REsp 2176021 - DECISAO
Negou-se provimento ao recurso especial porque o Tribunal de origem afastou a cobrança do CES por ausência de previsão contratual, entendimento que está em consonância com a jurisprudência consolidada do STJ; assim, não houve violação legal que autorizasse a reforma do acórdão recorrido.
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: ITAU UNIBANCO S.A
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 November 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão Pelo Superior Tribunal De Justiça
- Outcome
- Nego provimento ao recurso especial
- Legal Topics
- Coeficiente De Equiparação Salarial (ces), Plano De Equivalência Salarial (pes), Repetição Do Indébito, Tabela Price, Correção Monetária, Taxa Referencial (tr), Súmulas Do STJ
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Parties
ITAU UNIBANCO S.A
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão Pelo Superior Tribunal De Justiça
Legal Issues
- 1 Possibilidade de cobrança do CES sem previsão contratual
- 2 Aplicabilidade do Código de Defesa do Consumidor a contratos do SFH
- 3 Natureza da repetição do indébito (simples ou em dobro) e demonstração de má-fé
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao recurso especial porque o Tribunal de origem afastou a cobrança do CES por ausência de previsão contratual, entendimento que está em consonância com a jurisprudência consolidada do STJ; assim, não houve violação legal que autorizasse a reforma do acórdão recorrido.
Court Disposition
Nego provimento ao recurso especial
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por ITAU UNIBANCO S.A, com fundamento no art. 105, III, "a" e "c", da Constituição Federal, contra acórdão do eg. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, assim ementado: RECURSO - As alegações e pedidos da parte autora apelante, relativos à cobrança abusiva de encargos diversos dos especificados na inicial , que fixa os limites da demanda e não pode ser alterada, sem o consentimento da parte integrantes do polo passivo citado , nem depois da sentença , por força do art . 329, 1, do CPC/2015 (correspondente ao art. 264, do CPC/1973), não podem ser conhecidas , por implicarem em inovação recursal. CONTRATO DE FINANCIAMENTO VINCULADO AO SISTEMA FINANCEIRO DA HABITAÇÃO -- O Código de Defesa do Consumidor incide em contrato firmado após a sua vigência , ou seja, 11.03.1991 (CDC, art. 118) - Inaplicabilidade do CDC ao contrato em tela, visto que assinado anteriormente à sua entrada em vigor (22.03.1989). JUROS REMUNERATÓRIOS - Lícita a exigência dos juros remuneratórios nos termos em que pactuada, visto que não limitados à taxa de 10 % ao ano. CRITÉRIO DE AMORIZAÇÃO - Lícito o critério de amortização do saldo devedor de contratos de financiamento imobiliário, regidos pelo Sistema Financeiro de Habitação , firmados após a vigência do DLF 19/66, caso dos autos, de incidir os juros e a correção monetária antes de promover o abatimento de prestação mensal paga. COEFICIENTE DE EQUIPARAÇÃO SALARIAL - CES -- Ilícita a cobrança do Coeficiente de Equiparação Salarial (C. E. S.), tendo em vista a ausência de previsão contratual neste sentido. PLANO DE EQUIVALÊNCIA SALARIAL - PES -- Ilícito o reajuste das prestações por índices diversos daqueles concedidos à categoria profissional dos autores, inclusive os individualmente concedidos , tendo em vista que foi contratado o Plano de Equivalência Salarial (PES). INDÉBITO -- Ausente prova de má-fé da instituição financeira ré na cobrança, improcede o pedido de condenação ao pagamento de devolução em dobro do indébito - caracterizada a cobrança abusiva por ilicitude de encargos exigidos - no caso dos autos, apenas e tão somente da cobrança do Coeficiente de Equiparação Salarial (C. E. S.) e do reajuste das prestações Ror índices diversos daqueles concedidos à categoria profissional dos autores, inclusive os individualmente concedidos, tendo em vista que foi contratado o Plano de Equivalência Salarial (PES) -, de rigor, a compensação do indébito, relativa a tais encargos, de forma simples e não em dobro, e até mesmo a repetição de eventual saldo credor em favor da parte autora, com incidência de correção monetária e juros de mora na taxa de 1% ao mês, a partir dos respectivos termos iniciais estabelecidos no r. ato judicial recorrido. Recurso conhecido, em parte, e provido, em parte. Opostos os embargos de declaração, restaram desacolhidos (fls. 1.332/1.351, e-STJ) Em suas razões recursais (fls. 1.354/1. 