REsp 1933859 - ACORDAO
Negou‑se provimento ao agravo regimental porque a menoridade do adolescente foi comprovada por auto de prisão em flagrante contendo elementos de identificação (RG, CPF, filiação, data de nascimento e naturalidade), sendo tal prova idônea nos termos da Súmula 74/STJ e da jurisprudência, insuficiente o argumento de...
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- Parties
- Agravante: Ademir Macena; Agravado: Ministério Público de São Paulo
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 November 2021
- Procedural Posture
- Agravo Regimental Em Recurso Especial / Julgamento Colegiado Na Sexta Turma Decisão Final
- Outcome
- Agravo regimental improvido
- Legal Topics
- Corrupção De Menores, Prova Da Menoridade, Súmula 74/stj, Dosimetria
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Parties
Ademir Macena
Agravante
Ministério Público de São Paulo
Agravado
Procedural Posture
Agravo Regimental Em Recurso Especial / Julgamento Colegiado Na Sexta Turma Decisão Final
Legal Issues
- 1 Comprovação da menoridade para tipificação do art. 244-B do ECA
- 2 Admissibilidade de documentos não oficiais (boletim de ocorrência, auto de prisão em flagrante) para comprovar menoridade
- 3 Pedido de absolvição por ausência de documento idôneo que comprove a menoridade
Ratio Decidendi
Negou‑se provimento ao agravo regimental porque a menoridade do adolescente foi comprovada por auto de prisão em flagrante contendo elementos de identificação (RG, CPF, filiação, data de nascimento e naturalidade), sendo tal prova idônea nos termos da Súmula 74/STJ e da jurisprudência, insuficiente o argumento de ausência de prova para absolvição.
Court Disposition
Agravo regimental improvido
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Rogerio Schietti Cruz, Olindo Menezes (Desembargador Convocado do TRF 1ª Região) e Laurita Vaz votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Antonio Saldanha Palheiro.
RELATÓRIO Trata-se de agravo regimental interposto por Ademir Macena contra a decisão que deu provimento ao recurso especial interposto pelo Ministério Público de São Paulo (fls. 728/735): RECURSOS ESPECIAIS. PENAL E PROCESSUAL PENAL. ROUBO MAJORADO E CORRUPÇÃO DE MENORES. PLEITO ACUSATÓRIO. LEGISLAÇÃO EXTRAVAGANTE. LEI N. 8.069/1990. ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL E VIOLAÇÃO DO ART. 244-B DO ECA. CORRUPÇÃO DE MENORES. CRIME FORMAL. SÚMULA 500/STJ. RESTABELECIMENTO DA CONDENAÇÃO QUE SE IMPÕE. PLEITO DEFENSIVO. VIOLAÇÃO DO ART. 792 DO CPP. CARÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 65, III, D, E 67, AMBOS DO CP. ATENUANTE DA CONFISSÃO ESPONTÂNEA. UTILIZAÇÃO COMO SUPORTE DA CONDENAÇÃO. CONSIDERAÇÃO OBRIGATÓRIA. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. DETERMINADO O RETORNO DOS AUTOS À ORIGEM PARA NOVA DOSIMETRIA. Recurso especial do Ministério Público de São Paulo provido nos termos do dispositivo. Recurso especial de Ademir Macena parcialmente conhecido e, nessa extensão, provido nos termos do dispositivo. Opostos embargos de declaração (fls. 739/743), foram acolhidos, sem efeitos infringentes (fls. 746/749): EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM RECURSO ESPECIAL. CORRUPÇÃO DE MENORES. OMISSÃO NA ANÁLISE DE TESE DEFENSIVA SUSTENTADA EM SEDE DE CONTRARRAZÕES. VERIFICAÇÃO. OCORRÊNCIA. PLEITO DE ABSOLVIÇÃO. ALEGAÇÃO DE FRAGILIDADE PROBATÓRIA APTA A SUSTENTAR A CONDENAÇÃO. COMPROVAÇÃO DE IDADE. DOCUMENTO APTO. AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE. SÚMULA 74/STJ. MANUTENÇÃO DA CONDENAÇÃO QUE SE IMPÕE. Embargos de declaração acolhidos, sem efeitos infringentes. Expõe o agravante que o BO informa que não foi apresentado RG original. .. , compulsando todas as cópias do auto de prisão em flagrante, verifica-se que não há qualquer cópia de documento de identificação civil do suposto adolescente. Posteriormente não se procedeu a nenhuma verificação e comprovação de identidade civil do suposto adolescente, que sequer foi ouvido em juízo. Com efeito, sem pretender exercer nenhum juízo de valor depreciativo, fato é que a apresentação pelo adolescente de qualificação incorreta, que atestasse menoridade inexistente, seria de total interesse e vantagem, pois o livraria de responsabilidade penal pelo fato que teria praticado em concurso com o recorrido (fl. 754). Reitera que, não constando do processo documento hábil que ateste a idade do suposto adolescente e tendo sido consignado no boletim de ocorrência que o adolescente não apresentou RG original, por ocasião de sua apreensão, requeiro seja reconhecida a atipicidade de conduta (por ausência de evidências materiais e suficientes do elementar "menor de 18 anos," é o caso de se apreciar e acolher o argumento defensivo, mantendo-se a absolvição decretada em instâncias ordinárias. Não se cuida aqui de exigir comprovação de idade por certidão de nascimento, mas sim por qualquer documento hábil para tanto. O presente recurso não ignora a súmula 74 do STJ, mas lembra que é necessário a apresentação de algum documento para comprovar a idade da suposta vítima, não bastando sua mera declaração (fl. 755). Requer seja reconsiderada ou reformada a decisão monocrática, restabelecendo-se a absolvição do agravante da acusação de crime de corrupção de menores (fl. 755). Foi dispensada a oitiva da parte agravada. É o relatório. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL EMEMBARGOS DE DECLARAÇÃO EMRECURSO ESPECIAL. CORRUPÇÃO DE MENORES. PLEITO DE ABSOLVIÇÃO. ALEGAÇÃO DE FRAGILIDADE PROBATÓRIA APTA A SUSTENTAR A CONDENAÇÃO. COMPROVAÇÃO DE IDADE. DOCUMENTO APTO. AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE. SÚMULA 74/STJ. MANUTENÇÃO DA CONDENAÇÃO QUE SE IMPÕE. 1. Os argumentos recursais não são suficientes para infirmar os fundamentos da decisão agravada, haja vista estar em harmonia com a jurisprudência desta Corte, firmada no sentido de que documento firmado por agente público atestando a idade do inimputável é documento hábil para a comprovação da menoridade da vítima do crime de corrupção de menores. 2. A menoridade do adolescente J W A O ficou comprovada por auto de prisão em flagrante (fls. 3/4), constando, inclusive, seus números de RG e CPF, filiação, data de nascimento e naturalidade,sendo referido documento hábil a atestar a menoridade, conforme Súmula 74 do STJ. 3. A comprovação da menoridade, para fins de tipificação do delito previsto no art. 244-B do Estatuto da Criança e do Adolescente, não exige obrigatoriamente a apresentação de documentos oficiais, podendo esta circunstância elementar ser comprovada por outros documento idôneos, tais como o boletim de ocorrência policial e auto de apreensão do adolescente (AgRg no AREsp n. 1.487.060/MG, Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe 02/08/2019). 4. A menoridade, para fins de tipificação do crime previsto no artigo 244-B da Lei nº 8.069/90, pode ser comprovada por outros meios idôneos, não se exigindo seja realizada somente por certidão de nascimento ou carteira de identidade. Precedentes: HC 92.014, Rel. Min. Menezes de Direito, Primeira Turma, DJe 21/11/2008, e HC 121.709, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, Segunda Turma, DJe 12/06/2014 (HC n. 124132/MG, Ministro Luiz Fux, Segunda Turma, DJe 17/11/2014). 5. Agravo regimental improvido. VOTO Os argumentos recursais não são suficientes para infirmar os fundamentos da decisão agravada, haja vista estar em harmonia com a jurisprudência desta Corte, firmada no sentido de que documento subscrito por agente público atestando a idade do inimputável é documento hábil para a comprovação da menoridade da vítima do crime de corrupção de menores. Destaca-se que, a menoridade do adolescente J W A O ficou comprovada por auto de prisão em flagrante (fls. 3/4), constando, inclusive, seus números de RG e CPF, filiação, data de nascimento e naturalidade,sendo referido documento hábil a atestar a menoridade, conforme Súmula 74 do STJ, não havendo, portanto, falar em ausência de prova da conduta praticada pelo agravante. A propósito: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ROUBO MAJORADO E CORRUPÇÃO DE MENOR. DOSIMETRIA. PENA-BASE. FUNDAMENTAÇÃO CONCRETA. MAJORAÇÃO RAZOÁVEL. AUSÊNCIA DE ILEGALIDADE. PROVA DA MENORIDADE. CERTIDÃO DE NASCIMENTO. PRESCINDIBILIDADE. OUTROS DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Não se constata ofensa ao art. 59 do Código Penal quando as instâncias ordinárias promovem a majoração da pena-base com amparo em fundamentação idônea e em patamar razoável, pois o aumento da pena, nesta etapa da dosimetria, não está vinculada a uma fração matemática exata. 2. A comprovação da menoridade, para fins de tipificação do delito previsto no art. 244-B do Estatuto da Criança e do Adolescente, não exige obrigatoriamente a apresentação de certidão de nascimento, podendo esta circunstância elementar ser comprovada por outros documentos idôneos, tais como o boletim de ocorrência policial, o auto de apreensão do adolescente as peças do procedimento instaurado na Justiça da Infância e Juventude. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp n. 1.737.765/MG, Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe 13/11/2018 - grifo nosso). AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CORRUPÇÃO DE MENORES. PROVA DA MENORIDADE DA VÍTIMA. DOCUMENTO OFICIAL OU EQUIVALENTE. PRESCINDIBILIDADE. OUTROS DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. INSURGÊNCIA DESPROVIDA. 1. A comprovação da menoridade, para fins de tipificação do delito previsto no art. 244-B do Estatuto da Criança e do Adolescente, não exige obrigatoriamente a apresentação de documentos oficiais, podendo esta circunstância elementar ser comprovada por outros documentos idôneos, tais como o boletim de ocorrência policial e auto de apreensão do adolescente. 2. No caso, o auto de apreensão em flagrante, o boletim de ocorrência, o mandado de internação provisória e a declaração do próprio agravante são meios idôneos para a comprovação da menoridade do adolescente envolvido na prática delitiva, autorizando, desse modo, a condenação do réu pela prática do delito previsto no art. 244-B do ECA. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AREsp n. 1.487.060/MG, Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe 02/08/2019 - grifo nosso). Corroborando tal posicionamento, colhe-se do Supremo Tribunal Federal os seguintes julgados: Agravo regimental no habeas corpus. Penal. Corrupção de menores (art. 244-B da Lei nº 8.069/90). Alegada inexistência de prova documental idônea a comprovar a menoridade do suposto adolescente corrompido. Improcedência. Apresentação de documento de identidade civil à autoridade policial por ocasião da lavratura do boletim de ocorrência. Idoneidade da prova. Precedentes. Regimental não provido. 1. A menoridade da vítima foi comprovada nos autos mediante a apresentação de documento de identidade civil à autoridade policial por ocasião da lavratura do boletim de ocorrência. 2. Consoante pacífica jurisprudência da Corte, para fins de comprovação da menoridade da vítima corrompida (art. 244-B da Lei nº 8.069/90), é juridicamente idônea a apresentação da cédula de identidade, do certificado de reservista ou do título de eleitor (v.g. RHC nº 147.041/DF, Relator o Ministro Celso de Mello, DJe de 7/2/18). 3. Agravo regimental ao qual se nega provimento. (HC n. 146.044 AgR/MG, Ministro Dias Toffoli, Segunda Turma, DJe 13/4/2018 - grifo nosso). PENAL E PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. CRIMES DE ROUBO QUALIFICADO E CORRUPÇÃO DE MENOR. ARTIGOS 157, § 2º, II, DO CÓDIGO PENAL E 244-B DA LEI Nº 8.069/90. HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. INADMISSIBILIDADE. COMPETÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL PARA JULGAR HABEAS CORPUS: CF, ART. 102, I, d E i. ROL TAXATIVO. AUSÊNCIA DE TERATOLOGIA OU FLAGRANTE ILEGALIDADE. PRETENSÃO DE ABSOLVIÇÃO QUANTO AO CRIME DE CORRUPÇÃO DE MENOR. PRESCINDIBILIDADE DA CERTIDÃO DE NASCIMENTO OU CARTEIRA DE IDENTIDADE PARA A COMPROVAÇÃO DA MENORIDADE. PRECEDENTES. ORDEM DE HABEAS CORPUS EXTINTA. 1. A menoridade para fins de tipificação do crime previsto no artigo 244-B da Lei nº 8.069/90 pode ser comprovada por outros meios idôneos, não se exigindo seja realizada somente por certidão de nascimento ou carteira de identidade. Precedentes: HC 92.014, Rel. Min. Menezes de Direito, Primeira Turma, DJe 21/11/2008, e HC 121.709, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, Segunda Turma, DJe 12/06/2014. 2. In casu, o paciente foi condenado pela prática dos crimes de roubo qualificado (art. 157, § 2º, II, do Código Penal) e corrupção de menores (art. 244-B da Lei nº 8.069/90), sendo que a menoridade do comparsa restou comprovada através de atestado de antecedentes criminais e do boletim de ocorrência. 3. A competência originária do Supremo Tribunal Federal para conhecer e julgar habeas corpus está definida, taxativamente, no artigo 102, inciso I, alíneas "d" e "i", da Constituição Federal, sendo certo que a presente impetração não está arrolada em nenhuma das hipóteses sujeitas à jurisdição desta Corte. 4. Inexiste, no caso, excepcionalidade que justifique a concessão, ex officio, da ordem. 5. Habeas Corpus extinto. (HC n. 124.132/MG, Ministro Luiz Fux, Segunda Turma, DJe 17/11/2014 - grifo nosso). Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental.