AREsp 2482994 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial porque as questões suscitadas pela agravante exigem revolvimento do acervo fático-probatório, vedado nesta Corte pela Súmula 7/STJ; a superveniência de sentença condenatória afasta a alegação de inépcia da denúncia; a fração da continuidade foi...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: SELMA XAVIER LACERDA SILVA; Custos Legis: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 March 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Do Agravo (admissibilidade E Mérito Do Agravo Em Recurso Especial)
- Outcome
- Agravo conhecido para negar provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Crimes Contra a Ordem Tributária, Inépcia Da Denúncia, Pedido De Absolvição, Continuidade Delitiva, Dosimetria Da Pena, Substituição De Pena Privativa Por Pena Restritiva De Direitos, Súmula 7/stj, Súmula 83/stj
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
SELMA XAVIER LACERDA SILVA
Agravante
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Custos Legis
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Do Agravo (admissibilidade E Mérito Do Agravo Em Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 Inépcia da peça acusatória
- 2 Absolvição por ausência de certeza plena quanto à materialidade e autoria
- 3 Redução da fração aplicada em razão da continuidade delitiva
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial porque as questões suscitadas pela agravante exigem revolvimento do acervo fático-probatório, vedado nesta Corte pela Súmula 7/STJ; a superveniência de sentença condenatória afasta a alegação de inépcia da denúncia; a fração da continuidade foi corretamente aumentada em 2/3 em razão da demonstração de 19 condutas ilícitas; e a escolha da modalidade de pena restritiva de direitos é discricionária do juiz.
Court Disposition
Agravo conhecido para negar provimento ao recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo, com fundamento no art. 253, parágrafo único, II, b, do RISTJ, para negar provimento ao recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto contra a decisão que ina dmitiu recurso especial (fundado no art. 105, III, a, da CF) apresentado por SELMA XAVIER LACERDA SILVA contra o acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina (Apelação Criminal n. 5019122-82.2022.8.24.0038) que negou provimento ao recurso de apelação contra a sentença que condenou a agravante pela prática de crime contra a ordem tributária (fls. 480/488). O Tribunal local acolheu, em parte, os embargos de declaração opostos pela agravante (fls. 507/511). Nas razões do recurso especial, a agravante alegou contrariedade aos arts. 43, 44, 59 e 70 do Código Penal; 41 e 386, IV, do Código de Processo Penal, sustentando, em síntese, a inépcia da peça acusatória; a absolvição por ausência de certeza plena quanto à materialidade a autoria delitiva; a redução da fração empregada em razão da continuidade delitiva para 1/6, e o cabimento da substituição da pena corporal por prestação pecuniária (fls. 519/529). A Corte de origem inadmitiu o recurso especial com fundamento nas Súmulas 7 e 83/STJ e 284/STF (fls. 561/566). Contra o decisum a parte interpõe o presente agravo (fls. 574/579). Instado a se manifestar na condição de custos legis, o Ministério Público Federal opina pelo não conhecimento do agravo em recurso especial, nos termos do parecer assim ementado (fl. 609): PENAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. PRETENSÃO ABSOLUTÓRIA. SÚMULA 7/STJ. ARGUMENTOS DO RECORRENTE INCAPAZES DE INFIRMAR A DECISÃO AGRAVADA. NÃO CONHECIMENTO. É o relatório. O agravo é admissível, pois é tempestivo e impugnou os fundamentos da decisão de inadmissão. Passo, então, ao exame da admissibilidade do recurso especial e registro que a insurgência não merece acolhida porque o apelo nobre é inadmissível. Com efeito, invocando a violação dos arts. 43, 44, 59 e 70 do Código Penal; 41 e 386, IV, do Código de Processo Penal, verifica-se que a agravante busca, na verdade, o simples reexame de fatos e provas valorados pelas instâncias ordinárias ao receber a denúncia, proferir sentença condenatória e impor as penas cabíveis. Como bem destacou o Ministério Público Federal em seu parecer, as questões atinentes à dosimetria da pena, substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direitos (acerca da escolha de qual pena restritiva deve ser aplicada) demandam também a análise dos fundamentos fáticos empregados pelo sentenciante, dentro de sua discricionariedade motivada, o que esbarra novamente no óbice da Súmula 7/STJ. Vale, ainda, ressaltar que, para afastar a aplicação da Súmula n. 7 do STJ, não é bastante a mera afirmação de sua não incidência na espécie, devendo a parte apresentar argumentação suficiente a fim de demonstrar que, para o STJ mudar o entendimento da instância de origem sobre a questão suscitada, não é necessário reexame de fatos e provas da causa (AgRg no AREsp n. 2.121.358/ES, Ministro João Otávio de Noronha, Quinta Turma, DJe 30/9/2022), o que não ocorreu na espécie. Nesse panorama, conhecer e apreciar as questões de fato trazidas pela agravante importaria na necessidade de revolvimento do acervo fático-probatório, o que não é admissível nesta instância extraordinária por força do enunciado da Súmula 7/STJ. Destaca-se, ainda, que, a teor da orientação jurisprudencial desta Corte, a superveniência de sentença condenatória prejudica a alegação de inépcia da denúncia (AgRg no REsp n. 2.133.754/SP, Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJEN 3/1/2025; e AgRg no AREsp n. 2.602.920/RS, Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe 28/8/2024). Ainda adverte esta Corte Superior que a fração da continuidade delitiva leva em consideração o número de ações ilícitas praticadas. Como, no caso, o Tribunal de origem afirmou que foram caracterizadas 19 condutas ilícitas, correto o aumento da pena em 2/3. Na mesma linha: AgRg no AREsp n. 1.885.860/RS, Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe 22/3/2023; e AgRg no AgRg no REsp n. 1.924.200/PR, Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe 4/4/2022. E mais: não existe direito subjetivo do réu em escolher a modalidade da pena restritiva de direitos substitutiva, cabendo ao juiz, dentro da discricionariedade legal, determinar a sanção que considere socialmente mais recomendável (HC n. 873.265/SC, Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, DJEN 17/12/2024). Ante o exposto, conheço do agravo, com fundamento no art. 253, parágrafo único, II, b , do RISTJ, para negar provimento ao recurso especial. Publique-se. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. ART. 1º, I E V, DA LEI N. 8.137/1990. INÉPCIA DA DENÚNCIA. PEDIDO DE ABSOLVIÇÃO. IMPUGNAÇÃO DA PENA APLICADA. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA 7/STJ. INÉPCIA DA DENÚNCIA. SUPERVENIÊNCIA DE SENTENÇA CONDENATÓRIA. CONTINUIDADE DELITIVA. FRAÇÃO DE 2/3. QUANTIDADE DE ILÍCITOS PRATICADOS. SUBSTITUIÇÃO DE PENA RESTRITIVA DE DIREITOS POR MULTA. DISCRICIONARIEDADE DO JULGADOR. SÚMULA 83/STJ. Agravo conhecido para negar provimento ao recurso especial.