REsp 2098602 - ACORDAO
O agravo interno foi desprovido porque o acórdão recorrido estava adequadamente fundamentado, não havia omissão nos termos do art. 1.022 do CPC/2015, e havia fundamento constitucional autônomo suficiente para manter o julgado, circunstância que exigia a interposição de recurso extraordinário, ausente nos autos, o...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: BB GESTÃO DE RECURSOS - DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Recurso Especial / Decisão Final (agravo Interno Desprovido; Negar Provimento)
- Outcome
- Agravo interno desprovido (negado provimento).
- Legal Topics
- Contribuição Previdenciária Sobre PLR De Diretores Não Empregados, Omnião/embargos De Declaração (art. 1.022 Cpc/2015), Óbice Da Súmula 126/stj, Admissibilidade De Recurso Especial Vs. Recurso Extraordinário
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
BB GESTÃO DE RECURSOS - DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS S.A.
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Recurso Especial / Decisão Final (agravo Interno Desprovido; Negar Provimento)
Legal Issues
- 1 Existência ou não de omissão no acórdão recorrido (art. 1.022 CPC/2015)
- 2 Incidência de contribuição previdenciária sobre participação nos lucros paga a diretores não empregados
- 3 Presença de fundamento constitucional autônomo no acórdão recorrido e aplicação da Súmula 126/STJ
Ratio Decidendi
O agravo interno foi desprovido porque o acórdão recorrido estava adequadamente fundamentado, não havia omissão nos termos do art. 1.022 do CPC/2015, e havia fundamento constitucional autônomo suficiente para manter o julgado, circunstância que exigia a interposição de recurso extraordinário, ausente nos autos, o que inviabiliza o conhecimento do recurso especial em face da Súmula 126/STJ.
Court Disposition
Agravo interno desprovido (negado provimento).
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
- Manter íntegra a decisão monocrática/aresto recorrido.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 11/09/2025 a 17/09/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Teodoro Silva Santos, Afrânio Vilela, Francisco Falcão e Maria Thereza de Assis Moura votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Afrânio Vilela. EMENTA AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ENFOQUE CONSTITUCIONAL DA MATÉRIA. AUSÊNCIA DE INTERPOSIÇÃO DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ÓBICE DA SÚMULA 126/STJ. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Segundo orientação jurisprudencial vigente no Superior Tribunal de Justiça, não há falar em omissão, contradição, obscuridade ou erro material, nem em deficiência na fundamentação, quando a decisão recorrida está adequadamente motivada com base na aplicação do direito considerado cabível ao caso concreto, pois o mero inconformismo da parte com a solução da controvérsia não configura negativa de prestação jurisdicional. 2. Existindo fundamento de índole constitucional, suficiente para a manutenção do acórdão recorrido, cabia à ora insurgente a interposição concomitante do recurso extraordinário, de modo a desconstituir a convicção obtida pela Corte originária , o que não ocorreu. Logo, ausente tal providência, o conhecimento do recurso especial é inviabilizado pelo óbice da Súmula n. 126/STJ. 3. Agravo interno desprovido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por BB GESTÃO DE RECURSOS - DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS S.A. contra decisão monocrática de fls. 966-970 (e-STJ), assim ementada: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. SUPOSTA OFENSA AO ART. 1.022 DO CPC/2015. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO NO ACÓRDÃO RECORRIDO. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ENFOQUE CONSTITUCIONAL DA MATÉRIA. IMPOSSIBILIDADE. ARESTO ATACADO QUE CONTÉM FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL SUFICIENTE PARA MANTÊ-LO. NÃO APRESENTAÇÃO DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ÓBICE DA SÚMULA 126/STJ. RECURSO PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA PARTE, NÃO PROVIDO. Nas razões recursais, a agravante reitera a alegação de existência de negativa de prestação jurisdicional no aresto proferido na origem. Sustenta a inaplicabilidade da Súmula 126/STJ. Assim sendo, requer a reconsideração da decisão agravada. Não foi apresentada impugnação (e-STJ, fl. 1.010). É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ENFOQUE CONSTITUCIONAL DA MATÉRIA. AUSÊNCIA DE INTERPOSIÇÃO DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ÓBICE DA SÚMULA 126/STJ. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Segundo orientação jurisprudencial vigente no Superior Tribunal de Justiça, não há falar em omissão, contradição, obscuridade ou erro material, nem em deficiência na fundamentação, quando a decisão recorrida está adequadamente motivada com base na aplicação do direito considerado cabível ao caso concreto, pois o mero inconformismo da parte com a solução da controvérsia não configura negativa de prestação jurisdicional. 2. Existindo fundamento de índole constitucional, suficiente para a manutenção do acórdão recorrido, cabia à ora insurgente a interposição concomitante do recurso extraordinário, de modo a desconstituir a convicção obtida pela Corte originária , o que não ocorreu. Logo, ausente tal providência, o conhecimento do recurso especial é inviabilizado pelo óbice da Súmula n. 126/STJ. 3. Agravo interno desprovido. VOTO O recurso não comporta provimento, porquanto as razões expendidas são insuficientes para a reconsideração da decisão impugnada. De início, é preciso frisar que, de acordo com os Enunciados Administrativos n. 2 e 3/STJ, os requisitos de admissibilidade a serem observados pelos recursos interpostos neste Tribunal Superior são os previstos no Código de Processo Civil de 1973, se a decisão impugnada tiver sido publicada até 17 de março de 2016, inclusive; ou, se publicada a partir de 18 de março de 2016, os preconizados no Código de Processo Civil de 2015. No caso em exame, tem aplicação a dinâmica processual estabelecida pelo Código de Processo Civil de 2015, uma vez que, à época da publicação da decisão que culminou na interposição do recurso especial, já estava em vigência o novo regramento processual. Consta dos autos que a recorrente interpôs recurso especial (e-STJ, fls. 920-936), com base na alínea a do permissivo constitucional, alegando afronta aos arts. 1.022 do CPC/2015; e 12, I, da Lei 8.212/1991. O Tribunal de origem admitiu a insurgência (e-STJ, fls. 957-959). Encaminhado o recurso ao Superior Tribunal de Justiça, a decisão monocrática de fls. 966-970 (e-STJ) conheceu em parte do recurso especial e, nessa extensão, negou-lhe provimento. Opostos embargos de declaração pela agravada, os aclaratórios foram acolhidos apenas para majorar os honorários recursais (e-STJ, fls. 1.012-1.013). Irresignada, a agravante interpõe o presente agravo interno. Todavia, o inconformismo não merece prosperar. No recurso especial, a insurgente apontou omissão no acórdão proferido na origem, afirmando que o Tribunal Regional Federal da 2ª Região deixou de se manifestar a respeito do pedido de repetição do indébito tributário relativo aos recolhimentos indevidos de contribuição previdenciária sobre a PLR dos diretores não empregados no período de 2005 a 2008. Nos fundamentos deduzidos na decisão agravada, ficou constatada a ausência de violação ao art. 1.022 do CPC/2015. Segundo orientação jurisprudencial vigente no Superior Tribunal de Justiça, não há se falar em omissão, contradição, obscuridade ou erro material, nem em deficiência na fundamentação, quando a decisão recorrida está adequadamente motivada com base na aplicação do direito considerado cabível ao caso concreto. A esse respeito: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO. UFPE. 28,86%. EMBARGOS À EXECUÇÃO. SERVIDOR PÚBLICO FEDERAL. REAJUSTE DE 28,86%. ART. 1.022 DO CPC. OMISSÃO CONFIGURADA. CÁLCULOS ELABORADOS PELA CONTADORIA JUDICIAL. JULGAMENTO ULTRA PETITA. NÃO OCORRÊNCIA. ERRO MATERIAL. NECESSIDADE DE CORREÇÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS. I - Nos termos do art. 1.022, do Código de Processo Civil, os embargos de declaração têm o objetivo de introduzir o estritamente necessário para eliminar a obscuridade, contradição ou suprir a omissão existente no julgado, além de corrigir erro material, não permitindo a rediscussão da matéria. II - A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme no sentido de que não configura julgamento ultra petita o acolhimento dos cálculos elaborados pela Contadoria Judicial, conforme os parâmetros definidos no título judicial, ainda que superiores aos apresentados pela parte exequente. III - Quanto ao apontado erro material, observa-se que, consoante alegado pelo embargante, mostra-se desnecessária a inversão da sucumbência, uma vez que, nos termos do constante no acórdão do julgamento dos embargos de declaração pelo TRF da 5ª Região, a ora Embargante já se mostrava como destinatária da verba sucumbencial, sendo equivocada nova inversão, dado o provimento de seu recurso nesta via especial. IV - Embargos de declaração acolhidos, com efeitos infringentes. (EDcl no AgInt no REsp n. 1.962.650/PE, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 4/12/2024, DJe de 9/12/2024.) PROCESSUAL CIVIL. SERVIDOR PÚBLICO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DA CONCLUSÃO JURÍDICA FIRMADA NO ACÓRDÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. I - A fundamentação adotada no acórdão é suficiente para respaldar a conclusão alcançada, estando ausente pressuposto que justifique a oposição de embargos de declaração, nos termos do art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015. II - A simples divergência de posicionamento entre os órgãos fracionários não é capaz de provocar submissão do feito à Primeira Seção, à vista da ausência de previsão legal. III - Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no AgInt nos EDcl no REsp n. 1.764.459/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 21/10/2024, DJe de 25/10/2024.) ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ART. 1.022 DO CPC. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. SUPERVENIÊNCIA DA LEI 14.230/2021. CONDENAÇÃO FUNDAMENTADA NO ART. 11, CAPUT, DA LEI 8.429/1992. CONTINUIDADE TÍPICO-NORMATIVA. DOLO RECONHECIDO PELAS INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS. AFASTAMENTO DAS SANÇÕES DE SUSPENSÃO DE DIREITOS POLÍTICOS E PERDA DO CARGO PÚBLICO DO ROL PREVISTO NO ART. 12, III, DA LEI 8.429/1992. RETROAÇÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS, COM EFEITOS INFRINGENTES. 1. Nos termos do art. 1.022 do Código de Processo Civil, os embargos de declaração têm o objetivo de introduzir o estritamente necessário para esclarecer obscuridade, eliminar contradição ou suprir omissão existente no julgado, além de corrigir erro material, não permitindo em seu bojo a rediscussão da matéria. 2. No caso dos autos, levando em consideração a legislação vigente à época da prolação do acórdão embargado e a jurisprudência então dominante, não se constata o alegado vício de omissão, tendo em vista que foram expostos, de forma fundamentada, os motivos que levaram ao não conhecimento do recurso especial, com base na incidência da Súmula 7/STJ. 3. Ocorre que, posteriormente à oposição dos presentes embargos de declaração, sobreveio a Lei 14.230/2021, que implementou significativas alterações na Lei 8.429/1992. Após o julgamento do Tema 1.199 da Repercussão Geral, este Superior Tribunal vem decidindo que a "abolição da hipótese de responsabilização por violação genérica aos princípios administrativos prevista no art. 11, caput, da Lei de Improbidade Administrativa (LIA) pela Lei 14.230/2021" é irrelevante "quando, entre os novéis incisos inseridos pela Lei 14.230/2021, remanescer típica a conduta considerada no acórdão como violadora dos princípios administrativos, evidenciando verdadeira continuidade típico-normativa" (AgInt no AREsp n. 1.578.059/SP, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 13/8/2024, DJe de 19/8/2024). 4. No caso, em que pese a conduta do embargante tenha sido "enquadrada no art. 11, "caput" da LF nº 8.429/92", nos termos em que descrita no acórdão recorrido, remanesce típica, conforme o disposto no art. 11, V, da Lei 8.429/92. Além disso, o Tribunal de origem, com base no acervo probatório dos autos, concluiu que "a conduta é dolosa; após advertido pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas da ilegalidade da situação existente, o réu promoveu uma reforma administrativa que aprofundou, ao invés de corrigir, a ilegalidade". Assim, inviável o acolhimento do pedido para que seja julgada extinta a ação. 5. Tendo em vista a nova redação dada ao art. 12, III, da Lei 8.429/92, inviável a manutenção das sanções de perda da função pública e de suspensão dos direitos políticos, impostas ao embargante, pois deixaram de ser previstas para a conduta apurada. Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 1.578.059/SP, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 13/8/2024, DJe de 19/8/2024. 6. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos infringentes, para o fim de afastar as sanções de perda da função pública e de suspensão dos direitos políticos que haviam sido impostas ao embargante pelo Tribunal de origem. (EDcl nos EDcl no AgInt no AREsp n. 1.676.918/SP, relator Ministro Afrânio Vilela, Segunda Turma, julgado em 14/10/2024, DJe de 17/10/2024.) Conforme bem assentado na decisão impugnada, o Tribunal de origem foi claro e assertivo quando reconheceu a impossibilidade de acolher o pedido de restituição do indébito tributário, considerando que a discussão naquele momento processual configuraria indevida inovação recursal. Essa informação pode ser extraída de trecho do acórdão recorrido, retirado do julgamento dos embargos de declaração opostos na origem (e-STJ, fls. 858-859): Por sua vez, as alegações da parte embargante não justificam a utilização da presente via, sendo evidente a sua intenção de atribuir aos presentes embargos efeitos infringentes. A parte embargante objetiva, com a interposição do recurso, que sejam apreciadas as questões relativas ao reconhecimento do pagamento e a anulação do débito tributário e seus consectários em relação ao valor já liquidado. No mais, suscita impossibilidade de cobrança de contribuição previdenciária sobre a PLR de dois dos diretores - a saber, Sr. Arnaldo José Vollet e Sr. Nelson Rocha Augusto) - por se tratarem de empregados do Banco. 3.1. Contudo, o voto condutor analisou suficientemente a matéria recorrida, concluindo esta Eg. Turma pela impossibilidade de análise e de julgamento de pedidos formulados unicamente em grau recursal. Nesse sentido, afirmou-se que a questão do abatimento dos valores não foi suscitada em primeira instância, de modo que configura verdadeira inovação recursal, não sendo possível ser conhecida em sede de recurso. 3.2. No mais, no tocante à alegação de erro material, a mesma não merece prosperar, eis que o v. acórdão concluiu, com base nos elementos constantes dos autos, que os 4 Diretores a que se referem as cobranças das contribuições previdenciárias sobre a PLR são, na verdade "não empregados" (contribuintes individuais), de acordo com o Auto de Infração n. 37.225.682-1. Compete salientar que, para que haja caracterização do vínculo empregatício, faz se necessário haver o cumprimento dos requisitos da pessoalidade e os do artigo 3º da CLT, in verbis: Art. 3º, CLT - Considera-se empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Depreende-se da lei, então, a impossibilidade de configuração de relação empregatícia referente aos Diretores, em decorrência da ausência do elemento indispensável da subordinação. Ainda e muito pelo contrário, são tais funcionários que estão no comando da sociedade, que gozam de poderes de direção e que representam a empresa. Afastada a alegação de erro material, resta prejudicada a tese de omissão na aplicação do disposto no art. 12, inciso I, "a" da Lei n.º 8.212/91, pelo qual não incidiria a contribuição previdenciária sobre a participação nos lucros dos empregados. Dessa forma, tratando-se de Diretores não empregados, o art. 12, inciso V, da Lei 8.212/91 os insere como seguradores obrigatórios do Regime Geral da Previdência Social, na categoria de contribuintes individuais, não estando os valores pagos a título de participação no lucro excluídos da incidência da contribuição previdenciária, portanto. .. Desse modo, as verbas pagas a Diretores não empregados (contribuintes individuais), como é o caso dos autos, estão sujeitas à incidência das Contribuições Previdenciárias, já que não alcançados pela exclusão prevista no art. 28, § 9º, "j", da Lei nº 8.212, de 1991. Não há que se falar, assim, em quaisquer dos vícios justificantes da oposição do presente recurso. Portanto, apresentando a Corte originária os fundamentos necessários ao deslinde da controvérsia, não há falar em afronta ao art. 1.022 do CPC/2015. No mais, sustentou a recorrente a ilegalidade da incidência de contribuição previdenciária sobre a participação nos lucros dos diretores empregados. Quanto ao tema, o TRF da 2ª Região apresentou os seguintes argumentos (e-STJ, fls. 811-812): Ao excluir da incidência das contribuições os valores pagos " de acordo com lei específica", a Lei n. 8.212/91 se referiu à participação nos lucros paga em consonância com a Lei n. 10.101/2000, a qual, por sua vez, se destina exclusivamente aos empregados. .. A Lei n. 10.101/2000, como se vê, é voltada para pagamento de participação nos lucros aos segurados empregados, que não se confundem com Diretores da companhia, pois estes não possuem a subordinação inerente à relação empregatícia. Muito pelo contrário, estão no comando da sociedade, gozam de poderes de direção e representam a empresa. Tratando-se de Diretores não empregados, o art. 12, inciso V, da Lei 8.212/91 os insere como seguradores obrigatórios do Regime Geral da Previdência Social, na categoria de contribuintes individuais, não estando os valores pagos a título de participação no lucro excluídos da incidência da contribuição previdenciária, portanto. .. Nem se alegue, como sugeriu a recorrente, que os diretores estão abarcados pela expressão "trabalhadores" contida no inciso XI do art. 7º da Constituição Federal. Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XI - participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Primeiro porque esse artigo 7º cuida dos direitos que "visem à melhoria de condição social", o que certamente não é o caso dos Diretores de companhias. Em segundo lugar, porque não tratou de proteger qualquer trabalhador, mas aqueles que possuem vínculo de subordinação. Em terceiro lugar, porque o inciso XI está ao lado de outros direitos, senão todos, oriundos de vínculos decorrentes de relação empregatícia. Ademais, a participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, prevista na Lei nº 10.101, de 2000, não pode ser confundida com a participação dos Diretores de uma companhia no seu lucro, que tem previsão específica na Lei nº 6.404, de 1976, no artigo 152, in verbis: .. De volta ao caso em apreço, resta claro que a autuação deu-se corretamente, por falta de recolhimento das contribuições previdenciárias sobre valores pagos a 4 (quatro) Diretores não empregados, a título de participação nos lucros, no período de 2005/2008 (Auto de Infração n. 37.225.682-1). Como visto acima, as verbas pagas a Diretores não empregados (contribuintes individuais), como é o caso dos autos, estão sujeitos à incidência das Contribuições Previdenciárias, já que não alcançados pela exclusão prevista no art. 28, § 9º, "j", da Lei nº 8.212, de 1991. Como é possível observar, o Tribunal de origem consignou expressamente que a posição ocupada pelos diretores integrantes do quadro da agravante não é a mesma abrangida pelo art. 7º, XI, da Constituição Federal. Dessa forma, existindo fundamento de índole constitucional, suficiente para a manutenção do acórdão recorrido, cabia à ora insurgente a interposição concomitante do recurso extraordinário, de modo a desconstituir a convicção obtida pela instância originária, o que não ocorreu. Logo, ausente tal providência, o conhecimento do recurso especial é inviabilizado pelo óbice da Súmula n. 126/STJ. Na mesma linha de cognição: PROCESSUAL CIVIL. DIREITO TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA COM PEDIDO DE LIMINAR. SÚMULAS N. 280 E 284 DO STF. SÚMULA N. 126 DO STJ. ARTIGO 1.022 DO CPC. ARTIGO 97, IV, DO CTN. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. I - Na origem, trata-se de mandado de segurança com pedido liminar. Na sentença o pedido foi julgado procedente, e a segurança foi concedida. No Tribunal a quo, a sentença negou provimento ao recurso. No Superior Tribunal de Justiça, trata-se de agravo interno interposto contra decisão que julgou pelo conhecimento do agravo para não conhecer do recurso especial. II - Quanto à primeira controvérsia, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, tendo em vista que a parte recorrente aponta ofensa ao art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015 (art. 535 do Código de Processo Civil de 1973), sem especificar, todavia, quais incisos foram contrariados, a despeito da indicação de omissão, contradição, obscuridade ou erro material. Nesse sentido: "É deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegação de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 se faz de forma genérica, sem especificar quais foram os incisos violados. Aplica-se, na hipótese, o óbice da Súmula 284 do STF." (AgInt no AREsp n. 1.530.183/RS, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 19/12/2019.) III - Quanto à segunda controvérsia, em relação ao art. 97, IV, do CTN, é incabível o recurso especial em razão do conteúdo eminentemente constitucional da norma infraconstitucional indicada como violada ou objeto de interpretação divergente, por ser mera reprodução de dispositivo da Constituição Federal. IV - Quanto ao Tema n. 1.113 do STJ, não é cabível o recurso especial quando se busca analisar a violação ou a interpretação divergente de norma diversa de tratado ou lei federal. V - Da análise dos autos, percebe-se que há fundamento constitucional autônomo no acórdão recorrido e não houve interposição do devido recurso ao Supremo Tribunal Federal. Aplicável o óbice da Súmula n. 126/STJ, uma vez que é imprescindível a interposição de recurso extraordinário quando o acórdão recorrido possui, além de fundamento infraconstitucional, fundamento de natureza constitucional suficiente por si só para a manutenção do julgado. Nesse sentido: " .. firmado o acórdão recorrido em fundamentos constitucional e infraconstitucional, cada um suficiente, por si só, para manter inalterada a decisão, é ônus da parte recorrente a interposição tanto do Recurso Especial quanto do Recurso Extraordinário. A existência de fundamento constitucional autônomo não atacado por meio de Recurso Extraordinário enseja aplicação do óbice contido na Súmula 126/STJ." (AgInt no AREsp n. 1.581.363/RN, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21/8/2020.) VI - Ainda, não é cabível o recurso especial porque interposto contra acórdão com fundamento em legislação local, ainda que se alegue violação ou interpretação divergente de dispositivos de lei federal. Aplicável, por analogia, a Súmula n. 280 do STF: "Por ofensa a direito local não cabe recurso extraordinário." Nesse sentido: "A tutela jurisdicional prestada pela Corte de origem com fundamento em legislação local impede o exame do apelo extremo, mediante aplicação da Súmula 280/STF." (REsp n. 1.759.345/PI, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe de 17/10/2019.) VII - Aplicável a Súmula n. 284/STF, tendo em vista que as razões delineadas no recurso especial estão dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado, pois a parte recorrente não impugnou, de forma específica, os seus fundamentos, o que atrai a aplicação, por conseguinte, do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia." VIII - Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp n. 2.847.615/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 18/6/2025, DJEN de 25/6/2025.) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AO ART. 22 DA LINDB. NATUREZA IMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE. ACÓRDÃO RECORRIDO COM DUPLA FUNDAMENTAÇÃO. CONSTITUCIONAL E INFRACONSTITUCIONAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO NÃO INTERPOSTO. SÚMULA 126/STJ. APLICAÇÃO. ACÓRDÃO RECORRIDO COM FUNDAMENTO EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. ANÁLISE. IMPOSSIBILIDADE. USURPAÇÃO DA COMPETÊNCIA DO STF. REEXAME DE FATOS E PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7 DO STJ. PROVIMENTO NEGADO. 1. O Superior Tribunal de Justiça possui o firme entendimento de que os princípios elencados no art. 22 da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro (LINDB) - direito adquirido, ato jurídico perfeito e coisa julgada - não podem ser analisados em recurso especial porque, a despeito de estarem previstos em norma infraconstitucional, são institutos de natureza eminentemente constitucional (art. 5º, XXXVI, da CF). 2. Não se conhece do recurso especial quando o acórdão recorrido possui fundamentação constitucional, autônoma, e infraconstitucional e o recurso extraordinário para o Supremo Tribunal Federal não é interposto. Incidência da Súmula 126 do Superior Tribunal de Justiça (STJ). 3. Se o Tribunal de origem decidir questão com fundamento eminentemente constitucional, é inviável sua revisão pelo Superior Tribunal de Justiça por implicar usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal (STF), estabelecida no art. 102 da Constituição Federal (CF). 4. Extrai-se do art. 105, inciso III, da Constituição Federal que a missão do Superior Tribunal de Justiça é a de uniformizar a interpretação da legislação federal. No cumprimento de seu papel, não lhe é permitida a formação de novo juízo sobre fatos e provas dos autos. Incidência da Súmula 7 deste Tribunal. 5. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 2.014.533/SP, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 31/3/2025, DJEN de 4/4/2025.) Por conseguinte, tendo em vista que as alegações feitas no presente agravo interno não são capazes de alterar o convencimento anteriormente manifestado, permanece íntegra a decisão recorrida. Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É como voto.