AREsp 1487189 - DECISAO
O recurso extraordinário não foi conhecido/ não teve seguimento porque as alegadas ofensas constitucionais são, na prática, reflexas ou dependentes da interpretação de normas infraconstitucionais (principalmente o art. 11 da Lei 8.987/1995), o acórdão está em conformidade com a jurisprudência do STJ que admite...
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- Parties
- Recorrente: ELEKTRO REDES S.A; Recorrida/autora Na Origem: Concessionária da Rodovia Presidente Dutra S. A; Requerida Na Origem: Elektro Eletricidade e Serviços S/A
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 September 2021
- Procedural Posture
- Recurso Extraordinário / Seguimento Negado E Não Admitido (decisão De Admissibilidade)
- Outcome
- Com relação aos arts. 5º, incs. XXXV, LIV e LV; e 93, inciso IX, nega-se seguimento ao recurso extraordinário; com relação aos arts. 21, inciso XII, alínea "b"; 22, inciso IV; 5º, caput, e inciso II; 37, caput, e inciso XXI; 150, inciso I; e 175, não se admite o recurso extraordinário
- Legal Topics
- Cobrança Pelo Uso De Faixa De Domínio, Admissibilidade Do Recurso Extraordinário, Repercussão Geral (temas 660, 895, 339 Stf), Súmula 7/stj E Súmula 279/stf, Art. 11 Da Lei 8.987/1995
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Parties
ELEKTRO REDES S.A
Recorrente
Concessionária da Rodovia Presidente Dutra S. A
Recorrida/autora Na Origem
Elektro Eletricidade e Serviços S/A
Requerida Na Origem
Procedural Posture
Recurso Extraordinário / Seguimento Negado E Não Admitido (decisão De Admissibilidade)
Legal Issues
- 1 Possibilidade de cobrança por concessionária pelo uso de faixa de domínio de rodovia
- 2 Admissibilidade do recurso extraordinário diante de alegada ofensa constitucional dependente de normas infraconstitucionais
- 3 Prequestionamento e necessidade de reexame de matéria fático-probatória (Súmula 7/STJ)
Ratio Decidendi
O recurso extraordinário não foi conhecido/ não teve seguimento porque as alegadas ofensas constitucionais são, na prática, reflexas ou dependentes da interpretação de normas infraconstitucionais (principalmente o art. 11 da Lei 8.987/1995), o acórdão está em conformidade com a jurisprudência do STJ que admite cobrança se prevista contratualmente, e parte das alegações (desequilíbrio econômico-financeiro) não foi prequestionada ou exigiria reexame de matéria fático-probatória, vedado na via extraordinária (Súmulas e Temas do STF aplicáveis), justificando a negativa de seguimento e a não admissão do recurso extraordinário.
Court Disposition
Com relação aos arts. 5º, incs. XXXV, LIV e LV; e 93, inciso IX, nega-se seguimento ao recurso extraordinário; com relação aos arts. 21, inciso XII, alínea "b"; 22, inciso IV; 5º, caput, e inciso II; 37, caput, e inciso XXI; 150, inciso I; e 175, não se admite o recurso extraordinário
Orders
- Publique-se
- Intimem-se
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DECISÃO Trata-se de recurso extraordinário interposto por ELEKTRO REDES S.A, com fundamento no art. 102, inciso III, alínea "a", da Constituição Federal, contra acórdão deste Superior Tribunal de Justiça, assim ementado (e-STJ fls. 5.583-5.584): ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. COBRANÇA, POR CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO, PELO USO DE FAIXA DE DOMÍNIO. POSSIBILIDADE, DESDE QUE HAJA PREVISÃO NO CONTRATO DE CONCESSÃO. ACÓRDÃO DE 2º GRAU EM CONFORMIDADE COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. ALEGADO DESEQUILÍBRIO ECONÔMICO-FINANCEIRO DO CONTRATO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE, NA VIA ELEITA. NECESSIDADE DE REEXAME DA MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA DOS AUTOS. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. I. Agravo interno aviado contra decisão que julgara recurso interposto contra decisum publicado na vigência do CPC/2015. II. Na origem, Concessionária da Rodovia Presidente Dutra S. A ajuizou a presente ação de cobrança contra Elektro Eletricidade e Serviços S/A, alegando que é concessionária de rodovias estaduais e a requerida ocupa sua faixa de domínio para a passagem de infraestrutura de transmissão de energia elétrica. O Tribunal de origem reformou a sentença de improcedência da ação, para condenar a requerida a pagar, à autora, o valor referente ao uso do espaço de seu domínio, concluindo ser "cabível a tese sustentada pela Concessionária da Rodovia Presidente Dutra S/A no sentido da cobrança pelo uso de faixa de domínio da rodovia, nos moldes do art. 11 da Lei 8.987/95, desde que haja previsibilidade no contrato de concessão, como forma de permitir o recebimento de receitas provenientes de outras fontes aptas a permitirem o "equilíbrio econômico-financeiro do contrato". (parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.987/95)". III. O acórdão recorrido encontra-se em conformidade com a jurisprudência dominante desta Corte, no sentido de que o poder concedente poderá, nos termos do art. 11 da Lei 8.987/95, autorizar concessionária a efetuar cobrança, pela utilização de faixa de domínio, desde que haja previsão no contrato de concessão da rodovia. Nesse sentido: STJ, EREsp 985.695/RJ, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, PRIMEIRA SEÇÃO, DJe de 12/12/2014; AgInt no REsp 1.677.414/SP, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 20/02/2018; AREsp 977.205/SP, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, DJe de 25/04/2018; AgInt no AREsp 793.457/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe de 30/08/2016. IV. No mais, além da evidente ausência de prequestionamento da tese recursal relacionada à existência de desequilíbrio econômico-financeiro do contrato, tal argumento somente poderia ter sua procedência verificada mediante o necessário reexame de matéria fática, não cabendo a esta Corte, a fim de alcançar conclusão diversa, reavaliar o conjunto probatório dos autos, em conformidade com a Súmula 7/STJ. V. Agravo interno improvido. . Opostos embargos de declaração, foram rejeitados (e-STJ fls. 5.683-5.705). Sustenta o recorrente que o recurso extraordinário tem repercussão geral e merece ser alçado ao STF, pois todos os pressupostos exigidos para sua admissão encontram-se preenchidos. Alega que houve violação direta à Constituição Federal, consubstanciada na ofensa aos seus arts. 21, inciso XII, alínea "b"; 22, inciso IV; 5º, caput, e incisos II, XXXV, LIV e LV; 37, caput, e inciso XXI; 150, inciso I; 175; e 93, inciso IX. Assevera que o acórdão recorrido contrariou os artigos constitucionais mencionados ao manter a condenação da recorrente, concessionária de energia elétrica, ao pagamento de remuneração pelo uso das faixas de domínio das rodovias administradas pela recorrida para a instalação de equipamentos destinados à prestação do serviço público. Afirma quanto à violação dos artigos: a) 21, inciso XII, alínea "b" e 22, inciso IV: "o STJ deixou de observar a manifesta ilegalidade e inconstitucionalidade da cobrança pretendida pela NOVADUTRA, posto que fundadas em legislação estadual, que impõe encargos sobre a prestação de serviço público federal de energia elétrica, sem qualquer embasamento, em manifesta violação às disposições constitucionais contidas nos arts. 21, XII, b, e 22, IV, da CF/88" (e-STJ fl. 5.718). b) 5º, inciso II; 37, caput; e 150, inciso I, da CF/88: "os v. acórdãos recorridos desconsideraram o fato de que a cobrança arbitrária que a NOVADUTRA pretende instituir em face da ELEKTRO fere o princípio constitucional da legalidade (arts. 5º, II, e 37, caput, da CF). A respectiva cobrança, caso admitida em última hipótese, somente poderia ocorrer mediante lei federal e não por meio de ato regulamentar de ente estatal" (e-STJ fl. 5.724) e que "admitiu a manutenção de cobrança instituída pela Portaria DNER n. 147, que instituiu um tributo por meio de uma norma infraconstitucional, a qual deve ser fulminada, uma vez que não está de acordo com o nosso sistema constitucional e tributário vigente .. não foi observada a regra (o princípio) insculpida no artigo 150, inciso I, da Constituição Federal." (fl. 5.725). c) 5º, caput e incisos XXXV, LIV e LV; 37, inciso XXI; 93 e 175: "ao autorizar que a NOVADUTRA continue impondo cobrança ilegítima à ELEKTRO pela utilização das áreas públicas, o v. acórdão recorrido deixou de considerar que tal fato dificultará sobremaneira, senão inviabilizará, a prestação do serviço de distribuição de energia elétrica no trecho pertencente à área de concessão da ELEKTRO, visto que agrega custos não contemplados, acarretando desequilíbrio econômico-financeiro do Contrato de Concessão, o que levaria a um aumento de tarifas a ser suportado pelos consumidores." (e-STJ fl. 5.727) e acrescenta que a contrariedade reside na "não observância dos princípios do equilíbrio econômico financeiro do contrato e do princípio da modicidade tarifária" e "ausência de motivação clara quanto ao entendimento do STJ no sentido de que não há violação do art. 11 da Lei 8.987/95" (e-STJ fl. 5.727). Requer, ao final, a admissão do recurso e sua remessa ao Supremo Tribunal Federal. As contrarrazões foram apresentadas às e-STJ fls. 1.393-1.399. É o relatório. É assente na Suprema Corte o entendimento de que "a questão da ofensa ao princípio da inafastabilidade de jurisdição, quando há óbice processual intransponível ao exame de mérito, ofensa indireta à Constituição ou análise de matéria fática, tem natureza infraconstitucional, e a ela se atribuem os efeitos da ausência de repercussão geral" (Tema 895/STF). Essa tese foi estabelecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE n. 956.302 RG/GO, que restou assim ementado: PRINCÍPIO DA INAFASTABILIDADE DA JURISDIÇÃO. ÓBICES PROCESSUAIS INTRANSPONÍVEIS. EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO. QUESTÃO INFRACONSTITUCIONAL. MATÉRIA FÁTICA. AUSÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. Não há repercussão geral quando a controvérsia refere-se à alegação de ofensa ao princípio da inafastabilidade de jurisdição, nas hipóteses em que se verificaram óbices intransponíveis à entrega da prestação jurisdicional de mérito. (RE 956.302/GO RG, Relator(a): Min. EDSON FACHIN, julgado em 19/05/2016, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-124 DIVULG 15-06-2016 PUBLIC 16-06-2016) Na espécie, a violação do art. 5º, inciso XXXV, da Constituição Federal não tem como ser aferida porque o acórdão negou provimento ao agravo em razão da ausência de prequestionamento da tese recursal, mencionando, ainda, que,"a fim de alcançar conclusão diversa, reavaliar o conjunto probatório dos autos, em conformidade com a Súmula 7/STJ" (e-STJ fl. 5.621), razão pela qual incide o Tema 895/STF. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. .. ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE AO PRINCÍPIO DA INAFASTABILIDADE DA JURISDIÇÃO: INEXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL (TEMA 895). AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO. (ARE 1256343 AgR, Relator(a): CÁRMEN LÚCIA, Segunda Turma, julgado em 29/06/2020, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-169 DIVULG 03-07-2020 PUBLIC 06-07-2020) Em outra vertente, pacificou-se no Supremo Tribunal Federal o entendimento de que a apontada afronta aos princípios do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, bem como ao ato jurídico perfeito, ao direito adquirido e aos limites da coisa julgada, quando dependente da prévia análise de normas infraconstitucionais, configura ofensa reflexa ao texto constitucional. Nessa esteira é o Tema 660/STF, cujo acórdão paradigma recebeu a seguinte ementa: Alegação de cerceamento do direito de defesa. Tema relativo à suposta violação aos princípios do contraditório, da ampla defesa, dos limites da coisa julgada e do devido processo legal. Julgamento da causa dependente de prévia análise da adequada aplicação das normas infraconstitucionais. Rejeição da repercussão geral. (ARE 748.371 RG, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, julgado em 06/06/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-148 DIVULG 31-07-2013 PUBLIC 01-08-2013) No mesmo vértice: AGRAVO INTERNO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTAÇÃO A RESPEITO DA REPERCUSSÃO GERAL. INSUFICIÊNCIA. VIOLAÇÃO AO DEVIDO PROCESSO LEGAL, AO DIREITO ADQUIRIDO, AO ATO JURÍDICO PERFEITO E À COISA JULGADA. OFENSA CONSTITUCIONAL REFLEXA. (..) 3. O STF, no julgamento do ARE 748.371-RG/MT (Rel. Min. GILMAR MENDES, Tema 660), rejeitou a repercussão geral da violação ao direito adquirido, ao ato jurídico perfeito, à coisa julgada ou aos princípios da legalidade, do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, quando se mostrar imprescindível o exame de normas de natureza infraconstitucional. 4. Tendo o acórdão recorrido solucionado as questões a si postas com base em preceitos de ordem infraconstitucional, não há espaço para a admissão do recurso extraordinário, que supõe matéria constitucional prequestionada explicitamente. 5. Agravo Interno a que se nega provimento. Na forma do art. 1.021, §§ 4º e 5º, do Código de Processo Civil de 2015, em caso de votação unânime, fica condenado o agravante a pagar ao agravado multa de um por cento do valor atualizado da causa, cujo depósito prévio passa a ser condição para a interposição de qualquer outro recurso (à exceção da Fazenda Pública e do beneficiário de gratuidade da justiça, que farão o pagamento ao final). (RE 1276856 AgR, Relator(a): ALEXANDRE DE MORAES, Primeira Turma, julgado em 15/09/2020, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-234 DIVULG 22-09-2020 PUBLIC 23-09-2020) Na espécie, a suposta ofensa aos princípiosdo contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, depende da análise do art. 11 da Lei n. 8.987/1995, razão pela qual incide o Tema 660/STF. Outrossim, ao interpretar o art. 93, inciso IX, da Constituição Federal, o Supremo Tribunal Federal firmou o entendimento de que, para que uma decisão judicial seja considerada motivada, não se exige o exame pormenorizado de cada alegação ou prova trazida pelas partes, tampouco que sejam corretos os seus fundamentos. Nesse sentido é o Tema 339/STF, segundo o qual "o artigo 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão" (QO no Ag n. 791.292/PE). Confira-se, por oportuno, a ementa do acórdão: Questão de ordem. Agravo de Instrumento. Conversão em recurso extraordinário (CPC, art. 544, §§ 3º e 4º). 2. Alegação de ofensa aos incisos XXXV e LX do art. 5º e ao inciso IX do art. 93 da Constituição Federal. Inocorrência. 3. O a rt. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. 4. Questão de ordem acolhida para reconhecer a repercussão geral, reafirmar a jurisprudência do Tribunal, negar provimento ao recurso e autorizar a adoção dos procedimentos relacionados à repercussão geral. (AI 791.292 QO-RG, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, julgado em 23/06/2010, REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-149 DIVULG 12-08-2010 PUBLIC 13-08-2010 EMENT VOL-02410-06 PP-01289 RDECTRAB v. 18, n. 203, 2011, pp. 113-118.) Na espécie, quanto à alegada "ausência de motivação clara quanto ao entendimento do STJ no sentido de que não há violação do art. 11 da Lei 8.987/95" (e-STJ fl. 5.727),da leitura do julgado questionado, constata-se que foram declinadas as razões pelas quais o agravo interno foi desprovido, valendo destacar o seguinte excerto (e-STJ fls. 5.615-5.620): Conforme destacado, o acórdão de origem está em consonância com o entendimento firmado pela Primeira Seção desta Corte, que, no julgamento dos EREsp 985.695/RJ, firmou orientação no sentido de que "poderá o poder concedente, na forma do art. 11 da Lei n. 8.987/95, prever, em favor da concessionária, no edital de licitação, a possibilidade de outras fontes provenientes de receitas alternativas, complementares, acessórias ou de projetos associados, com ou sem exclusividade, com vistas a favorecer a modicidade das tarifas" (STJ, EREsp 985.695/RJ, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, PRIMEIRA SEÇÃO, DJe de 12/12/2014), desde que haja previsão contratual. .. No caso, estando o acórdão de origem em conformidade com o entendimento desta Corte, não merece reforma o acórdão recorrido, no ponto. (grifou-se). Conclui-se, portanto, que o acórdão encontra-se em consonância com a jurisprudência fixada pela Suprema Corte em repercussão geral, no Tema 339/STF. Nesse sentido: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO INTERNO. (..) FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. QUESTÃO DE ORDEM NO AGRAVO DE INSTRUMENTO 791.292 - TEMA 339. AGRAVO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. (..) 5. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é pacífica no sentido de que cumpre a regra do art. 93, IX, da CF a decisão judicial que seja fundamentada, ainda que de modo sucinto, sendo desnecessário o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas dos autos (AI 791.292 - Tema 339 da sistemática da repercussão geral). (..) 7. Agravo a que se nega provimento. (Rcl 41510 ED, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Primeira Turma, julgado em 18/08/2020, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-218 DIVULG 31-08-2020 PUBLIC 01-09-2020.) No mesmo diapasão: AGRAVO INTERNO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. INOCORRÊNCIA. TEMA 339 DA REPERCUSSÃO GERAL. DECISÃO RECORRIDA EM CONFORMIDADE COM A JURISPRUDÊNCIA DO STF. 1. No julgamento do AI 791.292-QO-RG/PE (Rel. Min. GILMAR MENDES, Tema 339), o Supremo Tribunal Federal assentou que o inciso IX do art. 93 da CF/1988 exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente. 2. Decisão recorrida em conformidade com a jurisprudência do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 3. Agravo interno a que se nega provimento. Na forma do art. 1.021, §§ 4º e 5º, do Código de Processo Civil de 2015, em caso de votação unânime, fica condenado o agravante a pagar ao agravado multa de um por cento do valor atualizado da causa, cujo depósito prévio passa a ser condição para a interposição de qualquer outro recurso (à exceção da Fazenda Pública e do beneficiário de gratuidade da justiça, que farão o pagamento ao final). (ARE 1266033 AgR, Relator(a): Min. ALEXANDRE DE MORAES, Primeira Turma, julgado em 05/08/2020, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-204 DIVULG 14-08-2020 PUBLIC 17-08-2020.) Por fim, compulsando-se os autos, verifica-se que parte da controvérsia cinge-se à questão da cobrança por parte da concessionária que administra rodovia estadual, de valores a título de remuneração pelo uso defaixa de domínio para a passagem de infraestrutura de transmissão de energia elétrica de concessionária deste serviço público, estando o acórdão recorrido assim fundamentado (e-STJ fls. 5.615-5.621): Conforme destacado, o acórdão de origem está em consonância com o entendimento firmado pela Primeira Seção desta Corte, que, no julgamento dos EREsp 985.695/RJ, firmou orientação no sentido de que "poderá o poder concedente, na forma do art. 11 da Lei n. 8.987/95, prever, em favor da concessionária, no edital de licitação, a possibilidade de outras fontes provenientes de receitas alternativas, complementares, acessórias ou de projetos associados, com ou sem exclusividade, com vistas a favorecer a modicidade das tarifas" (STJ, EREsp 985.695/RJ, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, PRIMEIRA SEÇÃO, DJe de 12/12/2014), desde que haja previsão contratual. .. No caso, estando o acórdão de origem em conformidade com o entendimento desta Corte, não merece reforma o acórdão recorrido, no ponto. Por oportuno, vale destacar que o entendimento adotado pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 581.947/RO - Tema 261 da Repercussão Geral -, não tem o condão de alterar o resultado do julgamento do presente feito. Com efeito, contra o referido julgado foram opostos Embargos de Declaração, que foram acolhidos, nos seguintes termos: "(..) o decisum impediu a cobrança de taxa pelo uso de espaços dos municípios por concessionárias prestadoras do serviço público de fornecimento de energia elétrica. Ex positis, conheço dos embargos de declaração interpostos e os acolho para, sem efeitos infringentes, esclarecer que o decisum neste recurso extraordinário em sede de repercussão geral teve o condão de reconhecer a inconstitucionalidade da cobrança de taxa, espécie de tributo, pelo uso, por concessionárias de fornecimento de energia elétrica, de espaços públicos dos municípios para a instalação de seus equipamentos necessários para a prestação do aludido serviço público". Tal julgado recebeu a seguinte ementa: "1) Embargos de Declaração. Repercussão Geral. Cobrança de taxa pelo uso de bens municipais. Delimitação da controvérsia jurídica.2) In casu, todo o litígio travado nos autos gravitou em torno da lei do município de Ji-Paraná que instituiu a cobrança de taxa pelo uso do solo e subsolo.3) Embargos de Declaração conhecidos e providos, sem efeitos infringentes, para esclarecer que o decisum dispõe sobre a impossibilidade de cobrança de taxa, espécie de tributo, pelos municípios em razão do uso do espaço público municipal" (STF, EDcl no RE 581.947/RO, Rel. Ministro LUIZ FUX, PLENO, DJe de 19/03/2014). Assim, o referido precedente tratou de questão diversa da debatida nos autos, pelo que a tese nele firmada não é aplicável ao presente caso. No mais, além da evidente ausência de prequestionamento da tese recursalrelacionada à existência de desequilíbrio econômico-financeiro do contrato, tal argumento somente poderia ter sua procedência verificada mediante o necessário reexame de matéria fática, não cabendo a esta Corte, a fim de alcançar conclusão diversa, reavaliar o conjunto probatório dos autos, em conformidade com a Súmula 7/STJ. .. Desse modo, a análise da matéria ventilada depende do exame da legislação aplicável à espécie, ou seja,Lei n. 8.987/1995, razão pela qual eventual ofensa à Constituição Federal, se houvesse, seria reflexa ou indireta, não legitimando a interposição do apelo extremo. Ademais, para afastar os pressupostos fáticos adotados no julgamento do recurso seria indispensável o reexame dos elementos de convicção existentes nos autos, o que não é permitido em recurso extraordinário, diante do óbice contido no enunciado 279 da Súmula do Supremo Tribunal Federal, in verbis: Para simples reexame de prova não cabe recurso extraordinário. Em casos semelhantes, assim tem decidido a Corte Suprema: Ementa: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. ADMINISTRATIVO. COBRANÇA DE TAXA. USO DE FAIXAS DE DOMÍNIO PÚBLICO POR CONCESSIONÁRIAS DE SERVIÇO PÚBLICO E EMPRESAS DE DIREITO PRIVADO. DEMONSTRAÇÃO DE REPERCUSSÃO GERAL. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. SUPOSTA AFRONTA AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. AUSÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL (TEMA 660). NECESSIDADE DE REEXAME DE PROVAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 279/STF. INAPLICABILIDADE DO TEMA 261 DA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. I - As razões do agravo regimental são inaptas para desconstituir os fundamentos da decisão agravada, que, por isso, se mantêm hígidos. II - A mera alegação, nas razões do recurso extraordinário, de existência de repercussão geral das questões constitucionais discutidas, desprovida de fundamentação adequada que demonstre seu efetivo preenchimento, não satisfaz a exigência prevista no art. 1.035, § 2º, do Código de Processo Civil/2015. III - O STF, ao julgar o ARE 748.371-RG/MT (Tema 660), de relatoria do Ministro Gilmar Mendes, rejeitou a repercussão geral da controvérsia referente à suposta ofensa aos princípios constitucionais do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, quando o julgamento da causa depender de prévia análise de normas infraconstitucionais, por configurar situação de ofensa indireta à Constituição Federal. IV - Conforme a Súmula 279/STF, é inviável, em recurso extraordinário, o reexame do conjunto fático-probatório constante dos autos. V - O caso sob análise diverge do entendimento firmado nos autos do RE 581.947-RG/RO (Tema 261 da sistemática da Repercussão Geral), de relatoria do Ministro Eros Grau, que definiu ser incompatível com a Constituição a cobrança de taxa que tenha como fato gerador o uso de espaço público por concessionárias de energia elétrica. VI - Agravo regimental a que se nega provimento. (ARE 1294459 AgR, Relator(a): RICARDO LEWANDOWSKI, Segunda Turma, julgado em 24/02/2021, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-037 DIVULG 26-02-2021 PUBLIC 01-03-2021)(grifou-se) EMENTA DIREITO ADMINISTRATIVO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO INTERPOSTO SOB A ÉGIDE DO CPC/1973. COBRANÇA PELO USO DO BEM PÚBLICO CONCEDIDO. PREVISÃO EM CONTRATO DE CONCESSÃO. CONTROVÉRSIA DECIDIDA COM FUNDAMENTO EM DISPOSITIVO DA LEI Nº 8.987/1995, DO DECRETO Nº 84.398/1980 E NO CONTRATO DE CONCESSÃO. EVENTUAL OFENSA REFLEXA DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA NÃO VIABILIZA O RECURSO EXTRAORDINÁRIO. SÚMULA Nº 454/STF. ARTS. 97 E 102 DA LEI MAIOR. RESERVA DE PLENÁRIO. VIOLAÇÃO INOCORRENTE. AGRAVO MANEJADO SOB A VIGÊNCIA DO CPC/1973. 1. A controvérsia, nos termos do já asseverado na decisão guerreada, não alcança estatura constitucional. Não há falar em afronta aos preceitos constitucionais indicados nas razões recursais. Compreensão diversa demandaria a análise da legislação infraconstitucional encampada na decisão da Corte de origem, a tornar oblíqua e reflexa eventual ofensa à Constituição, insuscetível, como tal, de viabilizar o conhecimento do recurso extraordinário. Desatendida a exigência do art. 102, III, "a", da Lei Maior, nos termos da remansosa jurisprudência desta Suprema Corte. 2. Imprescindível, à caracterização da afronta à cláusula da reserva de plenário, que a decisão esteja fundamentada na incompatibilidade entre a norma legal e a Constituição Federal, o que não se verifica in casu. 3. O Plenário desta Corte, no julgamento da ADI 2/DF, Rel. Min. Paulo Brossard, Tribunal Pleno, DJ 21.11.1997, decidiu que o exame da compatibilidade de legislação pré-constitucional com a nova Carta não se confunde com a declaração de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, pois se traduz em juízo de recepção ou não-recepção, razão pela qual não se vislumbra a alegada ofensa ao art. 97 da CF/1988 ou à Súmula Vinculante nº 10/STF. 4. As razões do agravo regimental não se mostram aptas a infirmar os fundamentos que lastrearam a decisão agravada. 5. Agravo regimental conhecido e não provido. (RE 889095 AgR, Relator(a): ROSA WEBER, Primeira Turma, julgado em 31/05/2021, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-106 DIVULG 02-06-2021 PUBLIC 04-06-2021)(grifou-se). Ante o exposto, com relação à suposta ofensa ao s arts. 5º, incisos XXXV, LIV e LV; e 93, inciso IX, ambos da Constituição Federal, com fundamento no art. 1.030, inciso I, alínea "a", do Código de Processo Civil, nega-se seguimento ao recurso extraordinário e, quanto à alegada afronta aos arts. 21, inciso XII, alínea "b"; 22, inciso IV; 5º, caput, e inciso II; 37, caput, e inciso XXI; 150, inciso I; e 175; todos da Constituição Federal, com fundamento no art. 1.030, inciso V, do Código de Processo Civil, não se admite o recurso extraordinário. Publique-se. Intimem-se. EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. TEMA 660/STF. AUSÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. OFENSA AO PRINCÍPIO DA INAFASTABILIDADE DE JURISDIÇÃO. TEMA 895/STF. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. NÃO OCORRÊNCIA. TEMA 339/STF. NEGATIVA DE SEGUIMENTO NESTE PARTICULAR. ARTS. 21, INCISO XII, ALÍNEA "B"; 22, INCISO IV; 5º, CAPUT, E INCISO II; 37, CAPUT, E INCISO XXI; 150, INCISO I; E 175, TODOS DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. DIREITOADMINISTRATIVO. COBRANÇA DE REMUNERAÇÃO PORCONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO.USO DE FAIXA DE DOMÍNIO. PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. ENERGIA ELÉTRICA.ART. 11 DA LEI N. 8.987/1995.MATÉRIA INFRACONSTITUCIONAL. OFENSA REFLEXA À CONSTITUIÇÃO FEDERAL. REEXAME DO ACERVO FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. ENUNCIADO 279 DA SÚMULA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. NÃO ADMISSÃO NESTA PARTE.