Prc 5101 - DECISAO
Verificada a ausência de propositura de ação própria no juízo competente para discutir a alegada invalidade das cessões e tendo decorrido prazo razoável desde as intimações, mantiveram-se hígidos os documentos de cessão e distrato constantes dos autos (fls. 161-162, 269-272, 207-209, 210-211 e 204-206), razão pela...
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- Parties
- Beneficiário Originário: GUILHERME PAULINO DA ROCHA FILHO; Beneficiário De Destaque De Honorários Advocatícios Contratuais: MARCELO LAVOCAT GALVÃO; Beneficiário De Destaque De Honorários Advocatícios Contratuais: PAULO SÉRGIO CUNHA; Cessionário (cessionário/intermediário): GABRIEL HARRISON DIAS DA ROCHA EIRELI; Cessionário (requerente De Ingresso Nos Autos): ANDRÉ VASCONCELLOS CASTANHO; Cessionário (terceiro De Boa Fé E Requerente De Homologação): ARISTEU PEREIRA DA SILVA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 26 May 2025
- Procedural Posture
- Execução Em Mandado De Segurança (precatório) / Decisão Homologatória Sobre Cessão De Crédito
- Outcome
- Homologada a cessão de crédito e deferida a anotação no precatório em favor de ARISTEU PEREIRA DA SILVA; expedição de certidão homologatória; determinação de transferência do valor cedido após prazo; retificação da autuação para incluir o cessionário.
- Legal Topics
- Cessão De Crédito, Homologação De Cessão, Distrato, Boa Fé, Anotação Em Precatório, Intimação
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Parties
GUILHERME PAULINO DA ROCHA FILHO
Beneficiário Originário
MARCELO LAVOCAT GALVÃO
Beneficiário De Destaque De Honorários Advocatícios Contratuais
PAULO SÉRGIO CUNHA
Beneficiário De Destaque De Honorários Advocatícios Contratuais
GABRIEL HARRISON DIAS DA ROCHA EIRELI
Cessionário (cessionário/intermediário)
ANDRÉ VASCONCELLOS CASTANHO
Cessionário (requerente De Ingresso Nos Autos)
ARISTEU PEREIRA DA SILVA
Cessionário (terceiro De Boa Fé E Requerente De Homologação)
Procedural Posture
Execução Em Mandado De Segurança (precatório) / Decisão Homologatória Sobre Cessão De Crédito
Legal Issues
- 1 Validade da cessão de crédito do precatório
- 2 Possibilidade de homologação administrativa pela Presidência
- 3 Necessidade de ação própria para discutir nulidade de negócio jurídico
Ratio Decidendi
Verificada a ausência de propositura de ação própria no juízo competente para discutir a alegada invalidade das cessões e tendo decorrido prazo razoável desde as intimações, mantiveram-se hígidos os documentos de cessão e distrato constantes dos autos (fls. 161-162, 269-272, 207-209, 210-211 e 204-206), razão pela qual foi homologada a cessão de crédito, determinada a anotação no precatório e expedida a certidão homologatória, autorizando a transferência do valor ao cessionário após observância do prazo legal.
Court Disposition
Homologada a cessão de crédito e deferida a anotação no precatório em favor de ARISTEU PEREIRA DA SILVA; expedição de certidão homologatória; determinação de transferência do valor cedido após prazo; retificação da autuação para incluir o cessionário.
Orders
- Homologo a cessão de crédito formalizada pelos instrumentos constantes dos autos (fls. 161-162, 269-272 e 204-206).
- Defiro a anotação no precatório para que ARISTEU PEREIRA DA SILVA prossiga nos autos em nome próprio, para receber diretamente o montante cedido, após as deduções legais, se houver (Res CNJ n. 303/2019, art. 42, § 2º).
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de precatório oriundo da Execução em Mandado de Segurança 7.386/DF Registro (2014/0102990-1) expedido em favor de GUILHERME PAULINO DA ROCHA FILHO, e de MARCELO LAVOCAT GALVÃO e PAULO SÉRGIO CUNHA, beneficiários de destaque de honorários advocatícios contratuais. Do que se tem, o crédito principal decorrente deste requisitório foi inicialmente cedido por GUILHERME PAULINO DA ROCHA FILHO para GABRIEL HARRISON DIAS DA ROCHA EIRELI ( fls. 161-162 e fls. 269-272) e este, por sua vez, o cedeu para ANDRÉ VASCONCELLOS CASTANHO (fls. 207-209). No entanto, diante do distrato dessa última cessão (fls. 210-211), o crédito permaneceu sob a titularidade de GABRIEL HARRISON DIAS DA ROCHA EIRELI, que, por fim, o cedeu para ARISTEU PEREIRA DA SILVA (fls. 204- 206). Por meio da petição de fls. 152-179, GUILHERME PAULINO DA ROCHA FILHO (beneficiário originário) alegou que GABRIEL HARRISON DIAS DA ROCHA EIRELI agiu de má-fé na celebração do negócio jurídico que transferiu o crédito requisitado daquele para este. Requereu que seja desconsiderada qualquer tipo de transferência do valores creditados em seu nome para outra pessoa. Decisão de fls. 265-266, exarada em 03/03/2023, observando que o beneficiário originário pretendia, neste juízo, anular o negócio jurídico por ele celebrado com GABRIEL HARRISON DIAS DA ROCHA EIRELI, advertiu que a questão deveria ser discutida em ação própria no Juízo competente e posteriormente comunicada nestes autos para produção dos efeitos pretendidos. Mediante a petição de fls. 191-245, ARISTEU PEREIRA DA SILVA requereu a homologação da cessão realizada com GABRIEL HARRISON DIAS DA ROCHA EIRELI. Antes de apreciar o pedido apresentado por ARISTEU PEREIRA DA SILVA, foi determinada a intimação pessoal do beneficiário originário GUILHERME PAULINO DA ROCHA FILHO para manifestação sobre a cessão e de ANDRÉ VASCONCELLOS CASTANHO para se pronunciar sobre o distrato juntado às fls. 210-211 (fl. 282). O beneficiário original quedou-se inerte. Atendendo ao chamado, ANDRÉ VASCONCELLOS CASTANHO requereu a desconsideração do distrato de fls. 210-211 e o seu ingresso nos autos como cessionário, com vistas ao recebimento do valor cedido (fls. 288-294). Todavia, decisão de fls. 304-306, proferida em 12/08/2024, alertou que a validade dos negócios jurídicos deveria ser discutida em ação própria no Juízo competente e posteriormente informada neste feito. Às fls. 316-317, ARISTEU PEREIRA DA SILVA reitera o pedido de homologação da cessão de crédito entabulada com GABRIEL HARRISON DIAS DA ROCHA EIRELI ao argumento de que (fl. 316): GUILHERME PAULINO DA ROCHA FILHO, devidamente citado, conforme carta Registrada em 09/09/2024, que veio aos autos em 07/10/2024, permaneceu inerte. O terceiro de boa fé ARISTEU PEREIRA DA SILVA comprou o direito, de forma lícita! Ao receber adquirir o bem mobiliário, se certificou da legalidade do dito Precatório, como também da propriedade e dos poderes conferidos ao Mandatário pela outorgante, como também da compra anterior e do distrato. Existe nos autos procuração assinada por GUILHERME PAULINO DA ROCHA FILHO, instrumento com requisitos de compra e venda in ré suam, com transferência total dos direitos, de forma irrevogável e irretratável, sem prestação de contas e com quitação total. Documento que levou pela boa fé, pelo justo título, pela segurança jurídica estampada, ao negócio entabulado por ARISTEU. É o relatório. Decido. Colhe-se dos autos que GUILHERME PAULINO DA ROCHA FILHO (beneficiário originário) e ANDRÉ VASCONCELLOS CASTANHO questionaram, neste feito, a validade do negócio jurídico realizado com GABRIEL HARRISON DIAS DA ROCHA EIRELI. Contudo, até a presente data, não apresentaram informações e documentos sobre a propositura de ação perante o Juízo competente visando a discutir as tratativas. Destarte, já transcorreu mais de 01 (um) ano desde a decisão que advertiu o beneficiário original GUILHERME PAULINO DA ROCHA FILHO, de que eventual nulidade da cessão deveria ser discutida em ação própria no foro adequado (fls. 265-266). Ademais, novamente intimado, e de forma pessoal, não veio aos autos (fl. 315). Do mesmo modo, também nota-se decurso de prazo razoável para que ANDRÉ VASCONCELLOS CASTANHO informasse neste feito a existência de ação judicial questionando o distrato (fls. 304-306). Com efeito , na falta de pronunciamento judicial sobre a alegada invalidade do negócio jurídico celebrado por GUILHERME PAULINO DA ROCHA FILHO (beneficiário originário), GABRIEL HARRISON DIAS DA ROCHA EIRELI e ANDRÉ VASCONCELLOS CASTANHO, os documentos apresentados às fls. 161-162, 269-272, 207-209, 210-211 e 204-206 permanecem hígidos e autorizam a homologação. Ressalte-se que não há como, nesta seara, desconstituir o que foi apresentado pelos documentos de fls. 161-162, 269-272, 207-209, 210-211 e 204-206. Reitere-se que a atuação dos Presidentes dos Tribunais quando do processamento de precatórios e de requisições de pequeno valor possui natureza eminentemente administrativa (STF - ARE 683.653/SP, Rel. Min. Celso de Mello, DJe de 5/6/2012, v. g.). A função da Presidência, nesses casos, é desprovida de caráter jurisdicional (Súmula n. 311/STJ). Sendo assim, tendo em vista a celebração de negócio jurídico entre as partes formalizada pelos instrumentos de fls. 161-162, 269-272 e 204-206, homologo a cessão de crédito e defiro a anotação no precatório a fim de que ARISTEU PEREIRA DA SILVA prossiga nos autos, em nome próprio, para receber diretamente o montante cedido, após as deduções legais, se houver (Res CNJ n. 303/2019, art. 42, § 2º). Em atenção às disposições contidas no art. 45, § 1º, da Resolução CNJ n. 303/2019, expeça-se certidão homologatória da cessão de crédito nos autos principais, com o propósito de cientificar o Juízo da execução. Decorrido o prazo de 15 (quinze ) dias, transfira-se o valor cedido para nova conta a ser aberta em nome do cessionário, de modo a possibilitar o levantamento da quantia, contanto que não remanesça outra controvérsia. Retifique-se a autuação para incluir ARISTEU PEREIRA DA SILVA como parte interessada. Publique-se. Intimem-se. EMENTA