AREsp 1949251 - DECISAO
Conheceu-se do agravo; o recurso especial não foi conhecido por: (i) deficiência na indicação do dispositivo federal supostamente violado (Súmula 284/STF); (ii) ausência de comprovação do dissídio jurisprudencial nos termos regimentais (art. 255, §1º, RISTJ e requisitos de cotejo analítico); e (iii) eventual reexame...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: ISIS PAULA ALVES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 08 October 2021
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Decisão De Conhecimento Do Agravo E Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Cessão De Crédito, Notificação Do Devedor, Ônus Da Prova, Litigância De Má Fé, Dissídio Jurisprudencial, Admissibilidade Do Recurso Especial, Honorários Advocatícios
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Parties
ISIS PAULA ALVES
Agravante
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Decisão De Conhecimento Do Agravo E Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Admissibilidade do recurso especial (art. 105, III, alíneas a e c, CF/88)
- 2 Caracterização da litigância de má-fé (arts. 80 e 81 do CPC)
- 3 Obrigação de provar o fato constitutivo do direito (art. 373, I, CPC)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo; o recurso especial não foi conhecido por: (i) deficiência na indicação do dispositivo federal supostamente violado (Súmula 284/STF); (ii) ausência de comprovação do dissídio jurisprudencial nos termos regimentais (art. 255, §1º, RISTJ e requisitos de cotejo analítico); e (iii) eventual reexame da questão fático-probatória sobre a existência de litigância de má-fé está vedado em recurso especial (Súmula 7/STJ). Em consequência foi majorado os honorários advocatícios nos termos do art. 85, §11, CPC.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo
- Não conhecer do recurso especial
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por ISIS PAULA ALVES contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alíneas "a" e "c" da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, assim resumido: CESSÃO DE CRÉDITO Notificação do devedor - Não ocorrência - Nulidade do negócio - Inexistência - Dívida se mantém exigível - Obrigação pelo pagamento - Ocorrência: - A ausência de notificação do devedor, conforme dispõe o art. 290 do Código Civil, não impossibilita que o cessionário se valha das vias judiciais para o exercício do direito creditício cedido, sendo que a divida se mantem exigível, bem como a obrigação do devedor pelo pagamento. ÔNUS DA PROVA - Relação de Consumo - Responsabilidade do autor - Não afastamento - Fato constitutivo do seu direito - Prova cabe ao autor - Inteligência do artigo 373, inc. I, do CPC/2015: - Ônus da prova eventualmente imputado ao réu, segundo a legislação consumerista, não afasta a responsabilidade da parte autora de demonstrar seu direito, nos termos do artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil. LITIGANCIA DE MÁ FE - Incidência dos incisos II e III do artigo 80 do CPC - Ocorrência Condenação - Possibilidade: - Cabe condenação por litigância de má-fé quando restar configurado que o autor incidiu na hipótese dos incisos II e III do artigo 80 do CPC, ao afirmar que desconhecia contrato firmado entre as partes e a origem do débito. RECURSO NÃO PROVIDO. (fl. 379) Quanto à controvérsia, pelas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional, alega a violação e dissídio interpretativo dos arts. 80 e 81 do CPC, aduzindo que não estão presentes os requisitos ensejadores da multa por litigância de má-fé, trazendo os seguintes argumentos: Para caracterizar a lide temerária, a que se refere o artigo 80 e 81 do Código de Processo Civil, exige-se a presença, simultânea, dos elementos do tipo, o objetivo e o subjetivo: o primeiro circunscrito ao dano processual e o segundo ao dolo ou à culpa grave da parte maliciosa. Essa prova deverá ser cabalmente produzida no processo, não podendo ser avaliada por presunção. Ausentes tais elementos, bem como a prova do prejuízo suportado pela parte adversa, deve-se deixar de condenar a recorrente por litigância de má fé. A ausência de dolo exclui a possibilidade de declaração de litigância de má-fé. Logo, o v. acórdão destoa da realidade. Não pode a recorrente ser condenada nas penas de litigância de má-fé, pois em momento algum alterou a verdade dos fatos. Não incorreu a autora no art. 80 e 81 do NCPC, sendo sua aplicação afastada dos autos. Veja que não estão presentes os requisitos ensejadores da multa por litigância de má-fé. Assim, a condenação por litigância de má fé somente acarretará maiores prejuízos a recorrente, que não tem condições de arcar nem com as custas do judiciário, quiçá com multa por má fé. Basta uma breve análise da exordial para vislumbrar que a autora NÃO alterou a verdade dos fatos. Logo, não é crível que a recorrente seja condenada por má fé processual! Ora, os exageros das multas impostas pelo magistrado fogem do razoável e do bom senso. Ainda a utilização dos recursos previstos em lei não caracteriza, por si só, a litigância de má-fé, sendo necessária a demonstração do dolo em obstar o trâmite regular do processo, trazendo prejuízos para a parte adversa. A litigância de má-fé está intrinsecamente atrelada ao dolo processual, que se consubstancia com a comprovação cabal da utilização de meios escusos pela parte para causar danos processuais à ex adversa, o que não ocorre nas situações em que a recorrente interpõe recurso de apelação com o objetivo de rever decisão proferida pelo julgador a quo sem que, em nenhum momento, aja com deslealdade processual. Ainda, a recorrente em momento algum incorreu nos artigos 80 e 81, do CPC. Se analisados os autos, o recorrente não se enquadra em nenhuma das hipóteses previstas nos artigos mencionados, logo incabível a condenação em litigância de má fé da autora. Portanto, incontroverso nos autos que a autora em momento algum litigou de má-fé ou alterou a verdade dos fatos a fim de obter vantagem por meio judicial. Não menos importante, a recorrente apenas agiu no exercício regular do seu direito, uma vez que observado o CDC, mais precisamente em seu art. 6ª, III, que aduz que o consumidor tem direito a informação adequada e clara sobre produtos e serviços. (fls. 394/395) É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à controvérsia pela alínea "a" do permissivo constitucional, na espécie, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que não há a indicação clara e precisa do dispositivo de lei federal tido por violado, pois nas razões do recurso especial não se particularizou o inciso, o parágrafo ou a alínea sobre o qual recairia a referida ofensa, incidindo, por conseguinte, o citado enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Ressalte-se, por oportuno, que essa indicação genérica do artigo de lei que teria sido contrariado induz à compreensão de que a violação alegada é somente de seu caput, que, no caso, traz em seu texto uma mera introdução ao regramento legal contido nos incisos, nos parágrafos ou nas alíneas. Nesse sentido: "Quanto à segunda controvérsia, na espécie, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que não há a indicação clara e precisa do dispositivo de lei federal tido por violado, pois, nas razões do recurso especial, não se particularizou o parágrafo/inciso/alínea sobre o qual recairia a referida ofensa, incidindo, por conseguinte, o citado enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia" (AgInt no AREsp n. 1.558.460/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 11/3/2020.) Confiram-se também os seguintes julgados: AgInt no AREsp n. 1.229.292/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 4/9/2018; AgInt no AgRg no AREsp n. 801.901/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 1º/12/2017; AgInt nos EDcl no AREsp n. 875.399/RS, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 1º/8/2017; AgInt no REsp n. 1.679.614/PE, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, DJe de 18/9/2017; e AgRg no REsp n. 695.304/RJ, relator Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJ de 5/9/2005. Ademais, o Tribunal de origem se manifestou nos seguintes termos: II. Por tudo o que foi relatado, conclui-se que a autora agiu com patente má-fé, de modo que cabível sua condenação à pena de multa civil, decorrente dos artigos 80 II e III e 81 do Código de Processo Civil/2015, uma vez que, muito embora tivesse ciência da relação jurídica existente e da contratação efetuada, ao se confrontar com a impossibilidade de honrar o compromisso assumido perante o apelado, tentou ludibriar o Judiciário com inverdades, requerendo a exclusão do apontamento desabonador de seu nome, e, ainda, tentou se locupletar ilicitamente com a declaração da inexigibilidade de dívida da qual era devedora, para eximir-se do pagamento, prejudicando o seu credor que honrou com sua parte no contrato. E como se isso não fosse o suficiente, requereu a autora, fosse o banco credor condenado ao pagamento de indenização por dano moral, por ter exercido o que era seu direito. Destarte, agiu a autora em evidente má-fé processual, devendo por ela responder. (fl. 386) Assim, incide o óbice da Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), uma vez que o reexame da premissa fixada pela Corte de origem quanto à existência ou não de má-fé na conduta do litigante exigiria a incursão no acervo fático-probatório dos autos, o que não é possível em sede de recurso especial. Nesse sentido, o STJ já decidiu que "a revisão da conclusão do acórdão recorrido, no que se refere à caracterização de litigância de má-fé do recorrido, demandaria o revolvimento do suporte fático-probatório dos autos, inviável em sede de recurso especial, ante o óbice do Enunciado n. 7/STJ" (AgInt no REsp 1.743.609/MG, relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, DJe de 21/8/2020). Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no REsp 1.644.759/SP, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 30/6/2020; AgInt no AREsp 1.326.352/SP, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe de 25/6/2020; e AgInt no AREsp 1.443.702/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 18/11/2019. Quanto à controvérsia pela alínea "c", não foi comprovada a divergência jurisprudencial, uma vez que a parte recorrente não apresentou certidão, cópia autenticada ou citação do repositório de jurisprudência, oficial ou credenciado, inclusive em mídia eletrônica, em que tenha sido publicado o acórdão divergente; ou ainda a reprodução de julgado disponível na internet, com indicação da respectiva fonte (art. 255, § 1º, do RISTJ). Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu: "O dissídio jurisprudencial não foi devidamente comprovado, tendo em vista a ausência de demonstração da divergência mediante certidão ou cópia autenticada, citação de repositório oficial ou credenciado ou reprodução de julgado disponível na internet com a indicação da respectiva fonte. Precedentes". (AgInt no AREsp 1.244.772/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe 13/11/2018.) Ainda nesse sentido: "O dissídio jurisprudencial não restou comprovado conforme exigido nos arts. 541, parágrafo único, do CPC/73 e 255, § 1º, do RISTJ, uma vez que a parte agravante não juntou cópia dos paradigmas mencionados, nem citou o repositório oficial, autorizado ou credenciado em que foram publicados (ressalte-se que o Diário de Justiça em que não é publicado o inteiro teor do acórdão não satisfaz a exigência)." (AgInt no AREsp n. 828.758/SP, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe de 04/05/2020). Confiram-se também os seguintes julgados: AgInt no REsp 1.517.575/RN, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, DJe de 12/6/2020; AgInt no REsp 1.790.289/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 6/4/2020; REsp 1.790.038/PE, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 9/6/2020; e AgInt no AREsp 1.225.434/SP, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 24/10/2019; AgInt no AREsp n. 844.603/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 20/05/2019. Ainda, não foi comprovado o dissídio jurisprudencial, uma vez que a parte recorrente não realizou o indispensável cotejo analítico, que exige, além da transcrição de trechos dos julgados confrontados, a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência, com a indicação da existência de similitude fática e identidade jurídica entre o acórdão recorrido e os paradigmas indicados, não bastando, portanto, a mera transcrição de ementas ou votos. Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu: "Esta Corte já pacificou o entendimento de que a simples transcrição de ementas e de trechos de julgados não é suficiente para caracterizar o cotejo analítico, uma vez que requer a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência entre o caso confrontado e o aresto paradigma, mesmo no caso de dissídio notório". (AgInt no AREsp n. 1.242.167/MA, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 05/04/2019.) Ainda nesse sentido: "A divergência jurisprudencial deve ser comprovada, cabendo a quem recorre demonstrar as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, com indicação da similitude fática e jurídica entre eles. Indispensável a transcrição de trechos do relatório e do voto dos acórdãos recorrido e paradigma, realizando-se o cotejo analítico entre ambos, com o intuito de bem caracterizar a interpretação legal divergente. O desrespeito a esses requisitos legais e regimentais impede o conhecimento do Recurso Especial, com base na alínea "c" do inciso III do art. 105 da Constituição Federal". (AgInt no REsp n. 1.903.321/PR, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 16/03/2021.) Confiram-se também os seguintes precedentes: AgInt nos EDcl no REsp n. 1.849.315/SP, relator Ministro Marcos Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1º/8/2020; AgInt nos EDcl nos EDcl no REsp n. 1.617.771/RS, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 13/8/2020; AgRg no AREsp n. 1.422.348/RS, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 13/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.456.746/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 3/6/2020; AgInt no AREsp n. 1.568.037/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 12/05/2020; AgInt no REsp n. 1.886.363/RJ, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 28/04/2021; AgRg no REsp n. 1.857.069/PR, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 05/05/2021. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se.