REsp 1953483 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque a análise do repasse de valores à CDE e da legalidade das finalidades estabelecidas pelos decretos exigiria reexame de matéria fático-probatória e de atos normativos, providência vedada em Recurso Especial segundo as Súmulas 5 e 7 do STJ; determinou-se, ademais, a...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: FERRAGENS GS INDÚSTRIA DE ACESSÓRIOS EIRELI; Recorrido: ANEEL; Recorrido: UNIÃO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 26 August 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Recurso Especial Não Conhecido
- Outcome
- recurso especial não conhecido
- Legal Topics
- Conta De Desenvolvimento Energético (cde), Bandeiras Tarifárias, Repasse Do Tesouro Nacional, Regulamentação Infralegal, Honorários Advocatícios, Súmulas 5 E 7 Do STJ
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
FERRAGENS GS INDÚSTRIA DE ACESSÓRIOS EIRELI
Recorrente
ANEEL
Recorrido
UNIÃO
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Recurso Especial Não Conhecido
Legal Issues
- 1 ilegalidade na ausência de repasse de recursos pela União à CDE
- 2 legalidade das finalidades criadas pelos Decretos nº 7.945/2013, 8.203/2014, 8.221/2014 e 8.272/2014
- 3 alcance das Súmulas 5 e 7 do STJ quanto ao reexame de matéria fático-probatória
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque a análise do repasse de valores à CDE e da legalidade das finalidades estabelecidas pelos decretos exigiria reexame de matéria fático-probatória e de atos normativos, providência vedada em Recurso Especial segundo as Súmulas 5 e 7 do STJ; determinou-se, ademais, a majoração dos honorários advocatícios em 15% sobre o valor já arbitrado.
Court Disposition
recurso especial não conhecido
Orders
- Majoração dos honorários advocatícios em desfavor da parte recorrente no importe de 15% sobre o valor já arbitrado, observados os §§ 2º e 3º do art. 85 do CPC e eventual concessão de gratuidade da justiça.
- Publique-se; intime-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por FERRAGENS GS INDÚSTRIA DE ACESSÓRIOS EIRELI,com fundamento no art. 105, inciso III, alínea "a", da Constituição da República, contra o acórdão prolatado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, assim ementado: APELAÇÃO. ADMINISTRATIVO. CONTA DE DESENVOLVIMENTOENERGÉTICO (CDE). LEGITIMIDADE PASSIVA DA CONCESSIONÁRIANA DISCUSSÃO REFERENTE À CDE. FINALIDADES DA CDE. LEI10.438/2002. DECRETOS 7.945/2013, 8.203/2014, 8.221/2014 E8.272/2014. AUSÊNCIA DE ILEGALIDADE NA REGULAMENTAÇÃOINFRALEGAL. SENTENÇA REFORMADA. APELAÇÃO DA RGEPARCIALMENTE PROVIDA. APELAÇÕES DA ANEEL E DA UNIÃOPROVIDAS Nas razões do especial, arecorrentedefendeviolação ao art. 13, § 1º, da Lei 10.438/2002. Em síntese, requer seja reconhecida a ilegalidade da ausência de repasse pela União de recursos à CDE, uma vez que o comando legal é imperativo. Pretende, ainda, o reconhecimento da ilegalidade das finalidades criadas pelos Decretos nº 7.945/2013, 8.203/2014, 8.221/2014 e 8.272/2014. Admitido o feito na origem, os autos ascenderam a esta Corte de Justiça. É o relatório. Passo a decidir. Sobre a legalidade dos Decretos, o Tribunal de origem assim se manifestou (e-STJ, fl. 604): Da análise das hipóteses acima transcritas, entendo que não houve ilegalidade por parte da regulamentação infralegal, pois as destinação dos recursos da CDE previstas nos decretos impugnados encontram amparo na lei. O item "a" acima referido, previsto no art. 4º-A, inciso I, do Decreto n. 7.891/2013, encontra amparo na previsão legal contida no inciso VIII do artigo 13 da lei 10.438/02 ("prover recursos para compensar o efeito da nãoa desão à prorrogação de concessões de geração de energia elétrica"). O item "b" acima referido, previsto art. 4º-A, inciso II, do Decreto 7.891/2013, encontra amparo na previsão constante no inciso V do artigo 13da lei 10.438/02 ("promover a competitividade da energia produzida a partir da fonte carvão mineral nacional nas áreas atendidas pelos sistemas interligados,destinando-se à cobertura do custo de combustível de empreendimentos termelétricos em operação até 6 de fevereiro de 1998, e de usina senquadradas no § 2o do art. 11 da Lei no 9.648, de 27 de maio de 1998"). Os demais itens acima referidos ("c", "d", "e", "f" e "g"), encontram amparo no inciso IV do art. 13 da Lei n. 10.438/2002, especialmente no ponto em que tal inciso prevê como objetivo para a CDE o atendimento "à finalidade de modicidade tarifária". Em seu recurso, a parte defende que não é facultado à União optar por realizar ou não o repasse, mas obrigação legal. A teor da jurisprudência do STJ, avaliar a gestão do repasse dos valores pelo Tesouro Nacional à CDE com o fito de constatar o aumento informado, esbarra nos óbices das Súmulas 5 e 7 do STJ, como demonstra o precedente a seguir: ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. BANDEIRAS TARIFÁRIAS. CONTA DE DESENVOLVIMENTO ENERGÉTICO. REPASSES DO TESOURO NACIONAL. HONORÁRIOS. SÚMULAS 5 E 7/STJ. 1. Trata-se, na origem, de Ação Ordinária proposta pela Solida Brasil Madeiras Ltda. contra a Aneel, na qual se insurge a parte recorrente contra a política tarifária dos serviços concedidos de energia elétrica adotada pelo Governo Federal no ano de 2015, quando da criação das Bandeiras Tarifárias, como forma de compensar a escassez das chuvas no período de referência. 2. A sentença julgou a ação procedente, sendo reformada pelo Tribunal na origem. A Segunda Turma não conheceu do Recurso Especial em relação à alegada violação de dispositivos constitucionais e às matérias que demandavam a apreciação de cláusulas contratuais e a análise de resoluções e decretos federais (atos normativos). Entendeu o decisum pela legalidade do sistema de bandeiras tarifárias cobradas dos usuários pelas concessionárias de energia elétrica. 3. A parte embargante pretende suprir invocada omissão quanto ao não enfrentamento da ilegalidade da majoração da Conta de Desenvolvimento Energético, por considerar que a cobrança da bandeira tarifária decorreu, em síntese, do não repasse de valores pelo Tesouro Nacional ao CDE. 4. Avaliar a gestão dos recursos financeiros que são direcionados à Conta de Desenvolvimento Econômico (CDE) demanda o cotejo de decretos da União e a apreciação de complexo material fático e probatório que impedem a apreciação recursal o tema em Recurso Especial, incidindo, no caso, os óbices das Súmulas 5 e 7/STJ. (..). 6. Embargos de Declaração acolhidos sem efeitos infringentes, apenas para suprir a apontada omissão e aperfeiçoar a prestação jurisdicional.(EDcl no REsp 1.752.945/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/02/2019, DJe 18/03/2019) (Grifos nossos). Ante o exposto, com fulcro no art. 932, III, do CPC/2015, não conheço do recurso especial. Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino sua majoração em desfavor da parte recorrente, no importe de 15% sobre o valor já arbitrado, percentual esse justificado pelo tempo decorrido entre a interposição do recurso e julgamento e a complexidade da causa, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil. Os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal devem ser observados, bem como eventual concessão da gratuidade da justiça. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. COBRANÇA DE ADICIONAL DE BANDEIRA TARIFÁRIA. CONTA DE DESENVOLVIMENTO ENERGÉTICO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. ILEGALIDADE NA AUSÊNCIA DO REPASSE. SÚMULAS 5 E 7 DO STJ. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO.