AREsp 2984622 - DECISAO
O agravo foi conhecido em parte, e o recurso especial foi desprovido porque a pretensão de aproveitamento de crédito presumido de IPI relativo a insumos isentos, sujeitos à alíquota zero ou não tributáveis está pacificada e vedada pelo entendimento vinculante do STF (Súmula Vinculante n. 58), e a alegação sobre o...
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- Parties
- Recorrente: NOVA ERA SILICON S.A.; Recorrida: União
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 November 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão
- Outcome
- CONHEÇO do agravo para CONHECER PARCIALMENTE do recurso especial e, nessa extensão, NEGAR-LHE PROVIMENTO.
- Legal Topics
- Crédito Presumido De IPI, Insumos Isentos/à Alíquota Zero/não Tributáveis, Produção Própria, Correção Monetária E Juros SELIC, Prescrição Quinquenal, Admissibilidade De Recurso Especial
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Parties
NOVA ERA SILICON S.A.
Recorrente
União
Recorrida
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão
Legal Issues
- 1 Se é possível incluir na base de cálculo do crédito presumido de IPI o valor de insumos, produtos intermediários e material de embalagem de produção própria ou adquiridos com entrada não-tributada ou à alíquota zero
- 2 Qual o marco inicial para incidência da atualização monetária/juros (SELIC) sobre créditos presumidos de IPI
- 3 Se o recurso especial é conhecido quando não há indicação do dispositivo de lei federal supostamente violado
Ratio Decidendi
O agravo foi conhecido em parte, e o recurso especial foi desprovido porque a pretensão de aproveitamento de crédito presumido de IPI relativo a insumos isentos, sujeitos à alíquota zero ou não tributáveis está pacificada e vedada pelo entendimento vinculante do STF (Súmula Vinculante n. 58), e a alegação sobre o marco inicial da correção monetária não foi admissível por ausência de indicação do dispositivo de lei federal supostamente violado, configurando óbice de admissibilidade (Súmula n. 284 do STF).
Court Disposition
CONHEÇO do agravo para CONHECER PARCIALMENTE do recurso especial e, nessa extensão, NEGAR-LHE PROVIMENTO.
Orders
- Conheço do agravo para conhecer parcialmente do recurso especial e negar-lhe provimento.
- Publique-se.
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DECISÃO Trata-se de agravo interposto por NOVA ERA SILICON S.A. contra a decisão da Presidência do Tribunal Regional Federal da 6ª Região que que inadmitiu o recurso especial dirigido contra o acórdão prolatado na apelação n. 2006.38.14.002978-3. Consta dos autos que a parte recorrente ajuizou ação declaratória com a pretensão de ser reconhecido o direito a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de IPI, instituído pela Lei n. 9.363/96, o valor da aquisição de todos os bens adquiridos para o processo produtivo, incluindo os consumidos no decorrer do processo produtivo, ainda que adquiridos em operações em que não ocorra incidência do PIS ou COFINS e mesmo na hipótese de produção própria. O Juízo de primeiro julgou parcialmente procedente o pedido para declarar o seguinte: (i) o direito de incluir na base de cálculo do crédito presumido de IPI, instituído pela Lei n. 9.363/96, o valor da aquisição de todos os insumos e bens incluídos no processo produtivo, excluídos o de produção própria e aqueles com entrada não-tributada ou sujeitos à alíquota zero; (ii) a nulidade dos atos administrativos que negaram direito aos créditos, proferidos nos processos administrativos n. 13605-000378/99-31, 13605.000018/98-95, 13605.000376/99-14, 13605.000377/99-79 e 13605.000375/99-43; e (iii) o direito da parte autora, facultativamente e à sua escolha, relativamente aos créditos decorrentes da declaração requerida, compensá-los nos moldes do art. 74 da Lei n. 9.430/96 com quaisquer tributos devidos à Secretaria da Receita Federal, acrescidos da SELIC, já incluída a correção monetária, somente a partir do momento em que se viu impedida de fazê-lo escrituralmente, questão que deverá ser objeto de liquidação de sentença (fl. 1496-1506). Da referida decisão, a partes interpuseram apelação, tendo o Relator do Tribunal de origem negado provimento ao recurso da União e à remessa necessária, mas deu parcial provimento ao apelo da NOVA ERA SILICON S.A., em decisão assim fundamentada (fls. 2093-2096): FUNDAMENTOS DO JULGADO PRESCRIÇÃO. Deve ser aplicado o prazo de prescrição quinquenal previsto no Decreto 20.910 / 1932. Não houve prescrição do direito, haja vista que a Receita Federal negou o direito de ressarcimento/compensação da autora em processo administrativo, reclamado dentro do quiquênio legal. A autora pretende aproveitar créditos em razão do princípio da não- cumulatividade. O direito pretendido não está adstrito a pagamento antecipado ou a maior feito por ela. Por isso, aplica-se a regra geral do prazo quinquenal de prescrição, na forma dos créditos não tributários, conforme previsto no Decreto 20.910/1932. Jurisprudência pacífica deste Tribunal (APELAÇÃO/REEXAME NECESSÁRIO N. 2004.34.00.015434-6/DF, r. Des. Maria do Carmo Cardoso, 8ª Turma). O Superior Tribunal de Justiça (STJ), em recurso repetitivo, firmou esse entendimento. Precedente representativo da controvérsia; (REsp n. 1.129.971/BA, r. Ministro Mauro Campbell, 2ª Turma): .. Ajuizada a ação em 10/06/2005, a prescrição atingiría os créditos presumidos anteriores a 10/06/2000. Como a negativa da Receita Federal ao direito de ressarcimento/compensação se deu por meio de processo tributário administrativo em data posterior a 10/06/2000, não estão prescritos os créditos. MÉRITO: INCLUSÃO PRODUTOS. Descabe a inclusão do valor de aquisição de insumos ou matérias de produção própria e aqueles com entrada não tributada ou sujeitos à alíquota zero. A sentença está em harmonia com a jurisprudência. Contrário ao que argumenta a ré, o STJ firmou entendimento de que não incidem PIS/COFINS sobre os insumos empregados na industrialização de produtos para exportação (AgRg no REsp n. 1.163.994-PR, r. Ministro Arnaldo Esteves Lima, 1ª Turma): .. Diferente do que pretende a autora, o Supremo Tribunal Federal, com repercussão geral reconhecida (RE 590.809) assentou ser inviável ao contribuinte creditar-se do valor referente ao IPI na aquisição de insumos e matéria-prima à alíquota zero ou não sujeito à tributação, sob pena de ofensa ao alcance constitucional do princípio da não cumulatividade, previsto no inciso II do § 39 do art. 153 da CF. AgRg no RE 633.912/SP, r. Ministro Cesar Peluzo, 2ª Turma: 5. Tenho que insurgência não merece acolhida. Isso porque o Supremo Tribunal Federal, ao apreciar os REs 353.657 e 370.682, entendeu que a utilização dos créditos alusivos à alíquota zero e à não-tributação afronta o inciso II do § 32do art. 153 do Magno Texto. Esta Casa de Justiça concluiu que a não cumulatividade pressupõe, salvo previsão expressa da própria Carta Magna, tributo devido e já recolhido, e que, nesses casos, não há parâmetro normativo para se definir a quantia a compensar. O Tribunal ressaltou que, ao ser admitida a apropriação dos créditos, o produto menos essencial proporcionaria uma compensação maior, sendo o ônus decorrente dessa operação suportado indevidamente pelo Estado. Mais: ficou esclarecido que a Lei 9.779/1999 não confere direito a crédito na hipótese de alíquota zero ou de não tributação, mas, sim, nos casos em que as operações anteriores forem tributadas. 6. Acrescente-se que o STF já firmou o entendimento no sentido de que a aquisição de insumos isentos constitui hipótese exoneratória que também não gera créditos de IPI a ser compensados TERMO INICIAL DOS JUROS MORATÓRIOS. Os juros moratórios mensais equivalentes à taxa selic (neles incluída a correção monetária) deferidos na sentença incidem a partir da data do requerimento administrativo que trate de créditos presumidos de IPI (fl. 3.407); e não a partir da anterior vigência da Instrução Normativa 23 de 01/01/1997. .. Não existe correção monetária pela selic (!) senão juros moratórios equivalentes à taxa selic instituídos pelo art. 39, § 45, da Lei 9.250/1995 (fls. 121-3), descabendo a cumulação deles com correção. O indeferimento ocorreu na vigência dessa lei (fls. 121-3). RESp 879.479-SP, r. Ministro Teori Albino Zavascki, 1ª Turma do STJ: .. DISPOSITIVO Nego provimento à apelação da ré e à remessa oficial. Dou parcial provimento à apelação da autora tão somente para que os juros moratórios equivalentes à taxa selic (neles incluída a correção monetária) incidam a partir do requerimento dos "pedidos tributários administrativos" (PTA). Fica mantida a sentença nos demais pontos (CPC, art. 557, § 1e- A). Dessa decisão, a parte recorrente interpôs agravo regimental, em que o Tribunal de origem negou provimento, assim ementado (fls. 380-386): FINANCEIRO. AGRAVO REGIMENTAL. RESSARCIMENTO DE CRÉDITO DE IPI. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL OBSERVADA. 1. Descabe a inclusão do valor de aquisição de insumos ou matérias de produção própria na base de cálculo do crédito presumido de IPI para fins de ressarcimento das contribuições do PIS e COFINS (Lei 9.363/1996). 2. O Supremo Tribunal Federal (RE 590.809 em repercussão geral) assentou ser inviável ao contribuinte creditar-se do valor referente ao IPI na aquisição de insumos e matéria-prima à alíquota zero ou não sujeito à tributação, sob pena de ofensa ao alcance constitucional do princípio da não-cumulatividade previsto no inciso II do § 3º 2 do art. 153 da CF. AgRg no RE 633.912 / SP, r. Ministro Cesar Peluzo, 2ª Turma. 3. Juros moratórios equivalentes à taxa selic, superadas as Súmulas 162 e 168 do STJ depois da vigência da Lei 9.250/1995. 4. Agravos regimentais das partes desprovidos. Reconsiderada parcialmente a decisão agravada para manter o termo inicial dos juros moratórios conforme a sentença. No julgamento dos embargos de declaração da parte recorrente, a Corte a quo decidiu nos seguintes termos (fls. 395-398): PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PREQUESTIONAMENTO DISSOCIADO DAS HIPÓTESES PREVISTAS NO ART. 535 DO CPC. 1. Embargos de declaração não são adequados para analisar o acerto ou desacerto do ato judicial, que deve ser impugnado pelo meio recursal adequado. 2. A interposição de embargos de declaração para fins de prequestionamento, objetivando o processamento dos recursos especial e extraordinário, deve estar fundada numa das previsões legais do recurso, que, não acolhida no seu julgamento, propiciem a interposição dos recursos excepcionais. Hipótese não verificada. 3. Embargos declaratórios da ré/União desprovidos. A NOVA ERA SILICON S.A interpôs recurso especial, com fundamento no art. 105, inciso III, alíneas a e c, da Constituição Federal, em que aponta violação do art. 1º da Lei n. 9.363/1996, na medida em que a decisão recorrida não permitiu que a parte recorrente obtenha crédito de IPI de insumos, produtos intermediários e material de embalagem de produção própria, que tiveram entrada não tributada ou com alíquota zero. Argumenta que, sobre o marco inicial da correção monetária do crédito presumido, a atualização deve incidir mês a mês desde o surgimento do crédito, porquanto a resistência administrativa remonta a 1997 (publicação da IN n. 23/1997), inclusive com aplicação retroativa a 1/1/1997. Além disso, suscita dissídio jurisprudencial por inaplicabilidade da Súmula n. 494 do STJ e colaciona trecho do REsp n. 993.164/MG, representativo de controvérsia, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 13/12/2010 (DJe 17/12/2010). Por fim, requer o provimento do recurso para reformar o acórdão recorrido, a fim de reconhecer o direito de incluir na base de cálculo do crédito presumido de IPI os insumos, produtos intermediários e material de embalagem não tributados na etapa anterior e os de produção própria, e para que a atualização monetária seja computada mês a mês pela taxa SELIC (fls. 402-414). A União também interpôs recurso especial, com fundamento no art. 105, inciso III, alínea a, da Constituição Federal (fls. 444-450) Contrarrazões da NOVA ERA SILICON S.A. (fls. 477-484). Contrarrazões da União (fls. 494-500). Na sequência, os recursos especiais da União e da parte recorrente foram inadmitidos (fls. 5239-5241 e 5254-5257). Diante da decisão de inadmissibilidade, a NOVA ERA SILICON S.A. interpôs agravo em recurso especial (fls. 5264-5275). Não foi apresentada contraminuta. É o relatório. Decido. Satisfeitos os requisitos de admissibilidade do agravo, tendo em vista, notadamente, que a parte agravante impugnou, de forma suficiente, os óbices elencados na decisão de inadmissibilidade proferida pelo Tribunal de origem, passo ao exame do recurso especial. De início, no que se refere à alegação de violação do art. 1º da Lei n. 9.363/1996, a parte recorrente, em suas razões recursais, sustenta que a decisão recorrida e o acórdão subsequente contrariaram o referido dispositivo legal ao não permitir que a parte recorrente obtenha crédito de IPI de insumos, produtos intermediários e material de embalagem de produção própria, que tiveram entrada não tributada ou com alíquota zero. Contudo, o argumento não prospera. Isso porque a questão controvertida já foi devidamente saneada pelo Supremo Tribunal Federal ao pacificar o entendimento por meio da Súmula Vinculante n. 58 do STF, no sentido de que "inexiste direito a crédito presumido de IPI relativamente à entrada de insumos isentos, sujeitos à alíquota zero ou não tributáveis, o que não contraria o princípio da não cumulatividade". Nesse quadro, muito embora a parte recorrente busque fundamentar sua pretensão em sentido contrário, a questão já está devidamente pacificada no âmbito do Poder Judiciário, devendo ser observado o entendimento vinculante consagrado pelo STF. Portanto, nada a acolher. Quanto à alegação da parte recorrente sobre o marco inicial da correção monetária do crédito presumido, verifica-se que razões do recurso especial não indicaram o dispositivo de lei federal supostamente violado ou cuja vigência teria sido negada, o que caracteriza a ausência de delimitação da controvérsia, atraindo a incidência da Súmula n. 284 do STF ("É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia"). Cabe ressaltar que a simples menção a artigos de lei ou a dissertação sobre atos normativos não se presta a atender ao requisito de admissão do recurso especial, consistente na indicação clara e inequívoca do dispositivo de lei federal ou tratado que se considera violado, o que se mostra indispensável, diante da natureza vinculada do recurso. No mesmo sentido: AgInt no REsp n. 1.861.859/ES, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 20/11/2023, DJe de 27/11/2023; AgInt no REsp n. 1.891.181/SC, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 16/10/2023, DJe de 18/12/2023. Conforme jurisprudência desta Corte Superior, a existência de óbice processual, impedindo o conhecimento de questão suscitada com base na alínea a do permissivo constitucional, prejudica a análise da alegada divergência jurisprudencial acerca do mesmo tema. Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 2.370.268/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 11/12/2023, DJe de 19/12/2023; AgInt no REsp n. 2.090.833/RJ, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 11/12/2023, DJe de 14/12/2023. Ante o exposto, CONHEÇO do agravo para CONHECER PARCIALMENTE do recurso especial e, nesse extensão, NEGAR-LHE PROVIMENTO. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DECLARATÓRIA. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI EM EXPORTAÇÕES. CONTRIBUINTE. BENEFÍCIO FISCAL. ART. 1º DA LEI N. 9.363/1996. INSUMOS ISENTOS, À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTÁVEIS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO AO CREDITAMENTO. SÚMULA VINCULANTE N . 58 DO STF. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE DISPOSITIVO FEDERAL QUANTO À CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA N. 284 DO STF. AGRAVO CONHECIDO PARA CONHECER PARCIALMENTE DO RECURSO ESPECIAL E, NESSA EXTENSÃO, NEGAR-LHE PROVIMENTO.