EREsp 1942068 - DECISAO
Os embargos de divergência foram providos para harmonizar o acórdão com o entendimento consolidado no Tema 1.231/STJ, que firmou que o ICMS-ST não compõe o custo de aquisição nem gera créditos de PIS/COFINS no regime não cumulativo; além disso, não se mostrou cabível a multa do art. 1.021, § 4º do CPC/2015 no caso...
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- Parties
- Embargante: Embargante
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 August 2024
- Procedural Posture
- Embargos De Divergência / Julgamento De Embargos De Divergência Decisão De Provimento
- Outcome
- Embargos de Divergência providos
- Legal Topics
- Contribuição Ao PIS, COFINS, ICMS ST, Regime Não Cumulativo, Recursos Repetitivos, Embargos De Divergência, Tema 1.231/stj
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Parties
Embargante
Embargante
Procedural Posture
Embargos De Divergência / Julgamento De Embargos De Divergência Decisão De Provimento
Legal Issues
- 1 Viabilidade de crédito do ICMS-ST pelo contribuinte substituído para fins de PIS/COFINS no regime não cumulativo
- 2 Aplicabilidade da multa do art. 1.021, § 4º, do Código de Processo Civil de 2015 em agravo interno desprovido
Ratio Decidendi
Os embargos de divergência foram providos para harmonizar o acórdão com o entendimento consolidado no Tema 1.231/STJ, que firmou que o ICMS-ST não compõe o custo de aquisição nem gera créditos de PIS/COFINS no regime não cumulativo; além disso, não se mostrou cabível a multa do art. 1.021, § 4º do CPC/2015 no caso concreto.
Court Disposition
Embargos de Divergência providos
Orders
- Dou provimento aos Embargos de Divergência.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de Embargos de Divergência contra acórdão da Primeira Turma do STJ, assim ementado: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS DE ICMS-ST. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. DESCABIMENTO. I - Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Aplica-se, no caso, o Código de Processo Civil de 2015. II - "Na Primeira Turma, prevalece a compreensão de que o ICMS-ST constitui parte integrante do custo de aquisição da mercadoria e, por conseguinte, deve ser admitido na composição do montante de créditos a ser deduzido para apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS, no regime não-cumulativo, à luz dos arts. 3º, I, das Leis ns. 10.637/2002 e 10.833/2003, independentemente da incidência de mencionadas contribuições sobre o tributo estadual recolhido pelo substituto na etapa anterior, sendo que não há óbice para que referido raciocínio jurídico tenha igualmente curso no ICMS- antecipação" (1ª T. AgInt no AgInt no REsp n. 1.525.939/PR, Rel. Min. Gurgel de Faria, DJe de 27/4/2022). III - Em regra, descabe a imposição da multa, prevista no art. 1.021, § 4º, do Código de Processo Civil de 2015, em razão do mero desprovimento do Agravo Interno em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso a autorizar sua aplicação, o que não ocorreu no caso. IV - Agravo interno desprovido. A embargante alega haver dissídio jurisprudencial com acórdão da Segunda Turma desta Corte, proferido no julgamento do REsp 1.456.648/RS, que teve a seguinte ementa: RECURSO INTERPOSTO NA VIGÊNCIA DO CPC/1973. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. VALORES REFERENTES A ICMS-SUBSTITUIÇÃO (ICMS- ST). IMPOSSIBILIDADE. 1. Não tem direito o contribuinte ao creditamento, no âmbito do regime não-cumulativo do PIS e COFINS, dos valores que, na condição de substituído tributário, paga ao contribuinte substituto a título de reembolso pelo recolhimento do ICMS-substituição. 2. Quando ocorre a retenção e recolhimento do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ICMS-ST), a empresa substituta não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Nessa situação, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa substituta que se torna apenas depositária de tributo (responsável tributário por substituição ou agente arrecadador) que será entregue ao Fisco. Então não ocorre a incidência das contribuições ao PIS/PASEP, COFINS, já que não há receita da empresa prestadora substituta. É o que estabelece o art. 279 do RIR/99 e o art. 3º, §2º, da Lei n. 9.718/98. 3. Desse modo, não sendo receita bruta, o ICMS-ST não está na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS não cumulativas devidas pelo substituto e definida nos arts. 1º e §2º, da Lei n. 10.637/2002 e 10.833/2003. 4. Sendo assim, o valor do ICMS-ST não pode compor o conceito de valor de bens e serviços adquiridos para efeito de creditamento das referidas contribuições para o substituído, exigido pelos arts. 3, §1º, das Leis n n. 10.637/2002 e 10.833/2003, já que o princípio da não cumulatividade pressupõe o pagamento do tributo na etapa econômica anterior, ou seja, pressupõe a cumulatividade (ou a incidência em "cascata") das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. 5. Recurso especial não provido. (REsp 1.456.648/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28.6.2016) A questão sobre qual reside a divergência consiste na análise da viabilidade de o substituído tributário (aquele que adquire mercadorias para revenda) se creditar, no âmbito da PIS e COFINS, na forma do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, dos valores relativos ao ICMS-ST por ele recolhidos . É o relatório. Decido. Os autos foram recebidos neste Gabinete em 16 de julho de 2024. Na sessão de 20.6.2024, quando do julgamento do Tema 1.231, a Seção de Direito Público deste Tribunal Superior, no rito dos Recursos Repetitivos, concluiu que os valores pagos pelo contribuinte substituto a título de ICMS-ST não geram, no regime não cumulativo, créditos para fins de incidência das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS devidas pelo contribuinte substituído, como é o caso dos autos. Segue a transcrição das teses repetitivas fixadas no Tema 1.231/STJ : 1- Os tributos recolhidos em substituição tributária não integram o conceito de custo de aquisição previsto no art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598/77; 2 - Os valores pagos pelo contribuinte substituto a título de ICMS-ST não geram, no regime não cumulativo, créditos para fins de incidência das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS devidas pelo contribuinte substituído. O decisum embargado, porém, adotou entendimento segundo o qual "prevalece a compreensão de que o ICMS-ST constitui parte integrante do custo de aquisição da mercadoria e, por conseguinte, deve ser admitido na composição do montante de créditos a ser deduzido para apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS, no regime não-cumulativo, à luz dos arts. 3º, I, das Leis ns. 10.637/2002 e 10.833/2003, independentemente da incidência de mencionadas contribuições sobre o tributo estadual recolhido pelo substituto na etapa anterior, sendo que não há óbice para que referido raciocínio jurídico tenha igualmente curso no ICMS- antecipação" (fl. 456). Como se observa, a orientação contraria as teses jurídicas fixadas em julgamento de Recurso Repetitivo pelo STJ, de modo que devem prevalecer as conclusões do aresto paradigma. Diante do exposto, dou provimento aos Embargos de Divergência, nos termos da fundamentação. Publique-se. Intimem-se. EMENTA