CR 21317 - DECISAO
Concedeu-se o exequatur porque o pedido, fundado na Convenção de Haia, não afronta a soberania nacional, a dignidade humana ou a ordem pública, e a finalidade da carta rogatória justifica a aplicação do contraditório diferido nos termos do art. 216-Q, §1º, do RISTJ e do art. 962, §2º, do CPC.
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- Parties
- Justiça Rogante: Tribunal Judicial da Comarca de Madeira; Testemunha: Pedro Caetano de Moura Pinheiro; Manifestante (opiniu Pela Concessão Do Exequatur): Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 May 2025
- Procedural Posture
- Carta Rogatória (pedido De Exequatur) / Decisão Concessiva (exequatur Concedido)
- Outcome
- Exequatur concedido à carta rogatória
- Legal Topics
- Carta Rogatória, Exequatur, Contraditório Diferido, Obtenção De Provas, Convenção De Haia
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Parties
Tribunal Judicial da Comarca de Madeira
Justiça Rogante
Pedro Caetano de Moura Pinheiro
Testemunha
Ministério Público Federal
Manifestante (opiniu Pela Concessão Do Exequatur)
Procedural Posture
Carta Rogatória (pedido De Exequatur) / Decisão Concessiva (exequatur Concedido)
Legal Issues
- 1 Concessão do exequatur à carta rogatória
- 2 Aplicação do contraditório diferido
- 3 Verificação de compatibilidade com soberania nacional, dignidade da pessoa humana e ordem pública
Ratio Decidendi
Concedeu-se o exequatur porque o pedido, fundado na Convenção de Haia, não afronta a soberania nacional, a dignidade humana ou a ordem pública, e a finalidade da carta rogatória justifica a aplicação do contraditório diferido nos termos do art. 216-Q, §1º, do RISTJ e do art. 962, §2º, do CPC.
Court Disposition
Exequatur concedido à carta rogatória
Orders
- Remeta-se a comissão à Justiça Federal, Seção Judiciária do Estado do Rio de Janeiro, para as providências cabíveis.
- Cumpra-se a diligência em 90 dias.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Carta Rogatória por meio da qual a Justiça portuguesa (Tribunal Judicial da Comarca de Madeira) solicita que se proceda à inquirição de Pedro Caetano de Moura Pinheiro, como testemunha, nos autos da Ação de Oposição à Execução Comum n. 248/09.2TBSCR-A, a fim de que preste depoimento e responda às perguntas solicitadas pela Justiça rogante (fls. 215-217, a partir do item 38 ). O Ministério Público Federal opinou pela concessão do exequatur com a aplicação do contraditório diferido em razão da natureza da ação estrangeira (oitiva do interessado, domiciliado no Brasil, com o objetivo de instruir o Processo n. 248/09.2TBSCR-A). É o relatório. Decido. Observo que o pedido está fundamentado na Convenção sobre a Obtenção de Provas no Estrangeiro em Matéria Civil ou Comercial, firmada em Haia, em 18 de março de 1970 (Decreto n. 9.039, de 27 de abril de 2017). Cabe destacar que os arts. 216-Q, § 1º, do RISTJ e 962, § 2º, do Código de Processo Civil asseguram que a medida solicitada por Carta Rogatória poderá ser realizada sem oitiva prévia da parte interessada, desde que garantido o contraditório posterior, quando sua intimação prévia puder resultar na ineficiência da cooperação internacional. No caso concreto, considerando-se a natureza da ação estrangeira, há de se reconhecer a necessidade de aplicação do contraditório diferido. Anoto que o objeto desta Carta Rogatória não atenta contra a soberania nacional, contra a dignidade da pessoa humana nem contra a ordem pública, motivo pelo qual concedo o exequatur, nos termos do art. 216-O, c/c o art. 216-P, ambos do RISTJ. Assim, remeta-se a comissão à Justiça Federal, Seção Judiciária do Estado do Rio de Janeiro, para as providências cabíveis. Recomenda-se que, na hipótese de não se localizar a parte interessada, o Juízo promova as diligências necessárias à obtenção do endereço atualizado, notadamente em órgãos públicos e em concessionárias de serviços públicos (como água, energia e telefonia). Cumpra-se a diligência em 90 dias. Após, devolvam-se os autos ao Superior Tribunal de Justiça para que sejam enviados ao país de origem por meio da autoridade central competente. Publique-se. EMENTA