REsp 1922799 - DECISAO
O recurso especial foi negado provimento porque o acórdão recorrido está em conformidade com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, que reconhece a eficácia declaratória da sentença em mandado de segurança e admite a opção do contribuinte pela compensação ou pela restituição administrativa do indébito, em...
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- Parties
- Recorrente: Fazenda Nacional
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 March 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial (impugnando Acórdão Sobre Mandado De Segurança) / Julgamento (decisão Final, Recurso Especial Negado Provimento)
- Outcome
- Recurso especial conhecido e negado provimento
- Legal Topics
- Contribuição Previdenciária Patronal, Mandado De Segurança, Restituição Administrativa De Indébito, Compensação Tributária, Eficácia Declaratória Da Sentença
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Parties
Fazenda Nacional
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial (impugnando Acórdão Sobre Mandado De Segurança) / Julgamento (decisão Final, Recurso Especial Negado Provimento)
Legal Issues
- 1 Possibilidade de restituição administrativa de indébito reconhecido em mandado de segurança
- 2 Natureza indenizatória dos valores pagos pelo empregador nos primeiros quinze dias de afastamento por incapacidade e consequente não incidência de contribuição previdenciária patronal
- 3 Compensação de contribuições indevidamente recolhidas após trânsito em julgado
Ratio Decidendi
O recurso especial foi negado provimento porque o acórdão recorrido está em conformidade com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, que reconhece a eficácia declaratória da sentença em mandado de segurança e admite a opção do contribuinte pela compensação ou pela restituição administrativa do indébito, em observância aos arts. 66 da Lei 8.383/1991 e 74 da Lei 9.430/1996, devendo a restituição administrativa ser requerida após o trânsito em julgado.
Court Disposition
Recurso especial conhecido e negado provimento
Orders
- Nego provimento ao recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Vistos, etc. Trata-se de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, com amparo na alínea "a" do inciso III do art. 105 da CF, contra acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região assim ementado (e-STJ, fl. 139): TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA (COTA PATRONAL). PAGAMENTO DOS PRIMEIROS QUINZE DIAS DE AFASTAMENTO DO TRABALHO POR INCAPACIDADE. COMPENSAÇÃO.1. O entendimento firmado no Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial nº 1.230.957, representativo de controvérsia, sedimentou orientação no sentido de que o aviso prévio indenizado e os valores pagos pelo empregador nos primeiros 15 dias de afastamento do empregado em razão de incapacidade possuem natureza indenizatória/compensatória, não constituindo ganho habitual do empregado, razão pela qual sobre tais verbas não é possível a incidência de contribuição previdenciária patronal.2. As contribuições previdenciárias recolhidas indevidamente, atualizadas pela taxa SELIC, podem ser objeto de compensação, após o trânsito em julgado, obedecendo-se ao disposto no art. 74, da Lei 9.430/96 e o disposto no art. 26-A da Lei 11.457/07, com a redação conferida pela Lei nº13.670/18. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados. A Fazenda alega a existência de violação dos arts. 489 e 1.022 do CPC; 165 do CTN; 66 da Lei n. 8.383/1991; 74 da Lei n. 9.430/1996. Aduz, em suma, ser "inviável o reconhecimento do direito da impetrante à restituição em espécie, ainda que na via administrativa, dos valores recolhidos indevidamente a título de PIS e de COFINS, porquanto o mandado de segurança não se presta para a obtenção de efeitos patrimoniais pretéritos, os quais devem ser buscados pela via ordinária, consoante entendimento sumulado do e. STF"(e-STJ, fl. 203). Requer, assim, seja afastada a restituição administrativana via do mandado de segurança. Sem contrarrazões. Admitido o especial na origem (e-STJ, fls. 233-234), subiram os autos a esta Corte. É o relatório. Registro, desde logo, que não merece prosperar a tese de violação do art. 1.022, II, do CPC, porquanto o acórdão impugnado fundamentou, claramente, o posicionamento por ele assumido, de modo a prestar a jurisdição que lhe foi postulada. Não há falar em omissão, obscuridade ou contradição do aresto. O fato de o Tribunal a quo haver decidido a lide de forma contrária à defendida pela parte recorrente, elegendo fundamentos diversos daqueles por ela propostos, não configura omissão ou outra causa passível de exame mediante a oposição de embargos de declaração. Quanto ao mérito, a discussãodiz respeito à restituição administrativa dos valores. Com efeito, esta Corte de Justiça possui o entendimento de que a eficácia declaratória da sentença em mandado de segurança permite a opção pelo contribuinte entre a compensação do indébito ou a restituição no âmbito administrativo. Assim, apresentado o pedido administrativo de restituição do indébito reconhecido judicialmente, as autoridades da Receita Federal poderão analisá-lo e, apenas após constatarem a sua regularidade, determinarão o pagamento. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO Nº 3 DO STJ. MANDADO DESEGURANÇA. ADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVA DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO AO SALÁRIOEDUCAÇÃO. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA DESPROVIDO DE CNPJ. AFERIÇÃO DE FRAUDE. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 7 DO STJ. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO NO CASO CONCRETO. 1. O acórdão recorrido não destoa da jurisprudência do STJ, a qual reconhece a eficácia declaratória da sentença no mandamus a permitir a opção pelo contribuinte entre a compensação do indébito tributário ou sua restituição no âmbito administrativo, o que não se confunde com ação de cobrança, eis que na hipótese tanto eventual compensação do indébito reconhecido judicialmente quanto o pedido de ressarcimento serão submetidos ao crivo do Fisco, no que couber, via pedido administrativo. Nesse sentido: REsp 1.873.758/SC, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 17/9/2020. .. (REsp 1.810.186/PR, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 24/11/2020, DJe 4/12/2020.) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DA SUPREMA CORTE. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC/2015. INOCORRÊNCIA. REGIME ESPECIAL DE REINTEGRAÇÃO DE VALORES TRIBUTÁRIOS PARA AS EMPRESAS EXPORTADORAS - REINTEGRA. PERCENTUAL DETERMINANTE PARA O CÁLCULO DO BENEFÍCIO FISCAL. DELEGAÇÃO LEGISLATIVA AO PODER EXECUTIVO. CRITÉRIO TEMPORAL. POSSIBILIDADE. RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVA DE INDÉBITO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. POSSIBILIDADE. .. 7. O art. 66 da Lei 8.383/1991, que trata da compensação na hipótese de pagamento indevido ou a maior, em seu § 2º, faculta ao contribuinte a opção pelo pedido de restituição, tendo o art. 74 da Lei 9.430/1996 deixado claro que o crédito pode ter origem judicial, desde que com trânsito em julgado. 8. "O entendimento pacífico do Superior Tribunal de Justiça, inclusive já sumulado (Súmula nº 461 do STJ), é no sentido de que "o contribuinte pode optar por receber, por meio de precatório ou por compensação, o indébito tributário certificado por sentença declaratória transitada em julgado". Com efeito, a legislação de regência possibilita a restituição administrativa de valores pagos a maior a título de tributos, conforme se verifica dos art. 66 da Lei nº 8.383/1991 e 74 da Lei nº 9.430/1996" (REsp 1.516.961/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 22/3/2016). 9. Recurso Especial conhecido parcialmente, apenas em relação à preliminar de violação dos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015, e, nessa parte, provido parcialmente para assegurar o direito de o contribuinte buscar a restituição do indébito na via administrativa, após o trânsito em julgado do processo judicial. (REsp 1.873.758/SC, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/6/2020, DJe 17/9/2020.) Dessa forma, a conclusão alcançada pelo Tribunal de origem encontra-se em consonância com a compreensão formada por esta Corte Superior. Ante o exposto, com fulcro no art. 932, IV, do CPC/2015, c/c o art. 255, § 4º, II, do RISTJ, nego provimento ao recurso especial. Publique-se. Intimem-se.