AREsp 2911997 - DECISAO
Conheceu-se do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negou-se provimento porque a recorrente não opôs embargos de declaração na instância de origem para suprir eventual omissão (ausência de interesse recursal) e porque a impetração visa impugnar atos normativos de efeitos concretos...
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- Parties
- Agravante/recorrente: LATICÍNIOS LATCO LTDA. - EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL E FILIAL(IS)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 12 November 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento E Desprovimento Parcial
- Outcome
- Agravo conhecido para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negado provimento
- Legal Topics
- Conta De Desenvolvimento Energético (cde), Mandado De Segurança Preventivo, Prazo Decadencial, Ato Normativo De Efeitos Concretos, Art. 1.022 Do CPC
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Parties
LATICÍNIOS LATCO LTDA. - EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL E FILIAL(IS)
Agravante/recorrente
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento E Desprovimento Parcial
Legal Issues
- 1 Aplicabilidade do prazo decadencial de 120 dias do art. 23 da Lei 12.016/2009 ao mandado de segurança preventivo
- 2 Obrigação de oposição de embargos de declaração para suprir omissão (art. 1.022 CPC) e consequente interesse recursal
- 3 Termo inicial do prazo decadencial em face de atos normativos com efeitos concretos
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negou-se provimento porque a recorrente não opôs embargos de declaração na instância de origem para suprir eventual omissão (ausência de interesse recursal) e porque a impetração visa impugnar atos normativos de efeitos concretos (Decretos indicados), de modo que o prazo decadencial de 120 dias começou com a publicação das normas, determinando a extinção do feito por decadência.
Court Disposition
Agravo conhecido para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negado provimento
Orders
- Conheço do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento.
- Publique-se.
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo apresentado por LATICÍNIOS LATCO LTDA. - EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL E FILIAL(IS) para impugnar decisão que não admitiu seu recurso especial, interposto com fundamento no art. 105, inciso III, alínea a, da Constituição Federal, contra o acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região assim ementado (e-STJ, fl. 641): ADMINISTRATIVO. MANDADO DE SEGURANÇA. CDE (CONTA DE DESENVOLVIMENTO ENERGÉTICO). DECRETOS 7.945/2013, 8.203/2014, 8.221/2014 E 8.272/2014. AJUIZAMENTO APÓS 120 DIAS DA CIÊNCIA DO ATO. DECADÊNCIA. 1. Nos termos da Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, em se tratando de impugnação a ato normativo com efeitos concretos, o termo inicial do prazo decadencial para a impetração do mandado de segurança coincide com a publicação da norma, que consubstancia ato único, com efeitos permanentes. 2. Passados mais de 120 dias entre a data da ciência do ato impugnado e a do ajuizamento da ação, reconhece-se a decadência do direito de impetrar mandado de segurança. Nas razões do recurso especial (e-STJ, fls. 660-684), a parte recorrente alegou contrariedade ao art. 489, § 1º, VI, do Código de Processo Civil, por negativa de prestação jurisdicional, uma vez que o Tribunal de origem teria deixado de enfrentar a jurisprudência sobre a inaplicabilidade do art. 23 da Lei 12.016/2009 ao mandado de segurança preventivo. Sustentou, ainda, violação ao art. 23 da Lei 12.016/2009, afirmando que não se aplica o prazo decadencial de 120 (cento e vinte) dias ao mandado de segurança preventivo, pois o ato lesivo não se consumou, e o objeto do writ é impedir futuras cobranças do encargo CDE nas faturas vincendas. Contrarrazões apresentadas (e-STJ, fls. 936-945 e 949-967) O recurso não foi admitido, razão pela qual foi interposto o agravo ora examinado (e-STJ, fls. 1.013). Parecer do Ministério Público Federal apresentado (e-STJ, fls. 1.093-1.096 ). Brevemente relatado, decido. A respeito da alegação de violação do art. 1.022 do CPC, por negativa de prestação jurisdicional, o recurso especial não merece conhecimento. Falta interesse recursal no reconhecimento da referida ofensa, tendo em vista que a recorrente não opôs embargos de declaração perante a Corte de origem com a finalidade de suprir eventual omissão contida no acórdão que julgou o recurso de apelação. A título de exemplo (sem grifo no original): PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTO. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. RECURSO ESPECIAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. INTERESSE RECURSAL. AUSÊNCIA. REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE 1. Nos termos do que dispõem o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ, a parte deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão combatida, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que a recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. A inexistência de oposição contra o acórdão recorrido de embargos de declaração relativos à tese sobre a qual foi apontada a omissão no apelo nobre importa no reconhecimento de ausência de interesse recursal quanto à alegação de violação do art. 1.022 do CPC/2015. 4. Infirmar o entendimento alcançado pela Corte de origem demandaria o reexame do conjunto fático-probatório dos autos, o que é inviável na via de recurso especial (Súmula 7 do STJ), 5. Agravo interno conhecido parcialmente e, nessa extensão, desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.501.775/PB, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 24/6/2024, DJe de 3/7/2024.) No que tange à alegação de ofensa ao art. 23 da Lei 12.016/2009, o recurso especial não merece provimento. A corte de origem rejeitou o argumento de decurso do prazo prescricional utilizando-se dos seguintes fundamentos (e-STJ, fls. 639-640): Com efeito, apesar de a ação mandamental apresentar-se como impetração de caráter preventivo, o que exsurge da relação jurídica de direito material subjacente ao litígio processual é demanda que se volta contra cobrança decorrente de atos concretos praticados no passado, o que faz desvanecer a qualificação da impetração como preventiva. Nessa linha, a sentença não se caracteriza como desprovida de fundamentação, o que conduziria à sua nulidade. Isso porque a premissa jurídica a partir da qual o juízo recorrido firma sua convicção foi explicitamente declinada pelo ato recorrido, qual seja, ".. pois o fato que deu origem à nova cobrança surgiu no momento da edição do ato normativo, o qual passou a irradiar os seus efeitos jurídicos imediatamente." (grifei). Ainda que de modo sucinto, como se pode constatar, há destaque na sentença proferida para o fundamento jurídico a partir do qual a conclusão sentencial foi alcançada, isso sem olvidar o suporte jurisprudencial que também lhe deu supedâneo. Assim, deve ser mantida a extinção do feito em razão do decurso do prazo decadencial. O referido entendimento encontra-se em harmonia com a orientação do Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que, em se tratando de ato normativo com efeitos concretos, o termo inicial do prazo decadencial para a impetração do mandado de segurança coincide com a publicação da norma, ante a configuração de ato único de efeitos permanentes (AgInt no REsp 1.604.646/PB, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 12/3/2019, DJe de 28/3/2019.) Assim, verifica-se dos excertos colacionados que, embora a recorrente alegue que o caso em pauta envolve a análise de writ de caráter preventivo ou de cobrança de trato sucessivo, se percebe que, efetivamente, ela está impugnando ato normativo de efeitos concretos, quais sejam, os Decretos 7.945/2013, 8.203/2014, 8.221/2014 e 8.272/2014, consoante apontado pela Corte Regional. Na mesma linha de cognição, os seguintes julgados (sem grifo no original): PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA QUE DISCUTE A INEXIGIBILIDADE DE PARCELAS QUE COMPÔEM A CONTA DE DESENVOLVIMENTO ENERGÉTICO. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. DATA DA PUBLICAÇÃO DAS NORMAS DE ALTERAÇÃO. PROVIMENTO NEGADO. 1. O prazo decadencial para a impetração de mandado de segurança no qual se discute a inexigibilidade de parcelas que compõem a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) tem início com a publicação dos atos normativos questionados pela parte impetrante, e não com a homologação de cada parcela de contribuição cobrada. 2. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 2.655.594/SC, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 16/12/2024, DJEN de 20/12/2024.) PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA. PRAZO DECADENCIAL. TRANSCURSO. CONSTATAÇÃO. 1. O Superior Tribunal de Justiça entende que, em se tratando de ato normativo com efeitos concretos, o termo inicial do prazo decadencial para a impetração do mandado de segurança coincide com a publicação da norma, ante a configuração de ato único de efeitos permanentes. 2. Caso em que a conclusão veiculada no acórdão regional está em harmonia com a orientação do STJ de que as alterações normativas da Conta de Desenvolvimento Energético - CDE por meio dos Decretos n. 7.945/2013, 8.203/14, n. 8.221/2014 e n. 8.272/2014 consubstancia ato único, com efeitos permanentes, de modo que o termo inicial do prazo decadencial para a impetração do mandado de segurança coincide com a publicação da norma. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt nos EDcl no AgInt no AREsp n. 2.188.782/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 18/9/2023, DJe de 20/9/2023.) PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA. REPASSE DE RECURSOS. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 83/STJ. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. I - Na origem, trata-se mandado de segurança em que se pleiteia a segurança para afastar o repasse de recursos para a Conta de Desenvolvimento Energético - CDE e determinar à ANEEL que recalcule a cota a partir da exclusão de valores. Na sentença, a segurança foi parcialmente concedida para afastar o repasse de recursos e determinar o recalculo de cota e apuração dos valores pagos indevidamente. No Tribunal a quo, a sentença foi reformada para reconhecer a inadequação da via eleita. Opostos embargos de declaração, foram rejeitados. Interposto recurso especial, teve seu seguimento negado. Seguiu-se por interposição de agravo. No STJ o agravo foi conhecido para não conhecer do recurso especial. II - Embora a recorrente suscite a hipótese de que o caso envolve a análise de writ de caráter preventivo ou de cobrança de trato sucessivo, percebe-se que, efetivamente, ela está impugnando ato normativo. No caso, o entendimento do Tribunal a quo está em conformidade com a orientação do STJ no sentido de que, em se tratando de ato normativo com efeitos concretos, o termo inicial do prazo decadencial para a impetração do mandado de segurança coincide com a publicação da norma. É dizer, "a obrigação tributária surge com a publicação da norma que a institui, constituindo ali ato único de efeitos concretos na esfera patrimonial do contribuinte, e sua cobrança periódica não tem o condão de transformá-la em obrigação de trato sucessivo para fins de impetração de mandado de segurança". A propósito: AREsp n. 2.201.862, Ministro Herman Benjamin, DJe de 24/11/2022; TutPrv no REsp n. 2.027.334, Ministra Regina Helena Costa, DJe de 23/09/2022; REsp n. 2.003.747, Ministro Benedito Gonçalves, DJe de 17/06/2022; e RMS n. 68.009, Ministro Mauro Campbell Marques, DJe de 25/02/2022. III - O dissídio jurisprudencial viabilizador do recurso especial pela alínea c do permissivo constitucional não foi demonstrado nos moldes legais, pois, além da ausência do cotejo analítico e de não ter apontado qual dispositivo legal recebeu tratamento diverso na jurisprudência pátria, não ficou evidenciada a similitude fática e jurídica entre os casos colacionados que teriam recebido interpretação divergente pela jurisprudência pátria. IV - Para a caracterização da divergência, nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e do art. 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ, exige-se, além da transcrição de acórdãos tidos por discordantes, a realização do cotejo analítico do dissídio jurisprudencial invocado, com a necessária demonstração de similitude fática entre o aresto impugnado e os acórdãos paradigmas, assim como a presença de soluções jurídicas diversas para a situação, sendo insuficiente, para tanto, a simples transcrição de ementas, como no caso. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.235.867/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 17/5/2018, DJe 24/5/2018; AgInt no AREsp 1.109.608/SP, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 13/3/2018, DJe 19/3/2018; REsp 1.717.512/AL, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 17/4/2018, DJe 23/5/2018. V - Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp n. 2.122.854/SC, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 17/4/2023, DJe de 20/4/2023.) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA. INSURGÊNCIA CONTRA DECRETO. ATO ÚNICO DE EFEITOS CONCRETOS. DECADÊNCIA. CONFIGURAÇÃO. DECISÃO MANTIDA. 1. Embora a Conta de Desenvolvimento Energético - CDE seja cobrada mensalmente, os efeitos das alterações normativas atacadas pela impetrante incidiram uma única vez, razão pela qual se aplica o entendimento firmado no STJ que o considera como enquadramento funcional, ato único de efeitos permanentes. 2. Dessa forma, o prazo decadencial para a impetração do Mandado de Segurança se inicia com a publicação do ato de enquadramento. 3. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp n. 1.945.577/RS, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 14/2/2022, DJe de 17/2/2022.) Ante o exposto, conheço do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento. Publique-se. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO ADMINISTRATIVO E DIREITO PROCESSUAL CIVIL. CONTA DE DESENVOLVIMENTO ENERGÉTICO (CDE). VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC. NÃO OPOSIÇÃO DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NA ORIGEM. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. MANDADO DE SEGURANÇA PREVENTIVO. PRAZO DECADENCIAL DE 120 DIAS. ATO NORMATIVO DE EFEITOS CONCRETOS. ACÓRDÃO RECORRIDO EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. AGRAVO CONHECIDO PARA CONHECER EM PARTE DO RECURSO ESPECIAL E, NESSA EXTENSÃO, NEGAR-LHE PROVIMENTO.