REsp 1921858 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque as razões recursais são genéricas e deficientes, não demonstrando de maneira específica a contrariedade a dispositivos federais indicados, atraindo o óbice da Súmula 284/STF; ademais, o STJ não pode examinar, na via do recurso especial, alegada ofensa a dispositivos...
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- Parties
- Recorrente: União
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 10 September 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Não Conhecido
- Outcome
- Recurso especial não conhecido
- Legal Topics
- Cumprimento De Sentença, Honorários Advocatícios, Litigância De Má Fé, Prequestionamento, Embargos De Declaração, Adstrição Ao Pedido
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Parties
União
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Não Conhecido
Legal Issues
- 1 Omissão e contradição apontadas nos termos do art. 1.022 do CPC/2015
- 2 Alegada ofensa ao art. 93, IX, da CF/1988 (matéria constitucional)
- 3 Admissibilidade do recurso especial à luz do Enunciado Administrativo n. 3/STJ
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque as razões recursais são genéricas e deficientes, não demonstrando de maneira específica a contrariedade a dispositivos federais indicados, atraindo o óbice da Súmula 284/STF; ademais, o STJ não pode examinar, na via do recurso especial, alegada ofensa a dispositivos constitucionais, e aplicou-se a exigência dos requisitos de admissibilidade previstos no Enunciado Administrativo nº 3/STJ e no CPC/2015 (art. 932, III).
Court Disposition
Recurso especial não conhecido
Orders
- Não conheço do recurso especial, com fulcro no art. 932, III, do CPC/2015.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto pela União, com fundamento no art. 105, III, "a", da CF/1988, contra acórdão do TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO, nesses termos ementado: ADMINISTRATIVO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA CONTRA A FAZENDA PÚBLICA. LITISPENDÊNCIA. LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ AFASTADA. INCIDÊNCIA DO REAJUSTE DE 3,17% SOBRE A OPÇÃO FUNÇÃO. PEDIDO NÃO FORMULADO NA INICIAL. HONORÁRIOS DE EXECUÇÃO. RESTABELECIMENTO DO PERCENTUAL FIXADO.1. Para a caracterização da litigância de má-fé, capaz de ensejar a imposição de multa e de indenização da parte contrária, necessário o elemento subjetivo, qual seja, a intenção dolosa na propositura do segundo cumprimento de sentença, o que não se verifica no caso concreto.2. Há de ser negada a pretensão de incidência do reajuste de3,17% sobre a "OPÇÃO FUNÇÃO", eis que o pedido não foi formulado na inicial executiva, em atenção ao princípio da adstrição ao pedido.3. Admitida a fixação de honorários advocatícios, de modo independente, para embargos e execução, o percentual dos honorários executivos deve incidir, inclusive, sobre o valor anteriormente controvertido, não podendo ser aplicado o percentual reduzido arbitrado especificamente para os Embargos à Execução. Os embargos de declaração opostos foram parcialmente providos, com a seguinte ementa: DIREITO PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUTOS RETORNADOS DO STJ PARA REAPRECIAÇÃO. 3,17%. INCIDÊNCIA SOBRE RUBRICA "OPÇÃO FUNÇÃO". PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. INTEGRAÇÃO DO JULGADO. PREQUESTIONAMENTO. DISCIPLINA DOARTIGO 1025 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL.1. São cabíveis embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para esclarecer obscuridade ou eliminar contradição, suprir omissão ou corrigir erro material, consoante dispõe o artigo 1022 do Código de ProcessoCivil.2. Proposto o cumprimento de sentença sem o expresso pedido de pagamento dos valores apurados pela incidência do reajuste de 3,17% sobre a rubrica "opção função", há de ser entendida tal omissão como opção do credor, não podendo a natureza das rubricas permitir a conclusão de que está sendo postulado o reajuste sobre toda e qualquer rubrica percebida pelo exequente, inclusive sob pena de ser desnaturado o referido instituto da adstrição ao pedido formulado (aplicável inclusive à fase de cumprimento de sentença), não sendo razoável pressupor-se a concordância da executada (pela ausência de impugnação) quanto a pedido jamais formulado.3. Igualmente não se está diante de matéria de ordem pública (que permitiria a análise inclusive de ofício), mas, repita-se, de delimitação imposta pela própria parte exequente, que não postulou a execução de tais parcelas, nem mesmo quando da apresentação dos cálculos de prosseguimento da demanda, de modo que, não sendo possível à União exercer seu direito de defesa (via Embargos ou posterior impugnação a cálculos), não poderá ser reconhecida a preclusão da matéria em decorrência de concordância tácita, inaplicável in casu.4. O prequestionamento de dispositivos legais e/ou constitucionais que não foram examinados expressamente no acórdão encontra disciplina no artigo 1025 do Código de Processo Civil, que estabelece que nele consideram-se incluídos os elementos suscitados pelo embargante, independentemente do acolhimento ou não dos embargos de declaração. Sustenta a parte recorrente que o acórdão regional contrariou as disposições dos art. (a)1022, I e II, do CPC e 93, IX, da CF/88, pois, a despeito da oposição de embargos aclaratórios, o acórdão recorrido permaneceu omisso, (b)85, §1º e §2º, 86,81, §2º, e98, §4º, do CPC/2015, alegando em síntese que "deve ser restabelecida a má-fe bem como a distribuição da verba honorária" (fl. 230-e). Apresentadas contrarrazões É o relatório. Passo a decidir. Inicialmente é necessário consignar que o presente recurso atrai a incidência do Enunciado Administrativo nº 3/STJ: "aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC". Quanto à apontada ofensa aoart. 93, IX, da CF/1988, importante destacar que não cabe ao Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso especial, analisar suposta ofensa a dispositivos da Constituição Federal, ainda que a título de prequestionamento, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. Ilustrativamente: PREVIDENCIÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ERRO MATERIAL. EXISTÊNCIA. ISENÇÃO DE CUSTAS. PREQUESTIONAMENTO DE MATÉRIA CONSTITUCIONAL. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA PELO STF. SOBRESTAMENTO DO FEITO NO STJ. DESNECESSIDADE. EMBARGOS ACOLHIDOS EM PARTE. (..) 3. Não compete ao Superior Tribunal de Justiça, na via do recurso especial, o exame de suposta afronta a dispositivos constitucionais, ainda que para efeito de prequestionamento, por se tratar de matéria reservada à competência do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 102, III, da Constituição da República. (..) 6. Embargos de declaração acolhidos para corrigir o erro material e, atribuindo-lhes efeitos infringentes, reconhecer a isenção do INSS quanto ao pagamento das custas processuais. (EDcl no AgRg no REsp 1329053/RS, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/12/2013, DJe 07/02/2014) No que tange à alegada violação aoartigo1.022 do CPC/2015, verifica-se que as razões de recorrer são genéricas, na medida em que limitam-se a afirmar que o acórdão a quo foi omisso e contraditório, sem contudo delimitar que a tese omitida é fundamental à conclusão do julgado e, se examinada, levaria à sua anulação ou reforma. Trata-se de deficiência na fundamentação, caso em que se aplica, por analogia, o disposto na Súmula 284/STF, in verbis: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Destaque-se: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RAZÕES DO AGRAVO QUE NÃO IMPUGNAM, ESPECIFICAMENTE, O FUNDAMENTO DA DECISÃO AGRAVADA ALUSIVO À INVIABILIDADE DE EXAME, EM RECURSO ESPECIAL, DA ALEGADA AFRONTA AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. SÚMULA 182/STJ. AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL. ALEGAÇÃO GENÉRICA DE NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. ALEGADA VIOLAÇÃO AOS ARTS. 784, IX, E 803, I, DO CPC/2015, 202 E 203 DO CTN E 2º, § 5º, DA LEI 6.830/80. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. ART. 1.025 DO CPC/2015. INAPLICABILIDADE, NO CASO. INADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL, ADEMAIS, QUANTO À ALEGADA INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO, POR DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO RECURSAL. AGRAVO INTERNO PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESSA EXTENSÃO, IMPROVIDO. (..) V. No tocante à alegação de negativa de prestação jurisdicional, verifica-se que, apesar de apontar como violados os arts. 489 e 1.022 do CPC/2015, a parte agravante não evidencia qualquer vício, no acórdão recorrido, deixando de demonstrar no que consistiu a alegada ofensa aos citados dispositivos, atraindo, por analogia, a incidência da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal ("É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia"). Nesse sentido: STJ, AgInt no AREsp 1.229.647/MG, Rel. Ministro MOURA RIBEIRO, TERCEIRA TURMA, DJe de 15/06/2018; AgInt no AREsp 1.173.123/MA, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, DJe de 29/06/2018. (..) X. Agravo interno parcialmente conhecido, e, nessa extensão, improvido. (AgInt no AREsp 1596432/RJ, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 14/06/2021, DJe 17/06/2021 - grifo nosso) E o mesmo óbice também se aplica aos demais argumentos. Isso porque, a jurisprudência desta Corte não considera fundamentado o recurso especial (a) genérico, sem a efetiva demonstração de contrariedade à lei federal (cf. AgRg no AREsp 288.596/MG, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, DJe 11/03/2016), (b) dissociado do contexto nos autos (cf. REsp 1337635/PE, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe 01/08/2013), (c) em que os dispositivos apontados não possuem comando normativo apto para infirmar os fundamentos do decisum (cf. AgRg no REsp 1279021/BA, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, DJe 11/11/2013). No caso o recorrente limita-se a apontar violação aos artigos 85, §1º e §2º, 86, 81, §2º, e 98, §4º, do CPC/2015, sem demonstrar clara e especificamente como eles foram violados pela corte de origem, restando clara a deficiência na fundamentaçãoo que também atrai a aplicação do óbice da Súmula 284/STF. Ilustrativamente: CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO. PLANO DE SAÚDE COLETIVO.MAJORAÇÃO ANUAL DA MENSALIDADE. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DO AUMENTO DE INSUMOS E SERVIÇOS. FUNDAMENTO NÃO IMPUGNADO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. SÚMULA Nº 283 DO STF. REAJUSTE EM VIRTUDE DA ALTA SINISTRALIDADE. FUNDAMENTOS RECURSAIS DISSOCIADOS DO ARESTO COMBATIDO. SÚMULA Nº 284 DO STF. AUSÊNCIA DE PROVA QUE JUSTIFICASSE O REAJUSTE. IMPOSSIBILIDADE DE REVOLVIMENTO DE PROVAS E INTERPRETAÇÃO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS NºS 5 E 7 DO STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL PREJUDICADO. APELO NOBRE NÃO CONHECIDO. (..) 2. A subsistência de fundamentos inatacados impede a admissão da pretensão recursal, a teor do entendimento da Súmula nº 283 do STF, e a dissociação das razões recursais daquilo que ficou decidido pelo eg. Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios obstaculiza a análise do objeto recursal, a teor da Súmula nº 284 do STF. (..) 5. Recurso especial não conhecido. (REsp 1848022/DF, Rel. Ministro MOURA RIBEIRO, TERCEIRA TURMA, julgado em 01/09/2020, DJe 08/09/2020 - grifo nosso) Ante o exposto, com fulcro no art. 932, III, do CPC/2015, não conheço do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO N. 3/STJ. SERVIDOR PÚBLICO. DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DO STF. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC/2015. SÚMULA 284/STF. DISPOSITIVOS FEDERAIS VIOLADOS. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO.