AREsp 2671941 - ACORDAO
O agravo interno foi improvido porque o Tribunal de origem analisou a controvérsia com base em fatos e prova pericial, de modo que eventual decisão diversa exigiria reexame fático-probatório, vedado pela Súmula 7/STJ; além disso, não foi demonstrado o dissídio jurisprudencial nos termos do art. 1.029 do CPC/2015 e...
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- Parties
- Agravante: BRASIF; Agravado: Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia - CREA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 17 February 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno Em Recurso Especial / Julgamento Virtual Colegiado (segunda Turma)
- Outcome
- Agravo interno improvido; manutenção da decisão que não conheceu do recurso especial
- Legal Topics
- Conselho Regional De Engenharia, Arquitetura E Agronomia CREA, Registro Profissional, Exigibilidade De Conhecimentos Específicos De Engenharia, Reexame Fático Probatório, Dissídio Jurisprudencial, Súmulas 7, 83 E 211/stj
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Parties
BRASIF
Agravante
Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia - CREA
Agravado
Procedural Posture
Agravo Interno Em Recurso Especial / Julgamento Virtual Colegiado (segunda Turma)
Legal Issues
- 1 Obrigatoriedade de inscrição de empresa perante o CREA em razão das atividades exercidas
- 2 Possibilidade de reexame fático-probatório em recurso especial
- 3 Caracterização do dissídio jurisprudencial para viabilizar recurso especial
Ratio Decidendi
O agravo interno foi improvido porque o Tribunal de origem analisou a controvérsia com base em fatos e prova pericial, de modo que eventual decisão diversa exigiria reexame fático-probatório, vedado pela Súmula 7/STJ; além disso, não foi demonstrado o dissídio jurisprudencial nos termos do art. 1.029 do CPC/2015 e art. 255 do RISTJ, e a decisão recorrida está em consonância com a jurisprudência desta Corte (Súmula 83/STJ).
Court Disposition
Agravo interno improvido; manutenção da decisão que não conheceu do recurso especial
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
- Manter a decisão recorrida que não conheceu do recurso especial
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 06/02/2025 a 12/02/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Maria Thereza de Assis Moura, Marco Aurélio Bellizze, Teodoro Silva Santos e Afrânio Vilela votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Afrânio Vilela. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. CONSELHO REGIONAL DE ENGENHARIA, ARQUITETURA E AGRONOMIA - CREA. EXIGIBILIDADE DE CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS DE ENGENHARIA PARA A ATIVIDADE EXERCIDA. INSCRIÇÃO. NECESSIDADE. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. DIVERGÊMCOA NÃO COMPROVADA. ACÓRDÃO NA ORIGEM EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS N. 7, 83 e 211/STJ. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. I - Na origem, trata-se de ação de cancelamento de multa administrativa, e de obrigação de fazer. Na sentença, julgou-se improcedente o pedido. No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. II - Quanto à matéria de fundo, verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". III - O dissídio jurisprudencial viabilizador do recurso especial pela alínea c do permissivo constitucional não foi demonstrado nos moldes legais, pois, além da ausência do cotejo analítico e de não ter apontado qual dispositivo legal recebeu tratamento diverso na jurisprudência pátria, não ficou evidenciada a similitude fática e jurídica entre os casos colacionados que teriam recebido interpretação divergente pela jurisprudência pátria. Ressalte-se ainda que a incidência do enunciado n. 7, quanto à interposição pela alínea a, impede o conhecimento da divergência jurisprudencial, diante da patente impossibilidade de similitude fática entre acórdãos. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.044.194/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 19/10/2017, DJe 27/10/2017. IV - Para a caracterização da divergência, nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e do art. 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ, exige-se, além da transcrição de acórdãos tidos por discordantes, a indicação de dispositivo legal supostamente violado, a realização do cotejo analítico do dissídio jurisprudencial invocado, com a necessária demonstração de similitude fática entre o aresto impugnado e os acórdãos paradigmas, assim como a presença de soluções jurídicas diversas para a situação, sendo insuficiente, para tanto, a simples transcrição de ementas, como no caso. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.235.867/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 17/5/2018, DJe 24/5/2018; AgInt no AREsp 1.109.608/SP, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 13/3/2018, DJe 19/3/2018; REsp 1.717.512/AL, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 17/4/2018, DJe 23/5/2018. V - Ademais, verifica-se que o Tribunal de origem decidiu a matéria em conformidade com a jurisprudência desta Corte. Incide, portanto, o disposto no enunciado n. 83 da Súmula do STJ, segundo o qual: "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida." VI - Agravo interno improvido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto contra decisão que não conheceu do recurso especial fundamentado no art. 105, III, a e c, da Constituição Federal. Na origem, cuida-se de ação de cancelamento de multa administrativa, e de obrigação de fazer. Na sentença, julgou-se improcedente o pedido. No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. O valor da causa foi fixado em R$ 2.191,91 (dois mil, cento e noventa e um reais e noventa e um centavos). O recurso especial foi interposto no Tribunal Regional Federal da 3ª Região contra acórdão com o seguinte resumo de ementa: ADMINISTRATIVO. CONSELHO REGIONAL DE ENGENHARIA, ARQUITETURA E AGRONOMIA - CREA. EXIGIBILIDADE DE CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS DE ENGENHARIA PARA A ATIVIDADE EXERCIDA. INSCRIÇÃO. NECESSIDADE. - Cinge-se a controvérsia acerca da exigibilidade da inscrição perante o CREA -CONSELHO REGIONAL DE ENGENHARIA, ARQUITETURA E AGRONOMIA.- A legislação (Lei nº 6839/80) responsável pelo registro de empresas nas entidades fiscalizadoras o exercício de profissões, dispõe, em seu artigo 1º, que o registro será obrigatório nas respectivas entidades competentes para a fiscalização do exercício das diversas profissões, em razão da atividade básica ou em relação àquela pela qual prestem serviços a terceiros.- A Lei n.º 5.194/66, que regula o exercício das profissões de Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos, elenca em seu artigo 1º as atividades de competência privativa desses profissionais.- A atividade básica da empresa consiste em: "aluguel de outras máquinas e equipamentos comerciais e industriais não especificados anteriormente, sem operador, exceto andaimes" (id 276057069).- O contrato social estabelece como objetos sociais "(i) a locação de bens móveis, em geral e, em particular, de máquinas pesadas (tratores, escavadeiras, empilhadeiras, pás-carregadeiras, plataformas, geradores, telehanders e similares), como ou sem disponibilização de operadores; (ii) a importação, para seu ativo fixo, de máquinas pesadas (tratores, escavadeiras, empilhadeiras, pás-carregadeiras, plataformas, geradores, telehanders e similares); (iii) a importação e comercialização de autopeças, pneus, lubrificantes e similares de máquinas pesadas (tratores, escavadeiras, empilhadeiras, pás carregadeiras, plataformas, geradores, telehanders e similares),inclusive para a renovação e descarte de material de uso e consumo ou obsoleto; e (iv)a prestação de serviços de assistência técnica para manutenção e reparo, inclusive mediante cessão de mão-de-obra, dos referidos bens móveis locados, bem como de equipamentos de terceiro".- Nos termos da jurisprudência deste Egrégio Tribunal Regional Federal, a Perícia Judicial é meio de prova imparcial, produzido sob o crivo do contraditório, elaborado por auxiliar da Justiça, cuja presunção de veracidade somente pode ser ilidida por prova robusta que aponte a ausência de rigor técnico em sua elaboração. - O laudo pericial judicial concluiu que: " - A unidade visitada da Empresa BRASIF presta serviços de manutenção preventiva e corretiva em empilhadeiras a combustão e elétricas, tratores, escavadeiras e similares, além do fornecimento de peças de reposição. - Durante vistoria foi observado que as atividades realizadas pela autora se enquadram na Lei nº 5.194/66, e nota-se que o Art. 1º apresenta atividades que estabelecem relação "core business" da Autora.- Inobstante o perito tenha analisado questões acerca do cumprimento de normas de segurança do trabalho, matéria não discutida nos autos, concluiu que algumas das atividades desenvolvidas pela empresa-autora estão contempladas no rol daquelas sujeitas à fiscalização do CREA.- As atividades relacionadas à prestação de serviços de manutenção e reparo no maquinário locado e comercializado pela empresa-autora são de alta complexidade e necessitam que os colaboradores sejam treinados e supervisionados por Engenheiro(Mecânico ou Mecânico de Produção).- A parte autora não apresentou argumentos suficientes a comprovar a incorreção das conclusões adotadas pelo i. Perito Judicial, deve ser confirmada a fundamentação da r. sentença, de modo que exigível o registro da empresa perante o réu. - A título de honorários recursais, a verba honorária fixada na sentença, deve ser majorada do valor equivalente a 1% (um por cento) do seu total.- Apelação não provida. Após interposição de agravo em recurso especial, vieram os autos ao Superior Tribunal de Justiça. A decisão recorrida tem o seguinte dispositivo: "Ante o exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, II, a, do Regimento Interno do STJ, conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo, e não conheço do recurso especial." No agravo interno, a parte recorrente traz, resumidamente, os seguintes argumentos: Todavia, data vênia, tal decisão deixou de considerar que da leitura do acórdão recorrido é possível constatar a incorreta aplicação da Lei 5.194/66 e da Lei 6.839/80, tendo em vista que o Tribunal Local entendeu que a Agravante deve se registrar no CREA-SP em virtude de uma de suas atividades secundárias, mencionadas no acórdão, e que não é de competência exclusiva de engenheiros, pois não se enquadra nos conceitos do art. 1º da Lei 5.194/66, nem se encontra listada no art. 7 da mesma Lei. (..) Nos parágrafos seguintes às ementas com destaques relevantes, foram detalhados o objeto e pedidos do caso paradigma (autos 5007236- 54.2020.4.02.5001); o fundamento sustentado pela Brasif nos autos do caso paradigma; as semelhanças entre os casos; o resultado do caso paradigma em 1ª e 2ª instância (TRF2); trecho relevante do voto do Relator do caso paradigma; e a interpretação divergente conferida pelos Tribunais Locais (TRF3 e TRF2) para os mesmos dispositivos legais suscitados no recurso especial. O dissídio com o acórdão do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, proferido nos autos 5007236-54.2020.4.02.5001, foi exposto pormenorizadamente. (..) Por fim, a decisão ora agravada entendeu que incide ao caso em tela a Súmula 83 desta Corte, segundo a qual "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida". Contudo, em recurso especial, a Agravante invocou julgados deste Colendo STJ nos quais evidenciado o entendimento que se busca ser aplicado ao caso concreto, qual seja: "o critério legal para a obrigatoriedade de registro perante os conselhos profissionais, bem como para a contratação de profissional de qualificação específica, é determinado pela atividade básica ou pela natureza dos serviços prestados pela empresa". Não foi apresentada impugnação ao agravo interno. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. CONSELHO REGIONAL DE ENGENHARIA, ARQUITETURA E AGRONOMIA - CREA. EXIGIBILIDADE DE CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS DE ENGENHARIA PARA A ATIVIDADE EXERCIDA. INSCRIÇÃO. NECESSIDADE. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. DIVERGÊMCOA NÃO COMPROVADA. ACÓRDÃO NA ORIGEM EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS N. 7, 83 e 211/STJ. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. I - Na origem, trata-se de ação de cancelamento de multa administrativa, e de obrigação de fazer. Na sentença, julgou-se improcedente o pedido. No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. II - Quanto à matéria de fundo, verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". III - O dissídio jurisprudencial viabilizador do recurso especial pela alínea c do permissivo constitucional não foi demonstrado nos moldes legais, pois, além da ausência do cotejo analítico e de não ter apontado qual dispositivo legal recebeu tratamento diverso na jurisprudência pátria, não ficou evidenciada a similitude fática e jurídica entre os casos colacionados que teriam recebido interpretação divergente pela jurisprudência pátria. Ressalte-se ainda que a incidência do enunciado n. 7, quanto à interposição pela alínea a, impede o conhecimento da divergência jurisprudencial, diante da patente impossibilidade de similitude fática entre acórdãos. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.044.194/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 19/10/2017, DJe 27/10/2017. IV - Para a caracterização da divergência, nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e do art. 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ, exige-se, além da transcrição de acórdãos tidos por discordantes, a indicação de dispositivo legal supostamente violado, a realização do cotejo analítico do dissídio jurisprudencial invocado, com a necessária demonstração de similitude fática entre o aresto impugnado e os acórdãos paradigmas, assim como a presença de soluções jurídicas diversas para a situação, sendo insuficiente, para tanto, a simples transcrição de ementas, como no caso. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.235.867/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 17/5/2018, DJe 24/5/2018; AgInt no AREsp 1.109.608/SP, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 13/3/2018, DJe 19/3/2018; REsp 1.717.512/AL, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 17/4/2018, DJe 23/5/2018. V - Ademais, verifica-se que o Tribunal de origem decidiu a matéria em conformidade com a jurisprudência desta Corte. Incide, portanto, o disposto no enunciado n. 83 da Súmula do STJ, segundo o qual: "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida." VI - Agravo interno improvido. VOTO O agravo interno não merece provimento. A parte agravante repisa os mesmos argumentos já analisados na decisão recorrida. A Corte de origem bem analisou a controvérsia com base nos seguintes fundamentos: Conforme apurado pelo perito, "foram constatados serviços de manutenção e reparo de alta complexidade como desmontagem, reparo ou substituição de redutor, motor e válvula de controle de transmissão, manipulação de baterias (estacionaria e tracionaria) e cilindros de gás, execução de serviços de solda e prensa". Conclui o perito que "Para a realização das atividades faz-se necessário que os colaboradores sejam treinados e supervisionados por Engenheiro (Mecânico ou Mecânico de Produção) e diante da situação observada com a negligencia do SESMT da empresa é imprescindível que este profissional tenha pós graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho - EST" e que "Não foram juntados documentos que comprovem o registro de profissional com qualificação de Engenheiro ou Tecnólogo". Inobstante o perito tenha analisado questões acerca do cumprimento de normas de segurança do trabalho, matéria não discutida nos autos, concluiu que algumas das atividades desenvolvidas pela empresa-autora estão contempladas no rol daquelas sujeitas à fiscalização do CREA. Conforme apurado pelo perito, as atividades relacionadas à prestação de serviços de manutenção e reparo no maquinário locado e comercializado pela empresa-autora são de alta complexidade e necessitam que os colaboradores sejam treinados e supervisionados por Engenheiro (Mecânico ou Mecânico de Produção). Quanto à matéria de fundo, verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". O dissídio jurisprudencial viabilizador do recurso especial pela alínea c do permissivo constitucional não foi demonstrado nos moldes legais, pois, além da ausência do cotejo analítico e de não ter apontado qual dispositivo legal recebeu tratamento diverso na jurisprudência pátria, não ficou evidenciada a similitude fática e jurídica entre os casos colacionados que teriam recebido interpretação divergente pela jurisprudência pátria. Ressalte-se ainda que a incidência do enunciado n. 7, quanto à interposição pela alínea a, impede o conhecimento da divergência jurisprudencial, diante da patente impossibilidade de similitude fática entre acórdãos. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.044.194/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 19/10/2017, DJe 27/10/2017. Para a caracterização da divergência, nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e do art. 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ, exige-se, além da transcrição de acórdãos tidos por discordantes, a indicação de dispositivo legal supostamente violado, a realização do cotejo analítico do dissídio jurisprudencial invocado, com a necessária demonstração de similitude fática entre o aresto impugnado e os acórdãos paradigmas, assim como a presença de soluções jurídicas diversas para a situação, sendo insuficiente, para tanto, a simples transcrição de ementas, como no caso. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.235.867/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 17/5/2018, DJe 24/5/2018; AgInt no AREsp 1.109.608/SP, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 13/3/2018, DJe 19/3/2018; REsp 1.717.512/AL, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 17/4/2018, DJe 23/5/2018. Ademais, verifica-se que o Tribunal de origem decidiu a matéria em conformidade com a jurisprudência desta Corte. Incide, portanto, o disposto no enunciado n. 83 da Súmula do STJ, segundo o qual: "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tr ibunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida." Ante o exposto, não havendo razões para modificar a decisão recorrida, nego provimento ao agravo interno. É o voto.