AREsp 2759881 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e deu-se provimento ao recurso especial, por entender que o acórdão recorrido foi casado e que os autos devem retornar ao juízo de origem para que se avalie, à luz dos parâmetros estabelecidos pela Segunda Seção do STJ, o preenchimento dos requisitos para eventual deferimento excepcional da...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: Unimed João Pessoa Cooperativa de Trabalho Médico
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 25 November 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Conhecendo E Dando Provimento Ao Agravo Para Prover O Recurso Especial E Determinar O Retorno Dos Autos À Instância Originária
- Outcome
- Agravo conhecido e provido para dar provimento ao recurso especial, cassar o acórdão recorrido e determinar o retorno dos autos à instância originária
- Legal Topics
- Cobertura De Tratamento Não Constante Do Rol Da ANS, Rol De Procedimentos Da ANS, Dano Moral, Obrigação De Fazer
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
Unimed João Pessoa Cooperativa de Trabalho Médico
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Conhecendo E Dando Provimento Ao Agravo Para Prover O Recurso Especial E Determinar O Retorno Dos Autos À Instância Originária
Legal Issues
- 1 Obrigatoriedade de custeio de procedimento médico não constante no rol taxativo da ANS
- 2 Aplicabilidade do precedente da Segunda Seção sobre caráter, em regra, taxativo do rol da ANS
- 3 Possibilidade de análise excepcional de cobertura quando não houver substituto terapêutico no rol e comprovada eficácia do tratamento
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e deu-se provimento ao recurso especial, por entender que o acórdão recorrido foi casado e que os autos devem retornar ao juízo de origem para que se avalie, à luz dos parâmetros estabelecidos pela Segunda Seção do STJ, o preenchimento dos requisitos para eventual deferimento excepcional da cobertura pleiteada.
Court Disposition
Agravo conhecido e provido para dar provimento ao recurso especial, cassar o acórdão recorrido e determinar o retorno dos autos à instância originária
Orders
- Cassação do acórdão recorrido
- Determinação de retorno dos autos ao juízo de origem para novo exame quanto ao preenchimento dos requisitos para cobertura excepcional, conforme parâmetros da Segunda Seção do STJ
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por Unimed João Pessoa Cooperativa de Trabalho Médico contra d ecisão que não admitiu seu recurso especial, este, por sua vez, manejado com fundamento no art. 105, inciso III, a e c, da Constituição Federal, desafiando o acórdão do Tribunal de Justiça da Paraíba assim ementado (e-STJ, fl. 659): APELAÇÃO CÍVEL. PLANO DE SAÚDE. TRATAMENTO DE DOENÇA AUTOIMUNE. PROCEDIMENTO SOLICITADO. NEGATIVA. NÃO PREVISÃO NO ROL DA ANS. ABUSIVIDADE. NECESSIDADE DEMONSTRADA. RISCO À SAÚDE. ATO ILÍCITO CONFIGURADO. DANO MORAL. VALOR FIXADO COM EQUIDADE. MANUTENÇÃO DA SENTENÇA. DESPROVIMENTO. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (e-STJ, fls. 698-702). Nas razões do recurso especial (e-STJ, fls. 709-763), a recorrente apontou violação aos arts. 489, II, do CPC/2015; e 10, §4º, da Lei n. 9.656/1998, sustentando a ausência do seu dever de custear procedimento médico não constante no rol taxativo elaborado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar - ANS. Além disso, aduziu a inexistência de danos morais indenizáveis, decorrentes da sua recusa em cobrir a realização do procedimento solicitado pela recorrida, porquanto ausente de qualquer abusividade ou ilicitude. Sem contrarrazões (e-STJ, fl. 1.249). O processamento do apelo especial não foi admitido pela Corte local (e-STJ, fls. 1.259-1.267), levando a parte insurgente à interposição do presente agravo. Brevemente relatado, decido. Atendidos os pressupostos de conhecimento do agravo em recurso especial, passo à análise do recurso especial. Conforme já relatado, a pretensão recursal cinge-se ao afastamento da obrigatoriedade, imposta à insurgente pelo Tribunal de origem, em custear o procedimento médico denominado Painel de Autoanticorpos para Encefalites Autoimune (Anti- NMDA, Anti-Caspr2, Anti- AMPA, Anti-anfifisina, Anti-Pca2, ANNA1, Anti-GABA A e Anti-Gabba B), e quaisquer tratamentos futuros relacionados à sua doença, à recorrida, tratamento este não constante no rol taxativo disponibilizado pela ANS. Com efeito, a Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de 8/6/2022, firmou entendimento no sentido de que o rol de procedimentos e eventos em saúde complementar é, em regra, taxativo, não sendo a operadora de plano ou seguro de saúde obrigada a custear procedimento ou terapia não listados, se existe, para a cura do paciente, alternativa eficaz, efetiva e segura já incorporada (EREsps n. 1.889.704/SP e 1.886.929/SP, Relator Ministro Luis Felipe Salomão, Segunda Seção, DJe de 3/8/2022 - sem grifo no original). Por ocasião do julgamento dos mencionados embargos de divergência, o órgão colegiado estabeleceu os seguintes parâmetros, os quais devem ser observados no julgamento do caso concreto: 1- o Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde Suplementar é, em regra, taxativo; 2 - a operadora de plano ou seguro de saúde não é obrigada a arcar com tratamento não constante do Rol da ANS se existe, para a cura do paciente, outro procedimento eficaz, efetivo e seguro já incorporado ao Rol; 3 - possível a contratação de cobertura ampliada ou a negociação de aditivo contratual para a cobertura de procedimento extra Rol; 4 - não havendo substituto terapêutico ou esgotados os procedimentos do Rol da ANS, pode haver, a título excepcional, a cobertura do tratamento indicado pelo médico ou odontólogo assistente, desde que: (i) não tenha sido indeferida expressamente, pela ANS, a incorporação do procedimento ao Rol da Saúde Suplementar; (ii) haja comprovação da eficácia do tratamento à luz da medicina baseada em evidências; (iii) haja recomendações de órgãos técnicos de renome nacionais (como CONITEC e NATJUS) e estrangeiros; e (iv) seja realizado, quando possível, o diálogo interinstitucional do magistrado com entes ou pessoas com expertise técnica na área da saúde, incluída a Comissão de Atualização do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde Suplementar, sem deslocamento da competência do julgamento do feito para a Justiça Federal, ante a ilegitimidade passiva ad causam da ANS. Todavia, con stata-se que, no caso em análise, o julgamento da instância ordinária não avançou para aferir efetivamente o preenchimento dos requisitos acima elencados, reputando abusiva a limitação, por entender que a escolha do tratamento da paciente é prerrogativa do profissional médico, concluindo pelo caráter meramente exemplificativo do rol de procedimentos da autarquia reguladora. Em face disso, considerando a impossibilidade de reexame das cláusulas contratuais e da base fático-probatória, em virtude dos óbices das Súmulas 5 e 7/STJ, necessário que os autos retornem à instância originária, de modo a possibilitar a análise de tais elementos e a exigência de produção de outras provas, para que se realize novo julgamento à luz da tese firmada pela Segunda Seção desta Corte Superior. Ante o exposto, conheço do agravo para dar provimento ao recurso especial para, cassando o acórdão recorrido, determinar o retorno dos autos à instância originária a fim de que, em novo exame, avalie o preenchimento dos requisitos para o deferimento excepcional da cobertura reivindicada pela parte segurada - tal como delineados pela Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça -, julgando o pedido inicial como entender de direito. Mantêm-se os efeitos de eventual liminar concedida, até nova apreciação pelo magistrado de primeiro grau.. Fiquem as partes cientificadas de que a insistência injustificada no prosseguimento do feito, caracterizada pela apresentação de recursos manifestamente inadmissíveis ou protelatórios contra esta decisão, ensejará a imposição, conforme o caso, das multas previstas nos arts. 1.021, § 4º, e 1.026, § 2º, do CPC/2015. Publique-se. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PLANO DE SAÚDE. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER C/C DANO MORAL. PROCEDIMENTO MÉDICO NÃO CONSTANTE NO ROL TAXATIVO DA ANS. APLICAÇÃO DE PRECEDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO. REEXAME DE FATOS E PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE RETORNO DOS AUTOS AO JUÍZO DE ORIGEM. AGRAVO CONHECIDO PARA DAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL.