CR 20955 - DECISAO
No processamento da carta rogatória deve-se assegurar o devido processo legal e limitar a impugnação aos requisitos previstos no art. 36 do CPC (ausência de ofensa à soberania nacional, à dignidade da pessoa humana ou à ordem pública; autenticidade dos documentos; inteligibilidade da decisão), vedada a revisão do...
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- Parties
- Juízo Requerente: Juízo de Direito da 2ª Vara Civil e Comercial de Três Arroyos (Justiça argentina); Oficiado: Polícia Militar do Paraná, República Federativa do Brasil
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 September 2024
- Procedural Posture
- Carta Rogatória / Procedimento Preliminar À Concessão Da Ordem / Processamento Da Carta Rogatória
- Outcome
- Determinações procedimentais para processamento da carta rogatória e para o regular prosseguimento do pedido de exequatur.
- Legal Topics
- Carta Rogatória, Exequatur, Autenticidade Documental, Impugnação, Garantia Do Devido Processo Legal
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Parties
Juízo de Direito da 2ª Vara Civil e Comercial de Três Arroyos (Justiça argentina)
Juízo Requerente
Polícia Militar do Paraná, República Federativa do Brasil
Oficiado
Procedural Posture
Carta Rogatória / Procedimento Preliminar À Concessão Da Ordem / Processamento Da Carta Rogatória
Legal Issues
- 1 Verificação do atendimento dos requisitos para concessão de exequatur (ausência de ofensa à soberania nacional, à dignidade da pessoa humana ou à ordem pública; autenticidade dos documentos; inteligibilidade da decisão)
- 2 Observância da garantia do devido processo legal no processamento da carta rogatória
- 3 Vedação à revisão do mérito do pronunciamento judicial estrangeiro
Ratio Decidendi
No processamento da carta rogatória deve-se assegurar o devido processo legal e limitar a impugnação aos requisitos previstos no art. 36 do CPC (ausência de ofensa à soberania nacional, à dignidade da pessoa humana ou à ordem pública; autenticidade dos documentos; inteligibilidade da decisão), vedada a revisão do mérito do ato estrangeiro; por conseguinte, determina-se a intimação da parte interessada para impugnar em 15 dias, a atuação do Ministério Público Federal para localizar a parte ou manifestar-se, e a intervenção da Defensoria Pública da União em caso de revelia ou incapacidade.
Court Disposition
Determinações procedimentais para processamento da carta rogatória e para o regular prosseguimento do pedido de exequatur.
Orders
- Intime-se a parte interessada para que, com advogado constituído, impugne, no prazo de 15 dias, o pedido de concessão de exequatur (art. 216-Q do RIS TJ).
- Se a parte interessada não for localizada por alteração de endereço ou paradeiro desconhecido, abra-se vista ao Ministério Público Federal para, se possível, fornecer outro endereço que permita sua localização; inexistindo outro endereço, devolva-se a comissão à Justiça rogante, via autoridade central.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Carta Rogatória por meio do qual a Justiça argentina (Juízo de Direito da 2ª Vara Civil e Comercial de Três Arroyos) solicita que se oficie à Polícia Militar do Paraná, República Federativa do Brasil, com o objetivo de que se manifeste sobre a autenticidade da cópia do boletim de ocorrência que é anexado aos presentes autos(fls. 1-50). No processamento da Carta Rogatória, a observância da garantia do devido processo legal é imperativa (art. 36, caput, do CPC). A impugnação restringir-se-á à discussão quanto ao atendimento dos requisitos (ausência de ofensa à soberania nacional, à dignidade da pessoa humana ou à ordem pública; autenticidade dos documentos; e inteligência da decisão), e é vedada a revisão do mérito do pronunciamento judicial estrangeiro (art. 36, § 2º, do CPC). Assim, no âmbito do procedimento preliminar à concessão da ordem, intime-se a parte interessada para que, caso queira e com advogado constituído (art. 103 do CPC), impugne, no prazo de 15 dias, o pedido de concessão de exequatur (art. 216-Q do RIS TJ). Na circunstância de não se encontrar a parte interessada em virtude de alteração do endereço ou por ser o seu paradeiro desconhecido, abra-se vista ao Ministério Público Federal para, se possível, fornecer outro endereço que permita a sua localização. Inexistindo outro endereço, devolva-se a comissão à Justiça rogante, via autoridade central. Não se encontrando a parte interessada no endereço indicado, abra-se vista ao MPF para que se manifeste, em 15 dias, sobre a concessão do exequatur (art. 216-S do RISTJ). Na hipótese de revelia ou de apuração da incapacidade da parte interessada (art. 216-R do RISTJ), notifique-se a Defensoria Pública da União a fim de que indique representante para atuar como curador especial e, nesse contexto, manifestar-se. Apresentada a resposta, encaminhem-se os autos ao Ministério Público Federal para que, em 15 dias, se pronuncie sobre a concessão do exequatur (art. 216-S do RISTJ). Publique-se. EMENTA