AREsp 1667243 - ACORDAO
O agravo interno foi negado provimento porque as alegações da recorrente exigiriam o reexame do conjunto fático-probatório (revaloração de provas e verificação da natureza dos valores bloqueados), providência vedada no recurso especial pela incidência da Súmula nº 7 do STJ; ademais, não ficou demonstrado dissídio...
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- Parties
- Autor: PAULO HENRIQUE DA SILVA ROCHA e outros; Agravante/recorrente: NILVA CASTRO GROSSER
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 August 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Decisão Colegiada (terceira Turma)
- Outcome
- Negou provimento ao agravo interno
- Legal Topics
- Cumprimento De Sentença, Penhora on Line, Reexame De Provas, Súmula Nº 7 Do STJ, Dissídio Jurisprudencial, Aplicação Do NCPC
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Parties
PAULO HENRIQUE DA SILVA ROCHA e outros
Autor
NILVA CASTRO GROSSER
Agravante/recorrente
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Decisão Colegiada (terceira Turma)
Legal Issues
- 1 Incidência da Súmula nº 7 do STJ e impossibilidade de reexame do acervo fático-probatório via recurso especial
- 2 Aplicação do NCPC (CPC/2015) conforme Enunciado Administrativo nº 3 do STJ
- 3 Configuração (ou não) de dissídio jurisprudencial
Ratio Decidendi
O agravo interno foi negado provimento porque as alegações da recorrente exigiriam o reexame do conjunto fático-probatório (revaloração de provas e verificação da natureza dos valores bloqueados), providência vedada no recurso especial pela incidência da Súmula nº 7 do STJ; ademais, não ficou demonstrado dissídio jurisprudencial apto a justificar o conhecimento do recurso; aplica-se o NCPC conforme Enunciado Administrativo nº 3.
Court Disposition
Negou provimento ao agravo interno
Orders
- Negou provimento ao agravo interno.
- Manter a decisão de não conhecimento do recurso especial proferida anteriormente.
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Paulo de Tarso Sanseverino, Ricardo Villas Bôas Cueva e Marco Aurélio Bellizze votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. PENHORA ON-LINE. REVISÃO. PRETENSÃO RECURSAL QUE ENVOLVE O REEXAME DE PROVAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 7 DO STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO CONFIGURADO. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Aplica-se o NCPC a este julgamento ante os termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. 2. A alteração das conclusões do acórdão recorrido exige reapreciação do acervo fático-probatório da demanda, o que faz incidir o óbice da Súmula nº 7 do STJ. 3. A jurisprudência desta Corte firmou o entendimento de que não é possível o conhecimento do apelo nobre interposto pela divergência, na hipótese em que o dissídio é apoiado em fatos, e não na interpretação da lei. Isso porque a Súmula nº 7 do STJ também se aplica aos recursos especiais interpostos pela alínea c do permissivo constitucional. 4. Agravo interno não provido.
RELATÓRIO Da leitura da minuta do agravo de instrumento que deu origem a este recurso, pode-se aferir que PAULO HENRIQUE DA SILVA ROCHA e outros (PAULO e outros) promoveu ação sob o rito ordinário contra NILVA CASTRO GROSSER (NILVA). Na fase do cumprimento de sentença, o d. Juízo indeferiu parcialmente o pedido de desbloqueio de valores. Essa interlocutória foi desafiada por agravo de instrumento, no qual NILVA sustentou que o valor depositado em conta corrente conjunta deve ser repartido em cotas iguais, a impenhorabilidade desses valores por serem inferior a 40 (quarenta) salários mínimos. O Tribunal de Justiça de São Paulo proveu parcialmente o recurso, nos termos do v. acórdão da Desª. Maria Lúcia Pizzotti, assim ementado: AGRAVO DE INSTRUMENTO PENHORA "ON-LINE" CONTA CONJUNTA SOLIDARIEDADE REPELIDA LEVANTAMENTO PARCIAL. 1 - A constrição (penhora "on-line") indistinta de verba depositada em conta conjunta permite o desbloqueio de 2/3, ainda que não demonstrada a origem da verba solidariedade exclusivamente em face da Instituição Bancária presunção de titularidade parcial art. 333, I, do CPC precedentes. 2 Impenhorabilidade descrita no inciso X, do artigo 833 do CPC que se restringe à caderneta de poupança. 3 Conta corrente com intensa movimentação financeira. Bloqueio efetivado em valores oriundos de resgate de fundo de investimentos. Impenhorabilidade não reconhecida. RECURSO PROVIDO PARCIALMENTE (e-STJ, fl. 33). NILVA interpôs recurso especial com base no art. 105, III, a e c, da CF, alegando violação do art. 833, IV, do NCPC e dissídio jurisprudencial. O apelo nobre não foi admitido em virtude (1) da incidência por não ter sido demonstrada a infringência do preceito legal arrolado; (2) de se aplicara Súmula nº 7 do STJ; e(3) de o dissídio jurisprudencial não ter sido configurado. O agravo em recurso especial daí decorrente foi conhecido para não conhecer do recurso especial em decisão monocrática de minha lavra assim ementada: PROCESSUAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL INTERPOSTO NA ÉGIDE DO NCPC. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. PENHORA ON LINE. ACÓRDÃO RECORRIDO QUE SUPORTADO NA PROVA DOS AUTOS ENTENDEU COMO NÃO COMPROVADA A NATUREZA ALIMENTAR DA VERBA BLOQUEADA.INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 7 DO STJ. AGRAVO CONHECIDO PARA NÃO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL (e-STJ, fl. 110 - com destaque no original). Nas razões do presente agravo interno, NILVA, repisando os argumentos trazidos nas razões recursais, alegou a inaplicabilidade da Súmula nº 7 do STJ, por não haver necessidade de reexame da matéria, mas da revaloração da prova. Não houve impugnação ao recurso (e-STJ, fls. 126/129) É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. PENHORA ON-LINE. REVISÃO. PRETENSÃO RECURSAL QUE ENVOLVE O REEXAME DE PROVAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 7 DO STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO CONFIGURADO. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Aplica-se o NCPC a este julgamento ante os termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. 2. A alteração das conclusões do acórdão recorrido exige reapreciação do acervo fático-probatório da demanda, o que faz incidir o óbice da Súmula nº 7 do STJ. 3. A jurisprudência desta Corte firmou o entendimento de que não é possível o conhecimento do apelo nobre interposto pela divergência, na hipótese em que o dissídio é apoiado em fatos, e não na interpretação da lei. Isso porque a Súmula nº 7 do STJ também se aplica aos recursos especiais interpostos pela alínea c do permissivo constitucional. 4. Agravo interno não provido. VOTO O recurso não merece provimento. De plano, vale pontuar que o presente agravo interno foi interposto contra decisão publicada na vigência do novo Código de Processo Civil, razão pela qual devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma nele prevista, nos termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ, na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. O inconformismo agora manejado não merece provimento por não ter trazido nenhum elemento apto a infirmar as suas conclusões. Na hipótese, o v. acórdão, quanto a alegada violação do art. 833, IV, do NCPC, repeliu a natureza previdenciária do numerário bloqueado, consoante se vê dos seguintes trechos: Quanto à alegação de que os valores seriam impenhoráveis, posto que o montante referente à executada seria inferior a 40 salários mínimos, não prospera. Isso porque, a impenhorabilidade prevista no inciso X, do artigo 833 do CPC, está restrita à caderneta de poupança. Quanto à tese de que a conta seria destinada ao recebimento de valores oriundos de previdência privada, observo que analisando o extrato juntado a fls.269/272, verifica-se que a conta não é exclusiva para o recebimento dessa verba, ao revés, há intensa movimentação financeira, sendo que os valores bloqueados (R$ 23.757,03 e R$ 42.142,35) foram resgatados de fundo de investimento. Logo, são valores que sobraram do orçamento mensal, perdendo totalmente o caráter alimentar (e-STJ, fl. 35). Dessa forma, conforme se nota, a Corte local assim decidiu com amparo no contexto fático-probatório da causa, de modo que a revisão do julgado, com o consequente acolhimento da pretensão recursal, demandaria, necessariamente, o reexame das provas, o que não se admite no âmbito do recurso especial, ante o óbice da Súmula nº 7 do STJ. A propósito: DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. AGRAVO DE INSTRUMENTO. RESPONSABILIDADE CIVIL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA.PENHORA SOBRE FATURAMENTO DE EMPRESA. REEXAME DO CONJUNTO PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 7 DO STJ. DECISÃO MANTIDA.AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Aplica-se o NCPC a este recurso ante os termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. 2. O Tribunal paulista, soberano na análise das provas dos autos, concluiu que a penhora do faturamento da empresa, apesar de ser medida excepcional, se justifica no caso, tendo em conta que não foram localizados bens idôneos para garantir a execução. Rever tal conclusão demandaria o reexame das provas dos autos, o que é inviável na estreita via do recurso especial, a teor do que dispõe a Súmula nº 7 do STJ. 3. Não sendo a linha argumentativa apresentada capaz de evidenciar a inadequação dos fundamentos invocados pela decisão agravada, o presente agravo não se revela apto a alterar o conteúdo do julgado impugnado, devendo ele ser integralmente mantido em seus próprios termos. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1.638.284/SP, de minha relatoria, Terceira Turma, j. 7/12/2020, DJe 11/12/2020) CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. AGRAVO DE INSTRUMENTO. PENHORA SOBRE PROVENTOS. EXCEPCIONALIDADE. VERIFICAÇÃO. REEXAME DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 7 DO STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Aplica-se o NCPC a este recurso ante os termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. 2. A orientação jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça estabelece que o salário, o soldo ou remuneração são impenhoráveis, sendo que essa regra somente pode ser excepcionada em situações especiais, as quais não foram constatadas na hipótese concreta. 3. Assim, ainda que se reconheça, em tese, a possibilidade de mitigação da regra de impenhorabilidade de vencimentos em situações absolutamente excepcionais, o exame concreto da excepcionalidade da medida na hipótese vertente, com vistas à alteração das conclusões apostas no acórdão recorrido, reclamaria o reexame dos elementos de convicção dos autos, providência vedada em recurso especial, nos termos da Súmula nº 7 do STJ. 4. Não sendo a linha argumentativa apresentada capaz de evidenciar a inadequação dos fundamentos invocados pela decisão agravada, o presente agravo não se revela apto a alterar o conteúdo do julgado impugnado, devendo ele ser integralmente mantido em seus próprios termos. 5. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1.515.629/DF, de minha relatoria, Terceira Turma, j. 17/2/2020, DJe 19/2/2020) De outra parte, a jurisprudência desta Corte firmou o entendimento de que não é possível o conhecimento do apelo nobre interposto pela divergência, na hipótese em que o dissídio é apoiado em fatos, e não na interpretação da lei. Isso porque a Súmula nº 7 do STJ também se aplica aos recursos especiais interpostos pela alínea c do permissivo constitucional. A propósito: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL. ART. 535 DO CPC/1973. VIOLAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. DEVOLUÇÃO EM DOBRO. MÁ-FÉ DO CREDOR. INEXISTÊNCIA. REEXAME. SÚMULA Nº 7/STJ. VERBA HONORÁRIA. APRECIAÇÃO EQUITATIVA. LIMITES. VALOR FIXO. CABIMENTO. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 7/STJ. .. 3. Não há como rever a conclusão do tribunal de origem, acerca da ausência de má-fé do credor a justificar a devolução em dobro dos valores pagos indevidamente, sem a análise de fatos e provas, o que é inviável no recurso especial devido à incidência da Súmula nº 7/STJ. .. 6. O reexame do conjunto fático-probatório da causa obsta a admissão do recurso especial tanto pela alínea "a" quanto pela "c" do permissivo constitucional. 7. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1.231.900/SP, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, Terceira Turma, j. 8/5/2018, DJe 15/5/2018). Assim, como não foi demonstrado o equívoco nos fundamentos da decisão agravada, deve ser mantido o não conhecimento do agravo em recurso especial. Nessas condições, pelo meu voto, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno.