REsp 2128076 - DECISAO
Ante a impossibilidade de reexame de elementos fático-probatórios pelo STJ (Súmulas 5 e 7), os autos devem retornar à instância de origem para que o tribunal local verifique se estão presentes os requisitos delineados pela Segunda Seção para o deferimento excepcional da cobertura de procedimento não listado no rol...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 11 April 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão: Parcial Provimento E Devolução Dos Autos À Origem
- Outcome
- Recurso especial parcialmente provido para determinar o retorno dos autos à origem para novo exame da apelação quanto ao preenchimento dos requisitos para deferimento excepcional da cobertura pleiteada.
- Legal Topics
- Cobertura De Procedimento Não Previsto No Rol Da ANS, Taxatividade Versus Excepcionalidade Do Rol Da ANS, Requisitos Para Concessão Excepcional De Cobertura, Devolução Dos Autos Para Produção Ou Exame De Prova, Ilegitimidade Passiva Da ANS
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Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão: Parcial Provimento E Devolução Dos Autos À Origem
Legal Issues
- 1 Cobertura de procedimento não previsto no rol da ANS
- 2 Interpretação do rol da ANS como regra taxativa e suas exceções
- 3 Verificação dos requisitos da Segunda Seção para cobertura excepcional
Ratio Decidendi
Ante a impossibilidade de reexame de elementos fático-probatórios pelo STJ (Súmulas 5 e 7), os autos devem retornar à instância de origem para que o tribunal local verifique se estão presentes os requisitos delineados pela Segunda Seção para o deferimento excepcional da cobertura de procedimento não listado no rol da ANS, ou, na forma do art. 938, § 3º do CPC/2015, converta o julgamento em diligência para produção de provas que demonstrem ou afastem o preenchimento daqueles requisitos.
Court Disposition
Recurso especial parcialmente provido para determinar o retorno dos autos à origem para novo exame da apelação quanto ao preenchimento dos requisitos para deferimento excepcional da cobertura pleiteada.
Orders
- Dar parcial provimento ao recurso especial.
- Determinar o retorno dos autos à origem para que, em novo exame da apelação, avalie o preenchimento dos requisitos definidos pela Segunda Seção para o deferimento excepcional da cobertura reivindicada, ou, se for o caso, converta o julgamento em diligência nos termos do art. 938, § 3º, do CPC/2015, para produção de...
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto contra acórdão proferido pelo Tribunal de origem. Contrarrazões apresentadas. O recurso foi admitido na origem. É o relatório. Decido. O presente recurso versa sobre cobertura de procedimento não previsto no rol de procedimentos e eventos elaborado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar - ANS. Ocorre que, em assentada recente, a Segunda Seção do STJ firmou entendimento de que o rol de procedimentos e eventos em saúde complementar é, em regra, taxativo, não sendo a operadora de plano ou seguro de saúde obrigada a custear procedimento ou terapia não listados, se existe, para a cura do paciente, alternativa eficaz, efetiva e segura já incorporada (EREsps n. 1.889.704/SP e 1.886.929/SP, Relator Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, SEGUNDA SEÇÃO, julgados em 8/6/2022, DJe de 3/8/2022). Sem embargo, o Órgão Colegiado admitiu a excepcional possibilidade de cobertura do procedimento - indicado pelo médico ou odontólogo assistente mas não previsto no rol da agência reguladora -, inexistindo substituto terapêutico listado, desde que: (i) não tenha sido indeferida expressamente, pela ANS, a incorporação do procedimento ao Rol da Saúde Suplementar; (ii) haja comprovação da eficácia do tratamento à luz da medicina baseada em evidências; (iii) haja recomendações de órgãos técnicos de renome nacionais (como CONITEC e NATJUS) e estrangeiros; e (iv) seja realizado, quando possível, o diálogo interinstitucional do magistrado com entes ou pessoas com expertise técnica na área da saúde, incluída a Comissão de Atualização do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde Suplementar, sem deslocamento da competência do julgamento do feito para a Justiça Federal, ante a ilegitimidade passiva ad causam da ANS. No caso concreto, todavia, o julgamento das instâncias ordinárias não avançou para aferir o preenchimento desses requisitos, tampouco para examinar se a cláusula contratual era expressa e adequadamente redigida no sentido de restringir a cobertura, limitando-se a reputar abusiva a limitação por entender que a escolha do tratamento do paciente é prerrogativa do profissional médico, concluindo pelo caráter meramente exemplificativo do rol de procedimentos da autarquia reguladora. Nesse contexto, haja vista a impossibilidade do reexame das cláusulas contratuais e demais elementos fático-probatórios (Súmulas n. 5 e 7 do STJ), devem os autos retornar à instância de origem para que a Corte local examine se estão presentes os critérios definidos pela Segunda Seção - ou, se for o caso, na forma prevista e autorizada pelo art. 938, § 3º, do CPC/2015, converta o julgamento em diligência para que as partes façam provas, no próprio Tribunal ou em primeira instância, de fatos que demonstrem ou afastem o preenchimento daqueles requisitos. Observo que, em hipótese assemelhada, a Quarta Turma desta Corte Superior outrossim reconheceu a necessidade de devolução dos autos à origem, uma vez que, " c omo não houve instrução processual, a tornar, no caso concreto, temerária a imediata solução do litigio para julgamento de total improcedência do pedido exordial, aplicando-se o direito à espécie (art. 1.034 do CPC/2015 e Súmula 456/STF), é de rigor a anulação do acórdão recorrido e da sentença para que, mediante requerimento de nota técnica ao NAT-JUS (Núcleo de Apoio Técnico do Tribunal de origem), se possa aferir os fatos constitutivos de direito da parte autora - à luz dos preceitos de Saúde Baseada em Evidências, tomando-se em conta o rol da ANS" (AgInt no AREsp n. 1.430.905/SP, Relator Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 30/3/2020, DJe 2/4/2020). Determinada a devolução dos autos à origem, ficam prejudicados os demais pedidos. Ante o exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para determinar o retorno dos autos à origem a fim de que, em novo exame da apelação, avalie o preenchimento dos requisitos para o deferimento excepcional da cobertura reivindicada pela segurada, delineados pela Segunda Seção do STJ, julgando o recurso como entender de direito. Publique-se. Intimem-se. EMENTA