AREsp 1695187 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque o acórdão recorrido apreciou a matéria de forma fundamentada e está em consonância com a jurisprudência do STJ de que juros e multa sobre contribuições previdenciárias só incidem quando o período a ser indenizado é posterior à MP 1.523/1996,...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 April 2021
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Agravo Conhecido; Recurso Especial Não Conhecido (recurso Inadmitido)
- Outcome
- Agravo conhecido para não conhecer do recurso especial da autarquia federal.
- Legal Topics
- Contribuições Previdenciárias, Incidência De Juros E Multa, Medida Provisória 1.523/1996, Admissibilidade Recursal, Súmula 83/stj
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Agravo Conhecido; Recurso Especial Não Conhecido (recurso Inadmitido)
Legal Issues
- 1 Violação do art. 1.022 do CPC/2015 (alegada omissão)
- 2 Aplicabilidade do art. 45, §4º, da Lei 8.212/1991 e incidência de juros e multa sobre contribuições anteriores à MP 1.523/1996
- 3 Efeito imediato de normas e proteção ao ato jurídico perfeito, direito adquirido e coisa julgada
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque o acórdão recorrido apreciou a matéria de forma fundamentada e está em consonância com a jurisprudência do STJ de que juros e multa sobre contribuições previdenciárias só incidem quando o período a ser indenizado é posterior à MP 1.523/1996, incidindo assim o óbice da Súmula 83/STJ.
Court Disposition
Agravo conhecido para não conhecer do recurso especial da autarquia federal.
Orders
- Conheço do agravo e não conheço do recurso especial da autarquia federal.
- Publique-se. Intimações necessárias.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO PREVIDENCIÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC/2015. INOCORRÊNCIA.BASE DE CÁLCULO DAINDENIZAÇÃO. PERÍODO ANTERIOR À EDIÇÃO DA MEDIDA PROVISÓRIA 1.523/1996. JUROS E MULTA INCABÍVEIS. SÚMULA 83/STJ.AGRAVO CONHECIDO PARA NÃO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL DA AUTARQUIA FEDERAL. 1. Agrava-se de decisão que inadmitiu o recurso especial interposto pelo INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL,com fundamento no art. 105, inciso III, alíneaa, da CF/1988, no qual se insurge contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, assim ementado: PREVIDENCIÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. INDENIZAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MEDIDA PROVISÓRIA Nº1523/1996. LEGITIMIDADE PASSIVA DO INSS. Para a indenização de contribuições previdenciárias referentes a competências anteriores à Medida Provisória nº 1.523/1996, não devem ser computados juros de mora e multa. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (fls. 205/209). 2. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (fls. 243/246). 3. Nasrazões do seurecurso especial (fls. 256/275), a parte agravante sustenta violação do art. 1.022, inciso II, do CPC/2015, doart. 45, § 4º, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela MP 1.523/1996, e dos arts. 2º e 6º da LINDB, argumentando, para tanto, que: (a) houve negativa de prestação jurisdicional; (b) todas as obrigaçõesanteriores àMP 1.523/96devem sujeitar-se à incidência de juros moratórios e multa, contabilizadosdesde a edição da aludida Medida Provisória;(c) os atos normativos que entram em vigor têm efeito imediato e geral, passando a abranger as relações jurídicas em manutenção, respeitando-se o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada material (fls. 272); e (d) não há direito adquirido a regime jurídico 4. Devidamente intimada (fls. 283),a parte agravada apresentou as contrarrazões (fls. 285/288). 5. Sobreveio o juízo de admissibilidade negativo(fls. 291/294),fundadono óbice da Súmula 7/STJ,razão pela qual se interpôs o presente agravo em recurso especial, ora em análise. 6. A Procuradoria-Geral da República, por meio do Subprocurador-Geral da República NICOLAO DINO, manifestou-se pelo provimento do agravo, para conhecer parcialmente o recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento (fls. 337/342). 7. É o relatório. 8. A irresignação não merece prosperar. 9. Inicialmente, é importante ressaltar que o presente recurso atrai a incidência do Enunciado Administrativo 3 do STJ, segundo o qual, aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016), serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo Código. 10. Ainda, inexiste a alegada violação do art. 1.022, II, do CPC/2015, pois a prestação jurisdicional foi dada na medida da pretensão deduzida, conforme se depreende da análise do acórdão recorrido. O Tribunal de origem apreciou fundamentadamente a controvérsia, não padecendo o julgado de qualquer erro, omissão, contradição ou obscuridade. Observe-se, ademais, que julgamento diverso do pretendido, como na espécie, não implica ofensa ao dispositivo de lei invocado. 11. No que toca à questão de fundo, oacórdão recorrido está alinhado à orientação jurisprudencial desta Corte, segundo a qual a incidência de juros e multa nas contribuições pagas em atraso, estabelecida no art. 45, § 4o.,da Lei 8.213/1991, só é aplicável aos meses de competência posteriores à edição da MP 1.523/1996, que alterou o texto do dispositivo legal. 12. Confirmando tal orientação, os seguintes julgados: PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA POR TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO.CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. PERÍODOS ANTERIORES À LEI N. 9.032/1995.CONTRIBUIÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. FATO GERADOR. 1. Os arts. 45 e 46 da Lei de Custeio da Previdência Social foram declarados inconstitucionais pela Corte Suprema, porém com efeitos ex nunc, ressalvando as demandas propostas até 11/06/2008, tal como ocorrido no caso concreto. 2. O cálculo dos valores devidos a título de contribuição previdenciária deve levar em consideração a legislação vigente à época da atividade laborativa, ou seja, do fato gerador, e não do requerimento administrativo. 3. Uma vez que o período referente às contribuições se deu entre os anos de 1969 e 1974, não há falar na aplicação do § 2º do art. 45 da Lei n. 8.212/1991, cuja redação foi introduzida pela Lei n.9.032/1995. 4. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp 681.131/SP, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 30/11/2020, DJe 03/12/2020). TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONTAGEM RECÍPROCA DE TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO. JUROS E MULTA. PERÍODO ANTERIOR À MP N.1.523/1996. NÃO INCIDÊNCIA. PROCESSUAL CIVIL. FAZENDA NACIONAL.LEGITIMIDADE PASSIVA. OFENSA AO ART. 535 DO CPC/73 NÃO CONFIGURADA. I - Na origem, trata-se de ação que objetiva o reconhecimento da inexigibilidade de juros de mora e de multa no cálculo de indenização necessária à expedição de certidão de tempo de serviço, para contagem recíproca de tempo de contribuição da segurada, nos períodos compreendidos entre 1º/2/1976 a 22/8/1982 e 25/7/1984 a 20/1/1986. .. IV - As contribuições previdenciárias não pagas em época própria, para fins de contagem recíproca de tempo de serviço, somente sofrerão acréscimos de juros e multa quando o período a ser indenizado for posterior à Medida Provisória n. 1.523/1996, convertida na Lei n. 9.528/1997. A hipótese dos autos, contudo, refere-se aos períodos compreendidos entre 1º.2.1976 a 22.8.1982 e 25.7.1984 a 20.1.1986. Precedentes: REsp n. 1.681.403/RS, Rel.Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 9/10/2017; REsp n.1.564.562/RS, Rel. Min. Og Fernandes, DJe 29/9/2017. V - Recurso especial da Fazenda Nacional improvido. Recurso Especial do Instituto Nacional do Seguro Social parcialmente conhecido e nesta parte improvido. (REsp 1.607.075/SC, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/04/2019, DJe 05/04/2019). PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. OFENSA AO ART. 1.022 DO CPC/2015 NÃO CONFIGURADA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EM ATRASO. CONTAGEM RECÍPROCA. INDENIZAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. JUROS E MULTA. PERÍODO ANTERIOR À MP 1.523/1996. NÃO INCIDÊNCIA DOS ACRÉSCIMOS LEGAIS. 1. A solução integral da controvérsia, com fundamento suficiente, não caracteriza ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça se firmou no sentido de que a exigência de juros e multa somente tem lugar quando o período a ser indenizado é posterior à edição da Medida Provisória 1.523/1996. 3. Recurso Especial conhecido em parte, e nessa parte, não provido. (REsp 1.681.403/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/09/2017, DJe 09/10/2017). 13. No caso dos autos,as contribuições em atraso referem-sea competências anteriores a 1996 (período de 1/1975 a 12/1979, conforme fls. 208 do acórdão), não havendo, assim, que se falarem incidência de juros e multa. 14. Incide à espécie, portanto, o óbice da Súmula 83/STJ. 15. Ante o exposto, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial da autarquia federal. 16. Publique-se. Intimações necessárias.