AREsp 2444955 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, conheceu-se parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, negou-se provimento ao recurso especial, por entender que o acórdão recorrido apresentou fundamentação suficiente; que o PPP constitui prova adequada sem elementos nos autos a desconstituí-lo; que a perícia por similaridade é...
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- Parties
- Agravante: PEDRO HENRIQUE SENA LOYOLA; Recorrido: TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 October 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Admissibilidade E Conhecimento Pelo Superior Tribunal De Justiça
- Outcome
- Conheço do agravo para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento.
- Legal Topics
- Comprovação De Atividade Especial, Perícia Técnica, PPP, Perícia Por Similaridade, Prequestionamento, Omissão/negativa De Prestação Jurisdicional, Cerceamento De Defesa
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Parties
PEDRO HENRIQUE SENA LOYOLA
Agravante
TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO
Recorrido
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Admissibilidade E Conhecimento Pelo Superior Tribunal De Justiça
Legal Issues
- 1 Comprovação de atividade especial por meio do Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP)
- 2 Cabimento de perícia técnica in loco
- 3 Admissibilidade da perícia por similaridade quando empresa encerrou atividades
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, conheceu-se parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, negou-se provimento ao recurso especial, por entender que o acórdão recorrido apresentou fundamentação suficiente; que o PPP constitui prova adequada sem elementos nos autos a desconstituí-lo; que a perícia por similaridade é cabível apenas para empresas comprovadamente baixadas (e, no caso, foi admitida para algumas empresas), não havendo omissão que justifique a nulidade apontada; e que a análise de provas é vedada no recurso especial nos termos da Súmula 7, além de faltar prequestionamento sobre parte das matérias impugnadas.
Court Disposition
Conheço do agravo para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento.
Orders
- Conheço do agravo
- Conhecer parcialmente do recurso especial
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por PEDRO HENRIQUE SENA LOYOLA contra decisão do TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO, o qual não admitiu recurso especial fundado nas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional e desafia acórdão assim ementado (e-STJ fl. 158): PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. COMPROVAÇÃO DE ATIVIDADE ESPECIAL. O PPP É O DOCUMENTO APTO À COMPROVAÇÃO DAS CONDIÇÕES LABORAIS. PERÍCIA TÉCNICA IN LOCO. NECESSÁRIA A COMPROVAÇÃO DE DILIGÊNCIA DA PARTE. PERICIA POR SIMILARIDADE. EMPRESA COMPROVADAMENTE BAIXADA. POSSIBILIDADE. - O atual art. 1.015 do NCPC relacionou as hipóteses passíveis de recurso por meio deste instrumento - não estando as matérias relacionadas à instrução do feito e produção de provas relacionadas no indigitado dispositivo legal. -Excepcionalmente, verificando-se no caso concreto, que a decisão impugnada tenha o efetivo condão de cercear o direito da parte, de modo a evidenciar grave prejuízo à própria instrução do feito e prejudicar o conhecimento do mérito, tem a prerrogativa de determinar a realização a produção ou complementação da prova, a teor do julgamento proferido em Recurso Especial Representativo de Controvérsia(REsp 1704520/MT). - O PPP é o documento apropriado a comprovar a quais agentes agressores o empregado foi exposto e, na hipótese de entender que as informações constantes no PPP não refletiram a realidade do ambiente de trabalho, deverá, anteriormente ao ajuizamento da demanda previdenciária, questionar tais incorreções perante à Justiça do Trabalho, a fim de sanar eventual equívoco no preenchimento do formulário. - Trata-se de encargo da parte autora trazer aos autos toda a documentação e provas que dão suporte ao seu pleito, não cabendo ao judiciário por ela diligenciar. - A perícia indireta ou por similaridade, é admitida nos casos em que a empresa, comprovadamente, encerrou suas atividades e, não há outro meio para a demonstração da especialidade do labor, o que in casu, ocorre em relação às empresas Din Comércio e Indústria de Mancais e Rolamentos Ltda.; Comercial Terraplanagem e Dragagem de Areia Codra Ltda.; BBB Máquinas de Costura Industriais Ltda. e Rimo Indústria e Comércio Ltda. - Agravo de instrumento parcialmente provido. Prejudicado o agravo interno. Embargos de declaração rejeitados (e-STJ fls. 187/200). No recurso especial obstaculizado, a parte recorrente apontou violação dos arts. 489, § 1º, IV e 1.022, I e II, do CPC/2015, aduzindo, preliminarmente, a nulidade do julgado por ausência de fundamentação e por negativa de prestação jurisdicional em relação às teses suscitadas i) da imprescindível análise adequada das provas, com as consequências jurídicas pertinentes; e ii) do reconhecimento de que a Justiça Federal, no âmbito da esfera previdenciária, possui condições e o dever de buscar a realidade fática do labor do recorrente, através de perícia técnica, em respeito ao princípio da primazia da realidade e da celeridade processual. Sustenta também, além de dissídio pretoriano, ofensa aos arts. 6º, 10, 369 e 373 do CPC/20156 e ao princípio da cooperação, sob o fundamento de que houve cerceamento de defesa ante o indeferimento de produção de perícia técnica, pois os PPP"s emitidos pelas empresas não demonstram a realidade em que o autor laborou. Afirmou ainda, que tentou diligência para obtenção de retificação dos formulários juntos às empresas, sem sucesso. No mérito, alega contrariedade ao art. 1.013 do CPC/2015, argumentando que houve julgamento infra petita, tendo em vista que o julgamento de apelação não analisou todas as matérias impugnadas, além de valorado a prova de forma equivocada. Sem contrarrazões (e-STJ fl. 230). O apelo nobre recebeu juízo negativo de admissibilidade pelo Tribunal de origem, tendo sido os fundamentos da aludida decisão atacados no recurso ora em exame. Passo a decidir. De início, em relação à alegada negativa de prestação jurisdicional, cumpre destacar que, ainda que o recorrente considere insubsistente ou incorreta a fundamentação utilizada pelo Tribunal nos julgamentos realizados, não há necessariamente ausência de manifestação. Não há como confundir o resultado desfavorável ao litigante com a falta de fundamentação, motivo pelo qual não se constata violação dos preceitos apontados. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. 1. O acórdão recorrido abordou, de forma fundamentada, todos os pontos essenciais para o deslinde da controvérsia, razão pela qual não há falar na suscitada ocorrência de violação do art. 1.022 do CPC. 2. Nos termos da jurisprudência do STJ, "não se pode confundir decisão contrária ao interesse da parte com ausência de fundamentação ou negativa de prestação jurisdicional" (AgInt no AREsp n. 1.907.401/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 29/8/2022). Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp n. 1.416.310/SP, Relator Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 28/11/2022, DJe de 30/11/2022.) No caso, o Tribunal a quo decidiu integralmente a controvérsia, nos seguintes termos (e-STJ fls. 163/164): Excepcionalmente, verificando-se no caso concreto, que a decisão impugnada tenha o efetivo condão de cercear o direito da parte, de modo a evidenciar grave prejuízo à própria instrução do feito e prejudicar o conhecimento do mérito, tem a prerrogativa de determinar a realização a produção ou complementação da prova, a teor do julgamento proferido em Recurso Especial Representativo de Controvérsia (R Esp 1704520/MT). Inicialmente, requer o agravante a rea lização de perícia técnica in loco nas empresas Logística Ambiental de São Paulo S. A Loga; - Inova Gestão de Serviços Urbanos S. A. e - Mira OTM Transportes Ltda, onde laborou, todavia, segundo o próprio agravante informa, já foram fornecidos os formulários PPP(s) (ID 44882508), consoante se verifica nos autos originários, inexistindo qualquer elemento apto a desconstituir as informações neles prestadas e exsurgir controvérsia em Juízo apta a ser dirimida por expert. Neste sentido, destaco que o PPP é o documento apropriado a comprovar a quais agentes agressores o empregado foi exposto e, na hipótese de entender que as informações constantes no formulário PPP não refletiram a realidade do ambiente de trabalho, deverá, anteriormente ao ajuizamento da demanda previdenciária, questionar tais incorreções perante a Justiça do Trabalho, a fim de sanar eventual equívoco no preenchimento do formulário. No mais, ressalto que é encargo da parte autora trazer aos autos toda a documentação e provas que dão suporte ao seu pleito, não cabendo ao judiciário por ela diligenciar. Noutro giro, ressalto que a realização da perícia indireta ou por similaridade é admitida nos casos em que a empresa, comprovadamente, encerrou suas atividades e não há outro meio para a demonstração da especialidade do labor, não podendo o empregado sofrer as penalidades pela inatividade do seu local de trabalho. In casu, denota-se que empresas Din Comércio e Indústria de Mancais e Rolamentos Ltda.; Comercial Terraplanagem e Dragagem de Areia Codra Ltda.; BBB Máquinas de Costura Industriais Ltda. e Rimo Indústria e Comércio Ltda., encontram-se baixadas conforme comprovam os documentos ID 44882506, 44882248 e 44882306 dos autos principais, impossibilitando assim, a obtenção da documentação necessária à comprovação da especialidade do labor, destarte, de se entender cabível a perícia por similaridade, conforme requerido. Todavia, destaco que no tocante à empresa Paulitec Construções Ltda., verifica-se encontrar-se ativa, tendo inclusive fornecido PPP (ID 44882506 fls. 04/06 dos autos principais), bem como em relação às empresas Transportes Venâncio Aires Ltda. e Mecânica Gedel Ltda. encontram-se inaptas por omissão de declarações (ID 44882506 fls. 08 e 11), porém neste aspecto, não havendo nos autosativas; comprovação de as empreses em questão encontrarem-se inativas/baixadas, a ensejar a perícia por similaridade. Assim, entendo cabível a produção da prova pericial por similaridade em relação às empresas Din Comércio e Indústria de Mancais e Rolamentos Ltda.; Comercial Terraplanagem e Dragagem de Areia Codra Ltda.; BBB Máquinas de Costura Industriais Ltda. e Rimo Indústria e Comércio Ltda. Dessa forma, quanto ao alegado cerceamento de defesa, verifica-se que o Tribunal de origem decidiu a questão ora ventilada com base na realidade delineada à luz do suporte fático-probatório dos autos, cuja revisão é inviável no âmbito do recurso especial diante do óbice estampado na Súmula 7 do STJ. No que toca à alegação de contrariedade ao art. 1.013 do CPC/201, registre-se que o presente apelo nobre carece do requisito constitucional do prequestionamento. Conquanto não seja exigida a menção expressa ao dispositivo de lei federal, a admissibilidade do recurso na instância excepcional pressupõe que a Corte de origem tenha se manifestado sobre a tese jurídica apontada pelo recorrente. Esse é o entendimento pretoriano consagrado na edição das Súmulas 282 e 356 do STF, respectivamente: É inadmissível o recurso extraordinário, quando não ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada. O ponto omisso da decisão, sobre o qual não foram opostos embargos declaratórios, não pode ser objeto de recurso extraordinário, por faltar o requisito do prequestionamento. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DECLARATÓRIOS NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PAGAMENTO VIA COMPENSAÇÃO. ACÓRDÃO RECORRIDO BASEADO EM NORMA CONSTITUCIONAL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO DO ART. 170 DO CTN. SÚMULA 282 DO STF. INVIABILIDADE DO APELO NOBRE. AUSÊNCIA DOS VÍCIOS DO ART. 1.022 DO CPC/2015. EMBARGOS REJEITADOS. 1. Os Embargos de Declaração destinam-se a suprir omissão, esclarecer obscuridade ou eliminar contradição existente no julgado ou corrigir erro material. 2. No caso em apreço o aresto embargado consignou que a instância de origem reconheceu a inconstitucionalidade de normas infralegais do Estado do Paraná - e, por conseguinte, a legitimidade do pagamento mediante compensação entre créditos e débitos, conforme pretensão da parte ora recorrida -, a partir de exegese do art. 78, § 2o. do ADCT. 3. A ausência de prequestionamento de tese envolvendo lei federal inviabiliza a análise meritória da insurgência, nos termos da Súmula 282 do STF. 4. O reexame de matéria analisada pela instância de origem a partir de prisma exclusivamente constitucional não pode ter vez no âmbito do Apelo Nobre, que se destina à preservação da lei federal e do tratado. 5. Embargos de Declaração rejeitados. (EDcl no AgRg no AgRg no REsp 1104181/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/06/2016, DJe 29/06/2016) Ante o exposto, com base no art. 253, parágrafo único, II, "a" e "b", do RISTJ, CONHEÇO do agravo para CONHECER PARCIALMENTE do recurso especial e, nessa extensão, NEGAR-LHE PROVIMENTO. Sem arbitramento de honorários recursais, pois o recurso especial se origina de agravo de instrumento. Publique-se. Intimem-se. EMENTA