360, e-STJ), a parte recorrente aponta ofensa aos artigo 8º da Lei 8.692/93. Sustenta, em síntese, que a utilização do Coeficiente de Equiparação Salarial - CES, independe de previsão contratual, pois decorre de previsão legal, sendo que a previsão contratual somente ratificaria o que a lei determina. Contrarrazões às fls. 1.397/1.401, e-STJ Após decisão de admissão do recurso especial (fls. 1.411/1.412, e-STJ), os autos ascenderam a esta egrégia Corte de Justiça. É o relatório. Decido. A irresignação não merece prosperar. 1. O Tribunal de origem, ao analisar os fatos, concluiu pela não aplicação Coeficiente de Equiparação Salarial - CES ao caso, ante a inexistência de previsão contratual. É o que se observa do trecho do v. acórdão recorrido: ilícita a cobrança do Coeficiente de Equiparação Salarial (C. E. S), tendo em vista a ausência de previsão contratual neste sentido; (fls. 1321, e-STJ) Com efeito, é pacífica a jurisprudência deste Tribunal Superior no sentido de que a cobrança do CES - Coeficiente de Equiparação Salarial é válida quando existir expressa previsão contratual. A propósito: AGRAVO INTERNO. RECURSO ESPECIAL. SISTEMA FINANCEIRO DE HABITAÇÃO. CES. PES-CP. TABELA PRICE. SÚMULAS 5 E 7/STJ. REPETIÇÃO DO INDÉBITO SIMPLES. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE MÁ-FÉ. RECURSO NÃO PROVIDO. O Plano de Equivalência Salarial é aplicável para o reajuste das prestações mensais, não servindo para reajuste do saldo devedor, o qual é feito por índice pactuado pelas partes. Precedentes. Pactuada a correção monetária nos contratos do SFH pelo mesmo índice aplicável à caderneta de poupança, incide a taxa referencial (TR) a partir da vigência da Lei n. 8.177/1991 (Súmula 454/STJ). É pacífica a jurisprudência deste Tribunal Superior no sentido de que a cobrança do CES - Coeficiente de Equiparação Salarial é válida quando existir expressa previsão contratual. Nos contratos vinculados ao SFH, a atualização do saldo devedor antecede sua amortização pelo pagamento da prestação (Súmula 450/STJ). A questão da capitalização dos juros/Tabela Price encontram óbice nas Súmulas 5 e 7/STJ. O art. 4º do Decreto-lei n. 22.626/1933 não foi examinado no acórdão recorrido, de modo que carecem de prequestionamento (Súmulas 282 e 356/STF). A repetição do indébito em dobro pressupõe cobrança indevida por má-fé do credor, o que não ficou demonstrado nos autos. 8. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp n. 1.640.506/RJ, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 21/11/2017, DJe de 23/11/2017, g.n.) AGRAVO INTERNO. RECURSO ESPECIAL. SISTEMA FINANCEIRO DE HABITAÇÃO. CES. PES-CP. TABELA PRICE. SÚMULAS 5 E 7/STJ. REPETIÇÃO DO INDÉBITO SIMPLES. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE MÁ-FÉ. RECURSO NÃO PROVIDO. 1. Os temas relativos à possibilidade de repetição do indébito de forma simples ou mediante compensação não foram examinados no acórdão recorrido, de modo que carecem de prequestionamento (Súmulas 282 e 356/STF). 2. É pacífica a jurisprudência deste Tribunal Superior no sentido de que a cobrança do CES - Coeficiente de Equiparação Salarial é válida quando existir expressa previsão contratual. 3. A questão da capitalização dos juros/Tabela Price encontra óbice nas Súmulas 5 e 7/STJ. 4. A reforma do julgado acerca do reajuste das prestações/PES-CP demandaria o reexame do contexto fático-probatório, procedimento vedado na estreita via do recurso especial, a teor da Súmula n 7/STJ. 5. A norma do art. 85, § 14, do CPC/2015 não se aplica na espécie, à luz do princípio tempus regit actum. Precedente. 6. Recurso especial não provido.(AgInt nos EDcl no REsp n. 1.464.211/RS, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 21/2/2017, DJe de 1/3/2017, g.n.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SISTEMA FINANCEIRO DA HABITAÇÃO. AÇÃO REVISIONAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO CONFIGURAÇÃO. REVISÃO DO JULGADO. ANÁLISE DAS PROVAS DOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE EM RECURSO ESPECIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA N. 7 DO STJ. TABELA PRICE. INTERPRETAÇÃO DE CLÁUSULA CONTRATUAL E REEXAME DE PROVAS. DESCABIMENTO. SÚMULAS 5 E 7/STJ. INCIDÊNCIA DO COEFICIENTE DE EQUIPARAÇÃO SALARIAL - CES. EXISTÊNCIA DE PREVISÃO CONTRATUAL. POSSIBILIDADE. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. 1. Não caracteriza cerceamento de defesa o julgamento da demanda sem a realização de prova requerida, quando o seu destinatário entender que o feito está adequadamente instruído com provas suficientes para seu convencimento. 2. A análise da existência de capitalização de juros no sistema de amortização da Tabela Price afigura-se inviável na via estreita do recurso especial, pois a modificação do julgado esbarra no óbice da Súmula 7 do Superior Tribunal de Justiça. 3. O Coeficiente de Equiparação Salarial - CES só pode ser exigido quando previsto contratualmente, o que se verifica no presente caso, conforme destacado pelo aresto hostilizado. 4. Agravo interno a que se nega provimento.(AgInt no AREsp n. 923.438/RS, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 22/11/2016, DJe de 28/11/2016, g.n.) AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL. FINANCIAMENTO HABITACIONAL. CONTEÚDO NORMATIVO DOS ARTIGOS 20 DO CPC, 23 DA LEI 8.906/94, 39, V, E 51, IV, DO CDC. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. APLICAÇÃO DO CDC. NECESSÁRIA A IDENTIFICAÇÃO, NO CASO CONCRETO, DE ÍNDOLE ABUSIVA DO CONTRATO. REAJUSTE DO SALDO DEVEDOR. TAXA REFERENCIAL. COEFICIENTE DE EQUIPARAÇÃO SALARIAL. REPETIÇÃO SIMPLES DO INDÉBITO. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. O conteúdo normativo contido nos artigos 20 do CPC, 23 da Lei 8.906/94, 39, V, e 51, IV, do CDC não foi objeto de debate no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento, incidem as Súmulas 282 e 356 do Supremo Tribunal Federal. 2. No que toca à adoção das normas do Código de Defesa do Consumidor, a jurisprudência do STJ firmou-se no sentido de serem aplicáveis aos contratos do SFH, desde que não vinculados ao FCVS e posteriores à entrada em vigor da Lei 8.078/90. Todavia, na hipótese dos autos, tem-se que a análise da relação contratual sob a ótica do CDC não implica alteração das conclusões do acórdão impugnado, haja vista que se faz necessária a identificação, no caso concreto, de índole abusiva no contrato, o que, na espécie dos autos, não ocorre. 3. A Segunda Seção desta Corte, no julgamento do REsp 969.129/MG, submetido ao rito dos recursos repetitivos, consolidou o entendimento de que é possível a utilização da Taxa Referencial como índice de correção monetária do saldo devedor de mútuo habitacional vinculado ao Sistema Financeiro da Habitação. 4. A jurisprudência do STJ é no sentido da possibilidade da cobrança do Coeficiente de Equiparação Salarial - CES, quando houver previsão contratual. 5. No tocante à repetição de eventual indébito, esta eg. Corte tem jurisprudência pacífica no sentido de seu cabimento na forma simples, pois a devolução em dobro dos valores eventualmente pagos a maior pelo consumidor somente é possível quando demonstrada a má-fé do credor. 6. Agravo regimental a que se nega provimento.(AgRg no AREsp n. 573.065/RS, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 1/10/2015, DJe de 21/10/2015, g.n.) AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL - COEFICIENTE DE EQUIPARAÇÃO SALARIAL - SENTENÇA E ACÓRDÃO OMISSOS QUANTO À PACTUAÇÃO OU NÃO DO ÍNDICE - INCIDÊNCIA, NA HIPÓTESE, DAS SÚMULAS 05 E 07 DO STJ. INCONFORMISMO DOS MUTUÁRIOS. 1. Com relação ao Coeficiente de Equiparação Salarial - CES, esta Corte Superior firmou entendimento no sentido de que a sua cobrança é possível, desde que haja previsão contratual. Na hipótese, todavia, ante a ausência , seria necessária a interpretação de cláusulas contratuais a fim de verificar sua contratação, providência vedada em sede especial, a teor das Súmulas 05 e 07 do STJ. 2. Agravo regimental desprovido.(AgRg no REsp n. 1.462.971/RS, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 17/9/2015, DJe de 28/9/2015, g.n.) Assim, verifica-se que o entendimento emanado pelo Tribunal de origem se encontra em consonância com a jurisprudência desta Corte Superior, razão pela qual não há que se falar em reforma do v. acórdão recorrido. 2. Do exposto, com amparo no artigo 932 do NCPC c/c a súmula 568/STJ, nego provimento ao recurso especial. Por fim, não havendo fixação de honorários sucumbenciais pelas instâncias ordinárias, inaplicável a majoração prevista no art. 85, § 11, do NCPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA