CR 22831 - DECISAO
Dada a exiguidade do prazo fixado pela Justiça rogante e a previsão nos arts. 216-Q, § 1º do RISTJ e 962, § 2º do CPC de autorizar a realização do ato sem oitiva prévia quando esta puder frustrar a cooperação internacional, e por não haver ofensa à soberania nacional, à dignidade humana ou à ordem pública,...
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- Parties
- Justiça Rogante: Tribunal Judicial da Comarca de Braga; Notificado: Raphael Azen de Carvalho; Notificada: Cristiane Menezes do Nascimento; Manifestante: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 17 December 2025
- Procedural Posture
- Carta Rogatória / Concessão De Exequatur
- Outcome
- Exequatur concedido com aplicação do contraditório diferido
- Legal Topics
- Carta Rogatória, Contraditório Diferido, Exequatur, Videoconferência, Notificação
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Parties
Tribunal Judicial da Comarca de Braga
Justiça Rogante
Raphael Azen de Carvalho
Notificado
Cristiane Menezes do Nascimento
Notificada
Ministério Público Federal
Manifestante
Procedural Posture
Carta Rogatória / Concessão De Exequatur
Legal Issues
- 1 aplicação do contraditório diferido
- 2 concessão do exequatur para cumprimento de carta rogatória
- 3 cumprimento por videoconferência
Ratio Decidendi
Dada a exiguidade do prazo fixado pela Justiça rogante e a previsão nos arts. 216-Q, § 1º do RISTJ e 962, § 2º do CPC de autorizar a realização do ato sem oitiva prévia quando esta puder frustrar a cooperação internacional, e por não haver ofensa à soberania nacional, à dignidade humana ou à ordem pública, concede-se o exequatur com aplicação do contraditório diferido, remetendo-se a comissão à Justiça Federal, Seção Judiciária do Estado do Rio de Janeiro, para cumprimento com testes de conexão e na presença de Juiz Federal e MP, no prazo de 30 dias, e posterior devolução ao STJ para envio ao país de origem.
Court Disposition
Exequatur concedido com aplicação do contraditório diferido
Orders
- Remeta-se a comissão à Justiça Federal, Seção Judiciária do Estado do Rio de Janeiro, para as providências cabíveis.
- Sejam feitos previamente os necessários testes de conexão com a Justiça rogante.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Carta Rogatória por meio da qual a Justiça portuguesa (Tribunal Judicial da Comarca de Braga) solicita que se proceda à notificação pessoal de Raphael Azen de Carvalho e Cristiane Menezes do Nascimento para comparecimento na audiência de julgamento referente ao Processo 324/22.6PBBRG, por videoconferência, designada para o dia 9 de abril de 2026, às 13h30, ou, como data alternativa, para o dia 14 de abril de 2026, às 13h30 (horário de Portugal). O Ministério Público Federal opinou pela concessão do exequatur com a aplicação do contraditório diferido, em razão da necessidade de celeridade no cumprimento do ato rogado, considerando-se a natureza da medida e o risco de frustração de sua finalidade. Salienta que eventual oitiva prévia da parte interessada poderia resultar na ineficiência da cooperação internacional. É o relatório. Decido. Cabe destacar que os arts. 216-Q, § 1º, do RISTJ e 962, § 2º, do Código de Processo Civil asseguram que a medida solicitada por Carta Rogatória poderá ser realizada sem oitiva da parte interessada, quando sua intimação prévia puder resultar na ineficiência da cooperação internacional, desde que garantido o contraditório posterior. No caso concreto, considerando-se a exiguidade do prazo determinado pela Justiça rogante, há de se reconhecer a necessidade de aplicação do contraditório diferido. Anoto que o objeto desta Carta Rogatória não atenta contra a soberania nacional, contra a dignidade da pessoa humana nem contra a ordem pública, motivo pelo qual concedo o exequatur, nos termos dos arts. 216-O e 216-P do RISTJ. Assim, remeta-se a comissão à Justiça Federal, Seção Judiciária do Estado do Rio de Janeiro, para as providências cabíveis, inclusive a fim de que, previamente, sejam feitos os necessários testes de conexão com a Justiça rogante. Ademais, as oitivas deverão ser feita na presença de Juiz Federal, bem como do Ministério Público Federal (como custos legis ), ainda que por meio de videoconferência, à luz do disposto no art. 109, X, da CF. Recomenda-se que, na hipótese de não se localizar a parte interessada, o Juízo promova as diligências necessárias à obtenção do endereço atualizado, notadamente em órgãos públicos e em concessionárias de serviços públicos (como água, energia e telefonia). Cumpra-se a diligência em 30 dias. Após, devolvam-se os autos ao Superior Tribunal de Justiça para que sejam enviados ao país de origem, por meio da autoridade central competente. Publique-se. EMENTA