AREsp 1923408 - DECISAO
Conheceu-se do agravo para conhecer parcialmente do Recurso Especial quanto à alegação de violação do art. 489, § 1º, do CPC/2015 e, nessa extensão, negou-se provimento por entender que o acórdão recorrido está devidamente fundamentado; quanto às demais alegações (arts. 248 e 249 do CC) não houve prequestionamento...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 October 2021
- Procedural Posture
- Agravo De Decisão Contra Inadmissão De Recurso Especial / Julgamento Do Agravo E Análise De Admissibilidade Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do Agravo para conhecer parcialmente do Recurso Especial somente com relação à tese de violação do art. 489, § 1º, do CPC/2015, e, nessa extensão, negar-lhe provimento.
- Legal Topics
- Cumprimento De Sentença, Obrigação De Fazer, Prequestionamento, Embargos De Declaração, Recurso Especial, Conversão Em Perdas E Danos
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Procedural Posture
Agravo De Decisão Contra Inadmissão De Recurso Especial / Julgamento Do Agravo E Análise De Admissibilidade Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Alegada violação do art. 489, § 1º, do CPC/2015
- 2 Alegada violação dos arts. 248 e 249 do Código Civil
- 3 Impossibilidade de cumprimento de obrigação de fazer sobre bem de terceiro e consequente conversão em perdas e danos
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo para conhecer parcialmente do Recurso Especial quanto à alegação de violação do art. 489, § 1º, do CPC/2015 e, nessa extensão, negou-se provimento por entender que o acórdão recorrido está devidamente fundamentado; quanto às demais alegações (arts. 248 e 249 do CC) não houve prequestionamento pelo Tribunal de origem, incidindo a Súmula 211/STJ, o que torna inviável o conhecimento do Recurso Especial.
Court Disposition
Conheço do Agravo para conhecer parcialmente do Recurso Especial somente com relação à tese de violação do art. 489, § 1º, do CPC/2015, e, nessa extensão, negar-lhe provimento.
Orders
- Conheço do Agravo para conhecer parcialmente do Recurso Especial relativamente à tese de violação do art. 489, § 1º, do CPC/2015, e, nessa extensão, nego-lhe provimento.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de Agravo de decisão que inadmitiu Recurso Especial (art. 105, III, "a", da CF/1988) interposto contra acórdão cuja ementa é a seguinte: AGRAVO DE INSTRUMENTO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA OBRIGAÇÃO DE FAZER ALEGAÇÃO DE IMPOSSIBILIDADE DE CUMPRIMENTO DESCABIMENTO AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO PLAUSÍVEL ELEMENTOS IDENTIFICADORES DA EXEQUENTE DISPONÍVEIS.RECURSO NEGADO. Os Embargos de Declaração foram rejeitados. Aagravante, nas razões do Recurso Especial, sustentaque ocorreu violação dos arts. 489, § 1º, e499 do CPC/2015 e 248 e 249 do CC. Aduz: Com efeito, uma vez que a r. sentença, que é o título judicial executado pelo Recorrido, condenou a Recorrente a providenciar a demolição de muro, que pertence a Terceiro, sob pena do serviço ser realizado por terceiro, diante da impossibilidade e a ilicitude em demolir bem que é de Terceiro, resta incontroversa a IMPOSSIBILIDADE de cumprimento da obrigação e a sua imprescindível conversão em perdas e danos. Houve juízo de admissibilidade negativo na instância de origem, o que deu ensejo à interposição do presente Agravo. É orelatório. Decido. Os autos foram recebidos neste Gabinete em 20.9.2021. Preliminarmente, constata-se que não se configurou a ofensa ao art. 489, § 1º, do Código de Processo Civil, uma vez que o Tribunal de origem julgou integralmente a lide e solucionou a controvérsia. Não é o órgão julgador obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos trazidos pelas partes em defesa da tese que apresentaram. Deve apenas enfrentar a demanda, observando as questões relevantes e imprescindíveis à sua resolução. Na hipótese dos autos, a agravante busca a reforma do aresto impugnado, asseverando que o Tribunal a quo não se pronunciou sobre o tema ventilado no recurso de Embargos de Declaração. Todavia, verifica-se que o acórdão controvertido está bem fundamentado, inexistindo omissão ou contradição. Vale destacar que o simples descontentamento da parte com o julgado não tem o condão de tornar cabíveis os Embargos de Declaração, que servem ao aprimoramento da decisão, mas não à sua modificação, só muito excepcionalmente admitida. No que tange à apontada violação dos arts. 248 e 249 do CC, a irresignação também não merece prosperar, uma vez que o Tribunal de origem não emitiu juízo de valor sobre os dispositivos legais cuja ofensa se aduz. O Superior Tribunal de Justiça entende ser inviável o conhecimento do Recurso Especial quando os artigos tidos por violados não foram apreciados pelo Tribunal de origem, a despeito da oposição de Embargos de Declaração, haja vista a ausência do requisito do prequestionamento. Incide, na espécie, a Súmula 211/STJ. Esclareça-se que nãoconfigura contradiçãoafirmar a falta de prequestionamento e afastar alegação de afronta ao art. 489, § 1º,do Código de Processo Civil, uma vez que é perfeitamente possível que a decisão se encontre devidamente fundamentada sem que, no entanto, tenha sido decidida a causa à luz dos preceitos jurídicos desejados pelo postulante, pois a tal não está obrigado o julgador. Confira-se: PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. CONCESSÃO ESPECIAL DE USO PARA FINS DE MORADIA. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC/73. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTODO DISPOSITIVO DE LEI INVOCADO. NÃO VERIFICAÇÃO POR ESTA CORTE DE ERRO, OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE NO ACÓRDÃO VERGASTADO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 211/STJ. OPOSIÇÃO AO EXERCÍCIO DA POSSE CONSTATADA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. REEXAME DE FATOS E PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. 1. Cuida-se de ação ordinária ajuizada pela recorrente com o objetivo de concessão de uso especial de imóvel para moradia. 2. Inexiste violação do art. 535 do CPC/73 quando a prestação jurisdicional é dada na medida da pretensão deduzida. 3. Quando a questão levantada não foi discutida pelo Tribunal de Origem e não foi verificada por esta Corte existência de erro, omissão, contradição ou obscuridade não cabe prequestionamento da matéria, nos termos do art. 1.025 do CPC, incidindo na espécie o enunciado da Súmula 211/STJ. 3. Nãoconfigura contradiçãoafirmar a falta de prequestionamento e afastar indicação de afronta ao art. 535 do Código de Processo Civil de 1973, uma vez que é perfeitamente possível o julgado se encontrar devidamente fundamentado sem, no entanto, ter decidido a causa à luz dos preceitos jurídicos desejados pela postulante, pois a tal não está obrigado. 4. In casu, tendo o Tribunal de origem, soberano na análise das circunstâncias fáticas e probatórias da causa, apreciado a controvérsia acerca da inexistência de posse mansa e pacífica, a partir de argumentos de natureza eminentemente fática, não há como aferir eventual violação de dispositivo legal sem que se reexamine o conjunto probatório dos presentes autos, tarefa que, além de escapar da função constitucional deste Tribunal, encontra óbice na Súmula 7 do STJ, cuja incidência é induvidosa no caso sob exame. Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp 844.804/MG, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe 15/4/2016) Ante o exposto, conheço do Agravo para conhecer parcialmente do Recurso Especial, somente com relação à tese de violação do art. 489, § 1º, do CPC/2015, e, nessa extensão, negar-lhe provimento. Publique-se. Intimem-se.