REsp 1953462 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque a apreciação do alegado aumento e da gestão dos repasses pelo Tesouro Nacional à CDE demanda cotejo de decretos e análise de matéria fático-probatória complexa, hipótese em que incidem os óbices das Súmulas 5 e 7 do STJ; ademais, as destinações dos Decretos foram...
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- Parties
- Recorrente: PRADELLA,PANDOLFI & CIA LTDA; Recorrido: RGE SUL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 26 August 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Recurso Especial Não Conhecido
- Outcome
- Recurso especial não conhecido
- Legal Topics
- Conta De Desenvolvimento Energético, Bandeiras Tarifárias, Legitimidade Ativa E Passiva, Regulamentação Infralegal, Repasse Do Tesouro Nacional
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Parties
PRADELLA,PANDOLFI & CIA LTDA
Recorrente
RGE SUL
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Recurso Especial Não Conhecido
Legal Issues
- 1 Ilegalidade alegada pela ausência de repasse da União à CDE (art. 13, §1º, Lei 10.438/2002)
- 2 Legalidade dos Decretos nº 7.945/2013, 8.203/2014, 8.221/2014 e 8.272/2014
- 3 Legitimidade ativa do consumidor e legitimidade passiva da concessionária
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque a apreciação do alegado aumento e da gestão dos repasses pelo Tesouro Nacional à CDE demanda cotejo de decretos e análise de matéria fático-probatória complexa, hipótese em que incidem os óbices das Súmulas 5 e 7 do STJ; ademais, as destinações dos Decretos foram entendidas como amparadas pela Lei nº 10.438/2002; aplica-se o art. 932, III, do CPC/2015 para não conhecer o recurso.
Court Disposition
Recurso especial não conhecido
Orders
- Recurso especial não conhecido
- Majoração de honorários advocatícios em 15% sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do CPC, observados os limites legais e eventual concessão da gratuidade da justiça
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por PRADELLA,PANDOLFI & CIA LTDA, com fundamento no art. 105, inciso III, alínea "a", da Constituição da República, contra o acórdão prolatado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, assim ementado: ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. LEGITIMIDADE ATIVA EPASSIVA. CONTA DE DESENVOLVIMENTO ENERGÉTICO (CDE). FINALIDADES. LEI 10.438/2002. DECRETOS 7.945/2013,8.203/2014, 8.221/2014 E 8.272/2014. AUSÊNCIA DE ILEGALIDADENA REGULAMENTAÇÃO INFRALEGAL. - A demandante, enquanto consumidora de energia elétrica, estásujeita à exigência e pagamento da CDE. Possui, portanto, legitimidade para questionar a cobrança dos encargos que compõem referida tarifa. - A concessionária de energia elétrica (RGE SUL) detém legitimidade passiva para a presente ação, porquanto, a despeito de não ser a destinatária final dos valores pagos pela autora, é sua a atribuição decobrar o encargo impugnado. Precedentes deste Tribunal. - A destinação dos recursos da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) pelos Decretos nºs 7.945/2013, 8.203/2014, 8.221/2014 e8.272/2014 encontra amparo nos objetivos e finalidades estabelecidos na Leinº 10.438/02, não se cogitando de ilegalidade na regulamentação infralegal. Nas razões do especial, arecorrentedefendeviolação aoart. 13, § 1º, da Lei 10.438/2002. Em síntese, requer seja reconhecida a ilegalidade da ausência de repasse pela União de recursos à CDE, uma vez que o comando legal é imperativo. Pretende, ainda, o reconhecimento da ilegalidade das finalidades criadas pelosDecretos nº 7.945/2013, 8.203/2014, 8.221/2014 e 8.272/2014. Admitido o feito na origem, os autos ascenderam a esta Corte de Justiça. É o relatório. Passo a decidir. Sobre a legalidade dos Decretos, o Tribunal de origem assim se manifestou (e-STJ, fls. 597/598): Da leitura das destinações previstas pelos referidos Decretos, entendo que não se ressentem de ilegalidade, encontrando amparo nas previsões contidas na Lei nº 10.438/2002 ("prover recursos para compensar o efeito da não adesão à prorrogação de concessões de geração de energia elétrica"; "promover a competitividade da energia produzida a partir da fonte carvão mineral nacional nas áreas atendidas pelos sistemas interligados, destinando-se à cobertura do custo de combustível de empreendimentos termelétricos em operação até 6 de fevereiro de 1998, e de usinas enquadradas no § 2o do art. 11 da Lei no 9.648, de 27 de maio de 1998"; "à finalidade de modicidade tarifária"). Ademais, a Lei n. 8.987/1995, ao dispor sobre o regime de concessão e permissão de serviços públicos, estabelece que "Serviço adequado é o que satisfaz as condições de regularidade, continuidade, eficiência, segurança, atualidade, generalidade, cortesia na sua prestação e modicidadedas tarifas" (Art. 6º, § 4º), bem como que "As tarifas poderão ser diferenciadas em função das características técnicas e dos custos específicos provenientes do atendimento aos distintos segmentos de usuários" (Art. 13). Em seu recurso, a parte defende que não é facultado à União optar por realizar ou não o repasse, mas obrigação legal. A teor da jurisprudência do STJ, avaliar a gestão do repasse dos valores pelo Tesouro Nacional à CDE com o fito de constatar o aumento informado, esbarra nos óbices das Súmulas 5 e 7 do STJ, como demonstra o precedente a seguir: ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. BANDEIRAS TARIFÁRIAS. CONTA DE DESENVOLVIMENTO ENERGÉTICO. REPASSES DO TESOURO NACIONAL. HONORÁRIOS. SÚMULAS 5 E 7/STJ. 1. Trata-se, na origem, de Ação Ordinária proposta pela Solida Brasil Madeiras Ltda. contra a Aneel, na qual se insurge a parte recorrente contra a política tarifária dos serviços concedidos de energia elétrica adotada pelo Governo Federal no ano de 2015, quando da criação das Bandeiras Tarifárias, como forma de compensar a escassez das chuvas no período de referência. 2. A sentença julgou a ação procedente, sendo reformada pelo Tribunal na origem. A Segunda Turma não conheceu do Recurso Especial em relação à alegada violação de dispositivos constitucionais e às matérias que demandavam a apreciação de cláusulas contratuais e a análise de resoluções e decretos federais (atos normativos). Entendeu o decisum pela legalidade do sistema de bandeiras tarifárias cobradas dos usuários pelas concessionárias de energia elétrica. 3. A parte embargante pretende suprir invocada omissão quanto ao não enfrentamento da ilegalidade da majoração da Conta de Desenvolvimento Energético, por considerar que a cobrança da bandeira tarifária decorreu, em síntese, do não repasse de valores pelo Tesouro Nacional ao CDE. 4. Avaliar a gestão dos recursos financeiros que são direcionados à Conta de Desenvolvimento Econômico (CDE) demanda o cotejo de decretos da União e a apreciação de complexo material fático e probatório que impedem a apreciação recursal o tema em Recurso Especial, incidindo, no caso, os óbices das Súmulas 5 e 7/STJ. (..). 6. Embargos de Declaração acolhidos sem efeitos infringentes, apenas para suprir a apontada omissão e aperfeiçoar a prestação jurisdicional.(EDcl no REsp 1.752.945/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/02/2019, DJe 18/03/2019) (Grifos nossos). Ante o exposto, com fulcro no art. 932, III, do CPC/2015, não conheço do recurso especial. Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino sua majoração em desfavor da parte recorrente, no importe de 15% sobre o valor já arbitrado, percentual esse justificado pelo tempo decorrido entre a interposição do recurso e julgamento e a complexidade da causa, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil. Os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal devem ser observados, bem como eventual concessão da gratuidade da justiça. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. COBRANÇA DE ADICIONAL DE BANDEIRA TARIFÁRIA. CONTA DE DESENVOLVIMENTO ENERGÉTICO. ILEGALIDADE NA AUSÊNCIA DO REPASSE. SÚMULAS 5 E 7 DO STJ. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO.