AREsp 2705007 - ACORDAO
Os embargos de declaração foram rejeitados porque o acórdão embargado não padecia de omissão, contradição ou obscuridade; o recurso especial era inapto ao conhecimento, o que impediu o exame do mérito e, portanto, não há omissão a ser sanada; a Corte de origem analisou os pontos essenciais e a modificação exigiria...
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- Parties
- Autor/embargante: Instituto de Tecnologia, Educação e Cultura - ITC; Réu: União; Réu: Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação - FNDE; Réu: Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - Incra; Réu: Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas - Sebrae; Réu: Serviço Social do Comércio - Sesc
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 May 2025
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração / Decisão Em Sessão Virtual (08/05/2025 a 14/05/2025)
- Outcome
- Embargos de declaração rejeitados por unanimidade
- Legal Topics
- Contribuições Para a Seguridade Social, Imunidade, Contribuições Para Terceiras Entidades, Isenção, Embargos De Declaração, Multa Processual (art. 1.026, §2º Cpc/2015), Prequestionamento, Admissibilidade De Recurso, Súmulas Do STJ
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Parties
Instituto de Tecnologia, Educação e Cultura - ITC
Autor/embargante
União
Réu
Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação - FNDE
Réu
Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - Incra
Réu
Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas - Sebrae
Réu
Serviço Social do Comércio - Sesc
Réu
Procedural Posture
Embargos De Declaração / Decisão Em Sessão Virtual (08/05/2025 a 14/05/2025)
Legal Issues
- 1 Existência de omissão, obscuridade ou contradição no acórdão embargado
- 2 Aplicabilidade da multa do art. 1.026, §2º do CPC/2015 por embargos manifestamente protelatórios
- 3 Inapetência do recurso especial diante da vedação ao reexame de fatos e provas (Súmula 7/STJ)
Ratio Decidendi
Os embargos de declaração foram rejeitados porque o acórdão embargado não padecia de omissão, contradição ou obscuridade; o recurso especial era inapto ao conhecimento, o que impediu o exame do mérito e, portanto, não há omissão a ser sanada; a Corte de origem analisou os pontos essenciais e a modificação exigiria reexame fático-probatório vedado pela Súmula 7/STJ; ademais, a oposição reiterada de embargos pode demonstrar caráter protelatório, autorizando a aplicação da multa prevista no art. 1.026, §2º do CPC/2015.
Court Disposition
Embargos de declaração rejeitados por unanimidade
Orders
- Embargos de declaração rejeitados.
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 08/05/2025 a 14/05/2025, por unanimidade, rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Maria Thereza de Assis Moura, Marco Aurélio Bellizze, Teodoro Silva Santos e Afrânio Vilela votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Afrânio Vilela. EMENTA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PARA SEGURIDADE SOCIAL. IMUNIDADE. CONTRIBUIÇÕES PARA TERCEIRAS ENTIDADES. ISENÇÃO. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. ALEGAÇÕES DE VÍCIOS NO ACÓRDÃO EMBARGADO. VÍCIOS INEXISTENTES. PRETENSÃO DE REEXAME. I - Os embargos não merecem acolhimento. Se o recurso é inapto ao conhecimento, a falta de exame da matéria de fundo impossibilita a própria existência de omissão quanto a esta matéria. Nesse sentido: EDcl nos EDcl no AgInt no RE nos EDcl no AgInt no REsp 1.337.262/RJ, relator Ministro Humberto Martins, Corte Especial, julgado em 21/3/2018, DJe 5/4/2018; EDcl no AgRg no AREsp 174.304/PR, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, julgado em 10/4/2018, DJe 23/4/2018; EDcl no AgInt no REsp 1.487.963/RS, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 24/10/2017, DJe 7/11/2017. II - As alegações de omissão da parte se referem ao mérito da controvérsia, que não foi analisado nesta Corte. O fato de o Acórdão reproduzir o mesmo texto dos fundamentos, relacionados aos óbices de admissibilidade do recurso, aplicados na decisão de admissibilidade, não importa em violação dos arts. 489 e 1021, §3º do CPC/2015, pois a alteração do texto referente aos óbices não modificaria o fato de que os fundamentos de admissibilidade são os mesmos. III - Segundo o art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, os embargos de declaração são cabíveis para esclarecer obscuridade; eliminar contradição; suprir omissão de ponto ou questão sobre as quais o juiz devia pronunciar-se de ofício ou a requerimento; e/ou corrigir erro material. IV - Conforme entendimento pacífico desta Corte: "O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida." EDcl no MS 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016. V - A pretensão de reformar o julgado não se coaduna com as hipóteses de omissão, contradição, obscuridade ou erro material contidas no art. 1.022 do CPC/2015, razão pela qual inviável o seu exame em embargos de declaração. VI - Visando esclarecer o julgado no tocante à multa do art. 1.026, §2º do CPC, aplicada pelo Tribunal a quo nos embargos declaratórios, verifica-se que a oposição deste meio recursal repetindo questões já apresentadas e afastadas, objetivam o retardamento jurisdicional, deixando claro o seu caráter protelatório, o que viabiliza a aplicação da multa. VII - Embargos de declaração rejeitados.
RELATÓRIO Trata-se de embargos de declaração opostos contra acórdão que julgou agravo interno. O recurso foi julgado pela Segunda Turma, conforme a seguinte ementa do acórdão: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PARA SEGURIDADE SOCIAL. IMUNIDADE. CONTRIBUIÇÕES PARA TERCEIRAS ENTIDADES. ISENÇÃO. IMPROCEDÊNCIA DO PEDIDO. ALEGAÇÃO DE OFENSA AOS ARTS. 489 E 1.022, AMBOS DO CPC/2015. INEXISTÊNCIA. PRETENSÃO DE REEXAME DOS FATOS E PROVAS. APLICAÇÃO DA SÚMULA N. 7/STJ. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS N. 211/STJ E 282, 356/STF. ACÓRDÃO RECORRIDO ALINHADO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 83/STJ. I - Na origem, trata-se de ação ajuizada pelo Instituto de Tecnologia, Educação e Cultura - ITC contra contra a União, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação - FNDE, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - Incra, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas - Sebrae e o Serviço Social do Comércio - Sesc objetivando a declaração de que o autor é imune às contribuições para a seguridade social e isento das contribuições destinadas a terceiros e devolução dos valores pagos indevidamente. II - Na sentença, excluiu-se do polo passivo o FNDE, o Incra, o Sebrae e o Sesc, e julgou-se improcedente o pedido. No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. Esta Corte conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial. III - A Corte de origem bem analisou a controvérsia com base nos seguintes fundamentos: " .. Conforme se verifica da minuta, da temática que serviu como fundamento da decisão monocrática, o agravo interno não tratou, eis que específico somente repetiu os mesmos argumentos trazidos com a apelação sem aduzir argumento algum capaz de contrapor frontal e explicitamente os fundamentos da decisão unipessoal. .. Sendo patente a entre as falta de correlação necessária e suficiente razões deduzidas na minuta do agravo e o fundamento da decisão agravada, o recurso sequer reúne condições de conhecimento." IV - Não há violação do art. 1.022 do CPC/2015 (antigo art. 535 do CPC/1973) quando o Tribunal a quo se manifesta clara e fundamentadamente acerca dos pontos indispensáveis para o desate da controvérsia, apreciando-a (art. 165 do CPC/1973 e do art. 489 do CPC/2015), apontando as razões de seu convencimento, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como verificado na hipótese. V - Conforme entendimento pacífico desta Corte, "o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão". A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo Superior Tribunal de Justiça, "sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida". EDcl no MS n. 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016. VI - A Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa, seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". VII - Esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. VIII - Não há incompatibilidade entre a inexistência de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 e a ausência de prequestionamento, com a incidência do enunciado n. 211 da Súmula do STJ, quanto às teses invocadas pela parte recorrente, que, entretanto, não são debatidas pelo Tribunal local, por entender suficientes para a solução da controvérsia outros argumentos utilizados pelo colegiado. Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 1.234.093/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 24/4/2018, DJe 3/5/2018; AgInt no AREsp n. 1.173.531/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 20/3/2018, DJe 26/3/2018. IX - O Tribunal de origem decidiu a matéria em conformidade com a jurisprudência desta Corte. Incide o disposto no enunciado n. 83 da Súmula do STJ, segundo o qual: "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida." X - Agravo interno improvido. Opostos embargos de declaração, aponta a parte embargante os seguintes vícios no acórdão embargado: Com a devida vênia, Excias., entendem os Embargantes que o acórdão embargado restou omisso e obscuro quanto aos argumentos deduzidos no subitem "04.1" e nos itens "05" e "06" do Agravo Interno (e-STJ fls. 1422/1446), o que autoriza a oposição dos presentes Embargos de Declaração, nos termos do artigo 1.022, I e II, do Código de Processo Civil. Nos referidos itens, os Embargantes demonstraram, em resumo, que não há incidência, in casu, das Súmulas 07, 83 e 2111 deste Colendo Superior Tribunal de Justiça no que tange à alegação de ofensa ao artigo 1.026, § 2º, do Código de Processo Civil, violado pelo acórdão do Tribunal "a quo" ao condenar os Embargantes em multa pela oposição de primeiros e únicos Embargos de Declaração. (..) Ocorre que, como se observa do Recurso Especial, o seu objetivo é afastar a condenação dos Embargantes ao pagamento da multa de 2% sobre o valor corrigido da causa originária, pela oposição de Embargos de Declaração, em respeito ao artigo 1.026, § 2º, do CPC/2015. Não há qualquer insurgência contra o que decidiu o Tribunal de origem quanto ao mérito. Logo, os óbices invocados ao conhecimento do Recurso Especial não se aplicam no caso concreto. Tanto que o acórdão não aponta qualquer justificativa específica sobre a discussão atinente à multa processual, que sequer é relatada. No subitem "04.1" do Agravo Interno, os Embargantes argumentaram que, no que tange à pretensão de afastamento da multa pela oposição de Embargos de Declaração, supostamente protelatórios, trata-se de questão meramente jurídica, passível de ser decidida a partir dos fatos constatados das próprias decisões proferidos nos autos. Na hipótese, o acórdão que rejeitou os Embargos de Declaração condenou os Embargantes ao pagamento de multa, sem descrever especificamente a conduta protelatória realizada pelos Embargantes apenada com multa. No caso em apreço, o mero não provimento aos Embargos de Declaração ensejou a aplicação da pena, desbordando das hipóteses legais. Logo, a discussão a esse respeito não encontra óbice na Súmula 07/STJ. Os Embargantes não pretendem o reexame do contexto fático-probatório dos autos, mas apenas que este Egrégio Tribunal decida se a oposição de Embargos de Declaração, para fins de prequestionamento e acesso aos Tribunais Superiores, são ou não protelatórios, sujeitando à incidência da multa prevista no artigo 1.026, § 2º, do Código de Processo Civil. O acórdão ora embargado apenas reafirmou a aplicação do referido enunciado, sem se pronunciar sobre os argumentos deduzidos no subitem "04.1" do Agravo Interno, merecendo ser aclarado neste aspecto. O acórdão ora embargado, ademais, ao afirmar a suposta ausência de "prequestionamento da matéria alegadamente violada", restou omisso quanto aos argumentos deduzidos no item "05" do Agravo Interno, no qual os Embargantes demonstraram que a questão jurídica tratada pelo artigo 1.026, §º2º do CPC/2015 foi devidamente debatida no Tribunal de Origem. Referido dispositivo trata da multa pela oposição de Embargos de Declaração, quando manifestamente protelatórios. A questão jurídica foi analisada expressamente pelo Tribunal de Origem em sede de Embargos de Declaração. Logo, não há aplicação da Súmula 211/STJ2. Ora, se a multa foi aplicada pelo próprio Tribunal "a quo", não é concebível que a questão não teria sido debatida na origem. Por fim, o acórdão embargado também restou omisso quanto aos argumentos deduzidos no item "06" do Agravo Interno. Naquela ocasião, os Embargantes demonstraram que, muito embora a decisão monocrática, mantida pelo acórdão ora embargado, tenha invocado a Súmula 83/STJ, não indica uma decisão sequer para sustentar a afirmação de que o acórdão recorrido, supostamente, estaria "em conformidade com a jurisprudência desta Corte". E nem poderia, pois, de fato, o Tribunal de origem não decidiu a matéria em conformidade com a jurisprudência deste Colendo Superior Tribunal de Justiça. Os Embargantes demonstraram que a jurisprudência desta Corte Superior, em verdade, confirma o entendimento dos Embargantes de que a simples oposição de Embargos de Declaração, ainda que improcedentes, não enseja a incidência da multa prevista no artigo 1.026, § 2º, do Código de Processo Civil, pois, para a condenação, haveria necessidade de comprovação de que seriam protelatórios, o que não restou demonstrado pelo acórdão recorrido. Logo se vê que os óbices indicados pelo acórdão embargado não são aplicáveis ao capítulo do Recurso Especial que objetiva o afastamento da multa pela oposição de Embargos de Declaração supostamente protelatórios. É o relatório. EMENTA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PARA SEGURIDADE SOCIAL. IMUNIDADE. CONTRIBUIÇÕES PARA TERCEIRAS ENTIDADES. ISENÇÃO. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. ALEGAÇÕES DE VÍCIOS NO ACÓRDÃO EMBARGADO. VÍCIOS INEXISTENTES. PRETENSÃO DE REEXAME. I - Os embargos não merecem acolhimento. Se o recurso é inapto ao conhecimento, a falta de exame da matéria de fundo impossibilita a própria existência de omissão quanto a esta matéria. Nesse sentido: EDcl nos EDcl no AgInt no RE nos EDcl no AgInt no REsp 1.337.262/RJ, relator Ministro Humberto Martins, Corte Especial, julgado em 21/3/2018, DJe 5/4/2018; EDcl no AgRg no AREsp 174.304/PR, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, julgado em 10/4/2018, DJe 23/4/2018; EDcl no AgInt no REsp 1.487.963/RS, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 24/10/2017, DJe 7/11/2017. II - As alegações de omissão da parte se referem ao mérito da controvérsia, que não foi analisado nesta Corte. O fato de o Acórdão reproduzir o mesmo texto dos fundamentos, relacionados aos óbices de admissibilidade do recurso, aplicados na decisão de admissibilidade, não importa em violação dos arts. 489 e 1021, §3º do CPC/2015, pois a alteração do texto referente aos óbices não modificaria o fato de que os fundamentos de admissibilidade são os mesmos. III - Segundo o art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, os embargos de declaração são cabíveis para esclarecer obscuridade; eliminar contradição; suprir omissão de ponto ou questão sobre as quais o juiz devia pronunciar-se de ofício ou a requerimento; e/ou corrigir erro material. IV - Conforme entendimento pacífico desta Corte: "O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida." EDcl no MS 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016. V - A pretensão de reformar o julgado não se coaduna com as hipóteses de omissão, contradição, obscuridade ou erro material contidas no art. 1.022 do CPC/2015, razão pela qual inviável o seu exame em embargos de declaração. VI - Visando esclarecer o julgado no tocante à multa do art. 1.026, §2º do CPC, aplicada pelo Tribunal a quo nos embargos declaratórios, verifica-se que a oposição deste meio recursal repetindo questões já apresentadas e afastadas, objetivam o retardamento jurisdicional, deixando claro o seu caráter protelatório, o que viabiliza a aplicação da multa. VII - Embargos de declaração rejeitados. VOTO Os embargos não merecem acolhimento. Se o recurso é inapto ao conhecimento, a falta de exame da matéria de fundo impossibilita a própria existência de omissão quanto a esta matéria. Nesse sentido: EDcl nos EDcl no AgInt no RE nos EDcl no AgInt no REsp 1.337.262/RJ, relator Ministro Humberto Martins, Corte Especial, julgado em 21/3/2018, DJe 5/4/2018; EDcl no AgRg no AREsp 174.304/PR, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, julgado em 10/4/2018, DJe 23/4/2018; EDcl no AgInt no REsp 1.487.963/RS, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 24/10/2017, DJe 7/11/2017. Segundo o art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, os embargos de declaração são cabíveis para esclarecer obscuridade; eliminar contradição; suprir omissão de ponto ou questão sobre as quais o juiz devia pronunciar-se de ofício ou a requerimento; e/ou corrigir erro material. Conforme entendimento pacífico desta Corte: "O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida." EDcl no MS 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016. O acórdão é claro e sem obscuridades quanto aos vícios indicados pela parte embargante, conforme se confere dos seguintes trechos: Não há violação do art. 1.022 do CPC/2015 (antigo art. 535 do CPC/1973) quando o Tribunal a quo se manifesta clara e fundamentadamente acerca dos pontos indispensáveis para o desate da controvérsia, apreciando-a (art. 165 do CPC/1973 e do art. 489 do CPC/2015), apontando as razões de seu convencimento, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como verificado na hipótese. (..) Quanto à matéria de fundo (art. 1.021 e 1.026 do CPC/2015), verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa, seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". Relativamente às demais alegações de violação, esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. Conforme entendimento desta Corte, não há incompatibilidade entre a inexistência de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 e a ausência de prequestionamento, com a incidência do enunciado n. 211 da Súmula do STJ, quanto às teses invocadas pela parte recorrente, que, entretanto, não são debatidas pelo Tribunal local, por entender suficientes para a solução da controvérsia outros argumentos utilizados pelo colegiado. Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 1.234.093/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 24/4/2018, DJe 3/5/2018; AgInt no AREsp n. 1.173.531/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 20/3/2018, DJe 26/3/2018. Ademais, verifica-se que o Tribunal de origem decidiu a matéria em conformidade com a jurisprudência desta Corte. Incide o disposto no enunciado n. 83 da Súmula do STJ, segundo o qual: "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida." O fato de existir precedente isolado sobre a mesma matéria, não enseja a viabilidade de reforma do julgado. A pretensão de reformar o julgado não se coaduna com as hipóteses de omissão, contradição, obscuridade ou erro material contidas no art. 1.022 do CPC/2015, razão pela qual inviável o seu exame em embargos de declaração. Nesse sentido: PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. FINALIDADE DE PREQUESTIONAMENTO DE MATÉRIA CONSTITUCIONAL. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. EFEITOS INFRINGENTES. IMPOSSIBILIDADE. ART. 1.022 DO NOVO CPC. 1. A ocorrência de um dos vícios previstos no art. 1.022 do CPC é requisito de admissibilidade dos embargos de declaração, razão pela qual a pretensão de mero prequestionamento de dispositivos constitucionais para a viabilização de eventual recurso extraordinário não possibilita a sua oposição. Precedentes da Corte Especial. 2. A pretensão de reformar o julgado não se coaduna com as hipóteses de omissão, contradição, obscuridade ou erro material contidas no art. 1.022 do novo CPC, razão pela qual inviável o seu exame em sede de embargos de declaração. 3. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl nos EAREsp 166.402/PE, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, CORTE ESPECIAL, julgado em 15/3/2017, DJe 29/3/2017.) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NA RECLAMAÇÃO. CONTRADIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. OMISSÕES. INEXISTÊNCIA. CARÁTER PROCRASTINATÓRIO RECONHECIDO. APLICAÇÃO DE MULTA. 1. A contradição capaz de ensejar o cabimento dos embargos declaratórios é aquela que se revela quando o julgado contém proposições inconciliáveis internamente. 2. Sendo os embargos de declaração recurso de natureza integrativa destinado a sanar vício - obscuridade, contradição ou omissão -, não podem ser acolhidos quando a parte embargante pretende, essencialmente, a obtenção de efeitos infringentes. 3. Evidenciado o caráter manifestamente protelatório dos embargos de declaração, cabe a aplicação da multa prevista no parágrafo único do art. 538 do CPC/1973. 4. Embargos de declaração rejeitados com aplicação de multa. (EDcl na Rcl 8.826/RJ, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, CORTE ESPECIAL, julgado em 15/2/2017, DJe 15/3/2017.) Visando esclarecer o julgado no tocante à multa do art. 1.026, §2º do CPC, aplicada pelo Tribunal a quo nos embargos declaratórios, verifica-se que a oposição deste meio recursal repetindo questões já apresentadas e afastadas, objetivam o retardamento jurisdicional, deixando claro o seu caráter protelatório, o que viabiliza a aplicação da multa. Ante o exposto, rejeito os embargos de declaração. É o voto.