AREsp 2795957 - DECISAO
O Tribunal concluiu que não houve omissão ou negativa de prestação jurisdicional, pois o voto vencedor enfrentou de forma adequada as provas e os pontos centrais da controvérsia, reconhecendo a existência de contrato de exclusividade, a atuação determinante da Imobiliária Pauletto na aproximação das partes, a...
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- Parties
- Agravante: Ovande Estácio Pereira; Agravante: Shizuko Doki Pereira; Agravada: Pauletto Pereira Construtora e Incorporadora Ltda.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 December 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Final Negado Provimento Ao Agravo
- Outcome
- Nego provimento ao agravo
- Legal Topics
- Comissão De Corretagem Imobiliária, Intermediação De Transação Imobiliária, Admissibilidade De Recurso Especial, Omissão/omissão De Fundamentação (arts. 489 E 1.022 Do Cpc), Contrato De Exclusividade, Art. 727 Do Código Civil
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Parties
Ovande Estácio Pereira
Agravante
Shizuko Doki Pereira
Agravante
Pauletto Pereira Construtora e Incorporadora Ltda.
Agravada
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Final Negado Provimento Ao Agravo
Legal Issues
- 1 Existência de omissão no acórdão quanto à apreciação de provas (arts. 489, §1º, IV e 1.022, II, do CPC)
- 2 Direito da imobiliária à comissão de corretagem por intermediação decisiva
- 3 Efeito de nova autorização exclusiva sobre o contrato inicial
Ratio Decidendi
O Tribunal concluiu que não houve omissão ou negativa de prestação jurisdicional, pois o voto vencedor enfrentou de forma adequada as provas e os pontos centrais da controvérsia, reconhecendo a existência de contrato de exclusividade, a atuação determinante da Imobiliária Pauletto na aproximação das partes, a eficácia do contrato inicial não sendo suprimida por nova autorização e a prevalência do percentual de 10%, sustentando a decisão com base no art. 727 do Código Civil; por isso negou provimento ao agravo.
Court Disposition
Nego provimento ao agravo
Orders
- Nego provimento ao agravo.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por Ovande Estácio Pereira e Shizuko Doki Pereira, com fundamento no art. 105, III, alínea "a", da Constituição Federal, contra decisão que não admitiu o recurso especial interposto contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJPR), que, em ação de cobrança ajuizada por Pauletto Pereira Construtora e Incorporadora Ltda., manteve a decisão que julgou procedente o pedido inicial, reconhecendo o direito da autora ao recebimento de comissão de corretagem imobiliária, nos termos da seguinte ementa: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE COBRANÇA DE COMISSÃO POR INTERMEDIAÇÃO DE TRANSAÇÃO IMOBILIÁRIA. SENTENÇA DE PARCIAL PROCEDÊNCIA. IRRESIGNAÇÃO DA PARTE RÉ. 1. COMISSÃO DE CORRETAGEM IMOBILIÁRIA. CORRETAGEM AJUSTADA COM EXCLUSIVIDADE. DEMONSTRAÇÃO DA INTERMEDIAÇÃO OCORRIDA PELA AUTORA. COMISSÃO DEVIDA. 2. PLEITO DE RECONHECIMENTO DE ILEGITIMIDADE EM RAZÃO DO PAGAMENTO JÁ REALIZADO A TERCEIRO. NÃO ACOLHIMENTO. DOCUMENTAÇÃO ENCARTADA AO PROCESSO QUE DEMONSTRA QUE A INTERMEDIAÇÃO OCORREU POR PREPOSTA DA PARTE AUTORA. 3. PLEITO DE REDUÇÃO DO PERCENTUAL FIXADO PELO JUÍZO DE ORIGEM. NÃO ACOLHIMENTO. PEDIDO QUE CONTRARIA A PROVA PRODUZIDA NO PROCESSO. 4. SENTENÇA MANTIDA, COM FIXAÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS RECURSAIS (CPC, ART. 85, §11º). RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO. Alegam os recorrentes, em síntese, que o acórdão recorrido violou os arts. 489, §1º, IV, e 1.022, II, do CPC, porquanto não houve enfrentamento de argumentos capazes de infirmar a conclusão adotada pelo Tribunal de origem. Contrarrazões ao agravo em recurso especial às fls. 1375/1377. Assim delimitada a controvérsia, passo a decidir. Quanto à suposta violação aos arts. 489, §1º, IV, e 1.022, II, do CPC, os agravantes sustentam que o Tribunal de origem deixou de apreciar provas essenciais que demonstram que a recorrida não desempenhou atos efetivos de intermediação no negócio imobiliário, sendo incontroverso que sua participação se limitou à apresentação das partes envolvidas. Argumentam, também, que as provas sobre as quais o voto vencedor do acórdão se baseou são contraditórias e superadas por e-mails e depoimentos que confirmam a inexistência de atuação substancial da construtora no fechamento do negócio, elementos reconhecidos no voto divergente. Da análise dos autos, entendo que não assiste razão aos agravantes. No caso, a questão relativa ao direito da autora (Imobiliária Pauletto) à comissão de corretagem foi devidamente enfrentada pelo Tribunal de origem, que emitiu pronunciamento de forma fundamentada sobre o assunto, ainda que em sentido contrário à pretensão dos agravantes. Apesar das conclusões divergentes entre o voto vencido e o voto vencedor, é importante destacar que o voto vencedor (fls. 1262/1269), proferido pela Desembargadora Luciana Carneiro de Lara, enfrentou de maneira adequada as provas apresentadas nos autos. Ainda que não tenha refutado ponto a ponto as alegações trazidas pelo voto vencido (fls. 1270/1275) do Desembargador Domingos José Perfetto, o voto vencedor analisou os aspectos centrais da controvérsia, apresentando fundamentos sólidos para reconhecer o direito da Imobiliária Pauletto à comissão de corretagem. O TJPR, a partir do voto vencedor, enfrentou de forma detalhada os aspectos centrais da controvérsia, reafirmando a existência do contrato original com exclusividade firmado pela Imobiliária Pauletto e reconhecendo o papel determinante da imobiliária na aproximação das partes e no desenvolvimento das negociações. Além disso, analisou a implicação da nova autorização exclusiva para Elisabeth Bernardo Boheme, concluindo que esta não extinguia os efeitos do contrato inicial. O voto também abordou a divergência sobre o percentual da comissão, defendendo a prevalência do percentual de 10% pactuado no contrato original, e rechaçou a tese de ilegitimidade passiva, destacando que o pagamento integral a Elisabeth não afastava o direito da imobiliária prejudicada. Por fim, fundamentou sua decisão com base no artigo 727 do Código Civil, que assegura o pagamento de comissão quando o trabalho do corretor é determinante, mesmo após o término do prazo contratual. Conforme já assentado por este Superior Tribunal de Justiça, e relembrado pelo TJPR no juízo de admissibilidade do recurso especial, "(..) não se deve confundir aos interesses da parte com decisão contrária" (REsp n. 989.214/PR, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, ausência de prestação jurisdicional, julgado em 3/5/2018, D Je de 11/5/2018.). Sendo assim, não há que se falar em omissão no tocante a esses pontos, nem, portanto, em violação ao art. 1.022 do CPC. Em face do exposto, nego provimento ao agravo. Intimem-se. EMENTA