REsp 2129561 - DECISAO
Ante a impossibilidade de reexame de elementos fático-probatórios pelo STJ (Súmulas 5 e 7), e por ausência de exame pela instância ordinária quanto ao preenchimento dos requisitos para cobertura excepcional previstos pela Segunda Seção, determinou-se o retorno dos autos à origem para que a Corte local verifique se...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 11 April 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão De Mérito Parcial Pelo STJ Com Devolução Dos Autos À Origem
- Outcome
- Dou parcial provimento ao recurso para determinar o retorno dos autos à origem.
- Legal Topics
- Cobertura De Procedimento Não Previsto No Rol Da ANS, Caráter, Em Regra, Taxativo Do Rol De Procedimentos Da ANS E Suas Exceções, Aplicação Das Súmulas 5 E 7 Do STJ Quanto Ao Reexame De Fatos E Provas, Conversão Do Julgamento Em Diligência (art. 938, § 3º, Cpc/2015)
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Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão De Mérito Parcial Pelo STJ Com Devolução Dos Autos À Origem
Legal Issues
- 1 Cobertura de procedimento não previsto no rol da ANS
- 2 Aplicabilidade do entendimento da Segunda Seção sobre caráter taxativo do rol e suas exceções
- 3 Necessidade de exame, pela instância de origem, dos requisitos para cobertura excepcional
Ratio Decidendi
Ante a impossibilidade de reexame de elementos fático-probatórios pelo STJ (Súmulas 5 e 7), e por ausência de exame pela instância ordinária quanto ao preenchimento dos requisitos para cobertura excepcional previstos pela Segunda Seção, determinou-se o retorno dos autos à origem para que a Corte local verifique se tais requisitos estão presentes ou, se for o caso, converta o julgamento em diligência e ordene a produção de provas nos termos do art. 938, § 3º do CPC/2015.
Court Disposition
Dou parcial provimento ao recurso para determinar o retorno dos autos à origem.
Orders
- Determinar o retorno dos autos à origem para que, em novo exame da apelação, se avalie o preenchimento dos requisitos para o deferimento excepcional da cobertura reivindicada, delineados pela Segunda Seção do STJ.
- Converter o julgamento em diligência, na forma do art. 938, § 3º do CPC/2015, quando for o caso, para que as partes produzam provas capazes de demonstrar ou afastar o preenchimento daqueles requisitos.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto contra acórdão proferido pelo Tribunal de origem. Contrarrazões apresentadas. O recurso foi admitido na origem. É o relatório. Decido. O presente recurso versa sobre cobertura de procedimento não previsto no rol de procedimentos e eventos elaborado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar - ANS. Ocorre que, em assentada recente, a Segunda Seção do STJ firmou entendimento de que o rol de procedimentos e eventos em saúde complementar é, em regra, taxativo, não sendo a operadora de plano ou seguro de saúde obrigada a custear procedimento ou terapia não listados, se existe, para a cura do paciente, alternativa eficaz, efetiva e segura já incorporada (EREsps n. 1.889.704/SP e 1.886.929/SP, Relator Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, SEGUNDA SEÇÃO, julgados em 8/6/2022, DJe de 3/8/2022). Sem embargo, o Órgão Colegiado admitiu a excepcional possibilidade de cobertura do procedimento - indicado pelo médico ou odontólogo assistente mas não previsto no rol da agência reguladora -, inexistindo substituto terapêutico listado, desde que: (i) não tenha sido indeferida expressamente, pela ANS, a incorporação do procedimento ao Rol da Saúde Suplementar; (ii) haja comprovação da eficácia do tratamento à luz da medicina baseada em evidências; (iii) haja recomendações de órgãos técnicos de renome nacionais (como CONITEC e NATJUS) e estrangeiros; e (iv) seja realizado, quando possível, o diálogo interinstitucional do magistrado com entes ou pessoas com expertise técnica na área da saúde, incluída a Comissão de Atualização do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde Suplementar, sem deslocamento da competência do julgamento do feito para a Justiça Federal, ante a ilegitimidade passiva ad causam da ANS. No caso concreto, todavia, o julgamento das instâncias ordinárias não avançou para aferir o preenchimento desses requisitos, tampouco para examinar se a cláusula contratual era expressa e adequadamente redigida no sentido de restringir a cobertura, limitando-se a reputar abusiva a limitação por entender que a escolha do tratamento do paciente é prerrogativa do profissional médico, concluindo pelo caráter meramente exemplificativo do rol de procedimentos da autarquia reguladora. Nesse contexto, haja vista a impossibilidade do reexame das cláusulas contratuais e demais elementos fático-probatórios (Súmulas n. 5 e 7 do STJ), devem os autos retornar à instância de origem para que a Corte local examine se estão presentes os critérios definidos pela Segunda Seção - ou, se for o caso, na forma prevista e autorizada pelo art. 938, § 3º, do CPC/2015, converta o julgamento em diligência para que as partes façam provas, no próprio Tribunal ou em primeira instância, de fatos que demonstrem ou afastem o preenchimento daqueles requisitos. Observo que, em hipótese assemelhada, a Quarta Turma desta Corte Superior outrossim reconheceu a necessidade de devolução dos autos à origem, uma vez que, " c omo não houve instrução processual, a tornar, no caso concreto, temerária a imediata solução do litigio para julgamento de total improcedência do pedido exordial, aplicando-se o direito à espécie (art. 1.034 do CPC/2015 e Súmula 456/STF), é de rigor a anulação do acórdão recorrido e da sentença para que, mediante requerimento de nota técnica ao NAT-JUS (Núcleo de Apoio Técnico do Tribunal de origem), se possa aferir os fatos constitutivos de direito da parte autora - à luz dos preceitos de Saúde Baseada em Evidências, tomando-se em conta o rol da ANS" (AgInt no AREsp n. 1.430.905/SP, Relator Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 30/3/2020, DJe 2/4/2020). Determinada a devolução dos autos à origem, ficam prejudicados os demais pedidos. Ante o exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para determinar o retorno dos autos à origem a fim de que, em novo exame da apelação, avalie o preenchimento dos requisitos para o deferimento excepcional da cobertura reivindicada pela segurada, delineados pela Segunda Seção do STJ, julgando o recurso como entender de direito. Publique-se. Intimem-se. EMENTA