AREsp 2960640 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque a agravante não demonstrou fundamentação adequada nas razões do recurso especial, deixando de indicar com precisão os dispositivos legais federais supostamente violados e/ou o dispositivo objeto de dissídio interpretativo, o que atrai a incidência da Súmula 284/STF e...
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- Parties
- Agravante: GAFISA S/A; Autor: CONDOMINIO LAGUNA MALL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 November 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Da Terceira Turma (sessão Virtual)
- Outcome
- Negado provimento ao agravo interno no agravo em recurso especial
- Legal Topics
- Cobrança De Cotas Condominiais, Fundamentação Deficiente, Súmula 284/stf, Dissídio Jurisprudencial, Responsabilidade Por Cotas Condominiais (imissão Na Posse E Ciência Do Condomínio)
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Parties
GAFISA S/A
Agravante
CONDOMINIO LAGUNA MALL
Autor
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Da Terceira Turma (sessão Virtual)
Legal Issues
- 1 Incidência da Súmula 284/STF por ausência ou deficiência de fundamentação nas razões do recurso especial
- 2 Falta de indicação do dispositivo legal que teria interpretação divergente inviabiliza análise do dissídio jurisprudencial
- 3 Questão sobre responsabilidade pelo pagamento de cotas condominiais vinculada à imissão na posse e à ciência inequívoca do condomínio (Tema 886/STJ)
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque a agravante não demonstrou fundamentação adequada nas razões do recurso especial, deixando de indicar com precisão os dispositivos legais federais supostamente violados e/ou o dispositivo objeto de dissídio interpretativo, o que atrai a incidência da Súmula 284/STF e inviabiliza o conhecimento do recurso e a análise do dissídio jurisprudencial.
Court Disposition
Negado provimento ao agravo interno no agravo em recurso especial
Orders
- NEGO PROVIMENTO ao agravo interno no agravo em recurso especial.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 04/11/2025 a 10/11/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Humberto Martins, Ricardo Villas Bôas Cueva, Moura Ribeiro e Daniela Teixeira votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE COBRANÇA DE COTAS CONDOMINIAIS. FUNDAMENTAÇÃO. AUSENTE. DEFICIENTE. SÚMULA 284/STF. DISSÍDIO. NÃO INDICAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL COM INTERPRETAÇÃO DIVERGENTE. SÚMULA 284/STF. 1. Ação de cobrança de cotas condominiais. 2. A ausência de fundamentação ou a sua deficiência importa no não conhecimento do recurso quanto ao tema. Incidência da Súmula 284 do STF. 3. A falta de indicação do dispositivo legal sobre o qual recai a divergência inviabiliza a análise do dissídio. 4. Agravo interno no agravo em recurso especial não provido.
RELATÓRIO Relatora: MINISTRA NANCY ANDRIGHI Examina-se agravo interno, manejado por GAFISA S/A, contra decisão da Presidência do STJ que não conheceu do recurso que interpusera em razão da incidência da Súmula 284/STF. Ação: de cobrança, ajuizada por CONDOMINIO LAGUNA MALL em desfavor da agravante, em virtude de débito de cotas condominiais. Sentença: julgou procedentes os pedidos. Acórdão: negou provimento ao agravo interno na apelação interposta pela agravante, nos termos da seguinte ementa: AGRAVO INTERNO EM APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE COBRANÇA DE COTAS CONDOMINIAIS. SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA. IRRESIGNAÇÃO DA RÉ, SOB O ARGUMENTO DE NÃO POSSUI LEGITIMIDADE PASSIVA PARA A DEMANDA POR TER VENDIDO O BEM. 1. A Construtora interpôs agravo interno contra decisão monocrática que negou provimento ao recurso de apelação cível interposto pela ora agravante. 2. Entretanto, não restou comprovada a ciência inequívoca ao condomínio acerca do negócio jurídico e de imissão na posse do promitente comprador. 3. Inteligência do Tema 886 do regime de recursos repetitivos do STJ, no sentido de que "a) O que define a responsabilidade pelo pagamento das obrigações condominiais não é o registro do compromisso de venda e compra, mas a relação jurídica material com o imóvel, representada pela imissão na posse pelo promissário comprador e pela ciência inequívoca do Condomínio acerca da transação." 