após 31/03/2000, mas não houve informação específica sobre a taxa diária de juros, apenas das taxas mensal e anual, e, na hipótese em que pactuada a capitalização diária, é imprescindível também informação prévia e precisa acerca dessa taxa diária de juros, o que inocorreu, descabendo a incidência de capitalização diária, sendo admitida tão somente a mensal, vez que - conforme indica o REsp 973.827/RS, que definiu a tese do duodécuplo - há previsão no contrato bancário de taxa de juros anual superior ao duodécuplo da mensal, o que é suficiente para permitir a cobrança da taxa efetiva anual contratada, demonstrando haver capitalização com periodicidade inferior a um ano (mensal), pois a taxa anual supera a mera soma de doze taxas mensais, restando assim mantida a capitalização mensal de juros remuneratórios contratada, e afastada a incidência da capitalização diária de juros, diante da flagrante abusividade na sua cobrança. Assim, há verossimilhança nas alegações da parte autora, ensejando a descaracterização da mora e a concessão da tutela provisória para: a) manter a parte demandante na posse do bem, devendo firmar termo de fiel depositária; b) proibir a parte demandada de levar a protesto e/ou de inscrever o nome da parte demandante em órgãos de restrição de crédito e determinar que cancele eventuais protestos e/ou registros já feitos, no prazo máximo de 10 dias, sob pena de multa diária de R$500,00, sem prejuízo de que possa vir a ser posteriormente alterado o valor total porventura devido, presente o disposto no art. 536, §1º, art. 537, §1º, inc. I, ambos do Código de Processo Civil/2015, devendo ser observada a Súmula 410 do STJ6; c) condicionar as tutelas ao regular depósito mensal do valor das parcelas contratadas, considerando a taxa de juros remuneratórios estabelecida no contrato, sem capitalização diária de juros remuneratórios, mas tão somente com capitalização mensal dos mesmos. 5) Nesses termos, e ressaltando-se que não foram trazidos elementos novos a ensejar alteração na decisão ora agravada, mantenho o entendimento adotado por ocasião do julgamento do recurso de apelação, e nego provimento ao presente Agravo interno. Verifica-se, assim, que não há interesse recursal, consubstanciado no binômio necessidade-utilidade. A propósito, citam-se precedentes: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PREVIDÊNCIA PRIVADA. APELAÇÃO PROVIDA PARA EXTINGUIR O FEITO SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. INTERESSE RECURSAL. CARÊNCIA. NEGADO PROVIMENTO. 1. O interesse em recorrer consubstancia-se no trinômio adequação-necessidade-utilidade, ou seja, adequação da via processual escolhida quanto à tutela jurisdicional que se pretende, a necessidade do bem da vida buscado e a utilidade da providência judicial pleiteada. 2. Falta à agravante interesse recursal, na medida em que o Tribunal de origem acolheu a preliminar de impossibilidade jurídica do pedido, dando provimento à apelação da ora agravante para extinguir o feito sem resolução do mérito. 3. Agravo interno ao qual se nega provimento. (AgInt no AREsp 1.116.112/RJ, Rel. Ministro LÁZARO GUIMARÃES - Desembargador Convocado do TRF 5ª Região - QUARTA TURMA, julgado em 20.02.2018, DJe 27.02.2018) 3. Do exposto, com amparo no artigo 932 do NCPC c/c a súmula 568/STJ, conhece-se do agravo para, de plano, negar provimento ao recurso especial. Deixo de majorar os honorários advocatícios, nos termos do art. 85, § 11, do NCPC, haja vista que, na origem, foi interposto agravo de instrumento. Publique-se. Intimem-se. EMENTA