REsp 1952329 - DECISAO
O Tribunal de origem, após reexame do acervo probatório, concluiu pela inexistência de prejuízo ao erário em razão da anulação das doações e devolução dos bens ao ente estatal, o que descaracteriza o delito previsto no art.1º do Decreto-Lei n.201/67; a reforma desse entendimento exigiria revolvimento de matéria...
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- Parties
- Recorrente: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PARÁ; Recorrido: Odair José de Farias Albuquerque; Recorrido: Josenildo Mendes Pinto; Recorrido: Norma Maria da Silva Maciel
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 December 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Recurso especial não conhecido
- Legal Topics
- Crime De Responsabilidade (decreto Lei N.201/67), Recebimento Da Denúncia, Prejuízo Ao Erário, Dolo Específico, Arrependimento Posterior, Atipicidade
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Parties
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PARÁ
Recorrente
Odair José de Farias Albuquerque
Recorrido
Josenildo Mendes Pinto
Recorrido
Norma Maria da Silva Maciel
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Se a ausência de prejuízo ao erário, em razão da anulação da doação irregular e devolução dos bens, configura arrependimento posterior do crime previsto no art.1º do Decreto-Lei n.201/67 ou determina atipicidade, e se é necessário o dolo específico e efetivo prejuízo ao erário para o recebimento da denúncia.
Ratio Decidendi
O Tribunal de origem, após reexame do acervo probatório, concluiu pela inexistência de prejuízo ao erário em razão da anulação das doações e devolução dos bens ao ente estatal, o que descaracteriza o delito previsto no art.1º do Decreto-Lei n.201/67; a reforma desse entendimento exigiria revolvimento de matéria fático-probatória, o que é vedado em recurso especial pelo óbice da Súmula 7/STJ, razão pela qual o recurso especial não foi conhecido.
Court Disposition
Recurso especial não conhecido
Orders
- Não conheço do recurso especial, com fundamento no art. 255, §4º, inciso I, do Regimento Interno do STJ.
Full Case Text
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1 paragraphs
DESPACHO Trata-se de recurso especial interposto peloMINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PARÁ,com fundamento no art. 105, inciso III, alíneasa e c, da Constituição da República, contra o v. acórdão prolatado pelo eg. Tribunal de Justiça do mesmo Estado. Consta do autos que o ora recorrido foi denunciadopela suposta prática da conduta típica prevista no artigo 1º, inciso II, do Decreto-Lei n. 201/67 (fls. 02-07). O eg. Tribunal de origem, por unanimidade,rejeitou a denúncia ofertada (fls. 82-93), em decisão assim ementada(fl. 226): "AÇÃO PENAL CRIME DE RESPONSABILIDADE ART 1º INCISO I DO DECRETOLEI Nº 20167 DESVIO DE BENS PÚBLICOS EM PROVEITO ALHEIO MEDIANTE DOAÇÃO IRREGULAR REVOGAÇÃO DO ATO BENS POSTERIORMENTE DEVOLVIDOS AO ENTE ESTATAL CEDENTE AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO ERÁRIO MUNICIPAL CONDUTA ATÍPICA ART 395 INCISO III DO CPP PRECEDENTE DO STF DENÚNCIA REJEITADA". Nas razões do recurso especial, a parte recorrente sustenta, em síntese, além da divergência jurisprudencial, violação do disposto no art. 1º, I, §§1ºe 2ºdo Decreto-Lei n. 201/1976 e no art. 312 do Código Penal,uma vez que a ausência de prejuízo ao erário, por anulação de ato consistente na doação irregular de bens públicos, configuraria arrependimento posterior do crime de peculato-desvio e não conduta atípica como afirmado pelo tribunal ao rejeitar o recebimento da denúncia. Afirma que "Tratando especificamente do peculato previsto no artigo 1º, do inciso I, do decreto-Lei 201, Renee do Ó Souza comenta que "a reparação do dano produz os efeitos do arrependimento posterior, se ocorrer antes do recebimento da denúncia (CP, art. 16), ou atenuante genérica (Código penal, art. 65), mas não extingue a punibilidade" (fl. 111). Apontou como paradigma aAção Penal n. 629 (Proc. 0054273-88.2010.3.00.0000), do STJ. Apresentadas as contrarrazões (fls. 127-138), o recurso foi parcialmente admitido na origem e os autos encaminhados a esta Corte Superior. O Ministério Público Federalapresentou parecer pelo provimento do recurso especial (fls. 157-160), assim ementado (fl. 157): "RECURSO ESPECIAL. CRIME DE RESPONSABILIDADE(DECRETO-LEI N. 201/67). PREFEITO. COAUTORIA. DOAÇÃODE BENS PÚBLICOS ESTADUAIS A ENTIDADES PRIVADAS. INFRAÇÃO AO ART. 1º, INCISO I OU II, DO DECRETO-LEI N.201/67. DESFAZIMENTO DO ATO ANTES DA DENÚNCIA. AREPARAÇÃO DO PREJUÍZO AO ERÁRIO NÃO EXCLUI AILICITUDE DA CONDUTA, PODENDO PRODUZIR EFEITOSDE ARREPENDIMENTO POSTERIOR (ART. 16 DO CÓDIGOPENAL - CP) OU ATENUANTE GENÉRICA (ART. 65, CP). PARECER PELO PROVIMENTO DO RECURSO." É o relatório. Decido. A questão a ser analisada cinge-se a suposta violação ao dispostonoart. 1º, I, §§1º e 2º do Decreto-Lei n. 201/67e no art. 312 do Código Penal, uma vez que a ausência de prejuízo ao erário, por anulação de ato consistente na doação irregular de bens públicos, configuraria arrependimento posterior do crime de peculato-desvio e não conduta atípica como afirmado pelo tribunal ao rejeitar o recebimento da denúncia. O v. acórdão recorrido, na parte que interessa, está calcado nas seguintes razões de decidir (fls. 87-93, sem grifos no original): "Analisando atentamente osautos, observa-se que o presente feito teve origem a partir do Procedimento Investigatório Criminal nº.: 000017-144/20190MP -Delegação-PGJ, o qual apurou a suposta doação ilícita e sem qualquer procedimento administrativo prévio, realizada pelo Prefeito Municipal de Terra Santa, Sr Odair José de Farias Albuquerque, vulgo "Doca", em beneficio do Sr. Josenildo Mendes Pinto, Presidente da Associação de Pescadores Z-75, e da Sra. Norma Maria da Silva Maciel, Presidente da Associação das Mulheres Trabalhadoras do Município de Terra Santa. Conta da apuração que o alcaide teria desviado o patrimônio público consistente em uma motocicleta e trinta motores estacionários em proveito do 2º denunciado, e uma motocicleta em favor da 3 a denunciada, configurando-se, em tese, a prática da conduta descrita no inciso I, art. 1º, do Decreto-Lei nº 201/67, culminando com a Denúncia que ora se analisa. In casu, compulsando-se os autos, especialmente os documentos constantes no apenso, observa-se que antes mesmo da instauração do aludido PIO pelo Ministério Público de Terra Santa, em 23. C8.2019, o Prefeito do Município, 1º Denunciado, expediu o Decreto nºC09/2019-PUTS (fl. 65 do apenso), datado de 28.03.2019, anulando as doações em favor da Colônia de Pescadores Z-75 e da Associação de Mulheres Trabalhadoras de Terra Santa, substituindo os termos de doação, a partir deste ato, por termos de cessão de uso. Importante destacar, que os bens móveis abjeto da suposta doação irregular não pertenciam à municipalidade de Terra Santa, mas sim a Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca do Estado do Pará, tendo sido cedidos em favor do Município no ano de 2018, conforme atestam os Termos de Responsabilidade Sobre Moveis TRMs nº.: 16.4/2018 e 172/2018 (fls. 84 e 86 do apenso). Demais disso, antes mesmo da propositura da presente denúncia (10.02.2020), os trinta motores estacionários, bem como as duas motocicletas foram devolvidas à secretaria estadual cedente na data de 17.08.2019, conforme atestam os termos de devolução constantes às fls. 106/107 dos autos em apenso, estando os objetos atualmente na posse e uso do Núcleo de Gerenciamento do Pará Rural, conforme atesta o oficio nº.: 218/2019-GAB/SECADJ/SEDAP (fl. 98 do apenso), expedido pelo Secretário Adjunto do estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca. Com efeito, a revogação dos termos de doação e a devolução dos bens móveis ao ente estatal cedente constitui atuação que descaracteriza a existência de prejuízo ao erário, elemento necessário à configuração do tipo penal imputado aos denunciados, haja vista que a conduta típica descrita no art. 1º, inciso I do Decreto Lei nº.201/67, muito embora se entenda que representa crime de mera conduta, não resta caracterizada quando não evidenciado qualquer dano ao Erário municipal e/ou estatal. .. No mesmo sentido, colaciono o seguinte precedente do Supremo Tribunal Federal, no qual foi reconhecida a atipicidade da conduta descrita no art. 1º, inciso I do Decreto-Lei nº 201/67, ante a inexistência de lesão ao bem jurídico penalmente protegido, em face da inocorrência de prejuízo efetivo ao erário público. Senão vejamos, verbis: .. Assim, não se constatando o prejuízo ao Erário Municipal ou Estatal, tem-se que a conduta imputada aos denunciados é atípica. Por todo o exposto, com base no art. 395, inciso III, do CPP, rejeito a denúncia oferecida, nos termos da fundamentação." Cumpre ressaltar o entendimento deste Tribunal Superior, no sentido de que deve ser comprovado o dolo específico de causar prejuízo ao erário, bem como o efetivo dano às contas municipais, a fim de que seja possível a condenação pelo delito previsto no art. 1º do Decreto- Lei n. 201/1967. Nesse sentido: "RECURSO EM HABEAS CORPUS. FRAUDE AO CARÁTER COMPETITIVO DA LICITAÇÃO (ART. 90 DA LEI Nº 8.666/93). CRIME DE RESPONSABILIDADE PRATICADO POR PREFEITOS E VEREADORES (ART. 1º, INC. II, DECRETO-LEI 201/67). AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO DO FIM ESPECIAL DE OBTENÇÃO DE UMA "VANTAGEM DECORRENTE DA ADJUDICAÇÃO DO OBJETO DA LICITAÇÃO". INÉPCIA DA INICIAL. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. RECURSO PROVIDO. 1. Este Tribunal Superior entende que, em razão da excepcionalidade do trancamento da ação penal, tal medida somente se verifica possível quando ficar demonstrado, de plano e sem necessidade de dilação probatória, a total ausência de indícios de autoria e prova da materialidade delitiva, a atipicidade da conduta ou a existência de alguma causa de extinção da punibilidade. É certa, ainda, a possibilidade de encerramento prematuro da persecução penal nos casos em que a denúncia se mostrar inepta, não atendendo o que dispõe o art. 41 do Código de Processo Penal - CPP, o que, de todo modo, não impede a propositura de nova ação desde que suprida a irregularidade. 2. Não havendo imputação que necessariamente deveria compreender a descrição do dolo específico do agente da obtenção de vantagem indevida, há que reconhecer a inépcia da denúncia em relação ao crime descrito no art. 90 da Lei nº 8.666/93. 3. É certo que, segundo a jurisprudência desta Corte Superior, "é admissível a coautoria e a participação de terceiros nos crimes de responsabilidade de prefeitos e vereadores previstos no Decreto-lei 201/67" (HC 316.778/BA, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, DJe 23/8/2016), entretanto, no presente caso, se não há descrição do dolo específico do agente de obter vantagem a ser auferida pelos contratados "decorrente da adjudicação", também não se verifica justa causa para imputar a conduta do art. 1º, inc. II, do Decreto-Lei n. 201/67, que inclusive foi atribuída ao paciente apenas porque um dos corréus era prefeito à época dos fatos apurados. 4. Recurso em habeas corpus provido, para trancar a ação penal em relação ao paciente Gilberto Gomes de Souza, e estender os efeitos desta decisão para também trancá-la em relação aos corréus Eliane Cristina Pucharelli, Aldovandro de Sousa, Agnaldo José Paglione Correa e Márcia Cristina Capellini, visto que eles se encontram na mesma situação fático-processual, nos termos do art. 580 do CPP." (RHC 126.876/SP, Sexta Turma, Rel. Ministro Nefi Cordeiro, DJe 04/09/2020, grifei) "HABEAS CORPUS. PENAL. ART. 89 DA LEI N. 8.666/1993. DISPENSA DE LICITAÇÃO MEDIANTE FRACIONAMENTO DA CONTRATAÇÃO. DOLO ESPECÍFICO.INTENÇÃO DE LESAR A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. PREJUÍZO EFETIVO AO ERÁRIO. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO. CONDUTA. ATIPICIDADE. EXTENSÃO DA ORDEM AOS CORRÉUS (ART. 580 C/C ART. 654, § 2º, AMBOS DO CPP). 1. Nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmada a partir do julgamento da APn n. 480/MG, a consumação do crime do art. 89 da Lei n. 8.666/1993 exige a demonstração do dolo específico, ou seja, a intenção de causar dano ao Erário e a efetiva ocorrência de prejuízo aos cofres públicos. 2. Hipótese em que o paciente, prefeito do município, foi condenado como incurso no art. 89 da Lei n. 8.666/1993, por ter, juntamente com os membros da comissão de licitação, fracionado o serviço de transporte escolar em vários roteiros para, considerando o valor isolado de cada uma das linhas, dispensar o processo licitatório, em desacordo com o que determina o art. 23, §§ 2º e 5º e art. 24, II, da Lei n. 8.666/1993. 3. Observa-se, contudo, a existência de condenação baseada no dolo genérico (dispensa ou inexigibilidade de licitação, fora das hipóteses legais, com o objetivo de direcionamento da contratação), o que, segundo a jurisprudência desta Corte, não é suficiente para sustentar o decreto condenatório. 4. A sentença não fez qualquer referência à existência de deliberada intenção de causar prejuízos à Administração Pública ou à efetiva ocorrência do dano. Ao contrário, o magistrado de primeiro grau reconhece que os serviços foram prestados e, ao afastar a conduta prevista no art. 1º, inciso I, do Decreto-Lei n. 201/67, afirma, categoricamente, inexistir nos autos provas suficientes para comprovar o dolo do denunciado de efetuar pagamentos aos contratados superiores aos ajustados, sem qualquer justificativa para tanto. 5. Ordem concedida para absolver o paciente Cesar Augusto de Freitas, com fundamento no art. 386, III, do Código de Processo Penal, da imputação da prática do crime previsto no art. 89 da Lei n. 8.666/1993, com extensão dos efeitos aos corréus Ronildo Vieira Maciel, Tereza Maria Lopes de Brito e Amarildo Bezerra Leite (art.580 do CPP). Pedido de reconsideração da decisão que apreciou o pleito liminar prejudicado. Comunique-se, com urgência, ao Juízo da 37ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Caruaru/PE e à Primeira Turma do Tribunal de Justiça de Pernambuco."(HC 588.359/PE,Sexta Turma, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, DJe 14/09/2020, grifei) "RECURSO ESPECIAL. INEXIGIBILIDADE DE LICITAÇÃO. ART. 89 DA LEI 8.666/93. DOLO ESPECÍFICO. PREJUÍZO. NÃO OCORRÊNCIA. CRIME DE RESPONSABILIDADE. PREFEITO. VANTAGEM ECONÔMICA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ABSOLVIÇÃO. PRECEDENTES DO STJ. RECURSO PROVIDO. 1. O tipo penal do art. 89 da Lei 8.666/93 pressupõe, além do necessário dolo simples (vontade consciente e livre de contratar independentemente da realização de prévio procedimento licitatório), a intenção de produzir um prejuízo aos cofres públicos por meio do afastamento indevido da licitação (STF. AP 700, Rel. Min. DIAS TOFFOLI, Segunda Turma, DJe de 26/04/2016). 2. Não havendo elementos acerca da ocorrência de prejuízo ou de dolo específico de causar dano ao erário, deve ser reconhecida a atipicidade da conduta relativa ao delito do art. 89 da Lei 8.666/93. 3. A condenação em direito penal exige a comprovação da existência do fato criminoso, não bastando ilações de que o agente, simplesmente pela condição de gestor público, deve ser responsabilizado pela conduta inserta no art. 1º, II, do Decreto-Lei 201/67, sendo necessária a aferição indevida de vantagem econômica. 4. O mero fato de ter o prefeito as contas referentes a período de sua gestão rejeitadas pelo Tribunal de Consta do Estado não é suficiente à verificação do tipo penal, impondo-se a individualização da conduta, sob pena de responsabilização objetiva (HC 48.700/SP, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em 04/10/2007, DJ 25/02/2008, p. 361). 5. Recurso especial provido." (REsp 1837365/MA, Sexta Turma, Rel. Ministro Nefi Cordeiro, DJe 14/02/2020, grifei) "RECURSO ESPECIAL. PENAL. PROCESSUAL PENAL. CRIME DE RESPONSABILIDADE. PREFEITO MUNICIPAL. ART. 1.º, INCISO XVII, DO DECRETO-LEI N. 201/1967. PLEITO PELO RECONHECIMENTO DA INÉPCIA DA DENÚNCIA. CRIME DE RESPONSABILIDADE ATRIBUÍDO AO CHEFE DO EXECUTIVO MUNICIPAL. DEMONSTRAÇÃO DO DOLO. INDISPENSÁVEL PARA O RECEBIMENTO DA DENÚNCIA. CRÉDITO ADICIONAL. ABERTURA SEM PREVISÃO ORÇAMENTÁRIA. IMPRESCINDÍVEL CONSTAR DA DENÚNCIA A DATA DE ASSINATURA OU PUBLICAÇÃO DO ATO ATRIBUÍDO AO PREFEITO, SOB PENA DE REJEIÇÃO. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. 1. O Tribunal a quo declinou fundamentação no sentido de que, para a configuração do crime imputado ao Recorrente, não é necessária a demonstração de dolo específico. 2. No entanto, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça está fixada no sentido de que, nos crimes de responsabilidade de prefeito, para o recebimento da denúncia, é imprescindível que seja verificada a existência do dolo específico por parte do Agente, o que não se verificou na hipótese dos autos. 3. Nos termos da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, no tocante do crime previsto no inciso XVII do art. 1.º do Decreto-Lei n. 201/1967 - hipótese dos autos -, a peça acusatória de ingresso deve conter a data em que os atos do prefeito foram assinados ou a de publicação no respectivo diário oficial, não sendo suficiente a tal desiderato a singela alusão ao exercício financeiro no qual teria ocorrido o pretenso delito. 4. Recurso especial conhecido e provido para trancar a ação penal, sem prejuízo de que outra seja ajuizada, com a correção das máculas apontadas neste voto." (REsp 1811738/PB, Sexta Turma, Rel. Ministra Laurita Vaz, DJe 23/10/2020, grifei) No caso, a instância ordinária, após exauriente reexame do delineamento fático e probatório coligido aos autos no carrear da instrução criminal, concluiu pela completainexistênciade prejuízo ao erário Municipal e/ou Estadual. A desconstituição do julgado, como pretendido pelo recorrente, para entender pela existência de dano ao erário, com posterior reparação, não encontra guarida na via eleita, visto que seria necessário a esta Corte o revolvimento do contexto fático-probatório, providência incabível, conforme inteligência do enunciado n. 7 da Súmula do STJ. Nesse sentido, mutatis mutandis: "PENAL. PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CRIME DO ART. 89 DA LEI N. 8.666/1993. CODEPLAN - COMPANHIA DE DESENVOLVIMENTO DO PLANALTO CENTRAL. INÉPCIA DA DENÚNCIA. SUPERVENIÊNCIA DE SENTENÇA CONDENATÓRIA. PREJUDICIALIDADE. EXORDIAL ACUSATÓRIA QUE OBSERVOU AS EXIGÊNCIAS DO ARTIGO 41 DO CPP. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA CORRELAÇÃO. CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO SUFICIENTE PARA A CONDENAÇÃO. DOLO ESPECÍFICO E EFETIVO PREJUÍZO AO ERÁRIO DEMONSTRADOS. ABSOLVIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO DA SÚMULA 7/STJ. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. A superveniência da sentença penal condenatória torna esvaída a análise do pretendido reconhecimento de inépcia da denúncia, isso porque o exercício do contraditório e da ampla defesa foi viabilizado em sua plenitude durante a instrução criminal (AgRg no AREsp n. 537.770/SP, Relator Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, Sexta Turma, julgado em 4/8/2015, DJe 18/8/2015), como no presente caso. 2. Ademais, verifica-se que a denúncia é suficientemente clara e concatenada, demonstrando a efetiva existência de justa causa, consistente na materialidade e nos indícios de autoria. Assim, atende aos requisitos do art. 41 do Código de Processo Penal, não revelando quaisquer vícios formais. 3. De fato, a denúncia descreve a efetiva atuação do recorrente, que concorreu para a dispensa indevida de licitação, ao promover diversos atos destinados à escolha preordenada de alguma das empresas envolvidas para a execução de serviços de informática demandados pela Administração Pública, tudo ajustado para que fossem abertos procedimentos de dispensa de licitação, por alegada emergência, nos quais a empresa previamente selecionada ficaria responsável pela indicação de outras para calçar suas propostas, o que de fato ocorreu. 4. O princípio da correlação entre a denúncia e a sentença condenatória representa no sistema processual penal uma das mais importantes garantias ao acusado, porquanto descreve balizas para a prolação do édito repressivo ao dispor que deve haver precisa correspondência entre o fato imputado ao réu e a sua responsabilidade penal. 5. Na espécie, da leitura do acórdão impugnado, verifica-se que em momento algum houve alteração do contexto fático descrito na denúncia para condenar o acusado pelo crime do art. 89, parágrafo único, c/c o art. 99, da Lei n. 8.666/1993, não podendo se falar na violação do princípio da correlação. 6. Esta Corte, após inicial divergência, pacificou o entendimento de que, para a configuração do crime previsto no art. 89 da Lei n. 8.666/1993, exige-se a presença do dolo específico de causar dano ao erário e a caracterização do efetivo prejuízo. 7. O Tribunal a quo, quando apreciou o recurso de apelação interposto pelo réu, manteve a condenação decretada no 1º grau de jurisdição pela prática do crime disposto no art. 89, caput, c/c o art. 99, caput e §1º, ambos da Lei n. 8.666/1993. O pronunciamento das instâncias ordinárias pela presença do elemento subjetivo exigido pelo tipo penal violado - o especial fim de agir -, bem como sobre o dano advindo da conduta ilícita patrimonial, encontra respaldo nas provas obtidas a partir da instrução criminal, sob o pálio do devido processo legal e com respeito aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Nesse sentido, descabida a pretensão recursal deduzida pela defesa, pois a revisão do provimento jurisdicional recorrido demandaria, necessariamente, o reexame de matéria fático-probatória, o que, em sede de recurso especial, constitui medida vedada pelo óbice da Súmula n. 7/STJ. 8. Agravo regimental não provido." (AgRg no AREsp 1630006/DF, Quinta Turma, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, DJe 31/08/2020, grifei) "RECURSOS ESPECIAIS. LEGISLAÇÃO ESPECIAL. CRIMES DE LICITAÇÃO. FRUSTRAR OU FRAUDAR, MEDIANTE AJUSTE, COMBINAÇÃO OU QUALQUER OUTRO EXPEDIENTE, O CARÁTER COMPETITIVO DO PROCEDIMENTO LICITATÓRIO, COM O INTUITO DE OBTER, PARA SI OU PARA OUTREM, VANTAGEM DECORRENTE DA ADJUDICAÇÃO DO OBJETO DA LICITAÇÃO. RECURSO ESPECIAL DE JOSÉ AILTON VIEIRA DOS SANTOS. A) PEDIDO DE DECLARAÇÃO DE INCOMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL. NÃO INDICAÇÃO DE DISPOSITIVO VIOLADO. SÚMULA 284/STF. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. VERIFICAÇÃO DE PROCESSOS LICITATÓRIOS CUSTEADOS COM RECURSOS PROVENIENTES DE CONVÊNIOS FIRMADOS ENTRE PREFEITURAS MUNICIPAIS DO ESTADO DE PERNAMBUCO E O MINISTÉRIO DA SAÚDE. INCIDÊNCIA DO ART. 109, IV, DA CF. B) VIOLAÇÃO DOS ARTS. 563 E 566, AMBOS DO CPP. PEDIDO DE DECRETAÇÃO DE NULIDADE PROCESSUAL. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DE DEFESA. PREJUÍZO NÃO DEMONSTRADO. CONDENAÇÃO COM SUPORTE EM DIVERSOS MEIOS PROBATÓRIOS. FISCALIZAÇÃO REALIZADA PELA CGU, DEPOIMENTOS PRESTADOS PELOS RÉUS, DEMAIS PROVAS DOCUMENTAIS E LAUDO DE EXAME CONTÁBIL DA POLÍCIA FEDERAL. C) DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL E VIOLAÇÃO DO ART. 90 DA LEI N. 8.666/1993. PEDIDO DE ABSOLVIÇÃO. ALEGAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO. DOLO ESPECÍFICO RECONHECIDO PELAS INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS. CRIME FORMAL, DE CONSUMAÇÃO ANTECIPADA. PREJUÍZO AO ERÁRIO, MERO EXAURIMENTO DO CRIME. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. OUTROSSIM, INVIÁVEL A ALTERAÇÃO DO ENTENDIMENTO DAS INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS. ANÁLISE DO CONTEXTO FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚMULA 7/STJ. PRECEDENTES. D) VIOLAÇÃO DO ART. 59 DO CP. PEDIDO DE REDUÇÃO DA PENA-BASE. VETOR JUDICIAL DAS CIRCUNSTÂNCIAS DO CRIME. INIDONEIDADE DA NEGATIVAÇÃO CONFERIDA. SUPORTE EM ELEMENTOS INERENTES AO TIPO PENAL VIOLADO. EXCLUSÃO NECESSÁRIA. RETORNO DOS AUTOS. E) VIOLAÇÃO DO ART. 62, I, DO CP. PEDIDO DE EXCLUSÃO DA AGRAVANTE DE QUEM PROMOVE, OU ORGANIZA A COOPERAÇÃO NO CRIME OU DIRIGE A ATIVIDADE DOS DEMAIS AGENTES. INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS QUE CONCLUÍRAM PELA LIDERANÇA DO RECORRENTE QUANTO À ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA. REVISÃO. INVIABILIDADE. ANÁLISE DO CONTEXTO FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚMULA 7/STJ. RECURSO ESPECIAL DE ANA LÚCIA DA SILVA. A) DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL E VIOLAÇÃO DO ART. 90 DA LEI N. 8.666/1993. PEDIDO DE ABSOLVIÇÃO. ALEGAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO. DOLO ESPECÍFICO RECONHECIDO PELAS INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS. CRIME FORMAL, DE CONSUMAÇÃO ANTECIPADA. PREJUÍZO AO ERÁRIO, MERO EXAURIMENTO DO CRIME. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. OUTROSSIM, INVIÁVEL A ALTERAÇÃO DO ENTENDIMENTO DAS INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS. ANÁLISE DO CONTEXTO FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚMULA 7/STJ. PRECEDENTES. B) DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL E VIOLAÇÃO DO ART. 29, § 1º, C/C O 68, AMBOS DO CP. PARTICIPAÇÃO DE MENOR IMPORTÂNCIA RECONHECIDA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. VERIFICAÇÃO. OCORRÊNCIA. FUNDAMENTO INIDÔNEO APRESENTADO. NÃO REDUÇÃO DA PENA NA TERCEIRA FASE DA DOSIMETRIA COM SUPORTE NA ANTERIOR FIXAÇÃO DA PENA-BASE NO MÍNIMO LEGAL. AFASTAMENTO QUE SE IMPÕE. RETORNO DOS AUTOS PARA VERIFICAÇÃO DE HIPÓTESE DE REDUÇÃO DA PENA E, NESSA EXTENSÃO, DA FRAÇÃO A SER APLICADA. RECURSO ESPECIAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL. A) VIOLAÇÃO DOS ARTS. 381, III, E 619, AMBOS DO CPP; E DO 288 DO CP. PEDIDO DE CONDENAÇÃO PELO CRIME DE ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA. QUESTÃO DEVIDAMENTE ANALISADA PELAS INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS. NÃO OCORRÊNCIA DE OMISSÃO A SER SUPRIDA POR MEIO DOS ACLARATÓRIOS. REJULGAMENTO DA CAUSA. PROVIDÊNCIA INCOMPATÍVEL COM A VIA ESTREITA DO RECURSO ESPECIAL. OUTROSSIM, INVIÁVEL A ALTERAÇÃO DO ENTENDIMENTO DAS INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS. ANÁLISE DO CONTEXTO FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚMULA 7/STJ. PRECEDENTES. B) VIOLAÇÃO DO ART. 71 DO CP. PEDIDO DE RESTABELECIMENTO DA FRAÇÃO DE 2/3 RELATIVA À CONTINUIDADE DELITIVA. 13 REPETIÇÕES DE CONDUTA. VERIFICAÇÃO. OCORRÊNCIA. REDUÇÃO DO PATAMAR NÃO JUSTIFICADO PELA CORTE A QUO. ILEGALIDADE EVIDENCIADA. PROVIMENTO DO PEDIDO QUE SE IMPÕE. PATAMAR ESTABELECIDO NA SENTENÇA CONDENATÓRIA EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. PRECEDENTES. .. 21. Se a Corte de origem, soberana na apreciação do conjunto fático-probatório, concluiu pela inexistência de provas seguras à condenação dos réus, não há como, na via eleita, rever tal posicionamento, nos termos do óbice contido na Súmula 7/STJ (AgRg no AREsp n. 1.131.695/SP, Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe 11/5/2018). .. " (REsp 1597460/PE, Sexta Turma, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, DJe 03/09/2018, grifei) Ademais, aanálise da alegada divergência jurisprudencial está prejudicada, pois a suposta dissonância aborda a mesma tese que amparou o recurso pela alínea ado permissivo constitucional, e cujo julgamento esbarrou no óbice do enunciado n. 7 da Súmula deste Tribunal. Ilustrativamente: "AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PENAL E PROCESSUAL PENAL. ARTIGO 302, PARÁGRAFO ÚNICO, III, DA LEI 9.503/97. HOMICÍDIO CULPOSO NO TRÂNSITO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PARA A OITIVA DE TESTEMUNHA NO JUÍZO DEPRECADO. NULIDADE AFASTADA. NOMEAÇÃO DE DEFENSOR AD HOC. NÃO COMPROVADO O PREJUÍZO. FUNDAMENTO NÃO IMPUGNADO. SÚMULA N. 283 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - STF. SÚMULA N. 273 DESTE TRIBUNAL. OUTRA NULIDADE E OMISSÃO. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. SÚMULA N. 284 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - STF. IMPOSSIBILIDADE DE PRESTAÇÃO DE SOCORRO. INCURSÃO NO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚMULA N. 7 DESTA CORTE. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL PREJUDICADA. PRESTAÇÃO PECUNIÁRIA. DESNECESSIDADE DE CORRESPONDÊNCIA COM A PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE. AGRAVO DESPROVIDO. 1. O Tribunal de Justiça afastou a nulidade aduzindo que o depoimento da testemunha teria sido acompanhado de defensor nomeado e que não foi demonstrado o prejuízo alegado pela defesa. Fica inviabilizado, portanto, o seu reconhecimento, pois além de não impugnado este fundamento (Súmula n. 283/STF), não ficou provado em que medida a atuação do defensor ad hoc o teria prejudicado. 2. Nos termos da Súmula n. 273 "Intimada a defesa da expedição da carta precatória, torna-se desnecessária intimação da data da audiência no juízo deprecado", de modo que fica a cargo da parte diligências a respeito da sua ocorrência. 3. Quanto à omissão por parte da Corte originária, não ficou demonstrado em que ponto o Tribunal deixou de se manifestar, o que configura deficiência de fundamentação (Súmula n. 284/STF). 4. Para se concluir de forma diversa do entendimento do Tribunal de origem no que se refere à impossibilidade de prestação de socorro e existência de risco pessoal, seria inevitável o revolvimento das provas carreadas aos autos. A referida vedação encontra respaldo no enunciado n. 7 da Súmula desta Corte. 5. A análise da alegada divergência jurisprudencial está prejudicada, pois a suposta dissonância aborda a mesma tese que amparou o recurso pela alínea "a" do permissivo constitucional, e cujo julgamento esbarrou no óbice do enunciado n. 7 da Súmula deste Tribunal. 6. A prestação pecuniária tem a finalidade de reparar o dano causado pela infração penal, não precisando guardar correspondência ou ser proporcional à pena privativa de liberdade imposta. 7. Agravo regimental desprovido." (AgRg no REsp 1779807/SP, Quinta Turma, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, DJe 29/11/2019) Ante o exposto, com fulcro no art. 255, parágrafo §4º, inciso I, do Regimento Interno do STJ, não conheço dorecurso especial, nos termos do recurso especial. P. e I. EMENTA PENAL.CRIME DE RESPONSABILIDADE DE PREFEITO MUNICIPAL. VIOLAÇÃO AO 1º, INC. I, DO DECRETO-LEI N. 201/1967. ABSOLVIÇÃO PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO PREJUÍZO AO ERÁRIO. PLEITO DE CONDENAÇÃO. REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7 DO STJ. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL PREJUDICADA. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO.