CR 21679 - DECISAO
Concedeu-se o exequatur porque a carta rogatória tinha por objeto mera notificação/citação, não atentava contra a soberania nacional, dignidade humana ou ordem pública, e a diligência rogada foi cumprida com o comparecimento das interessadas; por esse motivo, determinou-se a devolução dos autos à Justiça rogante nos...
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- Parties
- Interessada: Maria Verbena Sousa; Interessada: Elizabet Pereira dos Reis; Interessada: Elizeth Pereira dos Reis; Interveniente: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 June 2025
- Procedural Posture
- Carta Rogatória / Decisão De Concessão De Exequatur E Devolução Dos Autos
- Outcome
- Exequatur concedido; autos devolvidos à Justiça rogante.
- Legal Topics
- Carta Rogatória, Exequatur, Notificação, Diligência Rogada, Remessa De Autos
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Parties
Maria Verbena Sousa
Interessada
Elizabet Pereira dos Reis
Interessada
Elizeth Pereira dos Reis
Interessada
Ministério Público Federal
Interveniente
Procedural Posture
Carta Rogatória / Decisão De Concessão De Exequatur E Devolução Dos Autos
Legal Issues
- 1 Limites da impugnação na fase de delibação (art. 216-Q do RISTJ)
- 2 Se a notificação por carta rogatória ofende a ordem pública ou soberania
- 3 Se a diligência rogada foi cumprida e se os autos devem ser devolvidos à Justiça rogante
Ratio Decidendi
Concedeu-se o exequatur porque a carta rogatória tinha por objeto mera notificação/citação, não atentava contra a soberania nacional, dignidade humana ou ordem pública, e a diligência rogada foi cumprida com o comparecimento das interessadas; por esse motivo, determinou-se a devolução dos autos à Justiça rogante nos termos do art. 216-X do RISTJ.
Court Disposition
Exequatur concedido; autos devolvidos à Justiça rogante.
Orders
- Concedo o exequatur.
- Determino a devolução dos autos à Justiça rogante (art. 216-X do RISTJ) por intermédio da autoridade central competente, independentemente do trânsito em julgado.
Full Case Text
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DECISÃO Cuida-se de Carta Rogatória por meio da qual a Justiça portuguesa (Tribunal Judicial da Comarca do Porto) solicita que se proceda à localização e notificação pessoal de Maria Verbena Sousa, Elizabet Pereira dos Reis e Elizeth Pereira dos Reis, para tomarem ciência da sentença prolatada no Processo n. 153/24.2T8VCD. As interessadas manifestaram-se espontaneamente nos autos, apresentando impugnação na qual aduziram, em síntese, que não possuem nenhum interesse nos bens constantes dos inventários de Luís António Teixeira e Aurora da Silva Duarte. Esclareceram, ainda, que os bens que herdaram de Manuel Duarte Teixeira, no Brasil, foram havidos após execução de seu testamento e regular processamento de inventário sob ordenamento da legislação civil brasileira (fls. 154-162). O Ministério Público Federal opinou pela devolução do processo à origem, tendo em vista o cumprimento da diligência rogada (fls. 181-184). É o relatório. Decido. Inicialmente, a impugnação da parte interessada não diz respeito ao juízo proferido por esta Corte. De acordo com o previsto no art. 216-Q do RISTJ, a defesa somente poderá versar sobre a autenticidade dos documentos, inteligência da decisão e observância dos requisitos previstos no normativo. Apesar disso, a manifestação do interessado ultrapassa esses limites do juízo de delibação (contenciosidade limitada), pois submete ao conhecimento do Superior Tribunal de Justiça matérias das quais apenas a Justiça rogante pode conhecer. Nesse sentido, veja-se o seguinte precedente: PROCESSO CIVIL. CARTA ROGATÓRIA. AGRAVO INTERNO. OFENSA À DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA E À ORDEM PÚBLICA. NÃO OCORRÊNCIA. CONCESSÃO DE EXEQUATUR. QUESTÕES DE MÉRITO. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ROGANTE. 1. A prática de ato de comunicação processual é plenamente admissível em carta rogatória. A simples notificação do interessado acerca de processo em curso na Justiça rogante não constitui nenhuma ofensa à ordem pública ou à soberania nacional, destinando-se apenas a dar conhecimento de ação em curso na Justiça alienígena. 2. Dispensa-se a remessa da carta rogatória à Justiça Federal após a concessão do exequatur quando a parte interessada é considerada citada em razão do comparecimento aos autos para apresentar impugnação. 3. Cabe ao Superior Tribunal de Justiça emitir juízo meramente de delibação acerca da concessão de exequatur à carta rogatória, sendo competência da Justiça rogante a análise de alegações relacionadas ao mérito da causa. Agravo interno improvido. (AgInt na CR n. 17.247/EX, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Corte Especial, DJe de 19.10.2022, grifei .) Ademais, o pedido de cooperação restringe-se à mera citação da parte interessada, o que ocorreu com o seu comparecimento. Nesse contexto, foi cumprida a diligência (AgInt na CR n. 11.209/EX e AgInt na CR n. 10.434/EX, ambos de relatoria da Ministra Laurita Vaz, DJe de 27.9.2017 e de 15.12.2016, respectivamente). Assim, o objeto desta Carta Rogatória não atenta contra a soberania nacional, contra a dignidade da pessoa humana nem contra a ordem pública, razão pela qual, com fundamento nos arts. 216-O e 216-P do RISTJ, concedo o exequatur. Diante do cumprimento da diligência rogada (fls. 154-162), considero consumado o objeto da comissão, sendo desnecessária a remessa dos autos à Justiça Federal. Veja-se precedente da Corte Especial sobre a questão: CARTA ROGATÓRIA. AGRAVO REGIMENTAL. INTIMAÇÃO PRÉVIA FEITA VIA POSTAL COM AVISO DE RECEBIMENTO ASSINADO PELO PRÓPRIO INTERESSADO. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS À JUSTIÇA ROGANTE ANTE O CUMPRIMENTO DA DILIGÊNCIA. I - Na fase de intimação prévia, é enviada ao interessado cópia integral da comissão rogatória. II - No caso, o Aviso de Recebimento foi assinado pelo próprio interessado, o que leva à conclusão de que ele tomou conhecimento de todos os termos da rogatória em questão. III - Assim, tendo o interessado tomado conhecimento do processo em trâmite no juízo rogante, foi consumado o objeto da diligência, não havendo, portanto, necessidade de envio dos autos à Justiça Federal. Agravo regimental desprovido. (AgRg na CR n. 9.599/EX, relator Ministro Francisco Falcão, DJe de 12.6.2015, grifei.) Ante o exposto, determino a devolução dos autos à Justiça rogante (art. 216-X do RISTJ) por intermédio da autoridade central competente, independentemente do trânsito em julgado. Publique-se. EMENTA