4. Inarredável, portanto, concluir que a cobrança das taxas condominiais deve se dirigir à proprietária do imóvel em questão, ou seja, à construtora, durante todo o período mencionado na inicial. MANUTENÇÃO DA DECISÃO E NEGATIVA DE PROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. (e-STJ Fl. 275) Embargos de declaração: opostos pela agravante, foram rejeitados. Decisão da Presidência do STJ: não conheceu do recurso interposto considerando a incidência da Súmula 284/STF (e-STJ Fls. 423-424). Agravo interno: nas razões de e-STJ Fls. 432-435, a agravante apresenta insurgência contra a Súmula 284/STF, referindo que não há se falar em fundamentação deficiente em sede de recurso especial. Sustenta, em síntese, que "os artigos tidos como violados foram devidamente abordados, sendo, inclusive, objeto de embargos de declaração com fins prequestionadores" (e-STJ Fl. 434). Requer, por fim, o provimento do agravo para, analisado o recurso especial, seja acolhido no mérito. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE COBRANÇA DE COTAS CONDOMINIAIS. FUNDAMENTAÇÃO. AUSENTE. DEFICIENTE. SÚMULA 284/STF. DISSÍDIO. NÃO INDICAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL COM INTERPRETAÇÃO DIVERGENTE. SÚMULA 284/STF. 1. Ação de cobrança de cotas condominiais. 2. A ausência de fundamentação ou a sua deficiência importa no não conhecimento do recurso quanto ao tema. Incidência da Súmula 284 do STF. 3. A falta de indicação do dispositivo legal sobre o qual recai a divergência inviabiliza a análise do dissídio. 4. Agravo interno no agravo em recurso especial não provido. VOTO Relatora: MINISTRA NANCY ANDRIGHI Examina-se agravo interno, interposto por GAFISA S/A, contra decisão da Presidência do STJ que não conheceu do recurso manejado em virtude da incidência da Súmula 284 do STF. A decisão restou assim fundamentada: (..) Por meio da análise do recurso de GAFISA S/A, verifica-se que incide a Súmula n. 284/STF, porquanto a parte recorrente deixou de indicar precisamente os dispositivos legais federais que teriam sido violados ou quais dispositivos legais seriam objeto de dissídio interpretativo, ressaltando que a mera citação de artigo de lei na peça recursal não supre a exigência constitucional. (..) Nesse sentido: "A ausência de expressa indicação de artigos de lei violados inviabiliza o conhecimento do recurso especial, não bastando a mera menção a dispositivos legais ou a narrativa acerca da legislação federal, aplicando-se o disposto na Súmula n. 284 do STF". (AgInt no AREsp n. 1.684.101/MA, Rel. Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 26.8.2020.) Também, o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou no sentido de que, "uma vez observado, no caso concreto, que nas razões do recurso especial não foram indicados os dispositivos de lei federal acerca dos quais supostamente há dissídio jurisprudencial, a única solução possível será o não conhecimento do recurso por deficiência de fundamentação, nos termos da Súmula 284/STF". (AgRg no REsp 1.346.588/DF, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Corte Especial, DJe de 17.3.2014.) (..) (e-STJ Fl. 423, grifos nossos). Pela análise das razões recursais apresentadas no agravo interno, verifica-se que a agravante não trouxe qualquer argumento novo capaz de ilidir os fundamentos da decisão agravada. - Da fundamentação deficiente Não obstante afirme que fundamentou devidamente o seu recurso especial, constata-se, da leitura da peça recursal, que a agravante, de fato, não apontou ofensa a eventuais dispositivos legais. A via estreita do recurso especial exige a demonstração inequívoca da ofensa a dispositivo indicado como violado, bem como a sua particularização, a fim de possibilitar o seu exame em conjunto com o decidido nos autos. É imprescindível que no recurso especial sejam apontad as com precisão as violações aos dispositivos legais indicados como infringidos. A parte interessada deve evidenciar de forma clara e objetiva os dispositivos supostamente violados, além de apresentar as razões que justifiquem a alegada violação. Adicionalmente, é essencial que se descreva detalhadamente como o dispositivo legal foi infringido, pois isso possibilitará ao STJ analisar a questão em conjunto com os elementos constantes nos autos. No entanto, na presente hipótese, essa correlação entre a violação apontada e os fatos do processo não foi devidamente estabelecida, o que faz incidir a Súmula 284 do STF. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.947.682/SP, 3ª Turma, DJe 20/12/2023; e AgInt no AREsp 2.138.858/SP, 4ª Turma, DJe 15/6/2023. Ademais, a falta de indicação do dispositivo legal sobre o qual recai a divergência inviabiliza a análise do dissídio jurisprudencial e atrai a incidência, por analogia, da Súmula 284 do STF. Nesse sentido: AgInt no REsp 1.957.278/DF, 1ª Turma, DJe 20/09/2023; AgInt no REsp 1.566.341/SP, 4ª Turma, DJe 21/06/2023; e AgInt no AgInt no AgInt no AREsp 1.731.772/SC, 3ª Turma, DJe 24/10/2022. DISPOSITIVO Forte nessas razões, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno no agravo em rec urso especial.